23/05/2015

LIVE ESPECIAL DE SÁBADO


Estamos de volta. LIVE DE SÁBADO, com contos, lendas, teorias, e muito bate-papo com vocês.

link: https://www.youtube.com/watch?v=rf8JOiSz83s


22/05/2015

Escola Dominical


Nós aprendemos sobre Jesus na Escola Dominical hoje. Como ele morreu por nossos pecados e ressuscitou. Mas eu não entendia.

"O que é a morte?" Perguntei.

Eu não entendia o que significava. Algo vai embora para sempre? Como pode ser isso?

Eu ja cortei ela ,a esmaguei e ainda jogou ela na parede - mas a minha hamster está sempre bem no dia seguinte. Às vezes, na parte da manhã, outras vezes, depois da escola, mas sempre no dia seguinte. Até aquela coisa vermelha que sai dela, desaparece.

Minha hamster é o messias? Eu perguntei, explicando.

Minha professora só olhou para mim, como minha hamster faz quando eu a aperto muito forte.

Eu não acho mais que o minha hamster seja o messias. Não pode ser isso... Não, minha professora estava errada; a morte não é real. Ela vai ver, todos eles vão ver, depois que acordarem amanhã.

20/05/2015

Eu o Conheço Tão Bem...

Eu o conheço tão bem.

Ele vai para a cama às dez, todas as noites. Ele se despede de seus amigos na internet e fecha seu laptop, pontual como um relógio, e, em seguida, ele troca de roupa e vai para a cama. Ele sonha, mas nunca se lembra o que foi. Quando ele acorda de manhã, ele está sempre sonolento, e ele se apressa para chegar à escola a tempo. Ele chega em casa às 03:36 da tarde e faz sua lição de casa, e, em seguida, ele retorna ao seu laptop. Ele gosta de balas de goma, filmes de terror e músicas com vocais gritados. Ele realmente não tem nenhum amigo além de mim, então ele mantém um pouco de erva em sua gaveta de meias para quando a solidão fica demais. Ele não sabe o que ele quer fazer depois da escola, mas ele sabe que ele quer ir viver em uma cidade grande. Londres, talvez. Ele é tão triste porque ele não percebe como ele é bonito. Eu não sei o que seria de mim se eu não o amasse. Eu não era nada antes dele.

Nós estamos vivendo juntos há 12 meses agora, e é bom. Eu costumava ser uma daquelas pessoas sem rosto com quem ele fala online, até que ambos percebemos que não poderiamos viver estando tão longe um do outro. Mudei-me para o outro lado do país para estar com ele, eu fiz tantos sacrifícios e não me arrependo de nada disso. Seus pais são bons, mas só passamos a maior parte do tempo em seu quarto. Não nos falamos como costumávamos fazer antes de me mudar, no entanto. Na maioria das vezes eu só o observo. É assim que eu sei muito sobre ele.

Hoje à noite, sua rotina mudou. Ele não toca no laptop, e só fica na cama com o rosto no travesseiro e chora. Eu estava preocupada, até que olhei para o calendário e percebi a data. Claro que ele está chateado;

Já faz um ano desde que eu me enforquei.

18/05/2015

Sob a Coberta

Analisando o passado, eu diria que tive uma boa infância. Nada de ruim aconteceu comigo, quase nunca fiquei doente, nunca quebrei nenhum osso ou briguei com parentes quando eles faziam visitas. Eu era basicamente o filho “perfeito” (sem querer me gabar).

Exceto por uma vez... Eu visitava meus primos mais velhos quando presenciei o momento mais estranho que consigo me lembrar, e até hoje, ainda não consigo me convencer de que foi apenas minha imaginação.

Eu devia ter uns seis anos naquela época, mas ainda me lembro de tudo como se fosse ontem. Eu havia subido em cima de árvores a maior parte do dia, e, quando começou a anoitecer, nós entramos em casa. Meus tios haviam saído para jantar e nos deixaram sozinhos, e eu resolvi sugerir, “Vamos brincar de esconde-esconde!”.

Ás vezes eu me pergunto como seria a história se eu não tivesse sugerido isso.

Bom, era a vez do Alex de procurar, pois ele havia perdido no ‘pedra, papel e tesoura’, assim, Ray e eu fomos nos esconder.

Primeiro, tentei me espremer atrás do sofá, meu lugar preferido de ficar, mas estava mais perto da parede do que o normal, e por mais magro que eu fosse, não conseguia ficar lá.

Alex estava na metade da contagem, então, sem pensar, corri até o quarto deles e olhei ao redor, tentando achar algum lugar para me esconder, mesmo que não fosse tão bom quanto o anterior.

O quarto era bem bagunçado e eu resolvi me esconder debaixo da mesa, eu cabia direitinho... Qualquer coisa era melhor do que ser encontrado ainda procurando um lugar para se esconder.

Enquanto eu me abaixava percebi que minha outra prima, Ray havia chegado lá primeiro. Eu conseguia enxergar uma mecha do cabelo dela sob a coberta que ela se encontrava; Alex estava quase terminando a contagem, e eu, sem pensar, acabei me juntando a Ray.

Eu pedi para ficar perto dela, mas quando tentei puxar a coberta para me esconder, ela se afastou. Eu me aproximei novamente, falando um longo “pooor favorrrr”, mas ela continuou se afastando, tentando ao máximo evitar meu toque.

Tudo bem, eu pensei. Isso é justo, ela estava aqui antes de mim... Faz sentido que eu seja o primeiro a ser pego.

Eu disse que conseguia ver o cabelo dela, e ela se mexeu numa tentativa (falha) de esconder a mecha.

Acabei ficando lá, mas sem a coberta, e mesmo assim o lugar não era tão ruim. Tinha umas caixas na frente e eu não seria visto; eu me encostei um pouco no cobertor e sussurrei que era um bom lugar e a resposta de Ray foi se mexer embaixo da coberta. Foi então que ouvi Alex entrar no quarto, ele olhou ao redor, checando embaixo das camas que estavam em frente à mesa e eu prendi minha respiração.

Ele levantou e checou em outros lugares antes de sair do quarto; eu suspirei aliviado e sussurrei para Ray que tinha sido “por pouco” e Ray novamente apenas se mexeu embaixo da coberta.

Do lado de fora do quarto eu ouvi as vozes de Alex e Ray gritarem, “Ollie, ollie, cadê você?” vindo de outro cômodo. Então, eu comecei a levantar orgulhoso por não ter sido encontrado, e chamei a Ray, mas ela nem se mexeu.

Foi então que eu percebi que meus dois primos estavam gritando do outro cômodo, e foi como um choque na minha mente quando eu percebi que só eu e meus dois primos estávamos em casa.

O pânico correu em meu corpo como se fizesse parte de mim quando eu comecei a correr para fora do quarto e me deparei com os dois lá fora.

Eu tentei explicar da melhor maneira que pude que havia sim alguém no quarto comigo, e eles, é claro, não acreditaram em mim. Eu tentei levá-los para o lugar que eu havia me escondido, para provar que era verdade, mas não pude acreditar quando finalmente chegamos lá.

Não havia nada embaixo da mesa.

A coberta estava completamente vazia e jogada no chão.

Meus primos riram de mim enquanto eu procurava por todo o quarto, as caixas, perto da mesa e embaixo das camas; aquilo não podia ter sido apenas impressão.


Mas havia ido embora; depois de anos, eu ainda não tenho explicação sobre o que era aquilo... E francamente, eu estou feliz por nunca ter visto o que realmente estava sob a coberta.

17/05/2015

NES Godzilla - Trance


Eu ainda estava muito chocado pelo último nível quando eu comecei “Trance". A música do mapa de Trance não fez nada para aliviar a tensão.

Como vou descrever isso...

Você já ouviu o tema de Videodrome? Essa era a coisa mais próxima da qual eu podia comparar.

Eu chequei para ver qual era o novo monstro, e era Orga. Um monstro que não fez sua estreia nos filmes até 2000, aparecer num jogo feito em 1988. Não tinha jeito desse jogo ter sido feito em 1988!


Aqueles caras do Toho podiam ser espertos, mas estou certo de que eles não podiam ver tudo em um futuro distante. Se pudessem, eles nunca dariam ao Roland Emmerich os direitos para fazer um filme do Godzilla.

Não, isso só podia ser um hack de algum tipo. Quem criou esse hack? Quando? Onde? Como? E o mais importante, porquê? O “porquê? ” Foi a questão que mais me incomodou.

Meu pensamento imediato, foi pensar que Billy fez isso para me trollar. Mas isso não podia estar certo. Billy nem mesmo sabia como criar um hack de ROM. E se soubesse, ele iria fazer algo simples e estúpido, como substituir os monstros com genitais cruelmente desenhadas. A menos que Billy tivesse incríveis habilidades de edição, e um sério traço sombrio em sua imaginação, no qual ele nunca me contou. Ele não poderia ter feito isso. 

Seria mesmo possível colocar um ROM hackeado num cartucho?

Diante disso tudo, meus olhos desenharam um caminho até um novo ícone no mapa: Um ponto de interrogação. Eu estava realmente curioso para ver o que ele fazia.


Estou certo de que você também está curioso, então irei explicar o “Quiz Level” desde que eles começaram a aparecer. Havia um desses por mapa, daqui a diante, e eles sempre apareceriam perto no início do mapa.

Quando você iniciava um “Quiz Level”, você chega numa tela como essa:

 “Você gosta de cães? ”

Como você pode ver, há uma pergunta no topo, um “sim” e um “não” em botões, e um emoticon no centro. Eu me refiro ao emoticon como “Cara” (bem criativo, eu sei), e por conveniência, me irei referir à “Cara”, como se ela estivesse fazendo as perguntas.

A música dos “Quiz levels” era uma trilha que realmente estava no jogo. É uma que toca quando você tenta usar o cheat “Gh1d0ra” e é enviado para um nível não jogável.

As caras te faziam doze perguntas de verdadeiro ou falso, e você movia seu monstro pelos botões de resposta.

Quando você respondia, as questões desapareciam e a cara mudava de expressão por oito segundos, então ela ficava neutra e uma nova questão aparecia. Não havia tempo limite e nem mesmo respostas certas ou erradas.

As caras não haviam respeito pela idade pessoal dos jogadores, e fazia algumas perguntas perturbadoras e pessoais, por exemplo: (Você gosta de machucar pessoas?), (Você já matou alguém?), (Você já estuprou alguém?), (Você já foi molestado por um membro da família?).

Outras vezes ele fazia perguntas que eram tediosamente estúpidas como (“O sol é quente? ” E “A água é molhada? ”) Ou apenas perguntas rasas e ridículas como (Seu cachorro gosta do presidente?) E talvez uma por quiz, a cara iria te fazer uma pergunta sobre o jogo.

Uma exceção: A expressão da cara parecia não surtir efeito no jogo, exceto indicar o que o criador do jogo pensou da sua resposta. Suas reações raramente faziam efeitos, e de primeira, eu achei que eram aleatoriamente geradas.

As questões nunca seguiram um padrão, as caras nunca ficavam no mesmo assunto por mais que duas questões. Às vezes, haviam questões que me fizeram pensar que as caras estavam tentando me levar à algum lugar, mas logo depois perguntavam algo estúpido.

Estão aqui as expressões das caras que vi enquanto jogava...

Irei dividi-las em duas categorias: As expressões que eu entendi e as que eu não entendi.

Primeiro estão as expressões que eu entendi:


  1. Neutro, sua expressão padrão.
  2. Nervoso (Se você tentar atacar a cara, sua expressão mudava para isso. Mas nada mais acontecia).
  3. Triste
  4. Feliz
  5. Doente
  6. Maníaco (Cara usada quando ele estava sendo um cuzão. Você vai entender o que eu digo depois.)
  7. Surpreso
  8. Amando
  9. Irritado
  10. Confuso
  11. Culpado/Ferido
E aqui estão as outras:

Dois desses apareceram apenas uma vez (Números #1 e #12), e eu suspeitei que elas estavam nas piadas do criador. Suas respectivas perguntas foram “Você gosta de sorvete? “ E “Você é um cara confiável? “.

Para as questões do primeiro Quiz: Felizmente, eu tinha uma caderneta e uma caneta ao meu alcance, então eu peguei uma para anotar as coisas, e algumas vezes eu desenhava nela quando entediado. Então quando o primeiro quiz começou, eu pensei que eu iria gravar o que o que aconteceu.

Estou feliz que sim.

Estão aqui a primeira série de perguntas, minhas respostas e a reação da cara:

Quiz 1
  1. Você gosta do jogo?
    Resposta: Sim, Reação: Feliz.
  2.  Você está com medo?
    Resposta: Sim, Reação: Surpreso.
  3.  Você é maior de dezoito?
    Resposta: Sim, Reação: Cara estranha Número 5
  4. Pássaros têm dentes?
    Resposta: Não, Reação: Amor.
  5. Manteiga de amendoim é bom?
    Resposta: Não, Reação: Doente.
  6. A lua gira?
    Resposta: Sim, Reação: Cara estranha 11
  7. Você tem um emprego?
    Resposta: Sim, Reação: Confuso.
  8. Você gosta de ferir pessoas?
    Resposta: Não, Reação: Irritado.
  9. O sol é quente?
    Resposta: Sim, Reação: Triste.
  10. Gosta de cães?
    Resposta: Sim, Reação: Feliz.
  11. O presidente é bom?
    Resposta: Sim, Reação: Cara estranha 3
  12. Seu cão gosta do presidente?
    Resposta: Não, Reação: Nervoso
Agora que eu já expliquei tudo isso, hora da gameplay.

Após esse nível de quiz, eu experimentei o primeiro ícone verde (e novo).


Wow! Talvez esse era o porquê do jogo ser tão estranho – um dos designers estava claramente drogado!

Piadas à parte, eu estava bem impressionado com os gráficos desse nível e o quão desorientador ele era (Mas ainda odeio aquelas estátuas assustadoras, com olhares vagos). A música tinha uma hipnótica vibe Techno-Indiana.

Haviam dois novos inimigos nesse nível: Uma coisa fantasma voadora com um tanque, e um morcego com um crânio de cavalo no lugar da cara. Eles apareciam aleatoriamente, mas tive sorte ao tirar a screencap de ambos:


Então eu prossegui para um nível das montanhas azuis, esperando outra caminhada boa, calma. Perdi meu tempo caminhando, e fui completamente pego de surpresa quando isso aconteceu:


Um “Não-Moguera” veio rapidamente contra mim e tirou um pouquinho da vida com seu tentáculo! Apenas me tomou dois minutos para matar ele sem ter que me preocupar com o tempo limite, mas os chefões NUNCA apareceram nos níveis (novamente) no jogo normal. Eu estava preocupado com as regras que o jogo iria quebrar.

Após outra fase das montanhas azuis, era hora de lutar com o “Não-Varan”, que foi substituído por uma das coisas mais bizarras do jogo:


A estranha criatura te atacava com chutes, e também abrindo seu peito e atirando mísseis de caça... eu ainda não me acostumei.


Os mísseis às vezes eram dolorosos de se lidar, mas eu vi que você podia abanar eles com a cauda. “Not-Varan” foi provavelmente o mais fácil das substituições.
O mesmo não podia ser dito para o “Não-Hedora”.

Aparentemente a origem dos cavalos-morcegos, “Não-Hedora” foi o mais agravante e difícil dos monstros para se lutar com. Ainda mais por causa da sua habilidade especial: Ele poderia gritar e invocar um monte daquelas coisinhas de sua espécie.
Eu sabia que haviam apenas dois na screencap, mas todas as vezes que ele fazia isso, mais de dez deles chegavam.

A AI tomava vantagem das distrações e atacava duas vezes mais rápido enquanto os cavalos-morcegos estavam voando em volta.


Ainda muito irritado sobre isso, eu fui para outro templo verde para matar alguns inimigos para restaurar minha vida. Interessantemente, nenhum dos cavalos-morcegos apareceram após a derrota do “Não-Hedora”. E então eu tive uma idéia:

Se matar todos os monstros fazia o Cara-Vermelha aparecer, o que aconteceria se eu evitasse de lutar com Orga e fosse de volta para base?

Então eu tentei:
 
“Não há monstros aqui. ”

O jogo me dizia que não havia monstros ali, quando eu tentei começar o nível base. E imediatamente depois, o jogo tomou controle da minha peça do Godzilla e o moveu para Orga. Meu truque não havia funcionado, então eu tentei me preparar para outra corrida. Mas primeiro, eu tinha que derrotar Orga.


A luta contra orga confirmou outra coisa: “Seja lá quem criou aquele hack, era claramente um fã do Godzilla. Não apenas por quê eles pegaram um monstro como Orga, mas porque eles implementaram algo que aconteceu em “Godzilla 2000” de um jeito muito preciso e rápido.

O primeiro ataque de Orga foi um soco e um raio de calor de sua cavidade do ombro. Mas uma vez que você tinha tomado metade de sua vida, ele fazia algo novo: Ele abria suas presas e tentava engolir Godzilla, e no processo, roubava sua vida e energia!


Mas então, ele me mostrou uma nova fraqueza: Atirar um raio de calor em sua boca tomaria devastadoras quatro barras de sua régua de vida!

Com aquela fraqueza revelada, logo derrotei Orga, e fora o tanto que eu esperava, a cara vermelha apareceu no mapa aonde a base estava, e a música parou.


Eu me preparei o melhor que pude. Comecei o nível, e vendo o quanto era parecido com o primeiro, eu não gastei um milissegundo antes de eu começar a tomar uma atitude.
Brevemente encontrei obstáculos na forma de um bloco de chão, suspendidos no ar. Na maioria deles você podia pular ou destruir, já em outros, você podia se abaixar e passar por baixo deles.

Após quarenta segundos nessa droga, ouvi um ruído crescente horrível e vi a besta aracnídea me seguindo, bem atrás de mim. Pilhas de obstáculos pouco o paravam, pois ele voltava e então se enfurecia pelo caminho, as esmagando em pedaços. E quando os obstáculos menores ficavam em seu caminho, ele expandia suas presas e engolia-os por inteiro:

“Corra”

Estava com medo, mas com o pensamento rápido e apertando o botão rapidamente, eu fugi dele novamente.  Eu me senti muito feliz, então eu gargalhei e disse “Dessa vez não, cuzão! ” E decidi tirar uma screencap para celebrar.

Mas quando eu disse a frase, bem depois do nível terminar, o monstro fez algo que fez meu sangue correr frio.

Aquela coisa...

Olhou para mim.


“Corra”

A onda de terror mortal me atingiu novamente, e certamente eu não estava rindo mais.



Tirei outra screencap do próximo título, do próximo nível, bem antes de correr ao banheiro para jogar uma água na minha cara. (E dar a mijada que e eu quase falhei ao conter quando aquela coisa fodida olhou para mim.)


Continua...
____________________
PS: Creepers, a Flávia teve alguns problemas com o PC dela, então ela vai postar a creepy de sábado, amanhã à noite.

16/05/2015

Um Pacto com o Diabo

Uma história exclusiva, de arrepiar.
Por: Le Mohamed AKi
         


Voltando para casa do trabalho, minha esposa morreu atropelada por um motorista bêbado.

Noite após noite eu rezei, não, eu implorei a Deus para trazê-la de volta. Toda noite eu sonhava com ela voltando para mim, e todas as manhãs eu acordava sozinho.

Uma noite, o sonho mudou. Fui abordado por um homem em um terno escuro, como a noite. "Eu posso trazê-la de volta para você, mas vai te custar" , disse.

"Por favor! Eu farei qualquer coisa!" implorei

"Qual você acha que é o seu maior medo?" ele perguntou com um sorriso.

Eu pensei muito sobre isso brevemente antes de responder "Queimar até a morte".

"Aqui está a minha proposta: eu vou trazer de volta a sua esposa para você, mas só se você viver o seu maior medo."

"Sim! Vou fazer isso! Vou queimar!", E com isso eu acordei na minha cama, ao lado de minha linda noiva.

Eu não podia acreditar, mas lá estava ela, dormindo e respirando fundo. A acordei com um beijo apaixonado e depois de alguns minutos, ela perguntou o que que eu tinha. Eu só podia responder dizendo a ela o quanto eu a amava.

Eu sabia que ainda tinha um preço a pagar, mas eu não me importei.

Naquela noite, houve uma batida na minha porta. Assim que eu vi o oficial, eu soube que o erro que eu tinha feito. Eu nunca prometi queimar, eu prometi para viver o meu maior medo.

"Senhor, sinto informar que sua esposa sofreu um acidente."

LIVE DE TERROR de SÁBADO


Fala Creepers, AGORA começa uma live com o Le Mohamed Aki, no canal do Survivor Horror. Várias narrações, lendas e teorias. Atenderão pedidos e conversão com todos. Sem hora pra acabar xD

email: lemohamedaki@gmail.com

Começa as 20h.
LINK: https://www.youtube.com/watch?v=Ww4ezvrgb_w
Tem coragem?

15/05/2015

Júlio

Não sei se deveria perder meu tempo aqui contando minha história, sendo que ela jamais voltará, mas meu psicólogo me disse que compartilhar a dor com outras pessoas pode ajudar a superá-la. Mal sabe ele que nunca mais serei a mesma...

Em um dia chuvoso, decidi levar minha filha, Belle, para um passeio. Você pode estar achando estranho levar uma criança para passear em um dia como aquele, com altas pancadas de chuva e risco de alagamentos no centro de São Paulo. Até eu me sinto estranha, mas vou explicar: acontece que Belle, por algum motivo solitário, ama dias chuvosos e nublados. Em dias quentes de verão, minha querida filha me parece deprimida e sem ânimo nem para as melhores atividades que eu, como mãe coruja, poderia propor.

Desde bebê, eu via algo diferente nela. Ela recusava o meu leite materno e só tomava leite de cabra. Antes mesmo do seu primeiro ano de vida, Belle já andava relativamente bem e formava frases longas que nem crianças de três anos falavam. Com dois anos aprendeu sozinha a ler e a escrever. No começo me orgulhava e me sentia realizada por ter uma filha assim, porém, quando Isabelle tinha quatro anos de idade, comecei a me preocupar com as atitudes dela.

Posso contar a vocês de certa manhã em que acordei com barulhos vindos da cozinha. Como só morávamos eu e minha filha no apartamento, suspeitei de ser algum rato, ou pior, um ladrão. Peguei a primeira coisa que vi – que era uma vassoura encostada no vão entre meu quarto e o corredor - e caminhei sem fazer barulho até a cozinha. Sem perceber que eu estava ali, Isabelle estava com uma faca de serra na mão, cortando pequenas fatias de presunto e queijo. Na mesa havia café aparentemente recém passado, fatias de pão francês e um bolo de cenoura – o meu preferido. Eu realmente me assustei e só Deus sabe onde minha pressão arterial foi parar vendo minha filhinha cozinhando como se fosse uma adulta e com sérios riscos de se queimar ou se cortar. Depois de me acalmar e me lembrar de que Belle não era uma típica criança, consegui me abaixar para ficar na altura dela e perguntei como ela tinha feito tudo aquilo. Isabelle sorriu e disse em uma voz extremamente infantil:

“Mamãe, o Júlio e eu fizemos tudo isso para você, é uma surpresa nossa para mostrar o nosso amor”.

Me sentei à mesa com Belle e perguntei quem era Júlio, afinal Belle não conhecia mais ninguém a não ser nossa família. Nesse momento, tudo de ruim passou na minha cabeça e meu mundo estava prestes a desabar sob meus pés. Belle se recusava a contar mais sobre essa pessoa misteriosa. Em uma epifania, me lembrei da coisa que Belle mais gostava depois de dias chuvosos: sorvete de flocos. Prometi a ela que logo mais a levaria na sorveteria preferida dela se me contasse mais sobre esse tal de Júlio. Então, ela me olhou nos olhos e disse:

“Mamãe, eu conheço o Júlio desde o dia que eu nasci, como a senhora não sabe quem é? Ele sempre esteve aqui”.

Um vento correu pela casa inteira, chegando ao meu rosto em frações de segundos e me dando arrepios por todo o corpo. Milhões de pensamentos passaram pela minha cabeça naquele momento que não tive tempo de organizar, até que me lembrei das muitas vezes em que sentia uma presença diferente no quarto de Belle, mas nunca dei atenção a isso.

Naquele mesmo dia, procurei um psicólogo. Ele me pediu para ver a Belle e consulta-la semanalmente. E assim foi por um ano. Desde então, Belle não voltara a falar sobre o misterioso Júlio e eu também não tive coragem de perguntar. Suas atitudes voltaram a ser de uma garotinha, mas alguma coisa me dizia que não seria assim por muito tempo.

Na fase entre os cinco anos de idade, nós, mães, percebemos que nossos filhos estão crescendo, pois chega a hora de eles frequentarem a escola. Essa foi a fase mais difícil tanto para mim, quanto para Isabelle. Ela se recusava incansavelmente a se vestir, chorava o caminho todo e quando chegava lá, na maioria das vezes eu tinha que trazê-la de volta por perceber a sua alta temperatura corporal.

Depois dos dias se arrastarem lentamente desse jeito, tomei atitude para ir ao psicólogo e contar o que eu estava passando com o recuso de Belle em ir à escola. Ele me acalmou dizendo que era normal, pois ela ainda não estava preparada para se afastar de quem ela mais amava, no caso, eu. Aproveitei o ensejo e perguntei ao doutor se Belle, em alguma de suas sessões, havia mencionado o nome Júlio, ou se tinha falado alguma coisa diferente. Ele me surpreendeu dizendo que ela nunca sequer pareceu com uma garota diferente das demais. Será que eu estava errada todos esses anos achando que Belle era uma criança diferente? Será que eu coloquei tanto isso na minha cabeça que acabei prejudicando minha própria filha? Mas neste mesmo dia, uma coisa muito estranha aconteceu.

Depois de passar no psicólogo da Belle, fui ao supermercado comprar um pote de sorvete de flocos para alegrar minha filha quando ela chegasse da casa da minha mãe. Estava abalada psicologicamente, então, desmarquei a minha hora no salão. Cheguei em casa no final da tarde, a casa estava silenciosa e resolvi relaxar lendo um bom livro. Cinco ou dez minutos depois, escutei um barulho que vinha da sala de estar. Eram vozes e fiquei tentando lembrar se tinha deixado a televisão ligada antes de sair. Levantei e fui em direção à sala e identifiquei uma silhueta de um garoto sentado em frente a TV. Não era um garoto normal. Ele usava uma camiseta vermelha que, logo percebi, estava ensanguentada. Os seus olhos eram totalmente pretos, seu nariz parecia quebrado e sua boca cortada formava um sorriso torto e demoníaco. Ele estava inquieto, porém, estava parado bem a minha frente, sem se mexer nem um centímetro. Eu quis gritar, mas eu não conseguia parar de olhar os olhos enormes daquele garoto ou o que quer que ele seja. Na minha cabeça passava perguntas que precisavam ser respondidas, então, quando finalmente abri minha boca para perguntar quem diabos era ele, ele já não estava mais ali. Ele desapareceu como num passe de mágicas, deixando apenas um rastro de sangue e uma brisa gélida.

Peguei minha chave do carro e sai em disparada para a garagem. Queria chegar logo na casa da minha mãe e abraçar a minha filha. Dirigi por longos vinte minutos pela estrada molhada de uma chuva serena que teve mais cedo. Chegando em casa, bati a porta atrás de mim e me deparei com o silêncio incômodo, muito diferente do que eu estava acostumada na casa da mamãe. Estava frio e todas as janelas estavam abertas. Passei da sala para a cozinha, subi as escadas sem me livrar do pensamento de que algo estava errado naquela casa e, realmente, meus piores pensamentos se materializaram bem a minha frente quando o mesmo garoto que eu havia visto a meia hora atrás na minha casa apareceu. Meu corpo travou, minhas mãos gelaram e o garoto me olhava não mais com inquietação, mas ele parecia tranquilo e o branco dos seus olhos voltou, apesar de nada tirar aquele sorriso sombrio de seus lábios. Dessa vez, ele estava se mexendo. Não de uma forma normal. Ele girava primeiro a cabeça, depois o corpo e por fim, os pés. Ele gritava o nome de Belle, a chamando, talvez, e meu rosto corou de raiva por aquele monstro querer a minha filhinha. Gritei as primeiras palavras que vieram na minha cabeça o fazendo parar de chamar por Belle e de rodopiar. Quando eu finalmente achei que ele iria responder as minhas perguntas, aquela coisa sumiu novamente. Voltei a mim depois de um tempo que não sei distinguir se foi um minuto ou uma hora e entrei no quarto de mamãe. Lá estava minha mãe, deitada, dormindo como um anjinho. Cheguei ao seu lado, encostei a mão nela com o intuito de acordá-la e contar o que havia acontecendo e perguntar se eu tinha ficado louca. Seu corpo estava com um gélido tom não humano. Meu coração voltou a disparar imediatamente e um medo me cercou. Chamei mamãe por mais algum tempo até reparar que eu estava pisando em uma enorme possa de sangue. Um grito longo e tremido saiu da minha garganta. Vi uma faca ensanguentada ao lado do corpo sem vida de mamãe, porém não havia nenhum corte, aparentemente. Naquela altura do campeonato, quis correr para longe daquele pesadelo mas fui obrigada a me conter pelo bem de Belle. Sai do quarto de mamãe tentando não pensar no que havia acabado de presenciar e mantive o foco em Belle. O quarto de hóspedes ficava no fim do corredor e imaginei que Belle poderia estar lá. O corredor tinha só alguns metros, mas para mim, pareciam quilômetros... Enfim minha mão estava na maçaneta onde Belle deveria estar. Deveria pois ela não estava em sua cama. Era um pesadelo. Sim, um simples pesadelo que logo vai acabar.

Cadê minha filha?

Eu gritava por ela e várias lágrimas escorreram no meu rosto. Quando me virei para sair daquele quarto ouvi a voz de Belle me chamando vindo de dentro do guarda-roupa. Eu o abri com minhas mãos trêmulas e, digo para vocês, nunca fiquei tão aliviada na minha vida abraçando a Isabelle. Dei uma rápida olhada para a Belle e notei seu vestido que estava manchado de sangue e seus olhos que antes eram azul bebê, agora estavam negros como uma noite sem luar. Ignorando esses detalhes, peguei a mãozinha dela e a conduzi, rapidamente, para fora. Estávamos perto de sair da última porta da casa Belle parou inesperadamente. Apesar de tudo agitado dentro de mim, me abaixei para olhar em seus olhos e falei:

“Filha, querida, vamos embora, vamos para casa, meu amor. A vovó não está bem e...”.

Ela me interrompeu:

“Mamãe, a vovó está morta, o Júlio disse que ela era má e eu acredito nele. Ele não quer que eu vá embora, mamãe”.

“O quê? O que você disse Belle?”

Lágrimas escorriam dos meus olhos desesperados.

“Mãe, não fique assim, está tudo bem, está chovendo, é um dia bom”.

Realmente estava chovendo e naquela situação eu nem tinha reparado. Depois de tanto tempo com essa dúvida, achei que era uma boa oportunidade em perguntar à Belle o porquê de ela gostar tanto da chuva.

“É em dias de chuva que o Júlio aparece para brincar, mãe”.

Sim, era por isso! Tinha chovido aquele dia...

O garoto apareceu pela terceira vez interrompendo meus pensamentos e agora parecia com raiva e ansioso. Belle sorriu e perguntou a mim se poderia brincar com ele hoje. Isso já estava me cansando a tal ponto que poderia fazer qualquer coisa para essa coisa sair de nossas vidas. Eu disse a Belle que nunca mais veria o Júlio novamente e, em contrapartida, ele gritou de volta dizendo que Isabelle era dele e ninguém poderia ficar no caminho, nem mesmo eu – o jeito como ele disse aquelas palavras doeu profundamente na minha alma e o meu instinto de mãe me dominou, me fazendo ignorar o monstro, pegar Belle no colo e sair correndo para o meu carro que estava estacionado do outro lado da rua ao lado de duas enormes árvores que eu costumava subir quando era da idade de Belle. A coloquei na cadeirinha no banco de trás, liguei o motor e acelerei o máximo que pude. Naquele momento, não sabia exatamente para onde eu iria mas queria sair dali, talvez ir para o interior tirar umas férias, ou quem sabe, até nos mudar de país. Mas esse pensamento saiu rapidamente da minha cabeça quando eu olhei para o banco de trás e lá estava aquele monstro de novo sentado ao lado e sorrindo para a minha filha.

Minha filha!

Na adrenalina, acelerei ao invés de frear na curva perigosa, fazendo o meu carro bater no poste e capotar duas vezes até o carro parar do outro lado da estrada. Três dias depois acordei em um hospital com a visão um tanto turva, escutando um barulho horrível e com a consciência falha, reuni forças para perguntar onde estava Belle e se ela estava bem. A enfermeira que estava comigo no quarto me olhou com estranheza e me disse que não sabia quem era Belle e que não havia mais ninguém no carro quando me encontraram.

Nunca mais vi minha filha Isabelle. Reza a lenda que Júlio está por ai em dias chuvosos procurando garotinhas para “brincar”.

Autora: Táyna Stampini

Brincadeira de Criança

Acho que chega um momento na vida da maioria das pessoas quando elas ficam sobrecarregadas com um sentimento de nostalgia e procuram recuperar sua juventude, de alguma forma ou de outra. Esse tempo chegou para mim quando eu estava no colégio. Eu acho que preciso elaborar melhor isso, porque pode parecer uma idade muito jovem para tais sentimentos. Você vê, eu era uma criança doente. Passei muito tempo confinado a uma cama de hospital, observando as outras crianças jogarem os seus jogos. Sendo bem honesto, eu odiava o fato que eu nunca tive essa experiência, então eu acho que é por isso que eu tentei capturar essa efêmera saudade uma noite com meus amigos.

Eu quero dizer que éramos todos alunos do segundo ou primeiro ano na escola naquele momento. Eu tinha um grupo bastante unido de amigos. Fizemos quase tudo juntos. Nós saíamos, estudávamos, e até mesmo experimentamos um pouco (principalmente com certas substâncias e sexualmente) uns com os outros. Eu acho que foi aquela união e vínculo que me deu a coragem de propor mesmo a minha ideia infantil.

Nós estávamos andando nas profundezas do meu antigo bairro. Esse era o lugar ideal para os adolescentes como nós, porque uma empresa estava construindo uma série de casas para tentar vender a novas famílias a preços inflacionados. Eles estavam no início de sua construção então as casas eram praticamente um esqueleto e ainda não tinham as acomodações essenciais para qualquer casa típica. Este era o esconderijo perfeito para beber, fumar, e normalmente, não fazer nada de útil. A empresa de construção colocou grandes travas nas portas, mas a maioria ainda não tinham sido presas adequadamente, e se esgueirar era uma tarefa simples.

Como eu disse, estávamos andando em um desses “futuros bairros” uma noite. Estávamos dividindo um baseado entre todos nós e tentando soar filosóficos. Junto comigo foram três dos meus amigos mais próximos. Foi o meu melhor amigo, Brian, Sarah e Kacie, a menina que eu era apaixonado. Nós tentávamos falar com inteligência, mas olhando para trás as nossas ideias não eram nada sofisticadas. Sarah estava reclamando que não havia nada a fazer la fora e foi então que eu decidi assumir o risco e sugerir que brincássemos de esconde-esconde.

Eles rejeitaram a ideia como sendo infantil, mas a adição de algumas regras simples temperou as coisas o suficiente. Eu defini as regras da seguinte forma: todos buscam e uma pessoa se esconde. A primeira pessoa a encontrar o Escondido, pode fazer três perguntas. A última pessoa a encontrar o Escondido, tem de responder a três perguntas pessoais. Nós iríamos todos tirar a sorte com fósforos e separar para que os outros pudessem se esconder em sigilo. A pessoa com o fósforo já acesso e extinto seria o Escondido. Eu, é claro estava sendo hipócrita e fiz com que Kacie pegasse o fósforo apagado. Eu queria a oportunidade de ter algum tempo a sós com ela e conhecê-la melhor. Acho que fiz isso dessa forma para esconder minha paixão infantil por ela, mas eu estava com medo de ser deixado de fora.

Eles estavam hesitantes no início, mas sua relutância derreteu depois que terminamos o baseado. Eu coloquei os fósforos na minha mão com o já extinto apontando para Kacie. Tiramos a sorte e nos separamos com a intenção de iniciar o jogo depois de cinco minutos, dando tempo suficiente pro Escondido se esconder em uma das três casas parcialmente construídas no bloco. Já era tarde, mas não estávamos com pressa para chegar em casa. Nós tínhamos um sistema onde ligávamos pra nossos pais e falávamos que íamos dormir com um amigo diferente e, em seguida, nos reuníamos para sair e fazíamos nossas travessuras adolescentes.

Todos discretamente olhamos para os nossos palitos. Eu era um dos “caçadores” e eu achei que Kacie fosse a que tinha que se esconder. Nós todos nos separamos para que não soubéssemos onde o Escondido iria, mas eu tinha uma boa ideia. Quando chegamos ao bairro em construção, Kacie tinha gostado da última casa. Eu mencionei que eu sabia que estava destrancada e que provavelmente poderíamos explorá-la mais tarde. Nós nunca encontramos tempo para fazer isso, então eu sabia que ela iria provavelmente sentir vontade de verificar a casa, enquanto procurava um esconderijo.

Esperei cinco minutos antes de ir para a última casa do bairro. A tranca não tinha sido encaixada, o que tornou a abertura da porta, simples. Eu tive sorte que a lua estava tão brilhante naquela noite que iluminou o meu caminho caso contrário eu teria tropeçado andando até a casa. A empresa de construção civil ainda não tinha colocado postes e isso deu ao pequeno bairro, um ar estranho. Abri a porta e olhei para o abismo diante de mim. Eu não vou mentir, o escuro me deixou nervoso, mas o meu desejo de me aproximar de Kacie me levou pra frente.

Eu andei pela cozinha, mas não encontrei ninguém. Meus tênis batiam no chão, que ainda estava sem o carpete ainda. Eu procurei no primeiro andar, mas não tive sorte. Eu estava começando a me perguntar se eu poderia encontrá-la na escuridão. As janelas tinham sido feitas, mas estavam cobertas para evitar que os animais entrassem e criassem ninho. Subi com minha mão apoiando ao longo da parede para me equilibrar, já que não tinha corrimão ainda. Eu me lembro de pensar que esta casa era uma armadilha mortal com a sua fiação exposta, falta de corrimões e folhas de madeira compensada por aí.

O quarto principal estava vazio, mas quando eu estava prestes a desistir da esperança de encontrá-la, ouvi o chão ranger como se alguém tivesse se movido na sala ao lado do quarto. Segui o som e enquanto eu forçava meus olhos na escuridão, eu pude ver alguém sentado no meio da sala sem mobília. Meu coração começou a bater mais rápido. Eu tinha encontrado ela!

Sentei-me a poucos metros de distância e proclamei em voz alta: "Eu te encontrei! Então eu posso fazer três perguntas. "

Ela se assustou com o som da minha voz, mas pareceu se acalmar enquanto eu continuei falando. Eu estava tão ansioso e olhando para trás, e também percebi o quão estúpido eu estava sendo. Você sabe o que as pessoas dizem, os hormônios são as drogas mais fortes que mechem com a nossa mente. Só havia uma maneira de ter certeza de que era Kacie e não Sarah.

Eu perguntei: "Você já fez sexo?"

Houve uma pausa que fez eu estremecer um pouco de vergonha. Fiz essa pergunta porque eu soube, falando com Brian que Sarah não era virgem e eu sabia que Kacie era, de uma conversa bêbada tarde da noite com Sarah em que ela revelou muito mais do que deveria sobre seus amigos.

Ela respondeu: "Não." suavemente

Agora eu tinha certeza de que eu estava falando com Kacie e não Sarah. A voz entregou muito.

Para ser completamente honesto, minha lábia tinha-me trazido até aqui, mas não conseguiu me fazer continuar. Sinceramente, eu estou feliz que eu acovardei na minha próxima pergunta. Minha próxima pergunta seria: "Você quer fazer sexo?" (Mais uma vez, os hormônios.) Eu não conseguia fazer essa pergunta grosseira. De fato, naquele momento, minha mente completamente apagou e tudo que eu conseguia pensar era no cabelo brilhante de Kacie ou a forma como o seu sorriso enviava sempre uma faísca através de mim e fazia meu coração bater tão rápido que eu estava preocupado que ele iria estourar no meu peito.

Ficamos ali sentados em silêncio por alguns momentos enquanto eu tentava pensar em algo para dizer para ela. Eu me chutei mentalmente, pensando que eu ia aparecer estranho para ela. Eu só iria pegar uma oportunidade para impressioná-la e se eu estragasse tudo, qualquer chance que tivesse com ela estaria arruinada.

Eu finalmente consegui resmungar, "Me desculpe, eu não sei o que fa-"

Fui interrompido por ela lentamente deslizando pelo chão até que estávamos a apenas alguns centímetros de distância. Se eu pensei que meu coração batia rápido quando a vi pela primeira vez, agora era uma britadeira no meu peito. Ela queria se aproximar de mim. Ela estava atraída por mim? Será que ela sentia o mesmo que eu sentia?

Sua ação praticamente roubou as palavras da minha boca. Eu não podia dizer nada. Eu não conseguia pensar direito. Tomei consciência de um som que era tranquilo no início, mas tinha crescido quanto ela chegou mais perto de mim. Era o som de sua respiração. Sua respiração saia rápido. Como se ela tivesse acabado de correr ao redor do bairro. Quase soava... sexual. Então, novamente, pra minha mente naquela época, quase todos os estímulos poderia ser percebidos como sendo de natureza sexual. (Hormônios Malditos!) Eu não tinha certeza do que estava acontecendo, mas eu não acho que eu realmente me importava.

Eu decidi tomar uma atitude. Deslizei minha mão a partir das minhas pernas e as coloquei nas dela. Entrelacei minhas mãos com as dela e a segurei. Seu toque era quente, um pouco suado, mas tenho certeza que minhas mãos não estavam diferentes. Sua respiração aumentou logo minha mão tocou a dela. Meu coração quase explodiu fora do meu peito e disparou através do céu naquele momento. Por um longo tempo, eu considerei isso como um dos gestos mais românticos da minha vida, até o momento que propus e me casei.

Ficamos de mãos dadas no escuro ouvindo os sons da nossa respiração misturados.

Eu decidi ir com tudo. Eu lentamente me inclinei para a escuridão onde eu podia ver sua forma. Eu estava indo beijá-la, a garota que eu tinha ansiado por, há quase dois anos! Seu hálito cheirava insanamente doce, como o mel muito açucarado. Eu me perguntava mentalmente como o meu cheirava. Eu silenciosamente rezei para que ele não fosse nojento. Ela entendeu meu gesto “ tão sutil” e se inclinou para me beijar. Nossos lábios estavam separados por centímetros e eu estava a segundos de distância do nirvana.... Quando Sarah tropeçou para dentro do quarto.

Eu mentalmente gritei uma série de maldições e injúrias que teriam feito um marinheiro corar.

Ela disse: "O que vocês estão fazendo? Encontrei Brian 15 minutos atrás. "

Um alarme começou a disparar na minha cabeça, mas eu não conseguia descobrir por que na época.

Sarah mudou sua posição e, embora eu não pudesse vê-la na escuridão, eu tinha certeza que ela tinha acabado de erguer a sobrancelha.

"O que vocês dois estavam fazendo enquanto estávamos jogando seu jogo infantil? Eu entendo, mas não nos façam de idiotas e me mandem andar no escuro à procura de Brian enquanto vocês dois se acariciam aí. "

Eu perguntei estupefato, "Brian era o Escondido?"

Sarah assentiu e respondeu: "Ele estava sentado atrás de uma casa. Ele é horrível em se esconder. Nós nos cansamos e decidimos procurar por vocês dois ".

Algo não estava certo. Eu tinha encontrado Kacie sentada nesta sala. Se ela não era o Escondido, por que ela estava sentada aqui em cima? Comecei a sentir um suor frio formando na minha pele. Algo estava definitivamente errado aqui.

Brian foi o golpe final. Ele entrou na escuridão e eu reconheci a voz. Ele tinha um jeito de falar que fazia tudo sair em um tom sonoro e retumbante.

Sua voz ecoou: "Você encontrou ele, Sarah? Achei Kacie- "

Sua voz morreu quando eu finalmente consegui fazer a segunda pergunta que eu deveria ter perguntado logo no início, "Eu te conheço?"

A voz suavemente respondeu: "Não", mas a palavra era tão cheia de emoções que um arrepio sacudiu todo meu corpo.

Kacie não estava na sala com a gente. Ela estava fora da casa, então que mão eu estava segurando? Com a mão livre, peguei os fósforos que usamos para sorteio. Parecia que meus pulmões estavam sendo apertados, eu não podia respirar. Eu arrastei o fósforo ao longo do chão e o acendi. A pequena chama foi suficiente para iluminar a forma ao meu lado. Sarah gritou e Brian praticamente se jogou para fora da sala com medo. Eu puxei minha mão livre e acidentalmente apaguei a luz após o nosso curto olhar, cheio de terror.

Em conversas que tive depois com Brian e Sarah, parecia que todos nós vimos algo diferente naquele momento. Sarah jurou que viu uma mulher mal formada que era uma reminiscência de crianças com talidomida, com membros torcidos e dedos fundidos. Brian viu uma mulher velha e decrépita com seios pendurados e uma pele acinzentada e malhada. O que eu vi me deu pesadelos durante semanas. Eu vi o que parecia ser uma mulher. Sua mandíbula estava torcida, aberta como se tivesse sido deslocada. A abertura era tão grande que parecia que ela poderia caber toda a minha cabeça em seu bucho cavernoso. Eu não tenho certeza se ela estava assim, em preparação para o nosso beijo ou o quê. Seus dedos tinham articulações extras e pareciam estranhamente longos e ossudos. Era magra, pálida, e seu cabelo sarnento pendia em volta da cabeça como um ninho de pássaro feito de galhos mortos.

Nós todos fugimos da casa. Na minha tentativa de escapar, eu corri para a moldura da porta e me causei uma terrível contusão. Tive que passar o próximo dia colocando gelo e me perguntando se eu tinha quebrado a clavícula. Voamos daquela casa como almas fugindo do inferno. Kacie não acreditou na nossa história, mas para ser honesto, eu não me importava se ela acreditava em nós ou não. Eu sei o que vi... e o que vi me deixou horrorizado.

Anos se passaram desde aquele dia. Eu me formei, casei com uma garota legal, (Kacie e eu nos distanciamos depois do colegial) e me mudei para uma casa agradável. A história se escondeu na parte de trás da minha mente e foi arrastada no fluxo e refluxo da vida do dia-a-dia.

Estas memórias ressurgiram como uma onda furiosa pela mais simples das coisas...

Uma queda de energia.

A eletricidade tinha acabado de cair. Suspirei na inconveniência de tudo e fui até o porão para encontrar e verificar o disjuntor. Isso era bastante comum devido à fiação defeituosa da minha casa, e eu podia encontrar o disjuntor e vira-lo com os olhos fechados. Eu nem sequer precisava mais de uma lanterna; o movimento estava gravado em minha memória muscular.

Foi lá, enquanto eu brincava com o circuito que tomei consciência do som. Era quase inaudível, mas foi crescendo quando eu parei para ouvi-lo. Eu não consegui identificá-lo no início, mas quando eu finalmente consegui, memórias inundaram minha mente. Sentado na escuridão, minhas mãos entrelaçadas na coisa ao meu lado, e minha boca centímetros de distância dela, em preparação para beijar sua pele pálida. Era o som da respiração, além de minha própria e soava superficial e forçada como alguém debilitado. Eu teria sorrido se eu não estivesse tão assustado. Quase soava.... sexual.

A voz falou e meu estômago afundou, "Você tem mais uma pergunta para me fazer."

Em meu porão, eu percebi que eu não era mais o garoto tímido daquela noite em que eu estava no escuro daquela casa parcialmente construída todos aqueles anos atrás. Eu tinha encontrado a minha voz, e eu não tinha necessidade de pensar nas palavras para dizer. Fiz a última pergunta, já sabendo a resposta.

"Eu vou deixar este porão?"