18/09/15

Quem você quer que eu mate?

- Então, quem você quer que eu mate?

Simon virou-se com apreensão e depois de seus movimentos bruscos olhou com um olhar confuso para um homem no canto da sala. Ele usava uma camisa vermelho sangue e um terno de uma escuridão que parecia sugar as luzes.

- Quem é você? - perguntou Simon tentando impor autoridade desde o inicio da conversa.

- Eu? Bem, muitos nomes estão associados à quem eu sou, os gregos me chamavam de Hades,mas a Disney meio que arruinou essa imagem. Minha imagem para os romanos foi rotulado como Plutão, os egípcios eram bem interessantes eles me chamavam de Oshiris e eles me adoravam, e me acolhendo, ao invés de me temerem. Eles eram os inteligentes.

Satanás, belzebu, demônio, enfim muitos nomes. Mas você pode me chamar por meu nome casual, Lúcifer.

- Satan? o demônio Lúcifer? mas você não tem um par de chifres, nem pele vermelha, você é normal.

Era muito claro que Simon estava sendo arrogante por estar com medo. A resposta veio tão rápido que dava a entender que perguntavam isso sempre para Lúcifer.

-Você preferia que eu não fosse normal?

Simon lançou um olhar de TUCHET, antes de olhar para o vazio por um momento, tentando digerir toda a informação que passava em sua cabeça. Tantas perguntas, tantos “porque”s, tantos “como”s. Depois de pensar muito, uma pergunta surgiu acima de todas as outras, a mais importante.

-O que você quer de mim?

O rosto de Lúcifer se iluminou quando ouviu isso. Ele ajustou sua postura, deu um passo a frente e disse:

-Simon, eu tenho te observado já faz um bom tempo, e você têm uma escuridão em seu coração. Você sente que muitas pessoas te arruinaram.- Um sorriso se formou no rosto de Lúcifer- E eu estou aqui para mudar isso.

Nesse momento, Simon já não estava mais assustado, mas sim ansioso. O estranho discurso havia lhe chamado a atenção e ele sutilmente fez um gesto para que o demônio em forma humana, continuasse. Aproveitando a deixa, Lúcifer começou a andar lentamente para frente, e continuou.

-Agora, eu quero que você olhe para a escuridão no seu coração, veja os rostos de todos que fizeram sua vida pior- Lúcifer, agora cara a cara, se inclinando para estar a altura de Simon, que estava sentado- E me diga, quem você quer que eu mate.

Enquanto essas palavras saiam de sua boca, um ar gélido as acompanhou. Nenhum calor emanava de seu rosto ou de nenhuma parte de seu corpo, como iria de qualquer outra pessoa. Como se fosse uma condição da oferta, Lúcifer adicionou.

-Mas lembre-se disso, você só poder escolher 1.

Simon permaneceu parado, então se arrumou em sua cadeira, tomando uma posição mais confortável., pensativo. Enquanto isso, Lúcifer se afastou, e se apoiou na escrivaninha de Simon. Depois de um tempo em silencio e contato visual, tensão começou a se formar no ar.

Quebrando o silencio, Lúcifer perguntou:

-Simon, me diga o que você está pensando.

Simon suspirou.

-Bem, são muitas pessoas. Muitas para escolher só uma. Uma das minhas primeiras memórias é de quando eu estava no jardim de infância. Eu tinha uma professora..Sra Wadkins... Isso, Wadkins. Eu tinha um boneco, o Power ranger vermelho, o meu Power ranger favorito quanto eu era criança, e um dia eu decidi leva-lo pra escola e brincar com ele na aula. Afinal, por que não? Eu era só uma criança. E quando a Sra. Wadkins viu, ela surtou e brigou comigo por não prestar atenção, e chamou minha mãe, que depois me puniu. E o pior é que ela não precisava ter contado. ERA TUDO CULPA DELA.

Simon sentiu seu rosto queimar de raiva quando foi forçado a reviver a lembrança em sua cabeça.

-Então.. Sra Wadkins. É essa a sua escolha? – Lúcifer disse, começando a se levantar, pronto para apresentar seu truque.

Simon não respondeu por um momento, antes de gritar:

- Espera, não... Er... Me deixe pensar... Isso me lembra de algo que aconteceu com minha mãe. Ela não era boa comigo também.. Quando eu era criança, em nenhum Natal ela me dava o que eu pedia. Eu queria um Playstation 1 quanto ele saiu, que eu nunca ganhei. No ano seguinte, eu queria o Nintendo 64, e não ganhei esse também. Eu acabei guardando meu dinheiro do lanche por meses para comprar 1, e quando eu finalmente tinha o suficiente, eu comprei um e levei para casa, como a criança mais feliz do mundo, apenas para chegar em casa e ouvir minha mãe gritando que poderíamos ter usado o dinheiro de uma maneira mais... prática. Quer dizer, nós éramos meio pobres naquela época, com ela sendo uma mãe solteira tendo que me criar sozinha, MAS ELA NÃO ME DEIXAVA SER FELIZ.

Simon não percebeu que ele estava ficando tão imerso na lembrança, que estava ficando tenso de raiva.Depois que terminou, seu corpo relaxou, e ele voltou a se encostar em sua cadeira.

- Então.. sua mãe? – disse Lúcifer, de novo, se preparando e, mais uma vez, sendo interrompido pelos gritos de Simon.

- ESPERE!- O silencio reina enquanto Simon olha para baixo, e depois para cima, como se contemplando- Desculpa, mas agora relembrando, eu me lembro de outra pessoa.

Lúcifer fechou seus lábios com paciência, enquanto voltava para sua confortável posição, encostado na mesa.

- No ensino médio eu comecei a namorar uma garota , Danielle. Ela era uma das garotas mais gostosas do nosso ano então, eu fiquei em choque quando ela disse Sim. Nós marcamos um encontro,e eu era jovem, finalmente tendo uma chance. Essas coisas estavam na mente de todo mundo daquela idade, então fiquei surpreso quando ela não quis fazer. Se ela só tivesse surtado e corrido, tudo bem, mas ela contou para todo mundo da escola no dia seguinte. Para ser justo, eu estava sendo... meio...como dizer... insistente. Mas o que ela fez acabou tornando o resto da minha vida escolar, muito difícil. Muitas pessoas me odiaram. Perdi um monte de amigos... Se ela morresse, ela teria o que merece.

- Então.. Danielle? É essa sua escolha final? – Dessa vez Lúcifer esperou, já que agora sabia que a mente de Simon ainda estava confusa. Simon se inclinou para frente, como se tivesse um milhão de pensamentos.

- Er... bem... se eu escolher a Danielle, os outros vivem. E o mesmo acontecerá se escolher qualquer outra pessoa... E tem tantas... tantas outras...

- Bem, você tem que escolher uma.- Lúcifer disse, com o mesmo jeito formal que ele agiu a noite toda. O rosto de Simon continuou a mudar, várias expressões enquanto ele ia lembrando, até que ele teve uma ideia. Assim que pensou nisso, seu rosto se iluminou de excitação.

- Lucifer, já que EU não consigo escolher, aqui está o meu pedido. Eu escolho que você mate a pessoa que mais me feriu.

Lucifer, agora satisfeito por poder se levantar e apresentar seu truque, disse:

-Essa, é uma ideia interessante.

O rosto de Lucifer tremia de excitação, como se estivesse tentando segurar um sorriso. Não conseguindo se aguentar, ele sorriu enquanto recitou:

- O contrato está feito. Que o desejo, seja atendido.- Ele levantou sua mão e estalou seus dedos, fazendo um alto CLICK.

Nesse momento.. Simon, cai morto...



9 comentários:

  1. Lúcifer deve ter festejado, o cara chato do caralho mano, eu já dava-lhe uns 2 tiro na testa pra pensar direito.

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  2. Desde o meio eu já sabia que isso ia acontecer, eu pensava que o próprio Simon ia pedir pra morrer DIRETAMENTE, mas acabou que INDIRETAMENTE sem saber ele morreu.

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  3. Já tava esperando esse desfecho. Interessante!

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  4. Já tava esperando esse desfecho. Interessante!

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  5. Vixi que burro XD tinha que morre mesmo

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  6. Muito bom. Simon egoísta.
    Ele tava pensando em futilidades que as pessoas tinham lhe causado, e logo, racionalmente, quem mede a tristeza e raiva que te causa é você mesmo. Você mesmo cria seu sofrimento.
    É bem lógico o que ele pediu HAHA

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