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E lá ia, triste como se via. João se sentia depressivo outra vez, estava garoando e ele estava com seu guarda chuva preto como sempre. Se sentia um estranho no ninho. Todos que passavam por ele pareciam vultos cinzas. Ele sequer prestava atenção ao seu redor. Estava alheio ao mundo. Lágrimas escorriam pelo seu rosto velho e cansado de trabalhador. Ele não podia conter sua tristeza. Sua filha, sua preciosa e amada filha havia partido deste mundo. Jovem, 6 para 7 anos. Vitimada por pneumonia crônica. Era mais um caso fatal diziam os legistas. Cada momento com ela, parecia ter passado em um abrir e fechar de olhos.

João, não era o homem com tanto tempo disponível. Havia tido seus tempos de glória e prosperidade. Mas a crise o botara abaixo. Ele gostaria de ter passado mais tempo com ela. Gostaria de ter tido tanto tempo disponível. Mas com a crise, e sua queda o trabalho só se intensificou. E a filha ficava em casa com a babá, esperando a chegada do pai depois de um dia de tanto trabalho para ele.

Quando ele aparecia em casa, era uma festa: “Papai! Papai!”. Geralmente acompanhado de um “Quero lhe mostrar algo novo!” ou “Vamos jantar juntos hoje!”. Ela era a luz em sua vida. E agora, nada mais restava. Tudo havia acabado.

Então, lá estava sua casa. Cheia de lembranças boas e ruins. Ele abriu o portão e entrou. colocou o guarda chuva ao lado de um vaso de hortênsias, e abriu a porta. Ao entrar, acariciou Pintado, o gato que sua filha havia escolhido. E foi para o quarto. Sentou-se na cama, e chorou.

Iria se juntar a Lana sua filha. Iria passar mais tempo com ela.

João olhou para o coldre preto. Parecia convidativo ante uma situação como aquela. Ele abriu o coldre. Finalmente iria recuperar o tempo perdido.

Autor: Franklin Domingos

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