29/03/2016

Sally.exe

Eu sou um grande fã da série Sonic The Hedgehog, assim como um monte de gente. Me limitei aos jogos clássicos e desenhos animados, pois na minha opinião, o resto que a SEGA fez foi uma porcaria.

Eu estava navegando no E-bay um dia desses. Pensei se poderia haver algum item do meu personagem favorito da série, Sally Acorn. De fato, o que eu achei foi um plushie que fora fabricado no SEGA WORLD de Sydney, o qual fechou devido ao baixo número de visitantes em 2006. Esses plushies da Sally eram bem raros, mas eu não tinha dinheiro para comprá-la e meus pais brigariam comigo por isso. Examinei o plushie por um tempo, já que o artigo vinha com algumas fotos. Essa Sally até tinha sua própria jaqueta. Nela, estava escrito “GOD” com tinta permanente. Eu realmente não sabia o que isso significava. Provavelmente eram as iniciais da criança que a tinha, antes de vendê-la.

Cliquei no botão para voltar para a pesquisa “Sonic Sally”, sabendo que eu não ganharia o leilão de jeito nenhum, apenas para encontrar outro artigo que apareceu. “Todos os episódios de Sonic SatAM” com preço de $1 dólar na compra imediata. Os DVD's desse desenho nunca foram lançados no lugar onde moro (Puto...). Então, feliz do jeito que eu estava, quis assistir de novo ao desenho, então conferi o anúncio. Não tinha descrição alguma ou endereço de onde veio. Alemanha, Canadá... Estava faltando, e o preço do frete era de graça. Eu olhei a foto do artigo. Era um CD em branco. Mas independente disso, decidi comprar. Não apenas pela nostalgia, mas a sinopse do desenho era muito bem feita.

Bom... Tudo começou quando o correio veio. Chegou na manhã seguinte... Estranhamente, era domingo. Eu estava feliz por ter recebido os episódios e, imediatamente, coloquei o CD em branco no meu laptop, iniciando o DVD. Infelizmente, nada aconteceu, mas o laptop pediu para exibir a pasta, então eu a abri e vi um aplicativo chamado Sally.exe. Eu fiquei confuso por ser um arquivo de extensão, mas iniciei mesmo assim e, de fato, estava passando um episódio de Sonic SatAM: O episódio “Viciado em Sonic”. Começou normalmente, ao longo da introdução. Nada de sangue ou algo assim... Mas a parte triste foi que meu computador entrou na “tela azul” quando a cena do beijo de Sonic e Sally começou (quando Sally anda até Sonic e o beija na bochecha, ele diz que seu beijo não foi tão bom e lhe dá um melhor... É, e isso foi fofo também). O computador reiniciou e eu tirei o CD de dentro dele, pensando que fora mau funcionamento, e então joguei fora. Não podia pedir meu dinheiro de volta, mas o cara podia ficar com aquele misero dólar que eu lhe dei. Quero dizer... É apenas $1 dólar.

Eu continuei navegando na internet normalmente, conversando com amigos no Skype e tudo mais. Nada estava errado, até que eu estava assistindo vídeos no Youtube, e meu cursor do mouse começou a travar completamente. Eu desconectei meu mouse, mas o cursor continuou se batendo pela tela. Eu até desativei o touchpad, mas ele continuou se movendo. De repente, ele parou em um ponto e eu o “peguei”, ignorando o que tinha acontecido. Logo, eu me vi baixando uma ROM do Sonic The Hedgehog pra Mega Drive. Bizarro... Assim que baixou, o cursor iniciou o emulador e o jogo começou em modo janela, mas estranhamente, a tela estava preta. Eu encolhi os ombros e esperei o jogo começar.

O familiar jingle da SEGA não tocou. Bem, até tocou, mas estava tão lento que pareceu algo demoníaco, e isso me deu calafrios. O fundo permaneceu preto e o Sonic não apareceu surgindo no logo. O preto foi clareando e um texto apareceu: “Pronto para o 2º Round?”. Eu pisquei e estremeci assim que a tela inicial apareceu. O céu estava cinza escuro e as nuvens pareciam borradas e pretas, exatamente como ficam antes de uma tempestade. As montanhas estavam apodrecidas, assim como o logo. Fiquei espantado com os detalhes em pixels, mas algo também me assustou. “SEGA 1991” estava agora substituído por “SEGA 666” e a água estava vermelho sangue. A música familiar não estava tocando. Eram apenas sons em 16-bits e o demoníaco jingle da SEGA ocasionalmente se misturava entre eles. Ao invés de Sonic aparecer, dois personagens apareceram próximo ao logo – Tails e Knuckles. O olhar deles me aterrorizou mais ainda. Os olhos de Tails estavam pretos e sangrando... Seu pelo se tornou cinza/preto e ele também tinha uma expressão de angústia em seu rosto. Knuckles parecia muito pior. Seu pelo vermelho escureceu para um cinza-avermelhado, seus “cabelos” estavam pingando sangue e seus olhos eram pretos e sangrentos, como os de Tails, e ele tinha um olhar de tristeza em seu rosto.

Só então eu notei que um novo personagem surgiu no meio do logo. Um pequeno ouriço rosa colocou a cabeça para fora. No início, ela estava sorrindo, mas parecia confusa e nervosa ao mesmo tempo, como se realmente não soubesse o que estava acontecendo. “Amy Rose?”, pensei. “O que é isso?!”. A curiosidade me levou a pressionar o “Enter”. Um som alto de ruído estático se esvaiu pela tela.

Eu queria não ter feito aquilo...

“Kyle não quer brincar comigo...”, a escrita apareceu novamente. “Que pena. Mas eu posso brincar com você...” “... Certo?”.

O demoníaco jingle da SEGA tocou novamente por uma fração de segundos. Uma imagem passou. Ela desapareceu tão rápido que eu não consegui entender o que era, mas eu poderia jurar que vi um Sonic preto e vermelho, com olhos de mesma cor. Aquele momento me fez pular. Ele não começou na “Green Hill Zone Act 1” como eu imaginei. Bem que eu queria que tivesse. Ao invés disso, no título da fase se lia “Not Perfect Act 1”. O jogo começou. O chão parecia normal como o do Green Hill Zone, mas o fundo estava escuro. Amy ficou onde normalmente Sonic ficava, no jogo original. Surpreendentemente, aquilo era um sprite muito bem feito. Não era seu sprite clássico, mas sim, seu atual. Enfim, parecia oficial. No lado oposto da tela em que Amy estava, havia um grande e prateado anel. Na frente dele, o sprite de Sonic se levantou, com um sorriso em seu rosto. A animação de Amy ali em pé foi que ela olhou para frente com uma expressão totalmente apaixonada, com corações saindo de sua cabeça. Eu achei que deveria ir até o Sonic, então movi Amy em direção a ele, mas Sonic fugiu e saltou pra dentro do anel. Fiz Amy saltar logo depois dele.

O nível os teletransportou para uma das fases bonus onde você pode obter um Esmeralda do Caos. O fundo era rosa com corações por todo lado. Parecia fofo, mas eu estava distraído por ter 4 esferas coloridas – brancas e vermelhas – para saltar, e eu tentei equilibrar Amy em cima delas enquanto ela tentava, desesperadamente, se manter sobre as esferas, mas meus dedos escorregaram dos controles e Amy caiu. Eu caí em uma parede de esferas Goal. Assim que eu pensei que seria teletransportado de volta, um som alto de grito soou e a imagem desse... Sonic demoníaco, piscou na tela. A tela surtou completamente e eu ouvi gritos. Gritos altos de onde eu poderia JURAR que era a própria Amy Rose. Eu continuei ouvindo “Não! Não!” e choros altos de agonia e dor, os quais acabaram bruscamente com mais ruídos estáticos que soaram por um pequeno momento, antes de a tela ficar toda preta.

Logo, a tela do título apareceu de novo. Knuckles e Tails tinham sumido, mas ao invés disso, Amy apareceu. Ela estava sorrindo, seu sorriso fofo e usual, mas seu corpo tinha buracos. Não buracos sangrando ou buracos de bala... Apenas... Buracos que perfuravam todo seu corpo. Suas cores se desbotaram para um preto e branco. Até seus olhos pareciam estranhamente desfigurados. Isso me assustou tanto que meu corpo inteiro começou a arrepiar. Fui ficando cada vez mais assustado, enquanto observava outro personagem aparecer. Eu fiz uma careta ao ver Cream, da qual tinha uma expressão aterrorizada dentro do logo. Pobre Cream. Eu queria sair do jogo, mas como não conseguia fazer isso, apertei "Enter" de novo e a tela mudou.

“KINDANFAIR Act 1”. A fase agora estava em branco e a música de fundo era uma versão mais lenta do Green Hill Zone. A fase começou e o sprite de Cream era como o de Amy, muito bem feito. O ambiente era infantil. Parecia um lindo parque de diversões. Na frente de Cream, havia uma televisão que lhe dava maior velocidade. Fiz Cream se agachar e dar um spindash pra frente, batendo no item. A fase não mudou. O chão era uma plataforma sólida e parecia que Cream estava indo cada vez mais rápido, até que de repente, ela bateu em mais caixas, mais caixas, mais caixas... Eu notei que a música ficou completamente fora de sincronia, o que me assustou. De repente, Cream bateu em uma parede de espinhos na parede: “SPLAT!”. A pobre Cream foi despedaçada. O sangue escorria dos espinhos e da coelha ensanguentada, lentamente, na frente dos meus olhos. A imagem piscou novamente e logo a tela do título apareceu. Como esperado, Cream apareceu com Amy. Ela parecia assustada, mas seu outro olho estava... Como posso dizer... Caído e morto, e sangrando uma gosma preta. Suas orelhas agora estavam em seu rosto ao invés de estarem na parte de trás de sua cabeça. Sua paleta de cores mudou de marrom e laranja para um roxo muito, muito escuro, e vermelho. Seu vestido estava cinza escuro.

Hora do terceiro personagem... e Deus, eu quis chorar quando vi Sally Acorn sair pra fora daquele maldito logo, com seu sorriso inocente no rosto enquanto acenava para mim, como se ela não soubesse quais torturas estava prestes a sofrer. O jogo estava tão apavorante e mesmo assim tão fascinante, e eu queria muito parar, mas minha mão não se movia. Eu até comecei a tremer. Queria chegar ao botão de desligar o notebook pra acabar com aquilo, mas minha mão simplesmente não se moveu e, antes que eu percebesse, já tinha iniciado a fase.

“________ Act 9”, dizia a tela. Uma melodia monótona e triste tocava ao fundo, e uma silhueta de sprite que se parecia com Sally apareceu na frente de um fundo que consistia todo o grupo: Amy, Cream, Knuckles, Tails e Robotnik apareceram, todos em suas formas desfiguradas e com expressões de tristeza. Também tinha o Sonic, mas de uma forma quase que irreconhecível. Ele tinha um sorriso largo no rosto, com dentes afiados. Seus olhos eram pretos, com pontos vermelhos como pupilas, os quais estavam sangrando. Parecia que ele ia chegar à frente de sua silhueta. Eu tentei mover Sally, tirá-la de lá, mas nenhuma parede se mexia. Tudo estava muito escuro. Eu parei no meio e, para meu horror, o cenário começou a encolher, e as paredes foram se fechando sobre Sally. Eu tentei movê-la, correr, mas não adiantou. Deixei a Sally no meio da tela enquanto as paredes se fechavam sobre ela. Ela se agachou antes de desaparecer completamente no escuro.

“SPLAT!”

A escrita vermelha apareceu na tela novamente: “Sonic, meu amor...”

Subitamente, uma cena familiar começou a aparecer... Eu reconheci imediatamente. Sonic SatAM estava passando, aquela parte onde o CD havia cortado! Porém, Sonic tinha um tom mais avermelhado, e aqueles... Olhos pretos, sangrentos, demoníacos. De repente, apareceu uma imagem na tela... Era Sally. Seus olhos estavam faltando. Era como se eles tivessem sido retirados, e o crânio dela fora costurado e fechado novamente. O sangue escorria de sua ferida. Aquilo fez meu estomago revirar. Então voltou para o desenho. Sonic puxou Sally como no episódio, mas então, coisas pularam pra fora de sua boca, fazendo barulhos nojentos e de mastigação. Eu podia até ver a protuberância na garganta de Sally. A pior coisa era que eles pareciam estar curtindo aquilo. Pude ver Tails e Knuckles corrompidos no cenário também. Sonic se afastou. “Então?", ele disse. “Nada mal!”, Sally simplesmente respondeu.

Eu me silenciei e desviei o olhar da tela. De canto, notei algo em minha cama...

Era aquela boneca da Sally que vi no E-bay... Com os olhos faltando.

Tradução: Gabriela Prado

08/03/2016

Duas Faces

É normal se ver casos de pessoas que sofreram choque térmico devido a uma forte mudança climática, casos como essa já aconteceram com pessoas durante o banho, levando até mesmo ao desmaio em algumas situações e nas mais extremas, fazendo com que a pessoa morra, mas esses casos são a minoria.

No entanto há sinistros relatos de algumas dessas vítimas que são no mínimo curiosas, falando que pouco antes do choque térmico aconteceu algo que pode ser considerado no mínimo intrigante. Segundo alguns, durante o banho, viram uma pessoa dentro do banheiro.

Não existe um nome específico para a tal aparição, mas alguns a chamam de "Duas Faces", isso porque embora os relatos variem em diversos detalhes, alguns desses detalhes se fazem presentes na maioria dos casos relatados. A pessoa vai tomar banho e o vapor gerado pela água começa a surgir, fazendo com que o vidro do box comece a ficar embaçado, tudo parece normal até a pessoa perceber o som de uma canção baixa e lenta e quando ela olha pra fora do box, percebe um vulto humano no local, daí quando a pessoa passa a mão no vidro para ver quem é, o vulto aparece bem em frente ao vidro e a pessoa pode ver sua cara, que é caída, como se a pele não estivesse grudada na carne com um aspecto de velha, e então a pessoa ouve ela sussurrar "Duas Faces".

Após isso os relatos variam em detalhes, alguns desmaiam, outros saem correndo e quando abrem o box não há mais ninguém. Todos sofrem choques térmicos e paralisia facial, mas na maioria dos casos é reversível. Não se sabe exatamente porque a entidade fala "Duas Faces", mas alguns dizem que ela tenta se referir ao rosto da pessoa ao sofrer o choque térmico, uma espécie de maldição lançada pelo ser, outros acreditam que a criatura se refere ao seu próprio rosto deformado e tenta substituir o seu rosto pelo da pessoa.

Alguns falam que já a viram de forma diferente, não durante o banho, mas sim no espelho embaçado do banheiro, assim que passaram a mão para se olhar, a viram em um canto. Tem também quem diga que alguns dias após a aparição, ainda ouviram a estranha canção saindo dos ralos dos banheiros. Algumas das vítimas dizem que isso é um aviso e que Duas Faces irá retornar e continuará tentando até conseguir o rosto da pessoa que está sendo atormentada, e essa vai ficar com rosto deformado da criatura para resto da vida.

Então para aqueles que acreditam nessas coisas, fiquem avisados, se estiverem no banho e por acaso ouvirem uma canção, é melhor se virar, desligar o chuveiro e esperar todo o vapor ir embora, pois podem não gostar nem um pouco do que verão se ficarem curiosos.

04/03/2016

Compilação de Lendas Urbanas - parte 3: O experimento russo da privação de sono

Terceira parte do Lendas Urbanas retirado deste link.

                                                                                                                                                                   

Pesquisadores russos, no final da década de 1940, mantiveram 5 pessoas acordadas por 15 dias inalando um gás estimulante experimental. Elas foram mantidas em um ambiente fechado para que monitorassem  cuidadosamente sua inalação de oxigênio a fim de que o gás não os matasse, pois este continha uma grande concentração de toxinas. Isso foi antes da invenção do circuito fechado de câmeras, de modo que só tinham microfones e janelas redondas de vidro de mais ou menos 13 centímetros de espessura na câmara para monitorá-los. A câmara continha com livros, camas dobráveis para dormirem, mas sem roupa de cama, continha água corrente, banheiro e comida desidratada o suficiente para viverem os cinco por um mês.
Russian Sleep Experiment
Os sujeitos testados eram prisioneiros políticos julgados inimigos do estado durante a Segunda Guerra Mundial.
Tudo estava bem durante os primeiros 5 dias, eles quase não reclamavam sobre terem prometido (falsamente) que seriam soltos caso se submetessem ao teste e não dormissem por 30 dias. Suas conversas e atividades eram monitoradas e notou-se que eles continuavam a falar sobre incidentes cada vez mais traumáticos de seus passados, e no geral o tom das conversas ganhou um aspecto sombrio após o quarto dia.
Após cinco dias, eles começaram a reclamar sobre as circunstâncias e eventos que os levaram para onde estavam e começaram a demonstrar uma paranoia grave. Pararam de falar uns com os outros e começaram a sussurrar alternadamente nos microfones e nas janelas espelhadas. Curiosamente, todos pareciam pensar que poderiam ganhar a confiança dos pesquisadores tornando-se seus camaradas, outros sujeitos em cativeiro com eles. De primeiro, os pesquisadores suspeitaram que fosse um efeito do gás...
Após nove dias, o primeiro deles começou a gritar. Ele correu pela câmara gritando repetidamente por três horas a fio, e continuou tentando gritar, mas apenas conseguiu produzir alguns grunhidos. Os pesquisadores sugeriram que ele havia rompidos suas cordas vocais. O mais surpreendente sobre esse comportamento é como os outros em cativeiro reagiram... ou como não reagiram. Eles continuaram sussurrando nos microfones até o segundo em que começaram a gritar. Os dois que não estavam gritando que pegaram livros, sujaram página por página com suas próprias vezes e as passaram calmamente pela janela arredondada de vidro. A gritaria cessou prontamente.
Assim como o sussurro nos microfones.
Mais três dias se passaram. Os pesquisadores checavam os microfones de hora em hora para ter certeza de que estavam funcionando, pois achavam impossível que nenhum som estivesse vindo dos cinco ali dentro. O consumo de oxigênio na câmara indicava que os 5 deviam ainda estar vivos. Na verdade, essa era a quantidade de oxigênio que cinco pessoas consumiriam em exercício de um nível de esforço muito alto. Na manhã do 14º dia, os pesquisadores fizeram uma coisa que disseram que não fariam para obter a reação dos sujeitos em cativeiro. Eles usaram o interfone dentro da câmara, esperando provocar alguma resposta deles, pois temiam que estivessem mortos ou em estado vegetativo.
Eles anunciaram:

 Estamos abrindo a câmara para testar os microfones, mantenham distância das portas e deitem-se no chão, ou atiraremos. Bom comportamento garantirá a um de vocês a liberdade imediata.
Para a surpresa deles, ouviram uma única frase dita em uma voz calma responder:

 Não queremos ser libertados.
Um debate se iniciou entre os pesquisadores e as forças militares  que estavam financiando a pesquisa. Incapazes que provocar alguma outra resposta usando o interfone, finalmente decidiram abrir a câmara à meia-noite do décimo quinto dia.
O gás estimulante foi retirado da câmara e esta foi preenchida com ar fresco, e imediatamente vozes dos microfones começaram a contestar. Três vozes diferentes começaram a implorar, como se estivessem implorando pela vida de seus amados, para que voltassem com o gás. A câmara foi aberta e os soldados entraram para recolher os sujeitos testados. Eles começaram a gritar mais alto do que nunca, assim como os soldados o fizeram quando viram o que havia lá dentro. Quatro dos cinco sujeitos estavam vivos, embora nenhum pudesse dizer com certeza o estado de nenhum deles em "vida".
As rações de comida não haviam sido muito tocadas após o quinto dia. Havia pedaços de carne da coxa e da bochecha do sujeito testado morto dentro do ralo no centro da câmara, bloqueando-o e fazendo com que mais ou menos 10 centímetros de água se acumulasse no chão. Nunca foi determinado com precisão o quanto de água era na verdade sangue. Todos os quatro "sobreviventes" testados também tinham grandes pedaços de músculo e pede arrancados de seus corpos. A destruição da carne e o osso exposto nas pontas dos dedos indicavam que os ferimentos haviam sido feitos usando a mão, e não com os dentes, como os pesquisadores inicialmente pensaram. Uma examinação mais de perto sobre a posição e dos ângulos das feridas indicaram que a maioria, se não todas, haviam sido feitas pela própria pessoa.
Os órgãos do abdômen abaixo da caixa torácica de todos os quatro sujeitos testados foram removidos. Enquanto o coração, pulmões e diafragma permaneciam em seus lugares, a pele e a maioria dos músculos ligados às costelas haviam sido arrancados, expondo os pulmões através da caixa torácica. Todas as veias e órgãos permaneceram intactos, somente tendo sido tirados e colocados no chão, espalhando-se em volta dos corpos eviscerados porém ainda vivos dos sujeitos. O trato digestivo dos quatro podia ser visto trabalhar, digerindo comido. Rapidamente se tornou aparente que o que eles digeriam era sua própria carne que haviam arrancado e comido ao longo dos dias.
A maioria dos soldados no local fazia parte das operações especais russas, mas muitos continuaram se recusando a retornar à câmara para retirar os sujeitos testados de lá. Eles continuavam a gritar para serem deixados na câmara e imploravam alternadamente e exigiam que o gás fosse novamente acionado, a fim de que não dormissem...
Para a surpresa de todos, os sujeitos iniciaram uma batalha feroz no processo de serem retirados da câmara. Um dos soldados russos morreu por ter tido sua garganta rasgada, outro foi gravemente ferido, pois teve os testículos arrancados e uma artéria em sua perna pelos dentes de um dos sujeitos. Outros cinco dos soldados perderam suas vidas, se você contar aqueles que cometeram suicídio nas semanas após o incidente.



Durante a luta, um dos quatro sobreviventes do teste teve seu baço rompido e começou a sangrar quase que instantaneamente. Os médicos pesquisadores tentaram sedá-lo, mas perceberam que seria impossível.  Injetaram doses morfina nele mais de dez vezes, e ele continuava a lutar como um animal encurralado, quebrando as costelas e o braço de um dos médicos. Quando seu coração bateu durante dois minutos, ele sangrou tanto que havia mais ar do que sangue em seu sistema. Mesmo após ter parado de sangrar, ele continuou a gritar e a se debater por mais 3 minutos, lutando contra qualquer um que chegasse e apenas repetindo a palavra "MAIS" repetidamente e cada vez mais fraco, até que finalmente ficou em silêncio.
Os outros três sobreviventes foram contidos e movidos para uma unidade de saúde. Os dois com as cordas vocais intactas imploravam sem parar pelo gás, exigindo serem mantidos acordados...
O mais ferido dos três foi levado para a única sala de cirurgia que a unidade tinha. No processo de preparar o sujeito para ter os seus órgãos novamente dentro de seu corpo, descobriram que ele era imune ao sedativo que o deram para prepará-lo para a cirurgia. Ele lutou furiosamente contra a imobilização quando o gás anestésico foi colocado para apagá-lo.Conseguiu rasgar quase que completamente uma tira de couro de mais ou menos 10 centímetros de largura presa em seu pulso, mesmo que um soldado de 90 kg também estivesse segurando o seu pulso. Foi necessário apenas mais um pouco de anestésico para apagá-lo, e no instante em que seus olho se fecharam, seu coração parou. Na autópsia, que aconteceu na mesa de operações, foi descoberto que seu sangue continha três vezes mais oxigênio do que o normal. Seus músculos que ainda estavam grudados ao esqueleto estavam bastante desgastados, e ele quebrou 9 ossos em sua luta para não ser sedado. A maior parte desses machucados foram feitos pelos próprios esforços do paciente.
O segundos sobrevivente tinha sido o primeiro do grupo de cinco a começar a gritar. Suas cordas vocais foram destruídas e ele não conseguia implorar ou exigir uma cirurgia, e sua única reação era chacoalhar a cabeça violentamente em sinal de desaprovação quando a o gás anestésico foi colocar perto dele. Ele chacoalhou a cabeça durante as 6 horas do procedimento de recolocar seus órgãos abdominais e tentativa de recobri-lo com o resto de pele que tinha. O cirurgião que coordenou a operação afirmou repetidamente que seria possível que o paciente sobrevivesse. Uma enfermeira horrorizada que assistia à cirurgia afirmou ter visto a boca dos pacientes curvar-se em um sorriso inúmeras vezes, sempre que seus olhos encontravam os dela.
Quando a cirurgia acabou, o sujeito olhou para o cirurgião e começou a ofegar muito alto, tentando falar enquanto lutava contra sua respiração. Entendendo que isso deveria ser algo extremamente importante, o cirurgião pegou uma caneta e um bloco de notas para que o paciente pudesse escrever sua mensagem. Era simplesmente: "Continue a cortar".
Os dois dois sujeitos foram submetidos à mesma cirurgia, ambos com anestesia. Entretanto, tiveram de injetar neles paralisantes para que a operação prosseguisse. O cirurgião disse que era impossível prosseguir enquanto os pacientes riam sem parar. Uma vez paralisados, eles apenas podiam seguir os pesquisadores presentes com os olhos. O paralisador saiu de seus sistemas em um perioco curto de tempo fora do normal, e logo eles já estavam tentando se soltar. No momento em que conseguiram falar, perguntaram novamente pelo gás estimulante. Os pesquisadores tentaram perguntar o motivo que eles haviam se machucado, porque haviam arrancado suas próprias vísceras e o porquê de quererem tanto o gás de novo.
Apenas uma resposta foi dada: 
 Eu devo permanecer acordado.
 A imobilização dos três sujeitos foi reforçada e eles foram colocados de volta na câmara, à espera de uma determinação sobre o que deveria ser feito com eles. Os pesquisadores enfrentavam a ira de seus "benfeitores" militares por terem falhado com os objetivos de seu projeto, que considerava a eutanásia para os sobreviventes da pesquisa. O comandante, um ex-KGB, em vez disso, viu potencial, e quis ver o que aconteceria se eles fossem colocados de novo sob o gás. Os pesquisadores refutaram veementemente, mas rejeitaram suas opiniões.
Durante a preparação para serem colocados na câmara novamente, os sujeitos foram conectados a um monitor de eletroencefalograma, e suas amarras foram acolchoadas para que aguentassem o longo tempo de confinamento. Para a surpresa de todos, os três pararam de lutar no momento em que os avisaram de que voltariam para o gás. Era óbvio que à essa altura os três estavam se esforçando muito para permanecerem acordados. Um dos que podia falar cantarolava alto e sem parar; o que era mudo, torcia suas pernas contra a tira de couro com toda a sua força, primeiro a esquerda, depois a direita, e a esquerda de novo para ter algo em que se focar. O último sujeito afastava sua cabeça do travesseiro e piscava rapidamente. Tendo sido o primeiro a ser conectado ao aparelho de eletroencefalograma, a maioria dos investigadores estavam monitorando suas ondas cerebrais surpresos. Elas eram normais na maioria do tempo, mas às vezes sumiam inexplicavelmente. Parecia que ele estava sofrendo repetidamente de morte cerebral antes de voltar ao normal. Conforme eles focaram no papel que saía do monitor de ondas cerebrais, apenas uma enfermeira viu seus olhos se fecharem no mesmo instante em que sua cabeça deitou-se sobre o travesseiro. Suas ondas cerebrais imediatamente mudaram para as de sono profundo, e então caíram pela última vez conforme seu coração parou simultaneamente. 
O último sujeito que sobreviveu que podia falar começou a gritar para ser  selado naquele instante. Suas ondas cerebrais estavam retas como as do homem que acabara de morrer após adormecer. O comandante deu ordens para selar a câmara com os dois sujeitos lá dentro, assim como os 3 pesquisadores. Imediatamente um dos pesquisadores sacou sua arma e atirou entre os olhos do comandante, e então virou sua arma para o sujeito mudo e atirou em sua cabeça também.
Ele apontou sua arma para o sujeito que restava, ainda preso à cama enquanto os outro membros da equipe de médicos e pesquisa saía da sala. 

 Não serei selado aqui com essas coisas! Não com você!  ele gritava ao homem amarrado à cama.  O QUE VOCÊ É?  ele ordenava.  EU EXIJO SABER!
O sujeito sorriu.
 Como você esqueceu assim tão fácil?  o sujeito perguntou  Nós somos vocês. Somos a loucura que se esconde em todos vocês, implorando para ser libertada a qualquer momento no fundo de sua mente animalesca. Nós somos o que você esconde em suas camas toda noite. Nós somos o que vocês sedam em silêncio e paralisam quando atingem o paraíso noturno onde não podemos nos levantar.
O pesquisador parou, e então mirou no coração do sujeito e atirou.
O aparelho de eletroencefalograma zerou enquanto o sujeito gaguejava sem força:

 Qua... se... livre..."


01/03/2016

Microcontos de terror

Aqui vão alguns microcontos de terror encontrados neste site aqui.

                                                                                                                                                                   

"Eu continuo a alimentando, mas ela sempre me diz que está com fome. Não sei o que farei quando a vizinhança ficar sem gatos."

"A primeira vez que pinguei sangue no livro foi sem querer, mas meu desejo ainda assim foi concedido. O único problema é que você precisa do sangue de uma pessoa diferente a cada desejo."

"O cabelo de uma mulher é sua característica mais atraente. Acho que nunca ficarei satisfeito."

"O choro dela ao pé da cama me acordou. Eu queria perguntar à minha namorada o que estava acontecendo, mas ela estava encolhida ao meu lado."

"Era uma coisa de bom samaritano atravessar a velhinha para o outro lado, mas ela não largou minha mão após dizer 'obrigada'. Ela me arrastou pela calçada até a casa dela, e em vão eu tentei me soltar de sua mão."

"Tudo na minha geladeira está no lugar errado. Não reconheço nenhuma das marcas nos rótulos."

"Achei que as pessoas estavam me achando engraçado, como se eu fosse algo nojento ou terrível. Levou um tempo para eu perceber que elas estavam olhando por cima do meu ombro."

"Sou nova na cidade, todos parecem muito legais. Ninguém diz nada, mas sorriem e acenam quando tento falar com eles."

"Meu histórico da internet tem centenas de sites pornográficos de fantasia violenta logados que nunca visitei. Eu moro sozinho há seis anos."

"A mulher em minha cama e em minhas fotos não é minha namorada. Quando perguntei quem ela era, ela me respondeu: 
- Não quer fazer este trabalho?"

"Meu filho tem amigos por perto o tempo todo. Acho que nunca vi nenhum deles ir embora."

"Achei uma arma na mesa do meu chefe. Tinha um post-it colado nela, onde se lia "Em breve"."

"Minha esposa começou com jardinagem, mas nunca a vi comprar fertilizante. Minha ex parou de me perturbar com ligações há uma semana."

"Faltou luz e os únicos em casa somos eu e meu cachorro. Então, quem continua dizendo o meu nome?"

"Mais cedo, meus vizinhos me perguntaram sobre a garota bonita que viram entrando e saindo de meu apartamento bem tarde da noite. Eu não tenho namorada e não convido ninguém para vir aqui há meses."

"Nossa casa era uma das mais antigas na cidade antes do incêndio. Agora só preciso descobrir para onde os meus pais se mudaram depois que saí."

"Minha esposa e eu estamos juntos há dezoito anos. Encontrar as partes substitutas dela é um preço pequeno a se pagar por esse tipo de felicidade"

"Achei que o pedaço de pele seca fosse descascar quando eu coçasse. Eu não esperava que meu dedo fosse afundar no buraco que fiz, ou que fosse tão frio lá dentro."

"Todos no shopping pararam o que estavam fazendo e olharam para mim quando o telefone tocou. Eles não piscaram ou se moveram quando li a mensagem de texto que recebera: 'Te encontrei' ".

"O saco de lixo suportava trinta litros. Eric pesava apenas seis, então seria grande o suficiente, certo?"



25/02/2016

Sorriso de crocodilo

O som do alarme fez Jack pular com um surto de adrenalina. Jack se sentia pronto para qualquer coisa que entrasse em seu caminho, mas ele precisava ser o mais silencioso possível, pois não queria acordar a sua esposa. Na ponta dos pés, ele seguiu para o guarda-roupa para pegar o seu short e a camisa de caminhada. Ele pôs os tênis e saiu de sua casa. A brisa congelante atingiu seu rosto no segundo em que ele pôs o pé fora de casa. Era uma rotina, ele queria e precisava se exercitar, então caminhava todas as manhãs às 6 a.m. Porém, hoje o dia seria um pouco estranho. Jack continuava com o seu tradicional percurso de caminhada até que passou pelo lago. Ele sempre passava pelo lago, mas dessa vez havia algo estranho. Algo se moveu dentro do lago, e parecia ser algo grande, maior que os esquilos e patos que costumavam frequentar aquele lago. De fato, não havia patos ou esquilos por ali, era como se estivessem tentando evitar aquele local.

Uma grande criatura emergiu próxima à borda do lago. Jack pôde apenas enxergar os olhos da criatura, pois o dia continuava escuro. Finalmente, Jack pode enxergar a criatura por completo e era um crocodilo. Os olhos do crocodilo estavam fixos em Jack enquanto ele se movia. O animal abriu a boca como se estivesse querendo mostrar todos os dentes afiados que ele possuía. A boca do crocodilo se alinhou para formar um grande sorriso direcionado para Jack. O frio tomou conta da pele de Jack e ele correu para casa, sem olhar para trás.

Jack irrompeu em casa e bateu a porta com um grande estrondo. Sua esposa acordou instantaneamente.

“O que aconteceu, querido?”

“Nada,” Jack murmurou enquanto o suor escorria pelo seu rosto, “tem crocodilos no lago aqui perto de casa, pois acho que acabei de ver um!”

Sua esposa sorriu, “Acho que não, que estranho. Ouvi dizer que tem jacarés, não crocodilos.”

Jack assentiu lentamente e deu um grande beijo na boca de sua esposa. Jack caiu no chuveiro e se vestiu para o trabalho. Então ele entrou em seu carro e seguiu para o trabalho. Ele fez questão de passar pelo lago para ver se o crocodilo continuava lá. Para sua surpresa, ele continuava, mas estava boiando na água, se refrescando. Jack continuou seu caminho para o trabalho.

Jack sabia que não havia com o que se preocupar, mas ele continuava nervoso. Ele sentia como se algo o estivesse observado. Ele tentou varrer tal sentimento como simples paranoia, porém, ele estava presente constantemente. Ele se sentia mais assustado e agitado.

Isso durou por semanas, e logo passou de apenas um sentimento para alucinações auditivas. Jack ouvia um sussurro a cada cinco minutos que dizia, “me alimente” ou “estou com fome”. Jack continuou a ouvi o sussurro e achou que não pudesse piorar, mas piorou. Ele passou a ver o crocodilo em todos os lugares. No shopping, no trabalho, em seu escritório, em sua casa. E o crocodilo continuava sussurrando as mesmas palavras nos ouvidos de Jack.

Um dia os sussurros, as visões, e o sentimento pararam abruptamente. Jack se sentia ótimo, ele finalmente conseguiu uma promoção e agora estaria ganhando mais. Jack não acreditava que a sua vida estava mudando para melhor. Na volta para casa, ele se certificou em não passar pelo temido lago. Ele estava ansioso para dar as notícias para a sua esposa. Jack achou que estava sendo recompensado depois de toda aquela insanidade que passou por meses.

Ele empurrou a porta com uma grande batida, gritando. “Querida, tenho ótimas notícias!”

Mas foi respondido pelo silencio. O puro silêncio que pairava em sua casa.

“Querida?”

Mais silencio.

As vozes voltaram. Mas dessa vez, estavam praticamente gritando. Logo a cabeça de Jack estava quase estourando. Jack gritou, “Cala a boca!”

Mas não paravam, continuavam aumentando rapidamente. “Estou com fome! Me alimente! Vou comer!”

Logo, uma mão bateu no ombro de Jack, ele virou-se rapidamente e viu algo que deixaria qualquer pessoa aterrorizada. A coisa era uma mistura de humano e réptil. A coisa possuía olhos negros que rasgavam através da alma de Jack. Era tão inumano. A coisa tinha uma grande boca que se curvava em um largo sorriso com vários dentes afiados. Sua pele era viscosa e escamosa. As unhas da coisa eram longas e salientes, prontas para perfurarem qualquer coisa ou qualquer um. As vozes continuavam gritando alto. Jack chutou e derrubou a criatura, correndo para a cozinha em seguida. Ele pegou uma enorme faca e começou a apunhalar a criatura, repetidamente, o sangue verde esguichando em Jack. Finalmente a criatura estava morta...

Jack desmaiou, com um suor frio escorrendo por sua testa. Jack finalmente acordou na escuridão. Ele esteve desmaiado por muito tempo, já estava passando de 1 da manhã. Ele tropeçou pela casa à procura do interruptor. Ele ligou a luz e viu algo que o aterrorizaria mais que a própria criatura. Sua esposa... estava no chão, coberta de sangue e mutilada, com os olhos arregalados de medo. Jack começou a chorar desesperado, pois agora ele sabia o que a voz em sua cabeça queria quando repetia, “me alimente”.

14/02/2016

O Portador da Riqueza

Em qualquer cidade, em qualquer país, vá para qualquer instituição mental ou casa de repouso onde você possa entrar. Quando chegar à recepção, peça para visitar alguém que se chama "O Portador da riqueza". O recepcionista levantará a sobrancelha como se intrigado. Peça uma segunda vez, o recepcionista dará de ombros e o levará até rua, onde uma mansão opulenta espera. Se você é observador por natureza, perceberá que a mansão não estava lá quando você começou a sua busca...

O recepcionista abrirá a porta, logo após o deixará só. A frente haverá uma grande escadaria, espiralando-se através do hall. As paredes estão cobertas com quadros e pinturas e uma grande estátua de mármore fica próximo das escadas. Características sobrenaturais, a imagem de um animal verdadeiramente horrível, um tanto estranha e mal. Admire o quanto quiser, mas não o toque, a menos que você deseja despertar o monstro esfomeado.

Suba a escada. Contanto que você não toque em nada, você estará seguro. Não entre em pânico. No topo das escadas, você encontrará uma pequena porta de madeira, a sua aparência simples e despretensiosa é um nítido contraste com os seus arredores decadentes. Ele irá abrir sozinha para você, desde que você não sinta medo.

Passado isso, ao entrar, você verá um homem com um cavanhaque pontudo, cabelo em pé e atrás de uma grande mesa de mogno. Seu traje é feito de ambos, carne humana e seda italiana. Ele pode falar, e longamente. Ele vai falar sobre sua belíssima casa e a bela estátua de sua concubina. Não o interrompa, e não responda a qualquer pergunta que ele possa fazer. Quando ele concluir sua fala, respire fundo, não tema e pergunte: "Posso ter o meu salário?”. 

Ele vai continuar a explicar-lhe, em grande detalhe, o valor da vida. Ele vai falar de coisas piores do que a morte, ele dirá exatamente o que ele espera que você faça. A aparência do homem se tornará ciclópico e inimaginavelmente horrível. Ele colocará a mão em um dos bolsos de seu terno, pegará uma pequena nota de banco e entregará a você.

Essa nota é o 8º objeto de 538. Seu titular está contando com você para gastá-lo.

06/02/2016

Compilação de Lendas Urbanas - Parte 2

Olá, pessoal!. Aqui está a segunda parte da compilação de lendas urbanas do reddit. Se você não leu a primeira parte, clique aqui. Deixe o seu feedback :D!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.
                                                                                                                                                                   

[deleted]:

Há muito tempo atrás, havia um homem que foi caçar na floresta. Conforme a noite caiu, ele percebeu que estava em uma parte desconhecida da floresta. Ele andou e andou, mas não conseguiu encontrar o caminho para casa. Ficou vagando sem rumo no escuro, até que chegou a uma clareira onde uma velha e desorganizada cabana se encontrava. Como estava cansado, decidiu ver se poderia ficar ali aquela noite.
Quando se aproximou da cabana, viu que a porta estava entreaberta. Bisbilhotou pela fresta da porta, e viu que a pequena cabana estava completamente vazia, mas havia uma cama e a lareira estava acesa. O caçador então entrou, se jogou na cama e decidiu dormir ali naquela noite. Se o proprietário voltasse, ele pediria permissão pela manhã.
Deitado na cama, meio sonolento, ele olhou em volta e se surpreendeu ao ver que as paredes estavam cobertas de pinturas. Elas pareciam ser retratos de família, todas emolduradas e pintadas em detalhes incríveis. Pareciam muito reais e, sem exceção, um retrato era mais feio do que o outro. Os rostos horripilantes das pinturas o fizeram se sentir extremamente desconfortável. O modo como foram pintados fizeram com que parecesse que os olhos estavam olhando diretamente para ele. Isso era extremamente irritante.
Ele decidiu que a única maneira de conseguir dormir seria ignorar os rostos horrorosos olhando para ele. Virou seu rosto para a parede, cobriu a cabeça com um cobertor e dormiu.
Pela manhã, o caçador acordou e se deparou com a cabine completamente banhada pela luz do sol. Quando ele olhou para cima, descobriu que não havia nenhum retrato de família nas paredes da cabana, apenas janelas.

Dat_Cankle:

Uma garotinha chamada Sarah tem uma grande coleção de bonecas. O pai dela se esquece de comprar a ela um presente de aniversário, avista uma boneca em uma venda de garagem e rapidamente a compra.
É uma boneca muito especial, feita de porcelana e com olhos de vidro, com um cabelo cacheado perfeito. Ela a chama de Lucy e a coloca em um armário de vidro ao fim do dia antes de subir para a cama.
Durante a noite, seus pais acordam acreditando terem ouvido Sarah brincar com a boneca. Como era o aniversário dela, deixaram para lá, mas conseguem ouvi-la durante toda a noite...
(Cantando)
Lucy está no fim da escada... tap tap tap
Lucy está no meio da escada... tap tap tap
Lucy está no topo da escada... tap tap tap
O som é irritante, mas seus pais tentam ignora-lo enquanto o som chega mais perto de sua porta.
Lucy está no corredor... tap tap tap
Lucy está na pooooorta de Sarah... tap tap tap
Achando que sua filha estava indo para cama, os pais ignoram o cantarolar.
Lucy está no final da caaaaaama de Sarah...
Lucy está no meio da caaaama de Sarah...
Lucy está no começo da caaaama de Sarah...
E agora, morta estáááá a Sarah...
tap... tap... tap...

crazy-ex:

A lenda japonesa kuchi-sake onna. Em tradução livre, seria “A Mulher com a Boca Cortada”. De acordo com a lenda, o marido dela cortou a boca dela de orelha a orelha, e o vingativo espírito dela anda por aí perguntando às pessoas se elas a acham bonita. Se você diz que não, ela te mata (não me lembro como... Acho que ela te corta em pedacinhos?), e se você diz que sim, ela corta a sua boca para que fique igual a dela.

04/02/2016

Compilação de Lendas Urbanas - Parte 1

Olá, pessoal! Esta é a primeira parte da compilação de Lendas Urbanas que encontrei no reddit. Deem o feedback de vocês, porque, caso gostem, haverá mais compilações!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.

                                                                                                                                                                   

Existentialadvisor:

Eu vivo na cidade de Yonkers, em Nova Yorque. O Filho de Sam morava aqui e foi supostamente pego em um culto de adoração ao demônio que ocorria em um parque aqui perto. Dizem que o Filho de Sam levou a culpa pelo culto que estava envolvido nos assassinatos. Diz-se que também havia políticos e policiais no culto, e eles precisavam de cobertura.

Dr_King_Schults:

A algumas cidades da que moro, há uma Aldeia de Anões. Há um lugar na floresta com várias casas em miniatura feitas de pedra. A história é que havia um homem que enlouqueceu e matou sua família e fez todas essas casas para as vozes em sua cabeça. Também há um trono, e dizem que se você sentar nele, você morrerá em 7 anos.
As pessoas normalmente vão lá para beber, usar drogas e transar.

NoseDragon:

Os albinos de Hicks Road, San Jose, Califórnia.

Há uma comunidade de albinos que vive lá. O sol machuca a pele deles, então eles só saem durante a noite. Quando você dirige pela estrada, a luz do seu carro também machuca a pele deles, então eles se escondem atrás das árvores. Eles então perseguem o seu carro. Há sempre uma van branca estacionada na estrada, e o motorista irá tentar te chamar para ajudá-lo a consertar o carro apenas para te sequestrar, te estuprar, te matar, etc.

Mjyates:

Na vila onde cresci (nos anos 90), havia um cara estranho que costumava andar de bicicleta por lá. Pelo o que me lembro, ele tinha 30 anos e vestia calças jeans um pouco sujas e um colete de couro sobre uma camiseta suja. Ele parecia ser daqueles caras que causam problema, mas ninguém nunca o viu andando, muito menos falando com qualquer pessoa ou aprontando alguma coisa, ele estava sempre andando de bicicleta.
Ele era conhecido, tanto pelos adultos como pelas crianças, como “Herbie O Matador de Gato”, e a história era de que ele roubava seus gatos de estimação e os torturava até a morte. Ele também usava um colar no qual havia um dente de gato pendurado (essa era a evidência de que a história era “verdade”, embora eu pense que ele queria parecer mais com o estilo do Crocodilo Dundee, o dente provavelmente não era felino.)
Alguns anos depois, algo terrível aconteceu na vila e isso revelaria o verdadeiro motivo de Herbie andar de bicicleta o tempo todo. Uma garota de 16 anos que estudava em minha escola foi assassinada (foi horrível de verdade), e durante os primeiros dias da investigação, Herbie desapareceu. Naturalmente, as pessoas suspeitaram, mas logo em seguida o cara que havia cometido o assassinato foi encontrado e Herbie voltou aos seus antigos hábitos.
De qualquer forma, tudo foi revelado depois disso (polícia indiscreta + rumores da vila). Descobrimos que Herbie, na verdade, andava de bicicleta para verificar quando as famílias estavam viajando de férias. Ele avisava aos ciganos locais (havia milhares de campos ali perto), e então eles entravam nas garagens e roubavam ferramentas, motocicletas e outras coisas, dando parte dos lucros a ele.

SqoishMaloish:
Provavelmente o Triclope. Ele era um tipo de homem mutante criando em um laboratório durante a Segunda Guerra Mundial (?). O Triclope tem mais ou menos dois metros de altura, é prateado, incrivelmente forte, noturno e vive nas catacumbas. Ele come galinhas e outros animais pequenos, às vezes restos de suas refeições podem ser vistos perto de várias entradas à sua propriedade subterrânea.

Breadstick13:

Um tipo de lenda urbana de onde moro...
Lansingburgh, Nova York (O Antigo Colégio)
A lenda é que no começo dos anos 90, uma professora enlouqueceu e assassinou quantos estudantes ela podia com um machado na sala 243. A sala é mal-assombrada durante a noite pelo fantasma da professora, que grita furiosamente e agita o seu machado ensanguentado, e pelos estudantes correndo e gritando em pânico.

Sta1994:

A ilha de Hilton Head.

Há um farol abandonado em um canto da ilha. Ele foi abandonado porque há muitos anos uma escrava se enforcou lá, e após isso coisas muito estranhas começaram a acontecer. Com isso, as pessoas começaram a abandonar o farol. Se você for lá à noite, você verá a sombra de uma figura enforcada balançando na luz e também ouvirá a risada dela.

Cliffkleven:

Há uma fazenda histórica perto de minha cidade natal, onde corre o boato de que o proprietário cometeu um assassinato. Acredita-se que ele era um homem muito respeitado que atuava como ministro local. Uma vez ele contou à congregação que era melhor ele pregar às pedras, e então colocou um punhado de pedras nos bancos e começou a pregar a elas.
Sobre o assassinato: Diz-se que ele engravidou a própria filha. Ele ficou tão bravo com isso que após o nascimento da criança, matou o bebê e sua filha no porão. Uma amiga minha jura que quando era mais nova conversou com o fantasma da garota.

02/02/2016

Conhecido Apenas Como "Aquilo"

O que será citado a seguir é uma história real, incluindo o fato de que eu e meu amigo – que chamaremos de Kaskie – estamos nela.

Nós estávamos no treinamento básico da Marinha, estava quase no fim e logo nós nos mudaríamos para a frota. Como você pode imaginar as pessoas de lá geralmente ficam muito próximas, morando por tanto tempo juntas. Tão próximas que uma noite, meu amigo Kaskie decidiu contar relatos de um do encontro que ele teve com uma criatura que aparentemente não tinha nome.

Eu, Kaskie e dois outros amigos nos sentamos em uma das beliches assim que todos foram dormir. Começamos contando histórias que havíamos escutado, seja de terror ou não. Kaskie ficou em silêncio o tempo todo, parecendo incomodado.

Alguns minutos depois ele começou a nos contar da casa dele em Indiana, pequenas histórias “assustadoras” que ele jurava que eram verdadeiras. Nós continuamos a conversar assim que ele terminou, mas ele ainda parecia incomodado com algo, então, nós o instigamos a falar e depois de alguns momentos, ele o fez.

Ele começou dizendo que nunca deu um nome para a entidade, acreditando que se tivesse um nome, sua influência seria maior e ele retornaria ao ouvir o suposto nome. Por mais que aquilo parecesse loucura quando eu ouvi, ele tinha certeza do que dizia, mas chegaremos nesse ponto em breve.

Kaskie tinha apenas oito anos quando o incidente aconteceu e vivia numa casa velha e cheia de histórias por trás. Ele já havia tido alguns “encontros paranormais” pela casa, mas nada havia deixado lembranças marcantes assim, nada como aquilo. Quanto mais ele falava, mais pálido ficava e sua expressão demonstrava nervosismo, olhando para os lados de forma frenética, com medo de que aquilo voltasse para terminar o que havia começado quinze anos antes.

Como eu disse, ele tinha oito anos na época, e segundo ele, eram 02h37min da manhã. 

Provavelmente nunca esquecerá esse horário.

Ele acordou, sentindo vontade de usar o banheiro, levantou-se da cama nas pontas dos pés e caminhou no chão amadeirado até o próximo cômodo. Foi aí que ele ouviu algo na escada, que era próxima do banheiro. Aquilo se movia lentamente e parecia ter quatro patas, mas Kaskie não tinha um cachorro. Devido ao medo, ele ficou congelado ali, sem saber se deveria continuar o caminho até o banheiro ou simplesmente voltar para o seu quarto, então ele continuou lá, escutando enquanto o barulho ecoava pela escada.

Aquilo eventualmente alcançou o último degrau, e o que Kaskie viu fez com que ele sentisse um frio na espinha e todo o sangue do seu rosto sumisse.

Ele descreveu como se tivesse o corpo de um cachorro, um cachorro sem pêlo algum e gigantesco, que mesmo estando nas quatro patas, parecia ter uns dois metros de altura. A cabeça daquilo, não era de um cachorro, na verdade, lembrava a de um humano, só que na posição contrária e os dentes lembravam os de um Tamboril. Seus olhos eram apenas manchas escuras, e pareciam deixar tudo mais escuro, só de olhar pra eles – como encarar um túnel –.

O nariz eram apenas duas fendas e as unhas pareciam mais garras, arranhando a madeira enquanto se movia. Ele e a coisa se encararam por apenas alguns momentos até Kaskie decidir voltar para o quarto dele, fechando a porta rapidamente e se escondendo embaixo do cobertor.

Mas aquilo não desistiu tão facilmente.

O som da porta se abrindo foi apenas um sinal de que a coisa havia o seguido. Lentamente ele tentou espiar, ainda embaixo dos edredons, e deu de cara com aquilo sentado em sua cama, encarando-o com aqueles mesmos olhos escuros.

De repente, a coisa pulou, agarrando Kaskie pelas pernas e o levando para o centro do cômodo, o balançando de forma agressiva até Kaskie desmaiar.

Ele acordou na manhã seguinte com marcas profundas de mordidas nas suas pernas e lotado de arranhões e roxos espalhados pelo corpo, ele contou a sua mãe, mas ela pensou que ele havia sido atacado por algum cachorro no dia anterior, ou que outra criança havia batido nele.

Mas independentemente, ele nunca havia falado sobre isso com ninguém, com exceção de nós, claro.

Nós sentamos em silêncio por alguns momentos, antes de decidir que estávamos cansados e queríamos dormir; e isso deveria ser o final de tudo, mas não foi. Um tempo depois, decidi falar com Kaskie sobre aquilo, mas não o tratando como algo “sem nome” e sim o citando com um nome que eu havia escolhido. Ele me disse para nunca mais falar sobre o assunto e me bloqueou imediatamente para que eu não o questionasse mais... Mas não acho que aquilo iria atrás dele mesmo se ele ficasse com o nome gravado na mente para sempre, já que depois disso tudo, ele veio até MIM.

No começo eram coisas simples, vultos no escuro, caminhando pela casa; aquilo provavelmente fez a mesma coisa com Kaskie, mas ele não percebeu. Eu decidi sair de casa quando ouvi arranhões na minha porta, a qual eu havia trancado para que aquilo não entrasse.

Dirigi até a cidade da minha namorada e decidi ficar em um hotel simples. Eu achei que estaria salvo lá, achei que a distância faria algum tipo de diferença, mas uma noite, totalmente ao acaso eu olhei pela janela do quarto e aquilo estava lá fora. Não estava exatamente na minha janela, mas eu podia ver o meu carro no estacionamento, e a grande sombra de “cachorro” próxima a ele, correndo suas unhas na porta.

Continuei o encarando por um tempo, congelado pelo pânico, mas logo me afastei da janela, com medo que aquilo descobrisse o meu quarto exato. Eu até poderia achar que aquilo era um cachorro qualquer, se ele não tivesse retornado todas as noites, caminhando ao redor do meu carro e correndo as garras imensas dele pela extensão do mesmo.

Depois que retornei para minha cidade, decidi me mudar rapidamente para um apartamento, presumindo que aquilo não me acharia devido aos cheiros de outras pessoas que morariam próximas a mim.

Até agora funcionou, não vi aquela coisa dentro do meu apartamento desde que me mudei, mas toda noite, quando quase ninguém está acordado, ele retorna ao meu veículo, arranhando a porta e procurando por mim, e eu tenho medo que um dia ele consiga seguir o cheiro até o quarto andar do prédio, onde meu apartamento fica, e que ele decida me visitar, o homem que o deu poder simplesmente por causa de um nome.




creds

01/02/2016

Correio

Tudo começou com uma mensagem em minha caixa de correio. Após o meu café da manhã e do cigarro matinal, decidi sair para verificar a minha caixa de correio. Comprei essa casa em um leilão por um valor muito baixo. Ficava em um povoado tranquilo. Como sou um garoto da cidade, não fazia ideia de como seria a vida no interior até que fiz alguns amigos na área. Com a compra da casa adquiri também vários acres de terras agrícolas, que no outono florescia lindamente. 

Pus meus sapatos e sai de casa, ainda levemente sonolento. Abrindo a caixa de correio encontrei um pássaro morto lá dentro; de inicio pensei que fosse outra brincadeira daquelas crianças estúpidas – na semana passada, decidiram encher meu gramado com papel higiênico. Tirei o pássaro e o joguei no chão; ele estava bem desfigurado, como se um cachorro o tivesse mastigado. 

Não havia mais nada na caixa. Comecei a achar que talvez as crianças tivessem roubado minhas cartas, mas acabei deixando para lá e prometi que acordaria mais cedo na manhã seguinte e esperaria as cartas serem entregues, então eu pegaria esses idiotas no ato. A manhã seguinte chegou e o carteiro veio como sempre. Saí e peguei minhas cartas, sem problemas. Na manhã seguinte foi a mesma coisa. 

No inicio da semana seguinte eu saí para checar o meu correio como sempre. Mas dessa vez, fiquei horrorizado com o que vi; a minha caixa que era branca agora estava completamente suja com sangue. Eu a abri cuidadosamente. Dentro havia um gato mutilado. Engasguei e cobri minha boca, sufocando rapidamente o vomito que já subia pela minha garganta. Corri para minha garagem, pus minhas luvas, e tirei o pobre animal dali. Colado nele havia uma nota, quase ilegível, porém bruta. Na nota havia um simples rosto sorridente. Fiquei enojado com isso; quem fez isso achou divertido. Dei ao gato um enterro apropriado e segui normalmente com o meu dia. 

Na manhã seguinte, acordei as 5:00 AM, saí e verifiquei o meu correio à procura de algo errado. O gato que eu tinha enterrado no meu quintal estava outra vez enfiado na caixa de correio, dessa vez com outra nota. Nessa nota tinha o desenho de um rosto zangado, e logo abaixo dele havia escrito, “Não gosta do meu presente?” 

Enfurecido e finalmente cheio dessa palhaçada, decidi enterrar o gato outra vez e ficar acordado a noite inteira vigiando a minha caixa de correio para tentar descobrir quem estava fazendo isso. O tempo passava – 12:00 AM, 1:00 AM, 2:00 AM, nada acontecia... então, as 3:00 AM, finalmente vi movimento do outro lado da estrada, e do milharal saiu uma figura, seguindo para a minha varanda. Eu a observei ate que ela finalmente chegasse abaixo da minha luz de segurança que ficava no meio da varanda. O que vi, nem sei como posso começar e descrever. Era um homem... ou pelo menos eu acho que era. Estava curvado como um velho, com longos braços retorcidos que se moviam de modo anormal. Sua cabeça estava inclinada para baixo como se estivesse procurando por algo que havia deixado cair. 

O homem parecia frágil, mas se movia com grande velocidade. Rapidamente e em silencio, segui para a janela dos fundos e o observei desenterrar o gato e segura-lo em seus braços; ele acariciava o gato como se o animal ainda estivesse vivo e logo o homem correu para a frente da minha casa. Voltei para a janela da frente e o observei seguindo para a minha caixa de correio e colocando o gato lá dentro, para depois desaparecer na escuridão. Naquele dia eu não saí de casa; estava tão chocado com o que tinha visto. Dormi um pouco e resolvi sair para comprar algumas coisas; quando voltei retirei o gato da caixa outra vez e resolvi enterra-lo em outro local, então me preparei para passar outra noite acordado, esperando para ver o que aconteceria. 

Com uma lanterna em mãos e outra vez observando pela janela da frente, vi o estranho e veloz homem saindo do campo e entrando em minha varanda, seguindo para o novo local onde eu havia enterrado o gato e cavando com as próprias mãos. Abri a porta deslizante de vidro e saí, mirei a lanterna no homem, e gritei “O que diabos está fazendo?!” O homem virou-se para me encarar, e foi quando eu o observei de perto pela primeira vez. Seu corpo parecia ter sido mastigado por um urso – roupas rasgadas, pele apodrecida, dentes completamente expostos e irregulares, e olhos fundos. Corri rapidamente para dentro de casa no momento em que ele soltou um grito agudo e correu em minha direção. 

Fechei a porta deslizante, tranquei, e corri para pegar a pistola que eu havia comprado para a minha segurança e a tinha escondido sob o sofá. Pondo uma bala na câmara, mirei a luz da lanterna para a porta e fiquei esperando, sentado no sofá. Acabei atirando acidentalmente quando me assustei com algo que bateu contra o vidro da porta e deslizou para o chão. Me aproximei da porta e usei a luz da lanterna para ver o que era: entranhas estavam espalhadas pelo chão, e sangue manchava vidro. Enjoado, engoli o vomito que subia pela garganta. 

Corri de volta para o sofá e fiquei ali sentado, com meus olhos fixos na porta de vidro, e com a lanterna apagada. Eu conseguia ver o luar passando através da terrível mistura de sangue e entranhas grudada no vidro. Vi a figura se aproximar da porta e começar a tocar no sangue, espalhando-o com as mãos. Eu estava paralisado de medo, esperando que ele quebrasse o vidro e tentasse arrancar a vida de mim. 

Depois de espalhar o sangue, ele virou-se e foi embora. Juro que pude ouvir um fraco riso, como o riso de um fumante com os pulmões estragados, só que mais rouco. Fiquei sentado no sofá sem reação; não sei por quanto tempo esperei, mas logo a sala foi se iluminado com o nascer do sol. Passei os olhos pela casa – tudo parecia tão quieto – então fixei meus olhos na porta e lá estava no vidro; marcas de mãos com dedos anormalmente longos e um sorriso, o mesmo que estava na nota grudada no gato. Suspirei e tentei me acalmar, mas, ainda permanecendo em alerta, deitei e fechei os olhos. Algumas horas depois, despertei de um pesadelo e me levantei do sofá. 

Eu estava muito estressado, e com o medo crescendo a cada segundo que pensava na coisa que estava lá fora. Limpei as entranhas e o sangue na porta e reuni coragem para sair e checar a caixa de correio, quando encontrei uma simples carta. Curioso, a abri e senti um arrepio percorrer o meu corpo. 

Não havia palavras na carta – apenas um sorriso, o mesmo sorriso cru que estava na nota grudada no gato e em minha porta de vidro. 

Rapidamente amassei a carta e a joguei no chão. Saí naquela noite; fui ficar com os meus pais na cidade por algumas semanas. Sem explicar a minha situação para eles, simplesmente falei que estava cansado da vida no interior e precisava de uma mudança por algumas semanas. Eles concordaram alegremente. Quando retornei para a minha casa três semanas depois, o horror desabou sobre mim, pois a minha casa não estava como eu a havia deixado. Assim que entrei, o fedor de podre atingiu o meu nariz e vomitei no chão. Tapando o meu nariz com a camisa, prossegui para ligar a luz. 

Porém, ligar a luz me fez gritar em desespero. Havia entranhas e corpos de animais espalhados por toda a sala; alguns estavam encostados como se fossem humanos em meu sofá, e todos me encaravam enquanto eu estava paralisado de medo na entrada. Por toda a parede branca havia rostos sorridentes e a mesma frase escrita várias e várias vezes, “Estou com muita raiva de você,” em sangue. Levantei o sofá procurando pela minha pistola, mas ela tinha sumido. 

Vi algo se movendo no corredor, onde a luz da sala não iluminava, algo estava vindo para a sala. Saindo do corredor, iluminado pela luz da sala, estava a criatura que quase me matou na noite em que fugi da casa. Ele virou os olhos para mim, e sua boca se abriu em um sorriso doentio. Num pulo, ele começou a vir em minha direção. Me virei rapidamente e corri para fora, batendo a porta atrás de mim. Entrei no meu carro, dei a partida, e saí do estacionamento para a estrada o mais rápido que pude. Atrás de mim, vi pelo retrovisor a figura correndo para o meu carro; ela bateu os braços no porta malas e tentou pular para cima do carro. 

Pisei fundo no acelerador e consegui me afastar daquela coisa terrível. Dirigi a noite inteira, o mais longe que pude, da casa, daqueles animais mortos, daquela coisa. Logo eu já estava nos limites da cidade, decidi parar num posto e encher o tanque mais um pouco, já que estava quase vazio. Estacionei no posto e saí do carro. Meus olhos se arregalaram quando vi que o porta-malas estava completamente amassado. Abasteci rapidamente e segui para a casa dos meus pais. 

Quatro meses depois, eu já estava morando em um apartamento, lidando com pesadelos ocasionais, mas estava muito feliz por ter saído daquela casa e me afastado do monstro que rondava por lá. 

Porém… 

Eu tinha checado o meu correio pela manhã e havia uma carta sem remetente. Dentro, em um papel amassado, havia o desenho de um sorriso e as palavras, “Você não pode se esconder,” rabiscadas abaixo do sorriso.