16/02/2015

Vagão 66

Era cedo... Cedo demais, sabe...? Tão cedo que sua mente ainda queria te fazer acreditar que é noite.
Pensamentos sobre voltar para minha cama e dormir novamente pairavam sob minha mente enquanto eu continuava a dirigir. “Eu nunca acordei tão cedo” pensei, ligando a luz do carro e olhando para os horários dos trens. “4:24, vou poder chega 4 horas antes das aulas, tempo de sobra.” Sorri para mim mesmo, pensando que talvez pudesse colocar algumas atividades que eu havia deixado passar semanas atrás, em dia.

Assim que eu cheguei à estação eu notei o quão peculiar parecia. Eu venho frequentando essa mesma estação há uns três anos e mesmo assim algo parecia... Diferente. Eu passei as mãos nos olhos fechados, tentando fazer com que o resto de sono que ainda estava lá, fosse embora e fui em direção a uma vaga que estava próxima – eu demorei um pouco mais que o normal para apertar o freio e o carro quase não parou a tempo, o que me fez pular do acento com medo de ter atingido o meio-fio. Eu sorri novamente e prometi que iria dormir mais cedo essa noite, assim como eu havia prometido tantas outras vezes.

Eu saí do carro, a manhã de Janeiro atingiu meu corpo que ainda estava travado e preguiçoso por causa do sono. Abaixei-me para pegar minha mochila e meus pêlos dos braços e do pescoço se arrepiaram, o que me fez cruzar os braços, numa tentativa de evitar o frio.

 A estação tinha um tipo de ponte, que atravessava os dois trilhos, tanto de ida quanto de volta. Eu comecei a subir as escadas rapidamente, e meu corpo me fez lembrar novamente, que ainda estava cedo demais para esse tipo de “atividade física”. Apoiei minha mão no corrimão e continuei subindo; assim que cheguei ao topo, choraminguei involuntariamente... Parecia que eu havia quebrado algum osso.

A dor na minha perna me distraiu por um momento do fato de que todas as luzes da ponte estavam apagadas, a única iluminação estava vindo da Lua, que por sinal, estava praticamente coberta de nuvens finas da manhã, ela estava a minha direita, brilhando em cima de mim. Eu fiz uma piada mental sobre a Lua me seguir em todos os lugares, como se eu estivesse me apresentando em um palco e fosse uma grande estrela de um grande show, e a Lua fosse o holofote, me observando incessantemente para não perder nenhum ato sequer – mas o humor na verdade dividiu lugar com o medo que eu senti depois de analisar melhor a situação.

Era como se eu estivesse sendo assistido por alguém, e isso me assustou bastante; comecei a andar mais rápido para o outro lado e assim que eu cheguei lá, uma sensação de alívio tomou conta de mim.

Continuei a caminhar na área perto dos trilhos, todos os acentos estavam vazios, mas eu ainda senti que não estava sozinho. Só não sabia se era uma companhia desejável ou não.

Enquanto eu esperava um denso nevoeiro se aproximou mais e mais, o que me fez abrir e fechar os olhos várias vezes para conseguir enxergar a estação que era tão familiar para mim.

Mas a questão é: Se eu me concentrasse o suficiente eu conseguiria enxergar tudo como se não houvesse nevoeiro nenhum. As janelas quebradas, as pontes deterioradas, a pintura gasta das paredes, e alguns grafites. Exatamente o que eu via todos os dias, o que me fez acreditar que minha mente estava me dizendo o que estava lá porque era o que eu queria ver.

“A falta de sono está começando a afetar meu cérebro,” Eu pensei e continuei tentando enxergar em meio à neblina, o que começou a me incomodar, tanto mentalmente quanto visualmente; então eu fiquei grato quando ouvi o barulho de trem se aproximando. Levantei, pegando minha mochila um momento depois e observei a luz do trem chegando lentamente perto de mim.

Mas só a luz, eu ainda não podia ver nada do vagão mesmo sabendo exatamente como ele era, assim como a estação.

Outra onda de alívio passou por mim quando eu tentava me convencer de que todas essas impressões que tive na estação enquanto estava sozinho foram meras invenções da minha mente sonolenta.

Finalmente eu consegui enxergar o trem enquanto ele parava lentamente, apenas alguns metros distantes de mim. Eu fiquei assustado ao perceber que esse não era o trem que eu geralmente pego, não, esse era mais velho e destruído, uma locomotiva. Eu nunca tinha visto algo parecido, pelo menos pessoalmente. Eu costumava ver trens como esse em livros de história ou na internet... Mas mesmo assim, era um trem e eu não ia arriscar ficar na estação sozinho novamente.

Então eu entrei.

O interior era como eu esperava – meio sujo e gasto por causa dos anos de uso, e assim como eu também esperava, não havia outros passageiros no trem nesse horário. Observei O Condutor – havia apenas um – e ele parecia ser bem mais velho do que eu, mas por causa do seu casaco eu não consegui ver seu rosto.  Ele estava caminhando para o lado oposto ao meu então eu deixei a ideia de vê-lo pra depois.

Eu não gostava desse vagão, mas assim que eu sentei, ele começou a andar, então eu não tive muita escolha; mesmo se eu tentasse, não conseguiria explicar, algo sobre ele era simplesmente sinistro.

E o que mais me deixou desconfortável foi o silencio, eu não conseguia ignorar o som do barulho externo da locomotiva que parecia cada vez mais alto; olhei pela janela e as nuvens continuavam desaparecendo atrás de mim. O trem definitivamente estava se mexendo. Eu encostei minha cabeça na janela e dormi.

Não demorou muito até que eu acordasse, nenhum traço de sono restou, eu estava completamente acordado. Sem cansaço, sem dor nos olhos ou na perna, sem fome, nada.

Eu passei meus olhos na cabine e percebi que havia ficado muito mais escura, olhei para trás, tentando enxergar algo no vagão anterior e fiquei feliz de ver que a luz estava acesa. Eu levantei e comecei a andar em direção a ele, por alguma razão não achei necessário pegar minha mochila, então a deixei no meu acento e continuei andando em direção a porta.

A cada passo que eu dava eu ficava mais contente, e eu não sabia o porquê; apoiei minha mão na maçaneta e me senti mais seguro e protegido do que nunca, abri a porta e a luz quase me cegou por um momento, precisei de alguns segundos piscando os olhos para conseguir enxergar algo.

Quando eu finalmente consegui enxergar, fiquei chocado de ver minha família sentada no vagão... Que tinha... Móveis?

“Minha avó tinha esse mesmo sofá, essa é a casa da minha avó...”

Algumas memórias da minha infância passaram pela minha mente e eu me deixei distrair com elas até perceber o que estava acontecendo. Eu já estive aqui antes, não, não apenas na casa da minha avó, mas nesse exato momento, nessa mesma situação, eu já passei por isso, eu já estive aqui. Meu Deus! É como se eu soubesse o que iria acontecer, como um filme que já vi muitas vezes.

Mas eu não sabia.

Primeiro eu me perguntei por que todos estão sentados em volta de uma cama? E o clima havia mudado de calmo para tenso, eu olhei para os rostos dos meus familiares, eles pareciam cansados e de luto, encarando algo que não era eu.

Esse foi o dia que minha avó morreu, mas não só isso, não era tão simples assim.  Eu senti a dor, a agonia e a incapacidade que havia sentido meses atrás, mas eu também conseguia sentir a dor de cada familiar junto comigo.

Os sentimentos voavam na minha mente, dúvida, raiva e medo. Parecia que alguém havia filtrado todos os sentimentos ruins e tivesse jogando todos eles pra mim. Os choros e os gritos, todos ecoando na minha cabeça.

Eu andei em direção á cama que eles estavam sentados em volta e lá estava a minha avó. Eu tentei chorar para conseguir algum tipo de alívio, e nada! Eu não conseguia expressar nada, raiva, medo ou tristeza. Eu senti como se fosse explodir.

Meus olhos pararam na minha avó, ela já estava morta, mas seu rosto não estava calmo e sereno como eu me lembrava. Os olhos doces que me observavam quando eu era mais novo simplesmente erodiram na minha frente. O seu sorriso doce e alegre virou uma risada maliciosa e macabra, contorcida pela dor. E eu não podia fazer nada, estava desamparado.

Apoiei-me nos meus joelhos e senti meus olhos doerem novamente assim que uma luz branca tomou o quarto mais uma vez, não havia cama agora, nem parentes. Apenas uma imagem no canto do vagão, um corpo pendurado em uma corda.

“Estranho” pensei; “Aquelas parecem as botas de jardinagem da minha avó.” Isso me atingiu em cheio, que tipo de pesadelo doentio é esse que eu me encontrava? Eu consegui – ou tentei – gritar dessa vez e parecia o grito mais forte e grave que eu já havia dado em toda minha vida.

Tudo ficou preto.

Quando consegui enxergar novamente, vi apenas uma luz fraca atingindo meu rosto. Não consegui me mover então olhei em volta e percebi que estava na casa dos meus pais, eu estava confuso, as luzes estavam todas desligadas, a casa estava silenciosa, mas eu estava feliz que o pesadelo finalmente tinha acabado.

E então o telefone tocou.

Um frio na espinha passou por mim enquanto o telefone continuava a tocar, eu não tinha um telefone desde... Ah não. De novo não. Por favor.

Finalmente consegui me levantar e só então percebi que estava deitado em um sofá, mas não era eu quem estava se mexendo, eu estava apenas observando, eu não conseguia me controlar, eu podia sentir cada coisa que meu corpo fazia, mas... Não era eu! Não agora...

O momento continuou e eu consegui ver uma garrafa vazia de uísque rolando pelo chão, passando perto de mim... Com muito esforço, eu consegui agarrar o telefone que ainda tocava, e aproximei do meu rosto.

Daniel? A voz dela fez com que todos os pêlos dos meus braços se arrepiassem e meus olhos marejassem.

Sim?  Eu havia respondido e era evidente que eu havia bebido.

Preciso de uma carona, perdi meu ônibus.

To indooo. Ouvi-me cantar as palavras e resmunguei comigo mesmo pelo meu comportamento idiota na época.

Você está bem, Daniel? Ela perguntou, e eu desliguei e andei em direção a porta.

Eu lutei com tudo que pude para acabar com essa loucura, tentando me mover para o lado oposto e segurar minha respiração numa tentativa falha de desmaiar. “Não entra no carro, não... NÃO!”

Assim que entrei no carro e peguei as chaves, desmaiei, mas apenas por alguns segundos... Logo eu estava de volta ao pesadelo.

Eu estava quase lá... Mas como eu havia chegado lá, tão bêbado? Porque isso está acontecendo? Eu não conseguia parar de me perguntar mais e mais até que o carro parou.

Virei minha cabeça e a vi, lá estava ela, minha irmã mais nova, Sam. Eu não pude controlar as lagrimas ao vê-la. A mesma garota jovem e bonita de 12 anos de idade me esperando em frente à escola, anos atrás. Sorrindo pra mim em meio à loucura desse pesadelo – tudo passou tão rápido depois disso, o efeito da bebida, o sinal vermelho, o caminhão – Deus, eu ainda posso ouvir os gritos. DANIEL! DANIEL!  Altos em minha cabeça como se fosse hoje

A culpa.

Minha mãe nos deixando.

Nenhuma pessoa para partilhar a dor.

Tudo isso por minha causa e apenas continua brincando com a minha cabeça, as mesmas cenas...

Eu mereço tudo isso.

Eu acordei no assento do Vagão 66, senti o suor frio escorrendo pela minha testa enquanto eu continuava tremendo e tentando não convulsionar.

Senti um tapa no meu ombro e virei assustado, me deparando com uma cara esguia que me lembrava a morte. O condutor que vi mais cedo quando entrei no trem.

“Bilhetes, por favor.” Uma voz seca e poderosa ecoou da boca dele. Minha mão se moveu involuntariamente e o que senti foram vários papéis velhos que pareciam estar manchados com alguma coisa. Tentei me convencer de que não era sangue...

Eram fotos – da minha avó, meu pai, minha mãe e meu avô e outras pessoas que eu conhecia, que também tinham morrido – eu continuei segurando-as e me assustei um pouco ao perceber que a última delas era uma foto minha.

Foi então que me ocorreu – quando eu tentava achar os bilhetes para entregar ao Condutor – que eu não me lembrava de ter acordado essa manhã. O condutor observou meus bilhetes e quando os recebi de volta havia o que parecia ser um carimbo de duas mãos ossudas nele.


E então tudo que vi foi escuridão.

11/02/2015

O sonho do sótão

De novo! Aquele ruído de arranhão que eu ouço vindo do closet toda noite. Eu sento na cama com meu cabelo balançando um pouco por causa do ventilador. O som do closet me aflige toda noite, principalmente porque dentro dele tem um pequeno alçapão que dá para o sótão. Eu continuo ouvindo, tentando ficar quieto e então decifrar que som é esse. É terrivelmente difícil porque tudo o que eu consigo ouvir é meu coração batendo.

Finalmente deito minha cabeça no travesseiro e é quando acontece. A mesma coisa que acontece toda noite. Eu tremo assim que ouço o alçapão começando a abrir dentro do closet. Não consigo me mexer, apenas sento tremendo enquanto a porta do closet abre rangendo e num piscar de olhos ali está, em pé no canto do meu quarto com aquele vestido preto rasgado que faz meu estômago embrulhar. O que me deixa doido é que ao olhar em direção ao rosto dessa coisa tudo o que eu consigo ver é uma sombra projetada pela escuridão do meu quarto. A única coisa que consigo distinguir é o cabelo castanho escuro. Seu vestido está rasgado na parte de baixo e suas pernas são pálidas e arranhadas. Os pés estão descalços e por último seus braços... o braço direito tem uma pequena marca de sangue em torno dele, quase como uma pequena mão de criança impressa ali e ambas as mãos revelam longas garras que eu só consigo imaginar perfurando minha pele. Aquela coisa dá um passo na minha direção e a luz de fora revela um pedaço de seu rosto pálido e marcado. Eu grito e nada acontece. Tento me mover e é como se alguma coisa me segurasse. Então eu acordo. Gritando e gritando, ensopado de suor. A mamãe vem correndo toda noite vestindo sua camisola preta e senta comigo, tentando me acalmar. Eu me balanço, meio acordado, meio no pesadelo, ainda vendo aquela coisa no canto do meu quarto.

Isso acontece toda noite por um mês, nada novo. Até uma noite em que o sonho muda levemente.


Eu trago a arma que temos para proteção para o quarto. Tremo e tento manter a arma firme enquanto espero aquela criatura sair do closet. Não consigo mais lidar com isso toda noite, está me matando! Ouço um estrondo e encaro a arma. Dessa vez a criatura abre a porta do meu quarto e anda silenciosamente. Assim que vê a arma, ela grita por um instante, meu coração dá um salto e imediatamente puxo o gatilho jogando sangue para todo lado. O disparo ecoa em meus ouvidos. Eu saio da cama apenas para cair no chão, começo a suar e tremer, torcendo para que a criatura não levante. 

É nesse ponto que eu costumo acordar, mas dessa vez não. 

Eu olho para o cadáver da criatura, a luz passa através da janela e eu consigo enxergar suas pernas, dessa vez não estão pálidas. O sol começa a nascer e a luz da janela vai até seu corpo. Agora eu vejo que não há garras nessa coisa. Ouço meu irmão subir as escadas correndo e abrir a porta do meu quarto com um chute. Quando vê o cadáver ele cai de joelhos. Eu ainda não consigo ver o rosto da criatura. “Meu Deus! Meu Deus, mãe!!! Acorda mãe!”. Meu coração para quando ouço meu irmão. Coloco a cabeça entre os joelhos e fico me balançando, chorando. 

“O que você fez, Tommy?! Tommy! TOMMY!!!”

10/02/2015

RASTEJE.MOV



Acabei de entrar para uma pequena comunidade em uma faculdade no Arizona. Já estou a dois semestres estagiando para obter o meu certificado de Produção Multimídia. A faculdade permite que eu utilize algumas horas extras, trabalhando em vídeos para que eu os lance na exposição em uma pequena galeria de arte em frente ao departamento de arte. 

O campus fica afastado da rodovia, a quase 10 milhas da minha cidade, um local geralmente isolado e sombrio. A faculdade é rodeada por um deserto e altas montanhas.

Certa noite, quando acabei o meu turno no estágio decidi continuar trabalhando em um dos meus vídeos. Utilizávamos alguns computadores bem avançados, mas eu sempre notei um pequeno notebook escondido nos fundos de um dos armários. Já que o meu supervisor tinha ido para casa, resolvi matar a minha curiosidade e pegar o notebook para ver se havia algo interessante nele. Eu o liguei, e aguardei enquanto iniciava.

Finalmente, a tela de boas vindas apareceu. Havia duas contas, uma do instrutor e outra do estudante. Loguei na conta do estudante e acessei a pasta intitulada ‘multimídia’, encontrando várias fotos de estudantes. Enquanto abria as fotos, percebi que em todas havia o mesmo homem em algum canto. Um homem de meia idade, calvo e de olhos azuis. No final da longa lista de fotos encontrei um arquivo .MOV. Estava intitulado como RASTEJE.MOV

Como eram umas 8 da noite, comecei a me sentir um pouco desconfortável. O nome do arquivo fez o meu coração acelerar, eu queria assistir, mas sabia que me arrependeria. Resolvi ligar para um amigo, pedindo que ele viesse me buscar, já que a cidade era longe e o ônibus não rodava até tarde, então eu tinha 15 minutos para esperar a minha carona. Cliquei no arquivo e ele foi aberto no Quicktime. Minhas mãos estavam suadas, e meus olhos fixos na tela. A tela escureceu lentamente, com um tipo de som deprimente. Então apareceu o título, RASTEJE, em grossas letras vermelhas. O título sumiu e logo iniciou-se uma gravação no deserto à noite. Tudo que pude ouvir eram os passos na grossa areia do deserto. Comecei a me sentir aliviado, e presumi que era apenas uma filmagem de algum estudante. Acabei rindo quando me lembrei de estar assustado só de pensar em abrir o arquivo.

Olhei para meu celular e procurei por alguma nova notificação enquanto o vídeo continuava passando. Voltei a atenção para o vídeo, e meu queixo caiu. O que vi era terrível e macabro. Um homem coberto de sangue, e era o mesmo homem das fotografias que eu tinha acabado de ver há apenas alguns minutos. O vídeo mostrava apenas o rosto dele, mas logo a câmera descia para revelar que o homem serrava algo que parecia um osso. Seu sorriso... continuava estampado no rosto. A câmera se afastava, e mostrava o que homem realmente estava fazendo. Uma garota, de olhos arregalados enquanto o homem serrava sua perna. Tampei minha boca com as mãos, tentei me convencer que o vídeo era apenas uma montagem, coisa de estudante de cinema, mas parecia tão real... A filmagem se mostrava um material bruto, sem sinais de efeitos ou montagens.

Tudo o que havia no vídeo era o som da perna sendo serrada, e o olhar assustado da garota. Aquele olhar que ficaria por vários dias em minha mente. Quase cinco minutos se passaram e o vídeo finalmente acabou. Me recostei na cadeira, pensando sobre o que tinha visto. De repente ouvi um som, mas a tela continuava escurecida, então lembrei que não tinha diminuído o volume. Lentamente comecei a perceber pequenos gemidos, eram da garota. Verifiquei o tempo do vídeo e percebi que ele ainda estava passando. Ainda tinha uns cinco minutos sobrando. Os gemidos ficavam mais audíveis e logo a imagem retornou. A garota estava jogada no meio da estrada, gemendo e se contorcendo, porém, ainda viva. Suas duas pernas... já não estavam mais lá. “Satan é o meu pai e o Inferno é o meu lar...” a voz do homem repetia. Cerrei os dentes enquanto meu nervosismo aumentava a cada segundo. Logo o homem parou de falar, e começou a assoviar, como se estivesse tentando chamar a atenção da garota, como uma pessoa faria com um cão. Então ele falou “Aqui garota, rasteje garota, vamos! você consegue, rasteje!” A garota olhava diretamente para a câmera.

Seus olhos estavam avermelhados, distorcidos, não pareciam humano. Ela virou-se de bruços, esticou os braços para frente e começou a rastejar para a câmera. Um sorriso sinistro começou a surgir em seus lábios. A pele em seu rosto estava pálida e cheia de cortes. Tudo que podia ser ouvido no vídeo era o som que o corpo da garota fazia ao ser arrastado na estrada suja. Ela seguia lentamente em direção à câmera. Ela finalmente chegou aos pés do homem, deixando um grande rastro de sangue pela estrada. Ela olhou para cima e soltou um terrível grito. Um grito de fazer o sangue gelar. Fechei o notebook rapidamente e o coloquei de volta no armário. Tranquei a sala e quase saí correndo. Quando cheguei no estacionamento, o meu amigo já estava lá. Entrei rapidamente no carro, e fiquei calado durante todo o caminho para casa. 

Na manhã seguinte, falei com o supervisor sobre o vídeo e o que tinha visto. Ele riu e falou o seguinte: “Quem lhe contou essa história?”. Eu o levei até a sala multimídia, peguei o notebook e o liguei. Nada aconteceu. O notebook não funcionava. O supervisor logo começou a falar que o computador estava quebrado, e por isso estava guardado no armário. Ele disse que a história que rodava pela faculdade era sobre uma garota que tinha sido sequestrada e arrastada para o deserto. Suas pernas foram cortadas e ela foi oferecida como sacrifício para Satan por um dos membros do departamento de cerâmica. O supervisor me garantiu que tudo não passava de uma lenda para manter os estudantes afastados do deserto à noite.

Ele ainda adicionou “Alguns dizem que podem ouvir assobios no deserto durante a noite, e a voz de um homem, mandando alguém rastejar. Mas na minha opinião, essa história toda não passa de uma grande besteira. 

08/02/2015

As meninas Super Poderosas - Brenda

As Meninas Superpoderosas é um desenho animado produzido, inicialmente, pela Hanna-Barbera, e alguns anos depois, pelo Cartoon Network Studios. Embora a televisão nos mostre uma história divertida sobre três irmãs que salvam sua cidade de vilões usando seus super-poderes, é possível que, por trás desse universo de cores e fantasia esteja algo terrível e bastante perturbador.

As três meninas – Florzinha, Lindinha e Docinho – são na verdade, frações de uma única personalidade, cujo nome é desconhecido pelo público, mas o autor da teoria resolveu batizar de “Brenda”.

Brenda sofre de cinco doenças mentais: transtorno de múltipla personalidade, transtorno de estresse pós-traumático, esquizofrenia, transtorno de personalidade paranoide e transtorno de despersonalização. A causa do desenvolvimento do transtorno de múltipla personalidade, vem dos abusos que Brenda sofreu na infância por seu irmão mais velho, que é representado nas alucinações de dela como “Macaco Louco”, o maior inimigo das Meninas.

Definindo as três personalidades:

Lindinha: ela é pequena e sentimental, tem olhos azuis e cabelo loiro, sempre amarrado. Ela simboliza a inocência e a jovialidade de Brenda. É ingênua, submissa e chorona. No entanto, em raras ocasiões, ela se torna incontrolavelmente agressiva, simbolizando as frustrações reprimidas de Brenda de querer retaliar o irmão. No entanto, a maioria dessas frustrações se manifestam em Docinho.


Florzinha: ela é a garota inteligente e estável, possui olhos castanhos e cabelo longo, e simboliza a menina que Brenda queria ser: madura, segura e espirituosa. Ela age como líder na maioria das situações, e sempre consegue entrar em consenso com as outras duas personalidades.


Docinho: ela é a durona, tem olhos verdes e cabelo preto curto. Ela simboliza os pensamentos de Brenda de retaliação contra seu irmão. Docinho é violenta, imprudente, teimosa e boca-suja. No entanto, há um lado dela que é profundamente carinhoso com as pessoas que ama (as outras duas personalidades), mas a maioria desses sentimentos se manifestam em Lindinha.

Macaco Louco é um macaco preto com um chapéu sobre a cúpula de seu crânio, em que o cérebro está visível. Ele foi criado pelo Professor Utonium – a figura do pai nas alucinações – e As Meninas Superpoderosas foram criadas depois.
Macaco Louco e As Meninas Superpoderosas estão relacionados, pois eles compartilham o “criador”. Na realidade, seu “criador”, “Professor Utonium”, é o seu pai. A relação entre as Meninas e Macaco Louco é, de fato, germanidade. No desenho, eles entram em conflito constantemente. É o transtorno de estresse pós-traumático de Brenda, desenvolvido por ser abusada constantemente pelo irmão. O trauma de ter que lutar e defender-se dele todos os dias, manifesta-se desta maneira. O Macaco Louco, inclusive, revela em um episódio, que sente ciúmes do amor que o Professor Utonium dedica às Meninas, que é a verdadeira causa da raiva do irmão por Brenda. Todos os vilões apresentados no desenho, são manifestações do abuso sofrido por ela, são as Meninas Superpoderosas é um desenho animado produzido, inicialmente, pela Hanna-Barbera, e alguns anos depois, pelo Cartoon Network Studios. Embora a televisão nos mostre uma história divertida sobre três irmãs que salvam sua cidade de vilões usando seus super-poderes, é possível que, por trás desse universo de cores e fantasia esteja algo terrível e bastante perturbador.

A esquizofrenia é caracterizada por alucinações visuais, auditivas, táteis e olfativas. Neste caso, as três personalidades de Brenda são a manifestação exata dos sintomas. As Meninas estão completamente fora da realidade, presas em corpos infantis tendo quase todos os vilões em forma de bonecas ou brinquedos – o que sugere que Brenda sofre desde muito jovem – além disso, não existe um dia na vida das Meninas Superpoderosas em que algum vilão não ataque ou conspire contra a paz na cidade.

 O prefeito possui um telefone especial para entrar em contato com elas caso algo de errado aconteça. As meninas não estão – conscientemente – preocupadas o tempo todo com algo ou alguém atacando sua cidade, mas sempre há um momento, durante o dia, que elas escutam o alerta e são obrigadas a largar tudo o que estão fazendo, para ir à luta. O prefeito é a melhor definição da angústia e medo que há na mente de Brenda, o “alerta” é soado, sempre que seu irmão se aproxima. O fato dela ver a si mesma como heroína, permite que Brenda sinta que vale alguma coisa em seu mundo, porque o abuso físico/emocional constante do irmão acabou com sua auto-estima.

Outra doença que Brenda/Meninas sofrem é o transtorno de personalidade paranoide. A paranoia que as meninas sentem não é imediatamente óbvia para o público, pois está em uma questão mais profunda. Brenda/Meninas estão sempre presas em seu mundo. Brenda tem muito medo do mundo real e não consegue lidar com a ideia de ser trancada em um hospital pelo resto da vida. Em seu mundo de fantasia, suas personalidades são heroínas que possuem poderes eficazes para combater o mal, ela criou esse lugar imaginário para protegê-la da realidade.

A última doença delas é o transtorno de despersonalização. Você não vê Brenda, só vê as três personalidades. Isso acontece porque toda a série Meninas Superpoderosas é do ponto de vista de Brenda. Ela está mostrando ao público o que vê (a si mesma, nas três personalidades das Meninas Superpoderosas). O transtorno de despersonalização é caracterizado pela sensação de que se está assistindo a si mesmo em uma tela de cinema. Brenda sente exatamente isso, e é desta forma que o desenho é mostrado para nós.

02/02/2015

Ossos de galinha

Oi! Não, você não está atrasado! Por favor, entre!. Hey, não te conheço de algum lugar? Você é um desses repórteres famosos, não é? Você me parece bem familiar. Posso lhe oferecer um pouco de chá ou café, ou você prefere seguir logo com a entrevista? Desculpe-me, não sei como funciona; nunca estive em uma entrevista antes. Eu me afastei dos jornais após o desaparecimento daquelas crianças. Eu não precisava daquele tipo de atenção. Acho que devo começar a minha história contando sobre o local.

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O vilarejo de Tir Gulwyn é bastante tranquilo hoje em dia. Porém, naquela época as coisas eram bem diferentes; nos anos 90 o prefeito recebeu subsídio do governo para construir uma nova escola que atenderia a todas as pequenas cidades e aldeias nos vales ao redor de Tir Gulwyn. Eu tinha acabado de me formar na universidade naquela época – terminei o meu treinamento para ser professor, e estava ansioso para começar o meu primeiro emprego como um profissional, eu estava bastante feliz por ter conseguido uma vaga na nova escola de Tir Gulwyn. Eu poderia finalmente me testar, fazendo algo que amava.

Mas as bonecas mudaram tudo.

Um denso nevoeiro veio das montanhas e deslizou pelo Gulwyn Valley, tomando o lago e se espalhando pela cidade, carregado por uma leve brisa de inverno. O ônibus escolar já tinha chegado, e as crianças se enfileiravam para entrar, tremendo em seus casacos. Folheei o registro e notei que todos estavam presentes, exceto por um garotinho de cinco anos chamado Gavin Lewis. Sua fotografia mostrava um garotinho banguela com cabelo cor de palha, sorrindo. Tentando me conformar que a lista de presença nem sempre seria perfeita, guiei meus alunos para dentro, olhando uma última vez para a rua enevoada.

A primeira aula foi uma maravilha: uma introdução, para permitir que as crianças se conhecessem, em seguida uma leitura em grupo. A leitura foi um sucesso, e logo chegou a hora das crianças se trocarem para a aula de educação física. Eu fiquei esperando no ginásio. Estava bastante frio, e eu estava pensando se realmente deixaria as crianças saírem quando ouvi um o barulho de algo batendo ao vento.

“Olá?” Chamei. Não houve resposta, mas segui o barulho até a entrada do playground, que ficava ao lado da estrada principal para fora da cidade.

Havia um pequeno boneco amarrado nas barras que separavam o playground da estrada. Eu o observei por um momento: um boneco ligeiramente deformado, com o corpo de lã e o rosto feito com um tipo de cerâmica branca. Um emaranhado de fios amarelados estava preso em sua cabeça, e o rosto possuía um vago e perturbador sorriso banguela. O rosto de Gavin Lewis veio em minha mente, e eu desamarrei o boneco. Senti algo estranho ao segura-lo; era mais pesado do que aparentava, e apesar da macia camada exterior, era bastante sólido por dentro.

Eu o levei para a minha sala que estava vazia e o examinei mais atentamente. Havia uma ponta solta de costura nas costas do boneco. Eu puxei e o boneco se abriu em minhas mãos. Ossos, pequenos e secos, se espalharam pela escrivaninha. O som dos ossos caindo na escrivaninha se misturou com o som de passos que se aproximavam pelo corredor. Joguei meu casaco sobre os ossos na escrivaninha no exato momento em que a sala se enchia de crianças ansiosas para a primeira aula de educação física.

Meu coração estava disparado e, apesar do dia frio, percebi que estava suando. O que diabos eu tinha acabado de descobrir?

 “Crianças…” gritei “…hoje a aula será aqui dentro, certo?”

O resultado foi uma série de grunhidos de desapontamento, mas sem objeções.

 Pedi para que um dos monitores tomasse conta da turma, então corri para a sala dos professores. Encontrei o número de telefone dos pais de Gavin nos registros da escola e o disquei. Sem resposta. Senti uma súbita vontade de entrar em contato com a mãe dele, então decidi falar com a diretora. Eu mostrei os ossos, e ela empalideceu.

“São humanos?” ela perguntou. Falei que não sabia. Após um momento de deliberação, ligamos para a polícia. O primeiro oficial a entrar na sala recuou assim que viu os ossos.

“Meu Deus…” ele sussurrou. Seu parceiro pegou um dos ossos maiores para examinar.

“São ossos de galinha.” Ele falou. Perguntei se ele tinha certeza, e ele me contou que tinha crescido em uma fazenda, e já estava acostumado a reconhecer os ossos de alguns animais.

“O que faremos agora?” a diretora perguntou. “É óbvio que isso é algum tipo de ameaça, ou pelo menos uma piada doentia.”

O homem recolheu os ossos restantes e pegou os arquivos de Gavin. Avisaram que a policia passaria a manter uma certa vigilância sobre a escola. Cumprindo com a palavra, outro carro patrulha parou ao lado das grades do playground assim que o primeiro partiu.

O resto do dia transcorreu estranhamente... normal. As crianças não perceberam o horror mudo que transparecia nos rostos de seus professores, mas apesar da tensão no ar, os compromissos do dia se cumpriram normalmente. A última aula acabou e os pais (que não faziam ideia dos estranhos acontecimentos) chegaram em massa para pegar seus filhos. Outros alunos pegariam o ônibus escolar para casa. Fizemos o possível para nos certificar que as crianças voltassem para suas casas em segurança, mas tínhamos receio em contar para alguma outra pessoa sobre o que tinha acontecido. Não queríamos causa pânico, principalmente quando ainda não tínhamos certeza sobre o que realmente estava acontecendo. Fui avisado que a policia me contataria pela manhã para pegar meu depoimento, então voltei para casa.

Verifiquei meu telefone na manhã seguinte, mas não havia nenhuma ligação da policia. Esperei por mais uma hora, então imaginei que se eles estivessem tão desesperados em me contatares, poderiam ligar para a escola.

Cheguei à escolar um pouco mais atrasado que o habitual, porém, ainda pude encontrar alguns pais deixando seus filhos na escola. Isso, juntamente com o carro patrulha estacionado ao lado da escola, me tranquilizou por um tempo. Levei uns quinze minutos para perceber que o ônibus escolar ainda não tinha chegado. O playground estava quase vazio em comparação ao dia anterior. Pus as poucas crianças que já tinham chegado para escreverem alguma história, e liguei para a companhia responsável pelo ônibus. Não, eles não tinham noticias sobre o motorista. Ele provavelmente estava preso em algum engarrafamento à caminho para a escola.

Ok, tudo bem.

Mas eu me sentia incomodado. Algo terrível tinha acontecido com aquelas crianças. Então a dor esmagadora da culpa me atingiu. Eu deveria ter avisado aos pais no dia anterior. Deveria ter contado sobre o boneco. Eu precisava de ar, e acabei indo para o playground.

Então eu ouvi. O barulho outra vez. Eu poderia descrevê-lo como uma cortina sacudindo ao vento forte. Automaticamente, esquecendo a dor da culpa, segui para a direção do barulho.

Nas barras que separavam o playground da estrada, em fileiras organizadas, havia trinta e dois bonecos amarrados. Eu nem precisava olhar os registros. Sempre fui bom em gravar rostos. As crianças que sorriram para mim ontem, sentadas em suas cadeiras, estavam sorrindo para mim agora; rostos congelados em euforia, pendurados nas barras.

Porém, havia algo de estranho em seus olhos: pintados detalhadamente nas cabeças de cerâmica, os olhos mostravam algo diferente. Medo, dor e angústia estavam registrados em seus olhos. As minhas lembranças ficam um pouco borradas após isso. Lembro-me de correr para o carro patrulha, e encontrar dois bonecos lá dentro: ligeiramente maiores que os bonecos das crianças, e vestidos com perfeitos uniformes de policiais.

Entrei apressadamente na escolar, chorando, sem me importar que as crianças me vissem daquele jeito. O que diabos fiz para merecer aquilo? Eu devo ter desmaiado em algum momento, pois acordei em um dos pufes da sala de leitura com um doutor tomando meu pulso. Tentei falar, mas a minha voz não passava de um ruído engasgado. O doutor tentou me tranquilizar, dizendo que as crianças já estavam em suas casas, e que a escola já estava fechada.

Mais policiais já tinha chegado e interditado a área, pensei até ter ouvido o som de um helicóptero. Eu obviamente não estava em bom estado para dar uma entrevista, porém, consegui contar tudo o que pude, antes de ser levado para um hospital. Enquanto me carregavam para uma ambulância, um repórter jogou a câmera em meu rosto e tentou tirar algumas fotos. Um policial o afastou antes que ele conseguisse, e fui posto dentro da ambulância, longe de olhos curiosos.

Isso quase conclui a minha parte dessa história. Larguei meu emprego e fiquei em casa por semanas após o incidente, saindo apenas uma vez. Estava chovendo, e o nevoeiro lá fora parecia ter se dissipado completamente. Eu estava escutando o rádio, quando surgiu a noticia sobre uma importante atualização no caso das crianças desaparecidas. Alguns alpinistas tinham encontrado um ônibus escolar, enquanto subiam uma montanha. O ônibus estava vazio, porém, intacto. Também foi dito que a policia havia interditado uma fazenda, e não deixava ninguém se aproximar.

Sem pensar duas vezes, segui imediatamente para a tal fazenda. O local estava lotado de repórteres, e enquanto eu estacionava, percebi que todos se preparavam para as notícias do meio dia. Outra coisa que percebi, foram as galinhas: várias galinhas corriam pela área. Um policial barrou o meu caminho, enquanto eu seguia para a única casa no local. Sobre seu ombro, vi a equipe forense movendo-se para dentro da casa. O que tinham encontrado ali? “Sinto muito, cena do crime. Você não tem permissão para prosseguir.”

“Por favor” falei “você não entende, preciso saber o que está acontecendo.”

“Contaremos para a imprensa assim que possível, mas até lá, preciso que volte para o seu carro.”

Voltei para casa, mas mantive a televisão ligada. Na maior parte do dia, eles apenas repetiram os mesmos detalhes de pouca importância: que a casa estava desocupada, que ninguém foi preso.

Naquela noite, no entanto, as coisas mudaram. Transmitiram um pequeno vídeo, o qual disseram que havia sido feito por um câmera amador. O câmera estava parado em um corredor estreito, que acabava em uma escadaria que descia. Então ele descia pela escuridão, e por um momento parecia que o filme havia terminado em uma tela preta. De repente, uma luz ligava, revelando um porão, com paredes de pedra, úmidas, assim com o teto e o chão. A câmera passava a mostrar todo o local. O quarto estava cheio de cordas com algumas coisas brancas penduradas nelas. A câmera se aproximava de uma corda, e assim, percebia-se que as coisas brancas eram ossos. Mas aqueles não eram apenas ossos de galinha: não estavam fragmentados como os ossos nos bonecos. Estava bastante claro de quem eram...

Ossos de dedos. Dezenas, talvez centenas, de pequenos ossos, pendurados em cordas como uma cortina macabra. O câmera sussurrava um palavrão, e o vídeo acabava abruptamente.

*

Voltei para aquele local na semana passada. Eu tinha recebido o seu e-mail, me pedindo uma entrevista, e isso me fez pensar. Tantos anos se passaram, e eu queria verificar pessoalmente. Eu sabia que estaria invadindo o local, mas eu tinha que ver pessoalmente. Talvez a policia tivesse deixado passar algo: nunca prenderam ninguém, e nunca encontraram os restos das crianças, então, se eu encontrasse algo, estaria ajudando com as investigações!

O local não era visitado a muito tempo. A porta já estava bastante podre, então consegui arrombar. A polícia havia cortado a energia do local pouco depois dos acontecimentos, então tive que utilizar a minha lanterna, o que reduziu consideravelmente as minhas chances de encontrar algo.

Eu suspeitava que os policiais não tinham verificado atentamente o galpão que havia nos fundos. Aparentemente era um galpão comum: com uma bancada e alguns barris. Abri um dos barris e verifiquei o conteúdo: milho para galinhas, misturado com um tipo de pó branco. Olhei para a bancada, onde havia um almofariz. Dentro, havia o que parecia um osso meio triturado (se era de um humano ou de uma galinha, eu não poderia dizer.)

Eu já estava prestes a sair do local, quando percebi algo embaixo da bancada. Eram bolsas de plástico, daquelas que se usa para guardar documentos importantes. Estavam datadas: de cinco em cinco anos, começando em meados dos anos 70, e terminando em meados dos anos 90. Abri o mais recente e vasculhei seu conteúdo.

Fotografias. Fotografias mostrando crianças em um playground, aparentemente tiradas de dentro de um carro. Outra fotografia mostrava dois policiais dentro de um carro, despercebidos sobre a presença do fotógrafo. A última fotografia mostrava...

…a última era a minha. Não era uma fotografia qualquer. Eu lembrava exatamente de onde foi tirada. Borrada com o movimento, e parcialmente obscurecida pela mão de um policial que tentava afastar um fotógrafo para que eu pudesse entrar em uma ambulância.

Havia outro objeto na bolsa: um boneco. Estava incompleto: o rosto ainda estava pela metade, e ainda faltava um dos braços. Porém, a aparência do boneco me inquietava. Ele parecia bastante familiar, das vestimentas marrons ao estúpido penteado Teddy Boy da época.

Era o meu boneco.

–

Bom, enfim, estou feliz em ajudar. Acho que se relembrarmos o incidente com frequência, podemos, mais cedo ou mais tarde, encontrar alguma nova informação. Só espero que a parte do arrombamento não me cause problemas. Não publique essa parte, tudo bem? Ótimo. O que mais você deseja? Uma fotografia minha? Claro, tudo bem. Vai em frente.

click

22/01/2015

Hyper Cola

Eu prefiro não falar sobre os dias em que trabalhei para a Coca Cola. Entretanto, sinto que é meu dever revelar os segredos doentios dessa companhia. Para eles, nunca houve qualquer problema em atormentar, torturar e até mesmo matar se isso garantisse que seus negócios não fossem prejudicados.

Não faz muito tempo - talvez em 2009, se me lembro bem - eu estava me tornando um funcionário de respeito pela minha diligência e habilidade. O chefe do nosso setor me promoveu para ver o novo projeto que estava sendo testado: Hyper Cola. Energéticos estavam cada vez mais populares, e a Coca não tinha nenhum produto nesse campo. Hyper Cola seria o primeiro.

Eu não sabia muito bem quais eram os ingredientes da Hyper Cola, uma vez que meu trabalho era de marketing. Eu sabia, entretanto, que a intenção era criar um produto extremamente viciante. Depois de conversar com a equipe desenvolvendo a bebida, nós concluímos que a única coisa de que ainda precisávamos era da opinião dos consumidores.

Diversos beta testers, dos mais novos aos mais velhos, dos mais baixos aos mais altos, chegaram. Eles experimentaram a bebida, e disseram que o gosto era ótimo. Depois do teste do sabor, nós levamos todos (15 pessoas, se me lembro bem) para uma sala enorme. Haviam cestas de basquete, escorregadores enormes, até mesmo frisbees. Havia espaço suficiente para exercícios. Depois de fechar a porta, nós ficamos olhando por uma janelinha, curiosos para ver quais seriam os efeitos da Hyper Cola.

Os idosos estavam andando ligeiro, as costas não mais arqueadas. Pareciam muito mais ativos que antes. Os mais jovens estavam correndo, pulando, jogando basquete, mas um deles estava parado, no canto, encarando a parede. Parecia estranho, mas no fim das contas todos os outros estavam mais empolgados que ele, então não demos importância. Um casal idoso começou a fazer jogging, dois irmãos começaram a jogar frisbees, haviam até mesmo dois homens de meia idade disputando uma partida de basquete; agora, entretanto, haviam duas pessoas paradas num canto, de costas para nós.

A segunda pessoa era mais velha, tinha pelo menos sessenta anos. Os dois indivíduos eram baixos e pareciam exaustos, sem vida até. Não sabíamos se estavam cansados da atividade ou se estavam meramente fazendo uma pausa. Não tínhamos certeza, é verdade, mas algo estava me deixando um tanto nervoso e preocupado. Decidimos enviar um funcionário para verificar o que acontecia.

Enquanto ele andava na direção da dupla, outras pessoas se uniram a eles. Acho que pelo menos três outras pessoas já haviam ido para o mesmo canto quando o funcionário chegou lá. Parecia que, aos poucos, todos iriam se dirigir para aquele mesmo canto. Quando o empregado chegou até eles, nós encaramos aquela pequena área, tensos. Ele lentamente ergueu o braço, e, olhando para uma garota, tocou de leve em seu ombro. "Está tudo bem, moça?"

Ela se virou para ele. Sua aparência era assustadora. De pé, encarando o funcionário com seus enormes olhos completamente vermelhos, ela lambeu sua pele bastante pálida com um sorriso enorme. Seus lábios pareciam se esticar por toda sua face, seus olhos cada vez mais abertos, e as pupilas englobavam todos seus olhos. Lábios trêmulos, pele sem qualquer cor e pupilas dilatadas ao extremo, ela respondeu, "Socorro." Sua voz estava inquieta e ela tremia da cabeça aos pés. E isso foi tudo que ela pôde dizer antes de desmaiar.

Outros desmaiaram juntos e em pouco tempo, todo o grupo estava caído, empilhado no canto daquela sala. Os funcionários correram para resgatá-los, colocando-os em quarentena. Uma vez em quartos separados, cada paciente parecia mais perto da morte. Suas peles não tinham qualquer cor, e quase todos constantemente vomitavam aquela substância viscosa, amarelo neon. Começaram a falar coisas sem sentido e a agir de maneira estranha.

Um dos pacientes começou a arranhar as paredes, e não parecia querer parar. Ele estava dedicado àquela missão, e parecia temer por sua vida. Seus lábios quebradiços se abriram, revelando seus dentes podres enquanto ele gritava "Socorro, socorro!" Ele continuou arranhando as paredes até que suas unhas quebraram e sua carne começou a rasgar. Nós imobilizamos este homem, mas só depois de sedá-lo e amarrá-lo é que percebemos que ele já havia exposto  os ossos de suas mãos. Sua pele descascou completamente, e suas mãos estavam banhadas em sangue. Estava mesmo determinado a fazer o que quer que fosse.

Os outros pacientes pareciam cada vez mais insanos, correndo em volta de seus quartos, banhados em suor. Depois de um dia ou dois, nossa equipe médica conduziu testes nesses pacientes. Foi confirmado que havia uma substância desconhecida na bebida causando a deterioração e apodrecimento dos cérebros dos pacientes em velocidade acelerada. E no entanto, a única coisa que os mantinha vivos eram os demais produtos químicos da bebida. Os médicos disseram que poderiam resolver aquele problema, mas os efeitos da bebida continuariam para sempre nos organismos das vítimas.

Os cientistas da companhia correram para fazer diversos testes na bebida, tentando encontrar uma resposta. Infelizmente, não havia nenhuma. Os pacientes receberam alta, e agora pareciam não lembrar de nada do que ocorreu durante aquele período. A empresa, chocada, ordenou que nunca falássemos do assunto com ninguém.

Ao contrário dos demais, entretanto, eu acompanhei a vida desses pacientes. Fiz algumas pesquisas e descobri algo aterrorizante. Todos eles haviam morrido depois de sair do prédio. Isso era ruim o bastante, mas o pior de tudo era que todos haviam morrido exatamente no mesmo dia. O dia em questão era o mesmo dia do prazo de validade das garrafas de Hyper Cola. Aquilo me enervou bastante.

O projeto foi jogado debaixo do tapete devido à sua periculosidade. A companhia, é claro, tratou de se proteger, mas com sua fama e tamanho, não foi muito difícil. A Coca Cola deletou todos os traços da Hyper Cola de todos os cantos. Especulações foram desmentidas, e artigos sobre o "suposto" produto foram removidos. E, como eu disse, ninguém na empresa jamais falou sobre esse assunto. Ninguém exceto eu. Eu não me surpreenderia se esse texto fosse removido. Afinal, a Coca Cola vem fazendo um trabalho maravilhoso para esconder todo esse projeto do público.

06/01/2015

ANO NOVO, VIDA NOVA! MUITAS NOVIDADES E ESCLARECIMENTOS!

Primeiramente, feliz natal e um feliz 2015 atrasado pra todo mundo!

Esperamos que esse ano tenha sido um ótimo ano pra todos vocês. Pessoalmente, 2014 foi um ano muito complicado, conturbado pra mim, recheado de coisas novas, algumas boas e outras não tão boas assim. Novos rumos, novos obstáculos, novas amizades, novas brigas, novas responsabilidades. Sem entrar em muitos detalhes, pessoalmente, foi um ano bastante complicado desde de Janeiro, até o final. Correria pra arranjar emprego, problemas financeiros e pessoais tensos, e claro, preocupação máxima com o blog e o canal, no sentido de atualizar semanalmente, editar, gravar, renderizar, etc. Tudo isso custou muitas de minhas madrugadas, mas vendo o numero de seguidores tanto do canal quanto do blog, e que esse numero continua a crescer constantemente, é muito mais do que satisfatório pra mim, pra todos nós.

É claro que, como todo começo de ano, temos nossas metas a serem atingidas, e nesse ano não poderia ser diferente. Já tenho minhas metas pra esse ano, como comprar um carro, conseguir um trabalho que eu goste e que ganhe bem (essa meta, felizmente, consegui lol), entre outras coisas. Uma dessas metas, e a principal pra mim, é dar mais atenção e prioridade ao canal e ao blog, alavancar tanto a qualidade quanto o reconhecimento de ambos, pois sim, reconhecemos que 2014 foi um dos piores anos pro blog, com pouca frequência de postagens, muitas creepypastas dos fãs que acabaram desgastando bastante, e a falta de mudanças, devido ao fato de ter sido um ano complicado não só pra mim, mas pra todos os integrantes do blog. Pois bem, já conversei com a Divina sobre isso, e estaremos já começando a trabalhar nisso nesse começo de ano, pois escutem o que eu digo: 2015 vai ser o ano em que vamos arregaçar!

Entre as mudanças do CPBr, estão:

- Nova cara e layout do CPBr, para dar uma "refrescada" no blog;
- Novos tradutores para ajudar na frequência de postagens (nossa intenção é voltar a postar diariamente, diversas por dia);
- Mais métodos de divulgação e melhor interação com vocês, com destaque a atenção também ao feedback de todos (para que isso ocorra com mais facilidade e profissionalidade, estaremos deixando nossos facebook's SOMENTE para fins pessoais, então se você acompanha nosso trabalho e quer passar dicas, sugestões ou somente trocar uma ideia conosco, pode nos contatar pelas fanpages do blog e do canal, respectivamente);
- Playlist de musicas totalmente renovado;
- Creepypastas foderosas e aterrorizantes, daquelas que te deixaram com medo de passar pelo corredor pra ir ao banheiro de madrugada.

Gostaram? Esperamos que sim! Agora, vamos às novidades pro canal:

- Novas séries macabras, que tem tudo e mais um pouco a ver com o blog, fazendo com que ambos se intercalem mais (sem spoilers, mas temos certeza que vocês irão adorar!);
- A primeira temporada do ARQUIVO CREEPYPASTA continuará firme e forte, dessa vez será lançado com mais frequência, agora que eu e os outros editores, Beluga e Argentino, conseguimos nos organizar melhor. Já temos diversos episódios gravados e estamos trabalhando na edição desde já;
- Diferente programa de edição, fazendo com que os videos tenham uma qualidade melhorada, em quesito de estética de edição e resolução;

Por ultimo, tenho só mais uma coisinha a abordar, também sobre o canal... Muitas pessoas especularam nos comentários do último Creepy Video que esse era o ultimo episódio da série, ou até mesmo do canal. Pois bem, estou aqui pra dar algumas satisfações a respeito do caso, pois não acho legal deixar vocês que acompanham tudo no escuro.

Sim, os Creepy Videos e os Maldições e Reações estão se despedindo... Por enquanto. Fiquem tranquilos que nunca descartaremos a possibilidade de voltar a grava-los, mais pra frente, caso as coisas se acertem pra todo mundo, mas isso ocorreu devido a uma série de fatores. Um deles foi que com a quantidade de problemas que estavam ocorrendo no ano de 2014, acabou que isso foi desanimando um pouco a gente, pois estava sendo mais por obrigação do que por diversão, e acho que quando passa a ser por isso, simplesmente você não está fazendo videos pela razão correta.

"Okay então, vamos dar um tempinho, depois voltaremos com tudo", foi o que pensamos. Decidimos dar foco total ao Arquivo Creepypasta durante o tempo, e ir subindo os Creepy Videos já gravados aos poucos. 

Porém, dentro desse tempo, começaram a ocorrer muitas merdas, e isso em especifico eu vou deixar em off, pra preservar todo mundo, pois ai é algo pessoal demais para expor aqui. Só digo o seguinte: Quase todos nós de toda a equipe recém criada fizemos merdas ao decorrer de toda essa jornada, porém, duas pessoas fizeram uma merda tão feiaem especifico que nos custou um integrante, e não será possível gravar esse tipo de videos sem ele.

Por essa razão, vamos dar continuidade ao Arquivo Creepypasta (cujo tem o potencial de virar algo grandioso dentro do Youtube futuramente, já que o pessoal aparentemente adorou e deu criticas e feedbacks super construtivos para os episódios futuros), começar séries novas, diferentes do que você já viu e que tem tudo a ver com Creepypastas, com diferenciais a mais. Não posso revelar mais, porém ainda em Janeiro, vocês verão do que estou falando. E temos certeza de que vocês vão adorar.

Pois é, como podem ter visto... Não foi um ano nada fácil, e por essa razão, vamos começar esse ano com tudo. E meu conselho é que vocês façam o mesmo: Corram atrás de seus sonhos, suas metas. Lutem por isso então deixem pra depois, e o mais importante, valorizem as pessoas que estão do seu lado, especialmente sua família e seus melhores amigos, pois isso não se troca por nada nesse mundo... Nada.

É isso ai galera, vamô que vamô, e que 2015 seja do caralho pra todos nós!

Grande abraço, até a próxima, and Keep Creepying!!!

01/01/2015

Minha namorada morta me manda mensagens no Facebook

Minha namorada Emily morreu no dia 7 de agosto de 2012.

Acabei de receber outra mensagem, e ela é pior do que as outras. Ela sofreu um acidente envolvendo 3 carros. Alguém atravessou um sinal vermelho enquanto ela dirigia pra casa do trabalho. Ela morreu em questão de minutos na cena do crime.

Nós estávamos namorando há cinco anos quando isso aconteceu. Ela não curtia muito toda aquela ideia de casamento (ela dizia que sentia como se fosse algo arcaico, que lhe dava uma sensação estranha), mas se curtisse, eu teria me casado com ela com cerca de 3 meses de namoro. Ela era corajosa; o tipo de garota que sempre fazia as escolhas mais ousadas. Sempre ficava feliz quando acampava, mas também era uma verdadeira viciada em tecnologia. E ela sempre cheirava a canela.
Dito isto, ela não era perfeita. Sempre dizia coisas do tipo "Se eu morrer primeiro, não adianta ficar dizendo coisas boas sobre mim. Nunca gostei disso.” ou “Se você não me pagar, está me fazendo um desserviço” e “Eu tenho muitas falhas, e isso é apenas outra parte de mim". Então, isto é pra Emily: a música que ela dizia que gostava e a musica que realmente gostava de verdade eram totalmente diferentes. Sua ideia de afeto era somente um abraço comum. Ela tinha dedos muito longos, como um chimpanzé.

Sei que isso é superficial, mas não me sinto bem se você não tiver uma ideia de como ela era. Emily havia morrido a certa de 13 meses quando me mandou a primeira mensagem.

04 de Setembro de 2013


Isto foi quando tudo começou. Eu havia deixado a conta do Facebook de Emily ativada pra que eu pudesse enviar-lhe mensagens ocasionalmente, postar em seu mural, rever suas fotos... Parecia muito conclusivo (e muito diferente do que Emily iria querer) fechar sua conta e deixar somente as lembranças. Eu compartilhava o acesso com sua mãe (Susan) - ou seja, ela tinha o login e senha, e passou somente 3 minutos naquela conta (ou num computador, afinal). Após uma pequena confusão, pensei que fosse ela.

06 de Novembro de 2013


Susan me confirmou que ela não tinha entrado no perfil de Emily desde a semana de sua morte. Emily conhecia muita gente, então imaginei que fosse somente algum amigo ou amiga dela mexendo comigo da pior maneira possível.


Por volta de Fevereiro de 2014, Emily começou a se marcar nas minhas fotos. Eu recebia notificações sobre as marcações, mas elas normalmente eram removidas assim que chegava a abrir a imagem. A primeira vez que eu realmente cheguei a ver uma, senti como se alguém tivesse me dado um soco no estômago. “Ela” me marcava em partes onde plausivelmente era poderia estar, ou gostava de ficar. 

Consegui tirar dois prints (um de Abril e um de Junho, que foram os únicos que eu consegui ver, por isso estão um pouco fora da linha do tempo desse texto).

Nesse período, comecei a perder meu sono. Estava puto demais pra dormir.

Ela se marcava em fotos aleatórias ao longo das semanas. Os amigos que notaram diziam que era somente um bug estranho do Facebook; Descobri recentemente que teve amigos que notaram, mas que não me disseram nada sobre isso. Alguns deles até mesmo me removeram de sua lista de amigos.

Neste ponto, você deve estar se perguntando: “Por que você não simplesmente desativou aquela conta do Facebook?”. Olha, bem que eu queria ter feito isso. Eu realmente queria. Só que nos dias em que eu não podia sair de casa, era bom ter alguém com quem pudesse conversar. Era bom visitar a página de Emily quando aquele pequeno ponto verde não estava ao lado de seu nome. Eu já era socialmente recluso quando ela estava viva; sua morte me transformou em algo muito próximo de um ermitão, e o Facebook e Jogos Online sempre foram (são) minhas únicas saídas do mundo real.

15 de Março de 2014


Enviei uma mensagem ao que eu achava ser o hacker de Emily.

Em 25 de Março, recebi uma “resposta”.


Não demorou muito mais do que alguns meses repassando por todo o bate-papo que eu descobri que ela estava reutilizando minhas próprias palavras também.

Minha resposta parece meio sem graça aqui. Eu estava intencionalmente fornecendo a ela/ele uma “isca” emocional (“Isso é horrível”) pra mantê-lo interessado no seu joguinho de merda; Eu havia imaginado que o tipo de pessoa que faria isso seria o mesmo tipo de pessoa que sente prazer com o sofrimento dos outros. Estava navegando em fóruns de tecnologia, tentando encontrar uma maneira de achar essa pessoa, contactando o Facebook. Precisava mantê-los por perto se eu quisesse recolher “evidencias”.

Eu cheguei até a mudar minha senha e detalhes de segurança diversas vezes.

16 de Abril de 2014

Eu recebi isso:


29 de Abril de 2014


Não descobri nenhuma pista. O Facebook havia me dito os locais de onde a pagina de Emily foram acessadas, mas desde sua morte, todos são lugares onde pude ter acesso (minha casa, meu trabalho, a casa de sua mãe, etc).

Minha resposta não era isca. "Pergunte ao Nathan" era uma piada interna muito ruim para que eu explique pra vocês, mas vê-la dizendo novamente foi absolutamente incapacitante. Minha reação foi de choque total.

Suas ultimas mensagens começaram a me assustar, mas não quis admitir isso, até agora.

8 de Maio de 2014

Eu não tenho nem palavras pra descrever isso...


“CONGE LAN DO” foi a primeira palavra original que ela (?) havia dito. Isso me deu pesadelos que não vão acabar tão cedo. Eu ainda continuo sonhando que ela está presa dentro de um carro, congelado e acinzentado. Estou do lado de fora da porta do carro no calor, gritando para que ela saísse dali. Ela nem percebe que eu estou lá. Às vezes, as pernas dela estão do lado de fora comigo.

24 de Maio de 2014


Eu não estava bêbado de verdade. Emily não era uma garota carinhosa, e sempre se envergonhava quando trocávamos dengos do tipo “eu te amo”, quando falávamos o quanto nós significávamos um para o outro. Ela ficava mais confortável com isso quando eu estava bêbado. Já fingi estar bêbado MUITAS vezes.

Sua resposta foi o que finalmente me convenceu a desativar sua pagina, pensando que poderia colocar um fim nisso. Pode parecer algo inofensivo, sua mensagem anterior – foi tirada de uma conversa antiga, onde eu estava tentando convencê-la a me deixar levá-la para casa, quando ela estava vindo embora da casa de uma amiga dela.

Na colisão, o painel a esmagou. Ela fora cortada em uma linha diagonal de seu quadril direito até logo abaixo de sua coxa esquerda. Uma de suas pernas foi encontrada debaixo do banco traseiro.

07 de Agosto de 2012


Voltando no tempo...

Estas são as mensagens que eu enviei pra ela no dia em que ela morreu. Normalmente, ela chegava em casa lá pelas 16:30. Essa, juntamente com algumas mensagens de voz, foi a ultima vez que falei com ela sabendo que estava viva. Você entenderá logo menos porque estou lhe mostrando isso.

01 de Julho de 2014

Recebi essas mensagens ontem:


Desativei sua pagina alguns dias após a mensagem sobre "andar". Até hoje, ela ficou quieta; parou até mesmo de se marcar nas minha fotos.

Eu não sei mais o que fazer. Será que devo excluir seu perfil? E se for ela? Sinto como se fosse vomitar. Não sei o que está acontecendo.

Acabei de receber uma notificação, ouvi o som de mensagem. Estou com muito medo de trocar de aba e verificar.

Eu verifiquei o alerta. Essa foi a mensagem...


Essa é a minha porta...

Esse é o meu computador...

Esse sou eu...

Recebi essa mensagem três horas atrás, mas não quis verificá-la até agora...

Agora estou legitimamente assustado. Não faço ideia de quem tirou essa foto.

29/12/2014

Rosto de boneca

Eu estava ali

Apenas esperando

Observando

Eu sei que ele voltará, eu sei. Não posso comer ou dormir, fico apenas observando o maldito buraco na parede. No inicio ele era apenas um pequeno buraco, e com o tempo ele começou a aumentar. Tentei tampa-lo; mas acabei tornando-o maior. Eu acho que ele sabe que o estou esperando, é por isso que ele decidiu morar em minha parede.

Tentei atrai-lo com comida, camundongos, hamsters, até um porquinho; nada funcionou. Meu deus! Eu tenho que vê-lo outra vez! Apenas para superar meus medos. Eu quero encarar seus olhos negros e sem vida, talvez descobrir o que ele quer de mim. Acho que na primeira vez que eu o vi, bem rapidamente, foi o momento em que minha vida foi arruinada.

 -

Eram 3:29 a.m, eu estava sozinho em casa, e tinha acabado de descansar a cabeça no travesseiro quando ouvi um barulho terrível. Me levantei e olhei por todos os cantos do quarto, mas não consegui enxergar nada naquela escuridão. Peguei minha câmera e comecei a tirar fotos com o flash ativado, assim como naquele filme, Jogos Mortais, e comecei a procurar a origem do barulho. Eu deveria ter pensando em algo melhor, os flashes apenas me cegavam. Decidi largar a câmera.

Fui para a cozinha, tateando no escuro. Percebi que a porta da geladeira estava aberta, o que era realmente estranho, sendo que eu nem tinha aberto a geladeira naquela noite. Quando finalmente consegui ligar as luzes, eu vi a estranha criatura em um canto da cozinha, era quase da mesma altura da minha mesinha de café.

Me aproximei dele e por um momento pensei que meus olhos estavam me pregando um truque, mas eu podia jurar que ele tinha se movimentado tão rápido, que em menos de um segundo já não estava mais ali. Tentei correr de volta para o meu quarto, mas acabei batendo o pé na porcaria de uma cadeira. Eu caí, e fiquei petrificado ali no chão quando percebi que algo bafejava em meu pescoço.

“Era um sonho, tinha que ser um sonho, não poderia ser real...” Rolei lentamente para o lado, e me deparei com um terrível rosto branco, bastante semelhante ao rosto de uma boneca de porcelana. Foi nesse momento que reagi e me joguei para o canto mais distante, para observar aquela coisa... entrando em meu quarto.

-

A visão daquela coisa é algo impossível de esquecer, e foi assim que acabei ficando com essa terrível obsessão, sentado em frente ao buraco na parede, esperando... Agarrado à minha câmera, tentando não cair no sono, dividido entre o medo de ser atacado e a incontrolável vontade de revê-lo.

Talvez eu esteja louco? É, pode ser que sim, talvez esteja ficando louco pela falta de comida e descanso. Talvez eu devesse dor-

NÃO! Não posso cair nesse truque! Tentar me fazer dormir para vir e me matar sem que eu o veja! Isso não vai acontecer comigo. Sou muito esperto para cair nesse truque. Dias... Droga! Não durmo há dias!

Eu posso ouvi-lo me chamando…

Meu Deus…

Onde estou? Essa não é a minha casa! Eu devo ter dormido. Esse som... eu já o ouvi... não! Não posso morrer! Não agora! Eu o sinto em minha mente, ele QUER que eu o veja, que eu tire uma foto. A minha câmera... ele a jogou para mim...

O que faço? Devo vê-lo? A vontade é esmagadora...vou morrer mesmo... eu preciso vê-lo-


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OH MEU DEUS! MAS QUE DRO-


White doll face

24/12/2014

Pura maldade

Ahh, o Natal. Um dos momentos mais aguardados do ano, e o momento perfeito para concluir o meu plano. Tem que ser assim, pois afinal, todos querem alguma coisa.

Eu já o estava perseguindo desde o mês passado; era apenas um cara comum, vivendo uma vida simples com sua família, em uma rua pacata. Ele era o próximo. Ele não saberia os motivos por ser o próximo, mas no fim ele entenderia.

Tudo morre um dia. Eu apenas adiantaria o processo para ele.

Vestido como o bom velhinho, em um vermelho brilhante, assim como meu cabelo, agarrei a ferramenta perfeita para o serviço. Meus olhos verdes cheios de determinação, com sede de sangue. Meu rosto distorcido em uma máscara de malícia.

Atravessei alguns quintais, seguindo em direção aos fundos da casa do meu alvo. Os cães sentiam a minha presença, e uivavam para o céu estrelado. Era como musica para meus ouvidos. Se também houvesse alguns gritos de dor, séria uma sinfonia perfeita.

Abri lentamente as janelas do fundo. Um som agitado preenchia o ar. Parecia a trilha sonora de algum filme de ação. Isso apenas facilitou a minha silenciosa entrada.

Escondido nas sombras, observei, enquanto o meu alvo digitava algo em um notebook, acompanhado pela música alta que saia de duas caixas de som ligadas ao aparelho. Eu sabia que ele estava sozinho, vi a sua família sair para comprar algo que faltava para a ceia.

Assim que ele acabou de digitar (o que demorou um pouco, devo admitir), ele recostou-se para descansar na cadeira, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás.

Me aproximei mais um pouco dele.

Não houve muito tempo para que ele pudesse reagir quando percebeu o meu movimento. Assim que ele abriu os olhos e virou-se para mim, foi imediatamente recebido com um taco de golfe bem no meio do rosto, caindo da cadeira com um grande barulho. Um nariz quebrado e um grande corte tomava o lado direito do seu rosto; seus lábios escorrendo sangue quando um dente se partiu e caiu no chão. A trilha sonora continuava a preencher o ar, com um toque agitado de ação bastante irônico para aquele momento.

“Esse é um momento de felicidade, SORRIA!”. Gritei, explodindo de excitação.

Abri um largo sorriso e até comecei a cantarolar seguindo o som, batendo o taco de metal frio na palma da minha mão. Levantei o taco mirando mais uma vez em seu nariz. Instintivamente, ele ergueu um braço para bloquear o taco, gritando pateticamente enquanto recebia o impacto.

“O que você quer?” ele gritava com a voz engasgada, cuspindo sangue e pedaços de dente. Essa era a pergunta que eu realmente esperava. Levantando o taco outra vez, percebi a fina linha de sangue que o cobria. Tentei controlar toda a felicidade e excitação em minha voz, para responder de forma bastante clara:

“Eu quero que poste Creepypastas com mais frequência, seu desgraçado!”

Com rápidos movimentos, o taco desceu mais duas vezes. Primeiro ele gritou, e depois pôde apenas soltar um leve gemido. Deitado em uma poça do próprio sangue, ele dava o último suspiro.

Sorri um pouco mais ao observa-lo daquele jeito. Olhei para a grande árvore de natal em sua sala, e me perguntei se a árvore ficaria melhor se eu pusesse alguns pedaços dele pendurados como enfeites. Talvez pendurasse seus intestinos ao redor da árvore, e pendurasse sua cabeça bem no topo. Seria algo perfeito!

Porém, havia algo que eu deveria fazer antes.

Acessei o blog no qual ele costumava postar, e utilizei a conta dele para digitar tudo isto para vocês que gostam de creepypastas. Sim, eu sei quem são vocês. Acham que não conheço todos que comentam por aqui? Ou aqueles fanáticos por creepys, assim como eu?

Eu destruo amizades e espalho a tristeza. Sou o amante do medo, devorador de almas. Eu tornarei o mundo das creepypastas uma realidade. EU sou a pura maldade.

EU so

Ele se mexeu!

Parece que ainda está vivo. A família dele já deve estar chegando. Devo acabar logo com isso.

Agora, se me derem licença, tenho uma creepy para terminar…

22/12/2014

O caso do Assassino da Teia


Tudo começou há 3 meses, vítimas foram encontradas sem sangue e enroladas em um tipo de seda. Pareciam insetos mortos por uma aranha. Logo começaram a chamar o caso de “Assassino da teia”. Até o momento, 12 se tornaram vitimas desse assassino desconhecido. Não havia vestígios ou provas de quem seria esse assassino, alguns acreditavam que as vítimas foram parte de algum ritual satanista. O caso já estava para ser arquivado, até que um dia, uma mulher que caminhava em um parque, ouviu algo, parecia o som de alguma coisa sendo arrastada, ela gritou, perguntando se alguém precisava de ajuda e não houve resposta, nem mesmo havia pássaros cantando. Ela ficou preocupada e decidiu verificar o que estava acontecendo, já que alguém poderia estar ferido e não pudesse falar.

Ela começou a procurar por toda a área ao redor, sem sucesso. Ela continuou procurando por mais alguns minutos e logo decidiu descansar embaixo de uma grande árvore. Por alguma estranha razão, algo lhe disse para olhar para cima, e o que ela viu parecia algo de um filme de terror. Havia um corpo pendurado no que parecia seda, e para sua surpresa, a pessoa ainda estava viva. As autoridades foram chamadas, e levaram a vítima para o hospital, ela poderia ser muito útil para ajudar a encontrar o assassino, assim ela acordasse.

No dia seguinte encontraram outra vítima, pendurada em um passarela em uma rua isolada. Era a vítima número 13, e assim decidiram me chamar. Meu nome é Alex, sou especialista em casos ligados a rituais satanistas e ao paranormal. Eu li os relatórios do caso e decidi revisitar cada área onde as vítimas foram encontradas, caso os investigadores da polícia tivessem deixado passar algo. Cheguei á primeira área. Não havia sangue ou fios de cabelo... tudo o que vi foi um cão fugindo assustado e de orelha baixa. Mas isso não importava, não poderia perder tempo com besteiras.

Segui para a próxima área, e como antes, não encontrei nada de importante. Eu já estava prestes a seguir para o próximo local quando vi algo movendo-se em um canto, era um cão, parecia exatamente o mesmo que eu tinha visto antes, porém, apenas a sua cabeça estava visível, enquanto o resto do corpo estava oculto pela escuridão da área. Ele tinha lindos olhos azuis, pensei que ele estivesse me seguindo, achando que eu talvez pudesse lhe dar algo para comer, o que eu não tinha no momento. Encontrei um hambúrguer meio comido em uma lixeira, e o joguei para o cão, em seguida parti para o próximo local.

Eu estava nas docas, e o cheiro de peixe já estava quase me fazendo vomitar. Caminhei pelo apertado beco onde o corpo foi encontrado, olhando por todos os cantos, até que captei algo. Era um pequeno tufo de cabelo negro, e já que cabelo da vítima era tingido de rosa, naquele momento pensei que o tufo de cabelo só poderia ser do assassino. Eu o coletei e continuei a minha procura, não encontrando nada mais importante. Por um momento, naquele beco apertado, me senti observado. Olhei ao redor, procurando por meu perseguidor e o encontrei; escondido nas sombras, estava um cão.

Era o mesmo de antes, ele estava apenas me observando, sem se mover ou mesmo piscar. Ele já estava me assustando.

Meu celular tocou e eu quase enfartei, era o Jeff, eu havia deixado a amostra de cabelo com ele, ele reportou que não era cabelo humano, eram pelos de aranha, e foi nesse momento que a minha ficha caiu; as vítimas estavam sem sangue, amarradas com fios de seda, e todas estavam penduradas em algum lugar. Realmente parecia obra de uma aranha, mas as suspeitas eram de um serial killer fanático por aranhas, e não uma grande aranha assassina. Uma aranha não poderia fazer um estrago desses. Talvez um experimento do governo? Não seria a primeira vez que algo assim acontece. Captei algo em minha visão periférica, era o cão de alhos azuis, ainda me encarando. Sai do beco e entrei em meu carro, pensei que talvez pudesse encontrar algo no próximo local.

Entrei no abatedouro abandonado, o local do quarto assassinato, o abatedouro já possuia um histórico ruim, um louco que costumava matar suas vítimas e come-las naquele local. Ele nunca foi capturado nem identificado, anos depois até fizeram um filme sobre isso. Às vezes algumas crianças se desafiam a entrar no abatedouro, ou alguns fanáticos invadem tentando encontrar fantasmas. O cheiro de mofo batia em meu rosto, me sufocando enquanto andava pela área onde o corpo foi encontrado. Segundo o relatório, a vítima estava pendurada no cano de metal, que naquele momento estava bem acima de mim, se o cano no tivesse quebrado, o corpo jamais seria encontrado. Não havia como alguém ter pendurado um corpo tão pesado naquela altura. Uma pessoa não poderia fazer algo assim sozinha. Isso parecia justificar a teoria da aranha gigante.

Ouvi algo se movendo. Sem uma arma no momento, resolvi usar um dos canos que estavam caídos no chão. Seria o assassino? O local era grande e perfeito como um esconderijo. Comecei a caminhar lentamente, e bastante atento a todos os movimentos ao meu redor. Encontrei algumas portas, estavam enferrujadas e travadas. Enquanto me virava para tentar encontra outras portas, algo me assustou, me fazendo pular para trás. Era apenas um cão, o mesmo que esteve me seguindo o dia todo, aquele pestinha assustador, como sempre, eu só conseguia ver a sua cabeça, o resto estava escondido no escuro. O cão parecia estar em um local mais alto, pensei que estivesse em algum andar acima de onde eu estava e que não consegui enxergar no escuro, talvez tivesse alguma escada por trás das portas enferrujadas que não consegui abrir. E se fosse isso mesmo, como o cão chegou lá?

O meu celular tocou, era o Jeff outra vez, ele me avisou que a garota tinha acordado e descrito o atacante, a policia não acreditou quando ela disse que o atacante não era humano, era uma criatura muito grande e que parecia uma aranha. Ela completou, dizendo que a criatura possuía um tipo de segunda cabeça no abdômen, uma cabeça que se assemelhava à de um cão, de orelhas baixas e olhos azuis...

Ouvi algo caindo atrás de mim, eu não conseguia me mover, não conseguia falar ou gritar, estava sem saída...

Naquele momento, percebi que o assassino já estava me observando o tempo todo...




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desculpem a demora galera, ficamos um pouco atolados com trabalho\estudos, mas agora as coisas já estão se normalizando!   :)