26/04/15

Sob o Jardim - Parte X(Final)

_________________________________________________________________________________

Estava tudo uma bagunça.

 A grama estava morrendo, coberta por caminhos de gramado marrom, seco; as rosas estavam murchas, suas pétalas apodrecidas pelas bordas, e as raízes das flores estavam cobertas de manchas negras, como se uma terrível doença tivesse atacado cada uma das plantas pela noite.

“Isso não é possível! Frederick gritou como cambaleando como se estivesse bêbado, em direção dos juízes, segurando um deles pela gola da blusa e derramando um líquido detestável em seu ombro.

“Quem fez isso! Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! Ciganos Bastardos e imundos! “ 

Frederick espumou pela boca, enquanto as caras dos três juízes se transformaram em puro medo e aversão, assustados com a vista repugnante de um homem claramente desgastado pela tal doença.

Descontando sua raiva nos juízes, ele os perseguiu no seu jardim que se encontrava agora apodrecido e estragado. Se ele tivesse força, ele iria simplesmente matar os três, mas a doença e a dor que estavam nela, o forçou a procurar sua cama mais uma vez.

O doutor da cidade local, Dr. Miller, visitou Frederick aquele dia, mas mesmo ele não pode dizer a natureza ou causa da doença.

 A condição de Frederick parecia estar completamente errática.

Um dia sua visão iria voltar e ele apareceria tão jovem como sempre pareceu. 

Os olhos dele iriam se normalizar e ele estaria fora da cama, reduzido a ter a força física de um homem doente devastado pela idade. Ainda recusava ir para o hospital, aterrorizado pela possibilidade de a polícia encontrar evidências de que ele matou a garota. (Dos dias em que ele lentamente substituía os papéis de parede do banheiro, tirando o melhor que pode dos traços de sua vítima mais recente.)

Uma das vizinhas de Frederick, uma mulher com o nome de O’Malley, observou para o Dr. Miller que a saúde de Frederick parecia corresponder com o bizarro fenômeno que tomava conta do jardim dele.

Nos dias que ele estivesse bem, o jardim iria retornar para sua forma gloriosa com um gramado verde e um estande floral maravilhoso. 

Ainda nos dias em que ele estivesse doente, o jardim apodreceria.

Era como se os dois estivessem conectados a um laço invisível.

Enquanto Dr. Miller não podia contar com as mudanças noturnas bizarras no jardim de Frederick, ele com certeza considerou essa observação como uma mera fofoca da cidade; supersticiosa até então.

Nos últimos dias da corte de juízes da Associação Garden, Frederick ficou ainda mais doente. 

O jardim murchava como sua saúde. 

Como se os montes de grama morta virassem um acessório permanente em seu gramado, também apareceram numerosas e dolorosas manchas gangrenosas por todo seu corpo e face; enquanto as flores morriam, o cabelo de Frederick lentamente ficava mais ralo e seus dentes começaram a cair e enquanto as manchas negras tomavam conta de cada planta em seu Jardim, a força de Frederick o abandonou.

No dia em que o jardim temático de orquídeas da Patti Rossier ganhou o prêmio de jardim do ano da cidade, Frederick estava deitado, desamparado, desabilitado de mover-se de sua própria cama. 

Frágil e desprovido de sua força, que o permitiu matar tantas vítimas inocentes.

Cego, com seus olhos nublados e inúteis.

Enquanto a noite caia, algo se moveu na adega.

Primeiramente poderia ser um delírio, mas depois de um tempo Frederick soube da verdade: Alguém estava ali embaixo. 

Com cada pisada cambaleante, ele deitou paralisado pela dor enquanto algo lentamente subia as escadas da adega.

Dessa vez, ele não tinha esperança de ver o intruso. 

Não importava que a casa estivesse escura, o mundo de Frederick estava em uma permanente noite.

Enquanto o pé cambaleante fazia seu caminho com pisos incertos da porta da adega para a beira de sua cama, ele tentava gritar, mas nenhum som era produzido, nem qualquer misericórdia foi dada.

Foi o doutor da cidade quem encontrou Frederick, e o que ele descobriu naquele dia era um mistério médico. 

O jardim que ele tinha e cuidava com tanto orgulho estava sobrecarregado por um fungo negro raro, que sistematicamente matou cada lâmina de grama, cada flor, cada sinal de vida. 

A autópsia mostrou que o mesmo fungo, de algum modo, contaminou o corpo de Frederick.

Foi constatado também que ele pegou o fungo enquanto cuidava de seu jardim.

Isso o apodreceu por dentro, causando muito dano a seu sistema nervoso. Uma lenta, dolorosa e terrível morte.

Seja lá como for, não foi a presença desse quadro em seu cérebro que confundiu os doutores e também os médicos legistas. 

Eram os conteúdos de seu estômago que provocaram certo ultraje para o povo da cidade.

Dentro do estômago de Frederick, foi encontrado um dedo solitário, de uma garota jovem que recentemente desapareceu, com uma aparência notável, exceto por um incomum anel de ouro que ele usava em morte, assim como o fez em vida.




7 comentários: