08/04/15

Estive no inferno

Após usar um alicate para abrir a grade, entrei lentamente no local. Várias pessoas se encontravam diante de mim. Usavam as mesmas roupas, e estavam bastante desnutridos, ao ponto de tornar-se possível ver seus ossos sob a pele. Um homem que não aparentava ter mais de vinte anos, arrastou-se em minha direção, parou em minha frente, e me abraçou – ele estava chorando. Eu não soube o que fazer. Ele repetia, “Está tudo bem.” Após uns dois minutos, ele afastou-se chorando. Continuei seguindo para uma construção subterrânea. Abri a porta e imediatamente tapei minha boca e nariz após sentir o terrível fedor que impregnava o local. Liguei minha lanterna e vi as pessoas que estavam ali dentro, todas também desnutridas.

Saí da construção, e vi o mesmo homem que havia me abraçado. Ele estava carregando o pai, ou talvez o avô, que aparentava estar pior que as outras pessoas que eu já tinha visto. Mais pessoas saiam do subterrâneo. Outras tantas estavam empilhadas pelo local, mortas. Esse inferno era contornado por uma cerca de arame farpado. Vi uma senhora com um grande buraco de bala na nuca, e também percebi que os corpos possuíam marcas em seus braços. Esse lugar é o inferno. Roupas com listas brancas e azuis, era tudo que usavam.

Logo ouvi uma voz, gritando distante. Virei-me para ouvir melhor, “Tranque logo essas pessoas, temos que mantê-las presas,” disse um homem de uniforme verde.

“Sim senhor!” respondi imediatamente.






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