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Pra te curar

12 comentários
Está frio. Eu não sei onde estou. Porque estou com tanto frio? Eu deveria abrir meus olhos. Eu preciso abrir meus olhos. Seriam esses meus olhos? Eu trago uma mão ao rosto, e toco-o. A pele é suave. Eu tenho um nariz. E olhos. Abro meus olhos. Olho em volta. Eu moro aqui? Onde, exatamente, é "aqui"? As paredes são velhas, e eu não devo ser um bom dono-de-casa, pois eu consigo reparar que as paredes estão praticamente apodrecendo.

Porque eu deixei minha casa decair a tal ponto? Essa é a minha casa? Sento-me. Meu corpo está estranho, como se eu não pertencesse a ele. Olho em volta. Eu preciso ver como eu me pareço. Tem algo que eu devia me lembrar. Algo realmente importante. Porque não há espelhos aqui? Porque eu estou usando uma camisola? Eu sou velho?

Enquanto me levanto, minha visão embaça um pouco, e eu pisco até que eu consiga ver a porta novamente. Onde estão meus sapatos? Porque eu não tenho um armário em meu quarto? Há uns chinelos perto da parede, talvezz eu devesse coloca-los. Eu os ponho. Eles são muito pequenos, e machucam meus pés. Eu abro a porta, ou melhor, tento o fazer. Não está abrindo. Eu tenho que abrir a porta. Eu bato nela. Porque eu a tranquei? Onde estão minhas chaves? Finalmente, ela se abre. Ah, parece que eu tenho uma amiga.

"Não consigo lembrar de você" eu digo. Parece familiar. Ela suspira, mas abre a porta, e me deixa sair.

"Isso é normal, Sr. Jones." ela fala e eu dou alguns passos no corredor.

"Porque eu não tenho um armário no meu quarto? Onde estão minha roupas?" Eu pergunto.
"Fale com o médico, Sr. Jones." Ela fala pra mim, e fecha minha porta. Então, a tranca.

"Deveria eu ter a chave do meu próprio quarto?" Eu pergunto para ela. Ela suspira, e anda na minha frente pelo corredor. Que grosseiro. Pelo menos, agora eu sei que meu nome é Sr. Jones. Eu ando atrás dela. Tem de haver mais alguém nesse lugar. Há muitas portas por aqui. Talvez eles possam me dizer como eu me pareço. "Desculpa, você pode me conseguir um espelho?" Eu pergunto para a senhorita.

"Não, Sr. Jones. Não posso." Ela destranca uma porta, e eu ouço gritos. Porque há pessoas gritando dentro de minha casa? "Sr. Jones, o médico virá logo." Ela diz. Ah, estou doente. Tudo bem, o médico me curará.

"Estou doente?" Eu pergunto. Minha amiga funga e entra no quarto que acabou de abrir, o quarto com gritos. É minha imaginação ou esse lugar está ficando mais escuro? Ah, uma pessoa. Talvez eu me pareça com ele. "Olá? Eu sou Sr. Jones. Quem seria você?"

"Vai! Corra!" O homem susurra enquanto passa por mim. "Corra, droga!" Então eu o faço. Mas logo, uns passos a frente, há um médico. Pelo menos ele se parece com um.

"Sr. Jones, venha comigo, por favor." Ele fala. "Ah, ótimo! Você vai me curar?" Eu pergunto. Ele acena com a cabeça e eu o sigo. As luzes parecem piscar. Deve ser algum problema elétrico. "Porque eu conservo minha cara em condições tão decadentes?" Pergunto ao médico. Ele suspira, e me direciona a uma porta.

"Sente-se" Ele fala. Eu sento. Um homem sai de uma porta em uma maca. Ele está dormindo. Ele deve ter sido curado. Eu vou ser. "Sr. Jones, nós estamos prontos pra você." O médico aparece novamente,e eu fico de pé, e o sigo. "Deite-se" Ele fala. Eu deito. Eles rápidamente amarram meus pulsos e tornozelos. "Morda isso" O médico fala, e me oferece algo para eu morder.

"Porque?" Eu pergunto.

"Para te curar" Ele responde, e eu aceno com a cabeça, mordendo aquilo. Há uma agitação nas luzes, e um zumbido. E então dor. Muita, muita dor. E então a escuridão.

Está frio. Eu não sei onde estou. Porque estou com tanto frio? Eu deveria abrir meus olhos. Eu preciso abrir meus olhos. Seriam esses meus olhos?

12 comentários :

  1. Gostei, só achei meio.. estranha! Não fala da pessoa, apenas que ela está no médico e tem Alzheimer! Achei boa e fraca ao mesmo tempo. Boa de conto, tipo, nos faz querer saber o que está acontecendo, e fraca, pois se diz pouca coisa!

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    1. Allan: Parece que é um espirito que não sabe que está morto e vive a mesma morte todos os dias õ.ô

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  2. Axo q eh uma Lubotomia.

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  3. Não entendi merda nenhuma.

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  4. Entendi que a graça dessa é justamente o fato dela ser mal explicada, para que nós, leitores, imaginemos o que se passa.
    Mas como sou péssima nesse tipo de coisa, alguém teria alguma teoria legal?A do Matheus foi interessante.

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    1. Pelo que eu entendi estāo fazendo experiências com as pessoas nesse lugar, e pela descriçāo dos fatos e de como o cara se sentia eles faziam a pessoa "morrer" e depois traziam devolta, como quando alguem tem uma parada cardiaca e é reanimada.

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  5. Caros amigo. Esse pessoa é um louco ou alguém com um estado muito grave de Alzheimer (ou algo do tipo). E ele está levando um tratamento de choque "Há uma agitação nas luzes, e um zumbido. E então dor. Muita, muita dor. E então a escuridão."
    Isso é tipico de tratementos de choques, ele levou um choque tão forte que apagou e ele acordou sem memoria (Possivlemente é assim todos os dias).
    Todos são muito calma e frios com ele, então logo se pensa que ele está vivo e é um louco, ou um invalido.

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  6. Mano... eu não pensei nisso... Pra mim ele tinha morrido e tava no inferno então todo dia ele sofria a mesma coisa .__.

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  7. Vale lembrar também que no passado a ECT (terapia eletroconvulsiva) era utilizada para tratar QUALQUER desordem psíquica. Isto perdurou até a década de 1970.
    Até hoje ela é utilizada para tratar, por exemplo, casos extremamente graves de depressão que não respondem a tratamento medicamentoso.
    Um dos "poréns" deste tipo de tratamento é justamente a confusão subsequente e a perda parcial de memória, especialmente a chamada "memória recente".

    A casa decadente mencionada pode ser tanto uma metáfora para as condições psicológicas do Sr. Jones quanto uma crítica a um sistema manicomial falido. (Nos Estados Unidos, há um controle bastante rigoroso, hoje, em relação ao eletrochoque). Isto porque, no passado (vai saber se foi apenas no passado...) a prática era usada para conter pacientes "rebeldes". Engraçado que da primeira vez que li, imaginei que ele estivesse em um daqueles hospitais judiciários.

    P.S.: Fui só eu, ou mais alguém se lembrou do filme "Um Estranho no Ninho"?

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  8. Apenas eu fiquei extremamente deprimido com essa estória?

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  9. Só eu lembrei de Team Fortress 2?

    Bem, seja como for, quando eu li os comentários, achei que minha teoria não fazia mais sentido, mas mesmo assim, vou colocar ela ai:
    Se tratando de Team Fortress 2:
    A senhorita que chama o Sr. Jones poderia ser a Mr. Pauling;
    O médico, mesmo sem saber direito como ele se comporta, está quase que subentendido.
    O resto dos pacientes varia de acordo com a vontade do leitor;
    O homem que alerta o Sr. Jones pode ser o Engineer, porque, se a história foi traduzida, ele deveria ter dito "Run, run, damn.", e isso é o jeito como ele falaria.
    E por fim, o Sr. Jones. É o mesmo caso do resto dos pacientes, mas a que eu mais achei plausível foi de que Sr. Jones é o Soldier, porque é um sobrenome claramente Americano. Sua personalidade confusa e o tipo de pergunta que ele fez seriam bem dignas dele.

    Se ninguém achar essa teoria lógica, tudo bem, eu praticamente só penso em Team Fortress 2 mesmo, lol

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