07/08/2020

Alguém está dentro do corpo do meu marido

Alimento o meu gato, Nicholson, com um pouco de ração e coloco água para que ele não me incomode mais tarde. Parece que vai chover, pois a moça do jornal falou sobre uma possível tempestade que irá cair essa noite. É melhor usar dois cobertores para que eu possa dormir sossegada.

Acordei com Nicholson fazendo barulhos ao pé de minha cama. Ele parece agoniado e querendo sair pela janela, mas ela é bastante alta. Tenho que levá-lo para o lado de fora. Seus olhos estão arregalados e ele está agoniado, com o corpo tenso. Está muito assustado. Fico preocupada com o meu felino, mas quero acreditar que seja apenas vontade de fazer cocô ao lado de fora de minha casa. Quando abro a porta, ele me arranha e sai em disparada, desaparecendo em meio ao quintal. Está chovendo e a chuva é fraca; talvez continue assim a noite toda.

Vou à cozinha para preparar um pouco de chocolate quente. Costumo fazer isso quando acordo, pois isso me ajuda a relaxar e dormir novamente. Estou saboreando aquele líquido quente e delicioso, a caminho de meu quarto. Quando passei perto da escadaria, que dá para o porão, vi que tinha uma luz vindo da porta de lá. Fiquei curiosa — aproximei-me e observei que a porta estava aberta. Não costumo deixá-la destrancada por segurança própria. Quando cheguei até a porta, notei pegadas de lama: as marcas de passos estavam indo para dentro de minha casa. Fiquei um pouco assustada, mas ignorei ao mesmo tempo, fechando a porta e indo rapidamente para onde fica o meu quarto.

Quando estava perto de subir as escadas, senti um calafrio. Ao mesmo tempo, a temperatura do ambiente havia caído bruscamente. O frio foi tão grande que larguei a xícara com o chocolate no chão, deixando cair a coisa que iria me deixar com sono. Droga! Precisaria voltar à cozinha para pegar algum pano. Enquanto me dirigia novamente para perto da escada, abaixei-me para limpar o chão e, neste momento, notei algo... tinha alguém dentro de casa: era uma sombra quem me observava, escondida no escuro da sala.

Estava escuro e eu não tinha coragem de acender a luz para ver quem era. Em uma fração de segundos, um relâmpago iluminou toda a sala e, neste milésimo de segundo, observei que se tratava de meu marido. Fiquei chocada, e ao mesmo tempo amedrontada porque não poderia ser ele. Era impossível, não havia como! O seu comportamento estava diferente. Antes mesmo de que fizesse qualquer movimento em meu corpo, ele correu em minha direção como um animal atrás da presa. Para tentar defender-me, subi as escadas rapidamente. Enquanto me dirigia à cozinha, subindo as escadas com a intenção de pegar uma faca, ele agarrou meu pé e eu caí ao chão. A coisa ficou em cima de mim, tentando enforcar-me, e seus olhos estavam diferentes. Aquilo não era o meu marido, mas algo semelhante a ele!

Acertei um chute em seu estômago e ele caiu; com isso, consegui correr para a cozinha. Peguei uma faca, a mais afiada de todas, e ele rapidamente vinha em minha direção. Eu o acertei no estômago, enfiando a faca em sua barriga. A coisa olhou para a faca enquanto derramava sangue e calmamente puxou o objeto de seu estômago, jogando-o ao canto da cozinha como se nada tivesse acontecido. Agarrou o meu pescoço, pressionando-me contra a parede: vou ficando sem forças. Peguei um garfo que estava na pia e enfiei-o em seu olho. Nesse momento, a coisa me largou, deu alguns passos para trás e corri, entrando no banheiro e fechando a porta.

Está escuro e não tenho mais para onde correr. Sinto-me como um animal encurralado; estou preocupada e morrendo de medo. Aquilo que está dentro do corpo de meu marido quer me matar por algum motivo! Escutei batidas na porta do banheiro — ele está arremessando seu corpo para tentar derrubar a porta. Ficou batendo várias vezes, até que parou. Abaixei a cabeça para ver por debaixo da porta e notei que estava parado como uma estátua. Saiu, demorou alguns segundos e voltou novamente.

Eu estava com as costas encostadas à porta, pressionando meu corpo a fim de tentar dar mais forças para que a porta aguentasse as pancadas. É quando, de repente, uma batida forte faz com que a ponta de um machado atravesse a madeira. Aquela coisa, agora, estava com um machado, derrubando a porta. Afastei-me, ficando assustada ao canto da parede e vendo, a cada momento, ela quebrando mais a porta. Fez um buraco suficiente para que sua cabeça entrasse e ficou me encarando. Neste momento, senti o ódio em seus olhos: aquilo não eram olhos de uma pessoa comum. Talvez fosse um demônio! Voltou a quebrar o resto da porta para que pudesse me matar.

Aquilo não poderia ser o meu marido, pois fazia três dias que eu o matei e enterrei em meu quintal...

Autor: Sinistro

6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Gabriel, estão em falta outroscoutros criadores de creepypastas dos fãs? Não quero reclamar, mas só há creepys do Sinistro recentemente. Por que você não abre vagas para tradutor? Assim, teremos estilos diferentes.

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    1. Muita dedicação desse usuorio. Os outros escritores ficam um pouco frustrados por conta da critica pesada aqui

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  3. E essa referência a The Shining, hein? ;)

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