Battle City

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O ano exato eu não lembro, mas foi nos anos 90. Meu pai, o gamer da família, comprou um Famicom original (embora na minha memória o console fosse branco e dourado, não vermelho). Já tínhamos famiclones e cartuchos, mas não sabíamos que eram os mesmos jogos, então ele trouxe um novo original da loja. Lembro até hoje de desembalarmos o plástico bolha e plugarmos a fita amarela no console.

Battle City. Meu pai e eu sentávamos na beira do sofá, com a brisa úmida que entrava pela porta aberta em dias nublados, e jogávamos o jogo do tanquinho até a mão doer!

Eu jogava bem mais, pois tinha as tardes livres quando criança. Mas, assim como o Famicom era diferente em minhas memórias, o Battle City que me lembro quando jogava de um player era bem diferente das roms que encontro hoje na internet.

As primeiras fases ainda consigo lembrar de serem iguais, ainda mais porque meus pais quando as veem nos emuladores comentam coisas que viam nos gráficos, especialmente uma que parece um cara de gorro que chamam de Gorfo (sei lá quem é). Mas lembro vagamente de coisas além.

Havia um powerup que nunca encontrei nas roms, que era uma gotinha que permitia o tanque passar na água (mais ou menos como o barquinho que tem no Tank 1990). Também lembro de ser capaz de destruir as plantas verdes quando pegava mais de três estrelinhas (não consigo isso nas roms, mas vi que tem isso no Tank 1990, o que me faz pensar que essa versão foi feita por pessoas que também viram esses powerups daquele Battle City original).

Algo que não vi em nenhuma rom foi um supertiro, apenas um destruía tudo pelo caminho até bater na parede da arena. Esse é só um dos vários powerups que não encontrei.

Outro era uma asinha, como de avião, que permitia o tanque passar sobre tudo, inclusive tijolos e pedras. Esse era perigoso, pois se passasse sobre a fênix ela morria.

Falando na fênix, lembro que em algumas fases ela parecia piscar o pixel do olho quando haviam muitos tanques ao meu redor, e então mesmo sem acertar um dos que piscavam rosa, aparecia um powerup para pegar. A fênix era muito mais inteligente e amiga nas minhas memórias.

Nessas vezes que haviam muitos inimigos na tela, o jogo parecia bugar, pois meu tanque também piscava rosa, e se tomasse um tiro, dropava um powerup aleatório que até os inimigos podiam pegar. Esse era um dos desafios mais legais do jogo, por que não existe mais?

A cada fase o negócio dificultava. Lá pela 60 (isso de madrugada, meus olhos ardendo, meu pai dormindo) os tanques ficavam mais rápidos (ou eu estava cansado?), e alguns atiravam até para trás. Mais fases depois até para os lados atiravam, e haviam outros modelos de tanques. A tela pós-arena comportava mais de quatro tipos para dar o bônus, então devia ser normal.

Nessa tela de bônus após as fases que a águia me ajudava, aparecia um THANK YOU debaixo do total. Não sabia se era ela me agradecendo ou vice-versa. Só queria jogar mais.

Mas cheguei num nível tão difícil, passava do 130, que os tanques me fechavam de um jeito… parecia um bullet hell! Haviam linhas de pedras brancas abertas só pelos cantos e outros elementos espalhados entre elas. Não tinha muito para onde correr. A fênix piscava e jogava vários powerups, mas eu estava tão encurralado que mal chegava perto deles.

Enquanto alguns tanques pesadões me fechavam e tiravam algumas das dez vidas que conquistei no jogo até ali, outros iam pelo outro lado e chegavam perto da fênix. Mesmo com o tiro mais fraco consegui abrir um caminho para pegar o powerup que criava uma barreira temporária de pedras, mas eu tinha que chegar lá embaixo antes que ela sumisse e as peruinhas matassem a fênix. Os tanques me seguiam (pareciam mais inteligentes), e a fênix me deu alguns powerups no caminho. Apesar da arena pequena de 13x13, nessa fase pareceu uma viagem e tanto. Consegui o tiro médio, podendo soltar dois por vez. Chegava perto da concentração de peruinhas e tanques quando a fênix me deu o powerup da asinha, de passar por cima de tudo. Nessa jogatina que conheci esse powerup.

Já não haviam mais tanques para aparecer, nenhum ícone na lateral direita, mas continuavam surgindo tanques. A tela estava flickando, o coitado do Famicom não suportava tantos sprites. Os tanques novos iam pelo outro lado. Não daria tempo de dar a volta. Eu achava que a asa me faria voar, então depois de destruir os tanques desse lado, quebrei com cuidado a parede do lado da fênix e passei sobre ela para chegar ao outro lado, quebrar a parede também e matar os outros tanques. Mas ao passar sobre a águia, ela explodiu. Foi diferente de um game over comum, pois a tela toda piscou, o fundo preto em vermelho, e o som da explosão foi tão alto que pulei para trás e quase puxei o console junto!

Subiu o texto GAME OVER e, após a contagem de pontos, a tela ficou preta em vez de aparecer o mesmo texto escrito com tijolos. No lugar, veio o texto WHY? com pedras brancas, sobre a fênix morta, e mesmo morta ela piscou. Após um estridente grito agudo de 8 bits, voltou para a tela de início.

Talvez não seja uma coisa grande, mas aquela madrugada eu não esperava ver tudo isso. Depois daquilo preferi jogar Rockman e Super Mario Bros mesmo. Ficou tão marcado, pelo inesperado eu acho, que ainda caço roms pela internet em busca daquela versão que joguei, mas nunca mais consegui.

O Tank 1990 não tem nem metade de tudo que vi naquele Battle City original. Se alguém tiver essa rom, manda pra mim. Valeu.

Autor: Andrew S. Leist

10 comentários :

  1. Voltamos para 2011 com histórias de cartuchos amaldiçoados ? Sempre achei tranqueiras essas coisas, mas gosto de ler

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  2. eaeeee pessoass do blog nunca mais vim aqui uhuhuhhuhuhu efeito mandela


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    1. "A Sua Mãe voltou", que legal xDDD.

      Seria legal voltar A Senhora dos Absurdos =v.

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  3. falando serio agora adorei a creppy gabriel

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  4. Eu curti :3 apesar de ser uma daquelas clássicas creepys de games de cartucho, não foi nada exagerado como "daí tentei desligar o console e não consegui, os personagens disseram meu nome e apareceu uma foto minha morto pixelada". Algo que assustaria uma criança que estivesse jogando o game, porém não muito fora da nossa realidade.

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    1. PRGDL02022

      Concordo com você, acho que esse foi o diferencial...

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  5. Eu curti bastante, deu até pra imaginar a Fênix piscando xD

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  6. Sdds dessas creepys sobre desenhos e jogos amaldiçoados, principalmente desses jogos de cartucho que marcaram minha infância ^____^
    Traz mais pls

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