21/04/16

17-09-10

Há alguns meses, eu comecei as aulas na Universidade Estadual de Chico. Como eu estava me preparando para o meu primeiro ano, eu era capaz de encontrar tudo que eu precisava, exceto um laptop. Eu não sou muito bom em deixar um dólar ir para qualquer item, especialmente quando eu poderia achar tal item por um valor bem menor.

Eu procurei na internet por bons acordos de laptops, não encontrando nenhum que atendesse meus hábitos econômicos. As aulas só começariam em 2 semanas, e eu já estava ficando desesperado por um computador. Vários dias depois, eu vi um anúncio no jornal sobre um laptop que estava à venda por apenas $600 dólares, e não era muito longe de onde eu moro. Aliás, era um laptop da Dell muito legal, apesar de parecer estranho estar sendo vendido por quase $1000 dólares a menos que o preço da loja.

Eu fui até o endereço do vendedor no dia seguinte. A casa era bem longe da cidade, quase numa floresta densa. Do lado de fora da casa, havia um Chevrolet velho e um monte de tralhas e itens vintage variados. Eu toquei a campainha, e um homem magro, vestido com um casaco de flanela, veio até a porta. Quando eu perguntei sobre o laptop, ele pareceu bem aliviado, e me disse que estava pronto para vendê-lo imediatamente. Por sorte, eu estava com o dinheiro em mãos e, depois de provar que o laptop estava em boas condições, eu cheguei em casa com um novo computador.

Animado por ter meu primeiro laptop comprado por mim, eu o liguei e comecei a baixar meus próprios programas e aplicativos nele. Enquanto eu estava explorando o disco rígido, encontrei uma pasta escondida nele, o que era estranho, já que o homem que o vendeu me disse que a memória fora zerada e pronta para um recomeço. A pasta estava intitulada “17-09-10”, provavelmente uma data. Eu a abri, e havia 6 vídeos e 3 imagens nela. A curiosidade me venceu, e eu decidi assistir aos vídeos.

O primeiro vídeo simplesmente se chamava “001”. O vídeo foi filmado a partir de uma câmera de vídeo instável, no interior de um veículo, gravando uma mulher saindo de um bar e entrando em seu carro, de noite. Depois de alguns segundos, a mulher saiu dirigindo e, quase que imediatamente, a pessoa que estava gravando o vídeo começou a dirigir atrás dela. O vídeo terminou depois de 24 segundos. Até parecia que o “cameraman” estava esperando pela mulher há um bom tempo.

Pensando sobre isso, eu não estava muito assustado no momento, só um pouco desconfortável. Eu abri o segundo vídeo, nominado como “002”. Eu deduzi que esta seria a próxima parte do primeiro vídeo. Minha dedução estava certa, já que o vídeo começou com a câmera em cima do console, filmando os para-brisas, levando a crer que só se passara um curto período de tempo após o término do primeiro vídeo. Eu mal podia ver que o veículo a dois carros à frente deste era o mesmo carro que a mulher do bar entrou. Isso continuou por inquietantes 47 segundos, antes de a câmera desligar. Eu comecei a ficar um pouco nervoso, temendo que aquilo pudesse tomar um rumo ruim.

Mas, como se eu estivesse assistindo a um seriado de TV, eu queria ver onde isso estava indo. Não totalmente preocupado ainda, decidi apertar o play. O terceiro vídeo, óbvio, se chamava “003”. Este foi o único que me deixou completamente preocupado. O vídeo começou com as mesmas mãos trêmulas do primeiro. Estava chovendo bastante fora do carro, e eu mal podia ver uma figura num casaco de pele e um guarda-chuva, andando para a porta da frente de uma casa. Eu poderia adivinhas quem essa pessoa era e a quem aquela casa pertencia. A pessoa entrou na casa e fechou a porta.

A perseguição calma me irritou bastante. A única coisa que podia ser ouvida era a chuva caindo no topo do carro. Cerca de 2 minutos depois deste “nada” desesperador, as luzes do interior da casa foram apagadas. Depois de 1 minuto, aproximadamente, a câmera foi colocada sobre o console de novo, e o som de uma pessoa saindo do carro quebrou o silêncio. Após a porta do carro ter sido tranquilamente fechada, outra figura, desta vez usando um capuz, podia ser vista andando em direção à casa. Eu comecei a sentir um nó se formando no fundo do meu estômago enquanto o estranho andava até a parte de trás da casa. Quem é que fosse aquela pessoa, ela definitivamente não deveria estar ali. Depois de alguns segundos, as luzes de fora da casa se apagaram. Estava tudo completamente preto, e apenas a chuva me alertou de que a câmera ainda estava gravando. O vídeo terminou depois de 9 minutos de chuva e escuridão.

Agora eu tinha certeza de que isto não foi um projeto inocente ou qualquer coisa desse tipo, e comecei a me sentir estúpido por não verificar a credibilidade do vendedor do laptop. Essa pessoa perseguindo a mulher seria a mesma que eu encontrei antes? Ao longo de toda a experiência, eu tive um pensamento latente na minha cabeça para chamar a polícia, mas eu ainda não estava pronto. Agora relutante, o iniciei o quarto vídeo, “004”. Estava escuro novamente, mas a chuva havia parado, e eu fui deixado com um único silêncio. Não muito depois de o vídeo começar, eu ouvi sons de passos no cascalho, ficando cada vez mais próximos, como se alguém estivesse se aproximando do veículo. A porta do carro se abriu e a luz interna foi acesa, e eu poderia dizer que a câmera estava agora no chão do carro, apontando para cima, em direção ao teto. Eu ouvi algum desastrado no fundo e, de repente, uma pancada soou na parte de trás do veículo. Abruptamente, um braço obstruiu a visão da câmera e uma lona grande podia ser vista sendo puxada para fora do carro. Eu tinha apenas um cenário correndo pela minha cabeça, e eu esperava que este não fosse verdade.

A pessoa pegou a câmera e a colocou de volta no console. Ela dirigiu por uns bons 3 minutos antes de estacionar em uma estrada de terra, e saiu do carro para trabalhar sobre a carga que estava transportando. 6 minutos depois, o carro se moveu para uma localização diferente, e a câmera foi pega e carregada para fora do carro. Agora eu podia ver que era a mesma merda de caminhonete que estava na frente da casa do vendedor. A essa altura, eu estava prestes a chamar a polícia quando a câmera se virou em direção a casa. Era uma casa completamente diferente da casa que eu visitei. Eu estava um pouco aliviado por isso, embora tal fato não provasse nada.

Uma foto do caminhão, tirada antes.
Assim que o quarto vídeo chegou ao fim, fiquei me perguntando se eu estava ou não preocupado para ver o que viria a seguir. Eu apenas podia esperar que tudo isso fosse uma pegadinha, ou pelo menos, que acabaria em um final feliz. “005” começou dentro da casa. Estava completamente escuro, e única coisa que eu podia ver era uma figura, que ocasionalmente andava em frente à câmera. Estava tudo bem quieto nos primeiros minutos, exceto por alguns latidos ocasionais de um cachorro lá fora. Eventualmente, um pequeno som começara a surgir.

O pequeno som logo ficou alto, para um sonoro grito abafado. Sons de esforço e de movimentos bruscos se tornaram mais aparentes, assim como sons de choro. Uma luz se acendeu bruscamente, e a câmera estava focada no centro de um quarto, revelando uma mulher machucada e sangrando, amarrada a uma cadeira. Pelo que eu conseguia ver, aquela era, de fato, a mulher do bar. A câmera foi aproximando no rosto dela quase que por uma eternidade antes de parar. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. A esperança de que isto era um filme ou algo assim já havia sido diminuída. Faltando apenas mais um vídeo, eu estava começando a temer pela minha própria segurança. Eu tranquei minha porta e fechei as janelas e cortinas.

Eu comecei o “006” com uma pequena esperança de que aquela mulher ainda poderia estar viva, e que eu poderia tê-la salvo. A parte final desse show de horror começou em um banheiro. A câmera fora colocada sobre o balcão, de frente para um espelho, no qual eu podia ver uma porta. O único som que eu podia ouvir era um som familiar, o qual destruiu minhas esperanças: ferramentas elétricas. Me sentei na frente da tela pelo que pareceram horas, antes do som parar. Mais silêncio. E então, passos pesados, acompanhados por o que soou como algo sendo arrastado. A maçaneta girou e a porta foi aberta. Fora da escuridão do resto da casa, uma mulher de meia idade apareceu, vestida com o que só posso descrever como traje de laboratório, um respirador e um par de luvas de borracha. Isso, por uma estranha razão, me deu um pequeno alívio. No reflexo, a mulher lutou para arrastar algo para a banheira. Enquanto ela o jogou na banheira, eu podia ver que era um grande saco de lixo preto.

Eu senti como se estivesse sonhando. Era como se estivesse assistindo um filme de terror se desenrolar na tela. Ela levantou o saco da banheira, agora vazio, exceto por entranhas que ainda pingavam. Ela pegou a câmera e a colocou no chão, de frente para a banheira. No chão na frente desta, havia uma variedade de substâncias corrosivas e vários outros recipientes vazios. A mulher começou a despejar os líquidos dentro da banheira, e um som horrível soou, o qual eu poderia descrever como petazetas sendo misturadas com coca. O vídeo terminou, e eu fiquei confuso e em pânico. Eu finalmente abri as imagens. A primeira era a foto da caminhonete. A segunda era a foto da garota, amarrada, antes de ser agredida. E a terceira imagem estava “corrompida”, e talvez isso seja uma coisa boa.

A Foto da Garota.

Eu consegui manter as duas imagens antes de eu ter entregado o laptop à polícia. Meus $600 dólares foram reembolsados, junto com um bônus. Aparentemente, a vítima foi a jovem namorada do ex-marido da mulher mais velha. A mulher mais velha foi presa há quase um ano atrás, mas foi libertada de todas as acusações devido à falta de provas, e o ex-marido foi preso em seu lugar. Eu acho que isso foi o elo perdido. Espero que isso tenha resolvido todas as perguntas sem respostas. No entanto, eu não tinha certeza sobre quem era o homem de casaco de flanela ou como ele tinha conseguido o laptop e nem como ele tinha a mesma caminhonete do assassino. Eu acho que simplesmente vou deixar isso para a polícia.

Tradução: Gabriela Prado


22 comentários:

  1. "17/09/10", acho que é uma data! xD

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    1. Não seria uma data, visto que claramente o texto menciona a moeda dóllar, afirmando o que já era óbvio, se passa nos Estados Unidos da América, cuja marcação de data se dá da seguinte forma: mês/dia/ano. Isso anula a possibilidade de ser uma data já que não há, ainda que eu saiba, o mês 17.

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    2. Ou será q ele consertou para a nossa ordem datária brasileira? Pense nisso, moeda dolar nada.

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    3. Ou será q ele consertou para a nossa ordem datária brasileira? Pense nisso, moeda dolar nada.

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  2. não pode por barra ( / ) em nome de pasta/arquivo em windows :/

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    1. Opa, valeu pelo toque, man! Já consertei ;) Abraço!

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  3. isso é oq se ganha por ser muquirana

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  4. Essas creepypastas sobre serial killers são bem mais assustadoras que as de monstros.

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  5. Eta porra, dia do nascimento do meu irmão :v ;-;

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  6. "...laptop que estava à venda por apenas $600 dólares, e não era muito longe de onde eu moro."

    "A casa era bem longe da cidade, quase numa floresta densa."

    Não entendi.
    Ele não mora na cidade?

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    1. Ele provavelmente mora no final da cidade ou algo do tipo

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  7. Eu esperava que fosse uma espécie de maldição e que o laptop fosse passado de vítima em vítima.

    Boa creepy

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  8. Fodaaaa. Com uma pegada de Butcherface

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  9. Na primeira frase, não seria Universidade Estadual de Chicago? Sla, posso estar burrando só

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  10. Incrível.. Se bem que imaginei que era uma maldição, mas melhor sendo assim, incrível, dnv.

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