Na quarta e quinta série, eu costumava passar a noite na casa do meu amigo Tom quase todo fim de semana. Tom vivia em uma casa no campo. Ele dividia o quarto com seu irmão mais velho, Walter. Nós 3 ficavamos acordados até tarde contando histórias assustadoras.
A mais assustadora era uma história verdadeira. Aqui está como Walter contou:
“ Em 1920, esta casa pertencia a uma família diferente. O vizinho mais próximo era um moonshiner chamado Pete (uma bebida alcóolica ilegal). Pete morava em um barraco no fundo da floresta e estava sempre em conflito com a lei. Os pais advertiram os filhos para NUNCA ir perto da terra de Pete.
O menino dormia neste mesmo quarto. Uma noite ele acordou com o som de vidro quebrado em algum lugar dentro da casa. Vivendo tão perto de Pete, o menino era muito cauteloso. E, em vez de abrir a porta, ele trancou-a. Então pressionou o ouvido na porta e ouviu.
O menino ouviu passo tropeçando pelo corredor. O barulho das botas era pesado demais para ser seu pai. Ele quase podia sentir o cheiro da bebida através da porta do quarto. "Deixe-me entrar, garoto." Era Pete ... Mas o menino não iria abrir a porta. Superando o medo, ele gritou: "Não!"
Depois de um minuto, o menino pôde ouvir as botas pesadas de Pete desaparecendo pela casa. Em um quarto distante, ouviu seu pai gritas com ódio, para Pete. Mas os gritos de raiva logo se transformaram em gritos de agonia. Durante quase uma hora, os sons se estenderam enquanto seu pai gastava suas cordas vocais em agonia enquanto gritava. O menino pensou que os gritos de agonia eram a pior coisa que ele já tinha ouvido, até que foi substituído por algo pior... Silêncio.
Pele voltou para o quarto do menino, tropeçando enquanto andava lentamente com suas botas pesadas. Ele bateu na porta de carvalho maciço. "GAROTO! Abra essa porta, ou você vai se arrepender." O garoto podia sentir o cheiro através da porta. Mais uma vez ele disse: "Não!"
E então foi a vez de sua mãe. Seus berros e gritos duraram duas horas. Quando eles pararam, as botas pesadas tropeçaram de volta para a porta. O cheiro da bebida alcoólica era esmagadora. "Garoto ! Eu disse: 'Abra essa porta.' Esta é sua última chance. "O menino estava apavorado: "Por favor, não machuque a minha irmã!" Pete estava bêbado e se divertindo. Ele riu: "Então, abra a porta rapaz." Mas o garoto sabia que não devia. E assim ele passou as próximoa três horas ouvindo os gritos de sua irmã mais nova.
Quando a polícia chegou para investigar a casa dois dias depois, eles encontraram a mãe, pai e a irmã amarrados esticados em suas suas camas. Pete tinha feito um pequeno furo em cada um de seus abdômens e puxado as entranhas de suas barrigas centímetro por centímetro, até morrerem de dor.
Eles encontraram o menino desidratado, mas vivo. Ele ainda estava fechado neste mesmo quarto. Pressionado contra esta mesma porta. Ele estava completamente catatônico. Ele passou o resto de sua vida em um sanatório, ocasionalmente, murmurando "eu deveria ter aberto a porta? ... Deveria ter aberto a porta? ...."
Pete foi finalmente capturado e executado. Seu barraco foi demolido. Mas seu fantasma ainda assombra esta casa. Às vezes, podemos sentir um pouco do doce cheiro da bebida, de manhã, e uma dor em nossas barrigas. E quando sentimos, sabemos que Pete estava aqui durante a noite, tentando puxar nossas entranhas. “
Esta história realmente me assustou. Nota 10 de 10! Eu sempre insistia para que nós três dormíssemos com a porta do quarto trancada e as luzes acesas. A imaginação de uma criança é tão forte nessa idade! Eu morria de medo de qualquer barulho na casa antes de finalmente adormecer. Sempre que eu acordava no quarto, eu podia até mesmo sentir o aroma fraco, doce, da bebida de Pete. Para ser honesto, eu podia até sentir uma dor fraca na parte de baixo da minha barriga.
Sempre que eu falava com os dois irmãos sobre isso, eles iriam rir e entravam na brincadeira. "Sim, eu também sinto o cheiro", dizia Walter. "Eu também. E meu estômago dói!" Tom entrava na conversa, fingindo estar com medo. Eles se mudaram para Utah quando Tom e eu estávamos na quinta série. Não tenho falado com eles desde então.
Avancemos para esta manhã. Estou sentado no laboratório de química no campus. Enquanto eu e meus colegas estávamos preparando um experimento, um dos produtos químicos escapou, e senti um cheiro... familiar... Cheirava exatamente à bebida de Pete, do jeito que eu lembrava. É um aroma incrivelmente diferente, penetrante, quase doce - não exatamente como o álcool ou um verdadeiro "moonshine", mas similar.
Eu não tinha sentido o cheiro desde aquelas manhãs depois de dormir de novo com Tom e Walter. Este era exatamente o mesmo cheiro. Peguei o frasco e olhei para o rótulo: ". Éter etílico"... Era éter.
Eu fiquei olhando o laboratório, em transe. Congelado. Me lembrei de trancar a porta do quarto todas as noites.
Me lembrei de acordar com um leve cheiro de éter na minha boca.
Me lembrei da leve dor dentro de minhas entranhas todas as manhãs.
E eu percebi ... Não havia nenhum "Pete, o Moonshiner".
Eles tinham me estuprado....
26/04/2015
Sob o Jardim - Parte X(Final)
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Estava tudo uma bagunça.
A grama estava morrendo, coberta por caminhos
de gramado marrom, seco; as rosas estavam
murchas, suas pétalas apodrecidas pelas bordas, e as
raízes das flores estavam cobertas de manchas negras,
como se uma terrível doença tivesse atacado
cada uma das plantas pela noite.
“Isso não é possível! ” Frederick gritou como cambaleando como se
estivesse bêbado, em direção dos juízes, segurando
um deles pela gola da blusa e derramando um líquido detestável
em seu ombro.
“Quem fez isso! Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! Ciganos Bastardos e imundos!
“
Frederick espumou
pela boca, enquanto as caras dos três juízes se transformaram em puro medo e
aversão, assustados com a vista repugnante de um homem claramente desgastado
pela tal doença.
Descontando sua raiva nos juízes, ele os perseguiu no
seu jardim que se encontrava agora apodrecido e estragado. Se ele tivesse
força, ele iria simplesmente matar os três, mas a doença e a dor que estavam
nela, o forçou a procurar sua cama mais uma vez.
O doutor da cidade local, Dr. Miller, visitou Frederick
aquele dia, mas mesmo ele não pode dizer a natureza ou causa da doença.
A
condição de Frederick parecia estar completamente errática.
Um dia sua visão
iria voltar e ele apareceria tão jovem como sempre pareceu.
Os olhos dele iriam
se normalizar e ele estaria fora da cama, reduzido a ter a força física de um
homem doente devastado pela idade. Ainda recusava ir para o hospital,
aterrorizado pela possibilidade de a polícia encontrar evidências de que ele
matou a garota. (Dos dias em que ele lentamente substituía os papéis de parede
do banheiro, tirando o melhor que pode dos traços de sua vítima mais recente.)
Uma das vizinhas de Frederick, uma mulher com o nome de
O’Malley, observou para o Dr. Miller que a saúde de Frederick parecia
corresponder com o bizarro fenômeno que tomava conta do jardim dele.
Nos dias
que ele estivesse bem, o jardim iria retornar para sua forma gloriosa com um
gramado verde e um estande floral maravilhoso.
Ainda nos dias em que ele
estivesse doente, o jardim apodreceria.
Era como se os dois estivessem
conectados a um laço invisível.
Enquanto Dr. Miller não podia contar com as mudanças
noturnas bizarras no jardim de Frederick, ele com certeza considerou essa
observação como uma mera fofoca da cidade; supersticiosa até então.
Nos últimos dias da corte de juízes da Associação
Garden, Frederick ficou ainda mais doente.
O jardim murchava como sua saúde.
Como se os montes de grama morta virassem um acessório permanente em seu
gramado, também apareceram numerosas e dolorosas manchas gangrenosas por todo
seu corpo e face; enquanto as flores morriam, o cabelo de Frederick lentamente
ficava mais ralo e seus dentes começaram a cair e enquanto as manchas negras
tomavam conta de cada planta em seu Jardim, a força de Frederick o abandonou.
No dia em que o jardim temático de orquídeas da Patti
Rossier ganhou o prêmio de jardim do ano da cidade, Frederick estava deitado,
desamparado, desabilitado de mover-se de sua própria cama.
Frágil e desprovido
de sua força, que o permitiu matar tantas vítimas inocentes.
Cego, com seus olhos nublados e inúteis.
Enquanto a noite caia, algo se moveu na adega.
Primeiramente poderia ser um delírio, mas depois de um tempo Frederick soube da
verdade: Alguém estava ali embaixo.
Com cada pisada cambaleante, ele deitou
paralisado pela dor enquanto algo lentamente subia as escadas da adega.
Dessa
vez, ele não tinha esperança de ver o intruso.
Não importava que a casa estivesse
escura, o mundo de Frederick estava em uma permanente noite.
Enquanto o pé cambaleante fazia seu caminho com pisos
incertos da porta da adega para a beira de sua cama, ele tentava gritar, mas
nenhum som era produzido, nem qualquer misericórdia foi dada.
Foi o doutor da cidade quem encontrou Frederick, e o
que ele descobriu naquele dia era um mistério médico.
O jardim que ele tinha e
cuidava com tanto orgulho estava sobrecarregado por um fungo negro raro, que
sistematicamente matou cada lâmina de grama, cada flor, cada sinal de vida.
A
autópsia mostrou que o mesmo fungo, de algum modo, contaminou o corpo de
Frederick.
Foi constatado também que ele pegou o fungo enquanto cuidava de seu
jardim.
Isso o apodreceu por dentro, causando muito dano a seu sistema nervoso.
Uma lenta, dolorosa e terrível morte.
Seja lá como for, não foi a presença desse quadro em
seu cérebro que confundiu os doutores e também os médicos legistas.
Eram os
conteúdos de seu estômago que provocaram certo ultraje para o povo da cidade.
Dentro do estômago de Frederick, foi encontrado um dedo solitário, de uma
garota jovem que recentemente desapareceu, com uma aparência notável, exceto
por um incomum anel de ouro que ele usava em morte, assim como o fez em vida.
24/04/2015
O Acidente
Era uma da manhã e Nicholas Nakamura estava sentado em sua sala de estar, no escuro. Fazia mais de uma hora que ele não se movia. O acidente que aconteceu mais cedo naquela noite não parava de se repetir de novo e de novo em sua mente.
O sinal ficou vermelho, mas ele estava com pressa e acelerou. Um borrão laranja veio de seu lado direito, e em uma fração de segundo, houve um choque violento.
Em seguida, o ciclista girou no ar e caiu fora da vista, na calçada. Buzinas soaram com raiva e ele entrou em pânico, pisou no acelerador e fugiu para longe do caos dentro da escuridão, abalado e mantendo um olho retrovisor, até que ele chegou em casa.
"Por que você correu, seu idiota? "Ele nunca tinha cometido um crime antes deste e se puniu imaginando seus anos na prisão, sua carreira destruída, sua família despedaçada, e seu futuro acabado.
"Porque eu não vou pra polícia agora? Eu posso pagar um advogado".
Então, alguém bateu na porta da frente e de repente seu mundo desmoronou. "Eles me encontraram". Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser se entregar.
Fugir só iria piorar as coisas. Seu corpo tremia enquanto ele se levantava, foi até a porta e a abriu. Um policial estava ali, sob a luz da varanda.
"Senhor. Nakamura? ", Perguntou o oficial, sombrio. Ele soltou um suspiro derrotado.
"Sim... Só me deixa.. "
"Sinto muito, mas eu tenho uma má notícia. A bicicleta do seu filho foi atingida por um motorista esta noite. Ele morreu no local. Sinto muito pela sua perda. "
O sinal ficou vermelho, mas ele estava com pressa e acelerou. Um borrão laranja veio de seu lado direito, e em uma fração de segundo, houve um choque violento.
Em seguida, o ciclista girou no ar e caiu fora da vista, na calçada. Buzinas soaram com raiva e ele entrou em pânico, pisou no acelerador e fugiu para longe do caos dentro da escuridão, abalado e mantendo um olho retrovisor, até que ele chegou em casa.
"Por que você correu, seu idiota? "Ele nunca tinha cometido um crime antes deste e se puniu imaginando seus anos na prisão, sua carreira destruída, sua família despedaçada, e seu futuro acabado.
"Porque eu não vou pra polícia agora? Eu posso pagar um advogado".
Então, alguém bateu na porta da frente e de repente seu mundo desmoronou. "Eles me encontraram". Não havia nada que ele pudesse fazer, a não ser se entregar.
Fugir só iria piorar as coisas. Seu corpo tremia enquanto ele se levantava, foi até a porta e a abriu. Um policial estava ali, sob a luz da varanda.
"Senhor. Nakamura? ", Perguntou o oficial, sombrio. Ele soltou um suspiro derrotado.
"Sim... Só me deixa.. "
"Sinto muito, mas eu tenho uma má notícia. A bicicleta do seu filho foi atingida por um motorista esta noite. Ele morreu no local. Sinto muito pela sua perda. "
20/04/2015
Milhares
Você vai para a cama ás nove. Interessante, é um pouco cedo,
mas você não parece se importar. Você se mexe por alguns minutos, antes de
perceber...
Alguém está te observando, você tem certeza disso, e mesmo
depois de olhar ao redor e não encontrar nada, você ainda sente medo.
Mas você continua deitado, encarando o quarto, e algum tempo
depois, fecha os olhos na tentativa de dormir.
Não consegue.
Você ainda pode sentir algo encarando você.
Você puxa a coberta até a cabeça e o sentimento passa,
então, você relaxa e fecha os olhos novamente, mas assim que seus olhos se
fecham o sentimento retorna; você sente medo de mover a coberta e finalmente
encontrar o que teme.
Você está muito assustado, mas mesmo assim remove a coberta,
e enquanto você o faz, seu coração começa a acelerar. Você olha ao redor do
quarto, encontrando nada novamente.
O sentimento some de vez, e você mesmo se critica por estar
agindo como uma criança boba, e então, depois de um momento você vira para a
parede e dorme rapidamente.
Mas deixe-me perguntar uma coisa: Você sabe quantos lugares poderiam
ser feitos de esconderijo no seu quarto?
Eu sei. Milhares.
Luz
Eu até pediria pra você apagar todas as luzes da casa
enquanto lê isso, porque eu sei que não vai acontecer muita coisa.
Nós sempre encontramos conforto na luz, desde os tempos
primórdios os homens enxergavam luz e segurança como se fosse somente uma
coisa; naquela época eles usavam fogo, mas até hoje, a luz tem a habilidade de
fazer com que as coisas que você desconhece, apareçam.
A luz é essencial para a humanidade, não só a luz em si, que
você acende e usa no seu quarto, mas a luz como é imaginada pelos religiosos,
um lugar de paz, longe das trevas.
Com o tempo, nosso relacionamento com a luz mudou. Começamos
a manipular as fontes de energia, primeiro o fogo e depois com a eletricidade;
logo saberíamos como iluminar um cômodo todo com apenas um toque no interruptor,
mas, enquanto essas mudanças aconteciam, e a luz ficava cada vez mais fácil de
usar, ninguém questionou as consequências.
Sempre houve um balanceamento entre escuridão e luz (noite e
dia) e sempre foi complicado porque um nunca poderia tomar totalmente o outro...
Como pode agora.
O fogo, por exemplo... Quando uma fogueira é acesa a
escuridão pode desaparecer de alguns lugares, mas no fim, as chamas nunca
alcançam cantos e cômodos distantes, e essa fonte de luz permitia que horas
noturnas passassem calmamente.
No entanto, com a eletricidade, as horas noturnas não são
mais tão escuras. Em apenas um segundo, um local que se encontra escuro pode
ficar claro por completo.
Para a maioria dos predadores noturnos, isso é uma
inconveniência... Para outros é uma
oportunidade.
Aliás, é mais do que isso.
De vez em quando, você o
vê. Se você acendeu a luz em um cômodo completamente escuro, você
definitivamente já o viu. Por apenas um segundo, enquanto a luz começa a
iluminar o lugar, no canto dos seus olhos, enquanto você ainda está tentando se
acostumar com a luminosidade... Você o vê.
Grande, e esquisito, parecido com uma aranha gigante, parado
em (geralmente) algum canto.
E então, na velocidade de um piscar de olhos, ele some.
Acontece tão rápido que você acha que é um truque da luz, ou
a sombra de algum móvel.
No entanto, pode ficar calmo, assim que você perceber que
ele desapareceu... Você está a salvo.
Mas não se deixe enganar pela timidez, não é a luz que o
assusta, e sim o medo de ser visto, afinal, é na luz que ele ganha forma.
Ele é de certa maneira, protegido pela escuridão; Enquanto
está escuro, ele pode fazer com que os pêlos do seu pescoço se arrepiem ou te
dar a sensação de estar sendo observado, mas quando a luz está acesa ele não
pode agir, porque é somente com a luz que sua forma aparece.
Claro que... Na maioria das vezes, quando você acende a luz,
você não o vê, e por mais que isso pareça estranho, quando você não consegue
enxergá-lo, é quando você mais está em perigo.
A razão para isso, é que, se você o vê, ele some rapidamente, mas mesmo assim você sabe que o viu. E quando você
não o enxerga, ele não vai fugir, afinal, seu medo é ser notado; se você acender a luz (especialmente nas
madrugadas ou perto do amanhecer) e não vê-lo escapando pelo canto de alguma
parede, é uma oportunidade perdida, e ele ainda vai estar lá.
Por exemplo, você está em casa, apenas mais uma noite
rotineira, lendo histórias de terror antes de ir dormir... Ele está
silenciosamente te esperando acender a luz só para se esconder, mas dessa vez
pode ser que ele não seja tão inofensivo.
Bom... Agora pode ligar a luz.
19/04/2015
Sob o Jardim - Parte IX
Clique aqui para ler a Parte VIII
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Frederick correu para a gaveta da mesinha e viu que ela havia sido forçada. Respirando fundo novamente, ele olhou para dentro dela e percebeu imediatamente que o dedo havia desaparecido. Um milhão de pensamentos passaram pela mente pervertida dele; por quê pegaram esse dedo? Ele seria chantageado? Alguém iria brincar com ele antes de deixar as famílias de suas vítimas avisadas?
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Frederick correu para a gaveta da mesinha e viu que ela havia sido forçada. Respirando fundo novamente, ele olhou para dentro dela e percebeu imediatamente que o dedo havia desaparecido. Um milhão de pensamentos passaram pela mente pervertida dele; por quê pegaram esse dedo? Ele seria chantageado? Alguém iria brincar com ele antes de deixar as famílias de suas vítimas avisadas?
Ele deveria esperar batidas na
porta a qualquer momento.
Coincidências podem
ser extremamente estressantes. Apenas como se o pensamento em sua mente era
realidade, a porta da frente foi sem dúvidas batida várias vezes por outro
visitante indesejado.
Frederick desceu as escadas como um homem enlouquecido,
agarrando o facão de açougueiro pronto para fazer outra vítima em seu estado de
fúria.
Correndo direto para a porta, ele escondeu a faca, daquela
preciosa vida, logo em suas costas. E abriu a porta. Parados ali estavam três
rostos familiares.
Os rostos dos juízes do comitê da Associação Garden. Eles
estavam ali para julgar seu jardim; no qual ele esteve trabalhando o ano todo
para produzir, em sua opinião, o melhor estande de todos.
Os juízes estavam obviamente chocados com a aparência
de Frederick (especialmente pelo seu olho branco esfumaçado) e enquanto ele
começou com suas tentativas usuais de manipulação e persuasão dizendo que tudo
estava bem, as ondas de náusea voltaram junto com uma lancinante dor no seu
olho direito.
Ele tinha que voltar para a cama imediatamente.
Os juízes estavam com certeza mais que ansiosos para
avaliar o jardim de Frederick sem sua presença e entenderam completamente que
ele necessitava de descanso, dado a entender devido sua terrível aparência. Frederick
mostrou um sorriso patético e ao fechar a porta, cambaleou para o seu quarto,
não antes de abrir a janela para o permitir ouvir as opiniões dos juízes.
O pensamento de chamar um médico entrou em sua mente
mais uma vez, mas ele apenas iria fazer isso quando seu lindo jardim fosse
julgado.
Nada poderia arruinar isso.
Seus membros começaram a se sentir pesados e a dor em
seu olho direito estava mais que insuportável. Deitado em sua cama, novamente
inutilizado, ouvindo intencionalmente o que o comitê dos juízes havia a dizer.
Esperando uma avaliação brilhante e espetacular.
Algo estava errado.
Enquanto os juízes entraram pelo jardim frontal,
Frederick caiu em horror enquanto eles pareciam não estar impressionados pelo
seu esforço do ano. Um juiz exclamou “muito horrível” enquanto outro descreveu
como “bagunça total”.
Frederick não estava entendendo isso. Como ousaram
questionar o seu estande!
Com toda sua fúria, ele se empurrou para fora da
cama, cambaleando em agonia para o hall e então fora da porta. A luz do
sol feriu seu olho, e a dor pareceu crescer com intensidade
enquanto ele passava pelo lado da casa e fora para o seu jardim
frontal.
O que ele viu o enojou.
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Continua...
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Continua...
Meus pais me Amavam...
Eu era um dos sete filhos e eu tenho que dizer que meus pais não eram muito inteligentes, tentando nos criar com o salário de um único professor substituto. Mas eles nos amavam muito. Eu sei, porque eles falavam isso muito. Eles falavam tanto que poderia ser um tipo pontuação a tudo que falaram.
Nos nossos aniversários,minha mãe e meu pai nos reuniam e contavam a história de como nós viramos uma família, com os filhos mais velhos que tinha ouvido um milhão de vezes, revirando os olhos.
"Você veio para o nossa família chorando e coberto com o sangue da sua mãe. E como chorou, você tem um grande par de pulmões!"
Esse tipo de coisa.
Nós não tínhamos muito e o que tínhamos, era compartilhado, e as roupas de segunda mão que foram usados até que eles viraram pedaços que foram então usados ??como trapos. Nada era desperdiçado. Nós mudamos muito, também. Quando fiquei mais velho eu somei dois mais dois e percebi que as mudanças eram porque nós tínhamos que sair da cidade antes que os proprietários furiosos viessem atrás de nós cobrar o aluguel.
Então, sim, as coisas estavam apertadas, mas nós também. Minha irmã mais velha falava comigo todos os dias por telefone mesmo quando ela foi para a faculdade. Meus irmãos estavam sempre lá para mim quando as crianças do bairro me provocavam. Essas crianças eram más da maneira que apenas crianças podem ser. Muito disso tem a ver com os boatos que nós éramos todos filhos bastardos de vário casos que minha mãe tinha tido. Eu acho que eu posso entender por que eles poderiam pensar isso; olhando bem nós realmente não parecíamos nada um com o outro. Mas meus pais estavam loucamente apaixonados, e eu sabia que eles nunca sequer pensaram em traições.
Havia apenas mais um filho depois de mim. Mamãe não deixou transparecer que iríamos ter outro irmão até a hora chegar. Queria ter certeza sobre isso, eu acho. Fiquei surpreso que eles estavam tendo outro - eu era um pré-adolescente na época e pensei que eu ia ser o bebê da família para sempre. O pobre garoto ia ter a mesma idade de minha sobrinha, já minha irmã teve seu primeiro bebê quando a mãe fez o anúncio.
Um mês de espera, reclamações sobre berços e nomes do bebê. Então meus pais foram embora por alguns dias e, quando voltaram, eu tinha um irmão mais novo.
Quando eu coloquei meus olhos sobre ele, tive um mau pressentimento na boca do estômago. Eu sabia como os recém-nascidos saudáveis eram, pelas fotos de bebê da minha irmã. Meu novo irmão não se parecia com um recém-nascido saudável.
Se eu soubesse o que eu sei que agora, eu teria dito a alguém. Serviço para crianças, um professor talvez. Mas eu estava alegre, ignorante, e eu não fiz nada.
Eu tentei tratar meu irmãozinho como um membro da família, eu realmente tentei. Mas eu acho que foi um alívio para todos quando eu me mudei, alguns anos mais tarde. Muita tensão.
Cinco semanas antes de me formar, recebi o telefonema. “Venha para casa rápido. A mãe tem câncer”. Larguei tudo para ficar com ela. Você não faria o mesmo?
Minha irmã virou médica, eu falei isso? Ela basicamente se mudou para cara, e virou enfermeira em tempo integral da mãe. Pela expressão dos lábios franzidos que ela me deu quando ela me cumprimentou, eu soube que era ruim. Mamãe manteve a cabeça para cima, mas depois de alguns meses, ela se foi. Lembro-me de minha irmã ficar até muito tarde, lendo a informação médica da mãe e resmungando sobre como impossível tudo era. Eu não entendia então, mas entendo agora.
Logo após o funeral meu pai pegou seus remédios, foi para o banheiro e foi se juntar com a sua amada. Ele nos deixou uma carta, maldito. Depois que a polícia e a ambulância terem ido embora, eu vi meu irmão mais velho ler a carta antes a atirar na lareira. Ele disse que não precisávamos saber por que o pai fez o que fez. Que todos nós tínhamos que saber o quanto ele amava nossa família e nossa mãe. Ele olhou diretamente para a minha irmã quando ele disse isso.
A sensação de mal estar que senti, se acumulou por oito anos. Mais tarde, quando eu busquei os registros médicos de minha mãe, eu finalmente entendi esse sentimento.
Minha mãe tinha um histórico de câncer de ovário em sua família. Merda, minha mãe tinha um péssimo histórico médico. O que deve ter sido mais devastador para ela foi a infertilidade . Não depois do meu irmão mais novo, oh não. Foi dois anos antes da minha irmã mais velha. Ela sempre me disse que queria uma família grande.
O trabalho “comum” que meu pai trabalhava. As mudanças constantes. O jeito como todos nós parecíamos diferentes. As gravidezes não anunciadas antes do tempo. As histórias de aniversário. O suicídio. A maneira como meu irmãozinho parecia no dia em que meus pais o levaram para casa. Não era como um recém-nascido real. Como um recém-nascido da TV. Como um bebê com dois ou três meses de idade.
E, finalmente, o fato que eu procurei mais tarde, depois que ter ficado completamente bêbado: A série de assassinatos que seguiram a trilha de minha família esse tempo todo.
Viemos todos para a família chorando e cobertos com o sangue das nossas mães. Mas não com o sangue da mulher que nos criou.
13/04/2015
[PÓ-PÓ-PODCAST] Episódio 3: Coisas Bizarras (ft. Core das Antigas, Montanha & Canal do Bolacha)
Fala, meus queridos! Hoje, trago pra vocês o terceiro episódio da série que eu e o Montanha (Mont Designer) tivemos a ideia de tentar. Se trata do "Pó-Pó-Podcast (nome provisório lol)", uma série onde juntamos uma galera pra falarmos sobre diversos assuntos fodas, e nessa semana, vamos falar um pouco sobre coisas bizarras e engraçadas que aconteceram em nossas vidas (em especial, nos nossos dias de escola).
Nesta semana, os participantes foram: Gabriel (Eu mesmo), Mauricio (Toguro), Matheus (Montanha), Caio (Canal do Bolacha), e nosso queridíssimo convidado especial, Henrique (Core das Antigas).
A cada episódio que fizermos e assunto que abordarmos, convidaremos alguns youtubers pra participarem e trocar uma ideia conosco, e o Montanha ficará a cargo da edição foda do áudio \o/ Esperamos que gostem, e se tiverem mais algumas idéias (assunto, áudio, etc), deixem ai nos comentários! É nóis \o/
Nesta semana, os participantes foram: Gabriel (Eu mesmo), Mauricio (Toguro), Matheus (Montanha), Caio (Canal do Bolacha), e nosso queridíssimo convidado especial, Henrique (Core das Antigas).
A cada episódio que fizermos e assunto que abordarmos, convidaremos alguns youtubers pra participarem e trocar uma ideia conosco, e o Montanha ficará a cargo da edição foda do áudio \o/ Esperamos que gostem, e se tiverem mais algumas idéias (assunto, áudio, etc), deixem ai nos comentários! É nóis \o/
12/04/2015
Sob o Jardim - Parte VIII
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Sim, era isso. Uma enxaqueca. Dolorido e doente como estava,
Frederick sabia que ele tinha que esperar passar. Percebeu-se que ele deveria
estar melhor o suficiente para chamar o doutor na manhã, mas então ele cogitou
a ideia de haver alguém na casa enquanto haviam evidencias de suas dúvidas que
ainda duravam.
Seria muito arriscado.
Outro Rangido, mas dessa vez acompanhado por um barulho
subsequente; algo familiar, um barulho no qual o Frederick havia ouvido em
numerosas ocasiões, mas não em nesse contexto. Era rítmico, ainda sutil e
ocasionalmente seguido por outro rangido nos tacos do chão. Dois sons que
pareciam preencher a escuridão.
Então ele percebeu.
O rangido era a mudança de peso, os acompanhantes do barulho
eram o arrastar de pés descalços no carpete e no chão duro. Pesados, pisoes
arrastados eram como se fossem as ações de um bêbado ou sonâmbulo.
Frederick estava deitado ali, inútil. Se houvesse um intruso
na casa dele, era o mínimo que ele podia fazer, ele apenas esperava que fosse
tudo coisa de sua cabeça. O mínimo que ele poderia fazer era levantar sua
cabeça levemente e espionar a porta aberta em seu quarto, que dava em um
corredor.
O barulho de arrastões continuou lentamente, isso certamente
soava muito real, mas felizmente na escuridão ele podia ver nada. Com certeza!
Não havia uma única luz na casa. Não havia jeito de um intruso ver algo sem uma
lanterna e se ele tivesse uma, Frederick veria ele se iluminando no corredor.
Frederick deixou escapulir um suspiro de alívio.
Ele tinha guardado, o medo de que alguém ligado à uma de
suas vítimas estivesse procurando vingança. Em diversas ocasiões, ele havia se
deslocado para investigar uma batida ou um rangido na casa, apenas para
perceber que cada um deles era um mero som de uma normal, vazia casa à noite.
Ele estava certo de que sua doença era uma mera agravação de sua insegurança.
Enquanto admirava isso, Frederick ficou ciente de que as
batidas balançantes haviam cessado. Percebeu que ele estava melhorando. Sim,
ele não estava se sentindo nauseoso como ele estava antes, mas ale ainda se
sentia muito esgotado para se mover.
Uma boa noite de sono seria uma boa pedida.
Deitado, a mente dele começou a juntar as peças do horror da
situação. Uma luzinha passou pelas persianas,
luzes da rua, que lentamente deixaram o cérebro de Frederick revirado, agora
fazendo sentido com as sombras e escuridão que estavam por vir.
Havia sim uma razão para as pegadas haverem parado. No
corredor, no breu da noite, alguém ficou sem se mover, encarando Frederick
deitado, inutilizado em sua cama. Ele tentou um suspiro de horror, mas sua voz
o abandonou, sua boa estava seca e o coração batia com notoriedade.
Ele nem mesmo pode decifrar a figura nas paredes, nem mesmo
pode dizer se era um homem ou uma mulher. Uma coisa ele sabia ele sabia com
toda certeza: Isso estava o observando.
Os olhos da pessoa estavam quase visíveis, foscos mas
aterrorizantemente presentes; um olhar frio contínuo. Ele percebeu que o
intruso iria atacar a qualquer momento, bufando contra ele, mas enquanto os
minutos passavam, aquilo simplesmente continuava ali, no escuro.
De repente, aquela coisa fez um sutil ruído, porém audível.
Nem mesmo uma palavra mas era como se isso estivesse tentando dizer algo. Então
a coisa se virou lentamente e cambaleou escada a baixo, rumo à adega.
Ele ficou deitado por mais ou menos uma hora, olhando o
corredor, esperando o seu convidado voltar para cima e acabar com ele, mas nada
foi ouvido, nem um som produzido ou suspiro dado. Era como se a figura tivesse
feito sua casa na frieza úmida da adega.
A dor agonizante voltou no olho esquerdo de Frederick. Tão esmagadora
quanto era, que o fez levantar e ganhar sua força novamente, para esperar que
seu visitante cambaleante, estranho voltasse para as entranhas da casa, ele não
pode resistir à fraqueza do seu corpo; ele desmaiou.
No dia seguinte, Frederick acordou. A náusea doentia em seu
estômago e a dor em seu olho esquerdo havia desaparecido, e parecia que ele
havia recuperado um pouco mais de sua força – apesar de um distante sentimento
se manter ainda dentro dele.
Uma nuvem enevoada das suas memórias da última noite veio à
tona e enquanto a dor havia passado, as repercussões de sua doença ainda não:
Ele estava cego do olho esquerdo. Contemplando-se no espelho do banheiro,
Frederick era apresentado à si mesmo, com um suspiro aterrorizante. Seu olho
esquerdo estava esbranquiçado, como se a cor tivesse sido completamente removida
e sua face houvesse sido notavelmente abatida. Olhando para si mesmo, como se
ele tivesse envelhecido dez ou quinze anos pela noite.
Em pânico, ele precisava de ir ver um médico o mais cedo
possível, e sela lá como fosse, ele deveria usar uma gaveta para colocar o dedo
da garota que estava ainda trancado numa outra gaveta na adega.
Com certeza, a adega.
A memória da figura cambaleante no corredor voltou, e
Frederick se encontrou relutante para ir para o andar de baixo. E se aquela
coisa ainda estivesse ali? Esperando. Esperando por ele?
Após tomar um banho e se vestir (claro que com algumas dificuldades,
de se acostumar com a perda da vista de um olho) ele ficou ciente das marcas no
chão.
Marcas inequívocas de terra,
arrastadas pelo carpete e chão. Agora ele sabia, que a última noite não foi uma
alucinação; Alguém havia entrado em sua casa. Alguém havia o assistido, deitado
em doença por alguma razão desconhecida, e então se escondera na adega.
Será que ele havia sido envenenado? Aquilo explicaria tudo.
Ele deveria mostrar para seja lá quem fosse que estivesse lá em baixo, que ele
não era um homem de brincadeiras; mesmo com um olho só ele era mais perigoso
que qualquer um.
Ficando no topo das escadas da adega, Frederick segurava uma
grande faca de cozinha em uma mão e uma tocha de prata metálica na outra. Ele
não era acostumado a sentir medo – outra coisa era o medo de ser pego – mas Frederick
estava cheio de apreensão. Não só para o que o esperava abaixo, mas também para
o que ele iria espreitar.
Que tipo de doença ou veneno seria esse?
Respirando bem fundo, ele lentamente desceu as escadas, a
luz da lanterna iluminando o chão de pedra e as paredes com tijolos acinzentados.
A adega era o único lugar que poderia ser considerado bagunçado na casa de
Frederick, com peças não usadas de móveis desarrumados e espalhados em volta do grande chão espaçoso.
Isso era combinado com as pilhas de lixo e papéis que faziam dali o lugar
perfeito para um macabro jogo de esconde-esconde.
Frederick não estava satisfeito.
Após 15 minutos de difícil
exploração, ele estava finalmente satisfeito
que o intruso deva ter deixado o lugar após
passar por lá. Escumar os conteúdos da adega uma última vez com a luz circular
amarela emanando de sua tocha, duas marcas no chão, soaram como não
familiares para ele. Aproximando-se delas, rapidamente, ficou claro o que elas
eram; duas pegadas enlameadas paradas em
frente a uma velha e ornamentada mesa; a mesma mesa que continha o dedo
apodrecido da garota
cigana.
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Continua...
Sob o Jardim - Parte VII
Clique aqui para ler a Parte VI
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Para piorar os problemas, faltavam apenas poucos dias antes dos dois juízes chegarem, enviados pela Associação Garden, que poderia vir para avaliar o seu display, e era exatamente o que o Frederick não precisava.
Ele tinha que ganhar aquele prêmio!
O dedo estava numa gaveta trancada, na adega. Logo quando a polícia tinha saído, Frederick correu pelas escadas, abrindo a gaveta e acariciando agora o dedo pálido, enrolado naquela lasca de ouro.
Segurando o dedo em sua mão, Frederick estava surpreso pela mudança em sua aparência. Ele sabia que o corpo humano passa por uma série de mudanças enquanto apodrecia, mas era sinistro; o dedo agora parecia ser de uma mulher velha. Além do mais, o anel que teimosamente se agarrou à mão (sua antiga proprietária) agora se soltou com facilidade.
Segurando em suas mãos, persuadido pelo pensamento no valor emocional para a garota, Frederick sabia além de todas as dúvidas, que ele precisava manter o anel. A casa era muito perigosa para esconder o anel, mas percebeu, apenas percebeu que enterrá-lo no jardim iria providenciar obscuridade suficiente por enquanto.
Sim! Quão agradável era pensar em seu lindo jardim, nas rosas, nos cravos, no vibrante gramado verde, sendo novamente indicado pela associação como o melhor da cidade inteira e servindo o tempo todo como moradia daquela relíquia, a mais recente conquista de Frederick.
Passeando pelo jardim, com a espátula na mão, ele respirou os aromas e prazeres entorno da sua tomada de decisão, refletindo esconder o anel entre as rosas dele. Luxuosas e vermelhas, parecia o lugar perfeito para fazer isso.
Cavando um buraco pequeno entre dois ramos, Frederick colocou o anel na terra antes de voltar para casa.
Ele havia a intenção de descartar o dedo da garota imediatamente, mas prestes a fazer o caminho para casa, Frederick sentiu uma sensação completamente desagradável. Andando pelo seu corredor, um sentimento distinto de náusea começou a impregnar seus sentidos.
Com cada passo em sua casa, o desconforto incrementou-se na intensidade, e antes do Frederick saber o que estava acontecendo com ele, ele desmaiou em sua cama, preenchido pela doença e uma dor fervente em seu olho esquerdo.
A escuridão caiu, e a doença do Frederick era agora tomado por um sentimento cercado de fraqueza.
A noite crescia pesado e apesar dele ter acordado várias vezes, ele estava impossibilitado de deixar a cama. Ele passou ali o breu da noite, paralisado pela doença. Era como se os membros dele fossem feitos de chumbo e como se ele não possuísse força suficiente para os levantar.
Adormecendo e sem consciência, Frederick começou a ponderar o pensamento aterrorizante de que ele pudesse estar morrendo. Enquanto ele descansava ali contemplando a ideia indesejável, um som veio de algum lugar na casa, tomando sua atenção.
Um rangido, com certeza um rangido nos tacos do chão. Frederick rapidamente concluiu que ele estava delirando e que o som que encontrava seu caminho pela escuridão, era de fato uma alucinação.
Era isso certamente. Talvez uma intoxicação alimentar ou talvez uma enxaqueca espontânea.
Sim, ele havia ouvido de um garoto no seu tempo de escola, que os doutores “acreditaram” que estava morrendo, apenas para ele se recuperar em questão de dias. Os doutores estavam convencidos de que havia sido uma enxaqueca aguda espontânea, e que o seu corpo havia entrado em choque devido a dor, parcialmente desligado.
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Continua...
08/04/2015
Estive no inferno
Após usar um alicate para abrir a grade, entrei lentamente no local. Várias pessoas se encontravam diante de mim. Usavam as mesmas roupas, e estavam bastante desnutridos, ao ponto de tornar-se possível ver seus ossos sob a pele. Um homem que não aparentava ter mais de vinte anos, arrastou-se em minha direção, parou em minha frente, e me abraçou – ele estava chorando. Eu não soube o que fazer. Ele repetia, “Está tudo bem.” Após uns dois minutos, ele afastou-se chorando. Continuei seguindo para uma construção subterrânea. Abri a porta e imediatamente tapei minha boca e nariz após sentir o terrível fedor que impregnava o local. Liguei minha lanterna e vi as pessoas que estavam ali dentro, todas também desnutridas.
Saí da construção, e vi o mesmo homem que havia me abraçado. Ele estava carregando o pai, ou talvez o avô, que aparentava estar pior que as outras pessoas que eu já tinha visto. Mais pessoas saiam do subterrâneo. Outras tantas estavam empilhadas pelo local, mortas. Esse inferno era contornado por uma cerca de arame farpado. Vi uma senhora com um grande buraco de bala na nuca, e também percebi que os corpos possuíam marcas em seus braços. Esse lugar é o inferno. Roupas com listas brancas e azuis, era tudo que usavam.
Logo ouvi uma voz, gritando distante. Virei-me para ouvir melhor, “Tranque logo essas pessoas, temos que mantê-las presas,” disse um homem de uniforme verde.
“Sim senhor!” respondi imediatamente.
Saí da construção, e vi o mesmo homem que havia me abraçado. Ele estava carregando o pai, ou talvez o avô, que aparentava estar pior que as outras pessoas que eu já tinha visto. Mais pessoas saiam do subterrâneo. Outras tantas estavam empilhadas pelo local, mortas. Esse inferno era contornado por uma cerca de arame farpado. Vi uma senhora com um grande buraco de bala na nuca, e também percebi que os corpos possuíam marcas em seus braços. Esse lugar é o inferno. Roupas com listas brancas e azuis, era tudo que usavam.
Logo ouvi uma voz, gritando distante. Virei-me para ouvir melhor, “Tranque logo essas pessoas, temos que mantê-las presas,” disse um homem de uniforme verde.
“Sim senhor!” respondi imediatamente.
06/04/2015
O Cinegrafista
Nós três sentíamos que o paranormal era uma coisa que estava
além. Gostamos de nos ver como pessoas inteligentes, e quando entravamos em
discussões sobre o assunto, nos sentíamos invencíveis.
Recentemente, Martin insistiu que deveríamos fuçar o
notebook do irmão obeso dele, cheios de documentos e pastas ocultas (e quando
ele prometeu algo relacionado á “melhor baseado”), nós três resolvemos nos
encontrar com ele no porão da casa de Jon.
Depois de algumas tragadas nós tentamos nos focar no monitor
do notebook, clicando em coisas nomeadas de “Demônios”, “Rituais”, “Como fazer
rituais”, “Pragas” e “Sonhar acordado”.
Cada pasta era lotada de fotos de figuras pálidas com caras
borradas e triangulares e dedos parecidos com asas. Havia também alguns textos
e comentários, alguns continham outro tipo de linguagem e símbolos, incluindo símbolos
usados em rituais de sacrifício.
Aquilo era bem interessante para três adolescentes
chapados.
Nós achamos alguns projetos em uma das pastas, nomeada de
“Evocação”; tinha um monte de figuras nela, e diagramas, que diziam chamar
coisas diretamente do inferno, ou outras dimensões.
Pelo menos foi isso que eu deduzi quando li “outros”.
Depois de vários minutos rindo nós decidimos escolher um
deles e tentar fazer.
O diagrama não exigia muitas coisas; precisaríamos apenas de
incensos e algumas palavras ditas, todas em uma linguagem que nenhum de nós
havia escutado antes. A entidade que o diagrama descrevia na imagem vivia “sob
a parede” (o que não foi muito fácil de ler, pois havia rabiscos vermelhos na
foto, e por cima das letras).
Tinha uma explicação de como lidar com a entidade, seus
poderes, e algumas histórias sobre as vidas que ela já havia destruído
(incluindo uma bem assustadora sobre uma menina que foi encontrada com os
órgãos retirados, e outra sobre figuras sem olhos vagando pelo lugar da
evocação). A coisa era curiosa, mas impaciente. Gostava de stalkear humanos,
analisar, tudo isso antes de ficar mais maliciosa e começar a realmente nos
perseguir, experimentar conosco, e até mesmo nos influenciar a fazer coisas para
saber aonde chegaríamos.
Nós preparamos tudo e Jon se voluntariou pra ler as
palavras, e deixe-me dizer, assistir Jon enquanto ele dizia aquela linguagem
estranha foi o ponto alto da noite até o momento. Nós rimos durante todo o
processo; Jon tropeçava nas palavras e outras foram completamente ignoradas por
causa da risada do mesmo. Até quando o Martin ficou pedindo para que nós
ficássemos quietos, as palavras de Jon nos fariam rir de novo.
Foi nesse momento que decidi pegar minha câmera; era uma
tradição nossa filmar as sessões do porão, (e quem sabe um dia Jon pudesse
concorrer ao Oscar).
Nós meio que ignoramos o notebook assim que comecei a
filmar; estávamos ficando entediados e Jon não conseguia pronunciar mais
nenhuma palavra. Eventualmente, nós começamos a filmar as paredes e ao redor do
porão, falando com a entidade diretamente, meio que fazendo aquela rotação que
tinha no The 70’s Show, sabe?
Nós dizíamos algo “inteligente”, “relevante”, ou “engraçado”
e então passaríamos a câmera para o próximo. Era interessante documentar as
coisas desse jeito, e as risadas no dia seguinte já estariam garantidas...
A noite passou rápido demais depois disso. Eu me lembro de ligar
a TV e em algum momento Martin e eu pegamos o notebook e subimos a escada
novamente, nem percebemos quando Jon dormiu no sofá...
Na manhã seguinte achei meu celular cheio de ligações e
mensagens, todas de Jon. A maioria delas dizia “Traz sua bunda pra cá agora,” e
as mensagens de voz, que eu não esperava que fossem diferentes, foram. Uma
grande parte estava interrompida ou com chiado, e se por algum momento pensei
que ele estivesse chapado, não pensava mais.
Ele dizia: “achei lá embaixo... diversão, você sabe, era pra
ser... eu só achei que... eu achei... na câmera... para ver... você precisa
ver... era pra ser engraçado... apenas aqui... venha aqui...” Ele soava
estranho, praticamente sem vida e fraco, e isso foi algo que fez com que eu me
alarmasse.
Então fui atrás do Martin, que também havia recebido várias
mensagens de Jon e depois de algum tempo, resolvemos ir até a casa dele.
Nós o encontramos no andar de cima, na sala de TV. Eu
esqueci minha câmera lá e ele resolveu olhar o que nós tínhamos gravado,
pausando e vendo novamente, parando aqui e ali para olhar mais atentamente.
Martin e eu entramos no quarto e sentamos próximo a ele no sofá, não queríamos
interromper.
A filmagem estava aberta em uma parte que eu lembrava
perfeitamente, e eu assisti enquanto Jon falava as palavras do ritual. Vindo da
boca dele, elas pareciam completamente falsas e inventadas, como poemas de outros
países. No vídeo, nós estávamos rindo e os sons das nossas risadas abafadas enchiam
o quarto. Eu olhei para Martin e depois para Jon.
O quão chapado Jon estava e o quão risonho Martin estava...
A sensação de que eu estava vendo algo que não lembrava de ter gravado me
atingiu, e me fez pensar que isso era provavelmente algo perdido de ontem á
noite.
Eu finalmente perguntei á Jon o que havia acontecido, por
que ele havia nos ligado, e quis saber o motivo pelo qual ele parecia tão
cansado, e ele me deu uma resposta fria: “Continue assistindo”.
E nós continuamos.
A noite se passava na TV, fazendo-me lembrar de coisas que
eu havia esquecido mesmo depois de tão pouco tempo. Chegou um momento em que
começamos a falar com a câmera e passar para o próximo, Jon nos encarava como
se estivesse pronto para nos estapear a qualquer momento, então, eu não me
atrevi a tirar os olhos da TV ou perguntar o que nós estávamos procurando.
Finalmente, no vídeo, o momento de passar a câmera se foi e
outro começou, e foi aí que Jon deu pause.
“Viu? Viu? E aí?” Jon disse, alternando o olhar entre mim e
Martin, quase acusadamente enquanto nós dois encarávamos a TV.
Por um momento olhei para Martin e ele fez que “não” com a
cabeça, na TV, nós estávamos todos sentados no sofá de Jon, ouvindo música alta
e balançando as cabeças loucamente, obviamente chapados e ignorando a câmera.
Eu encarei a imagem por alguns segundos sem entender, mas
quando percebi, me atingiu como um trem. Eu soube o porquê de Jon ter nos
chamado, e me fez ficar enjoado.
Jon disse antes que eu pudesse falar algo: “Quem diabos está
segurando a câmera?”
05/04/2015
Sob o Jardim - Parte VI
________
Frederick estava aterrorizado.
Então, como se
fosse um farol de esperança, seu
carro apareceu, apesar de parecer estar no meio do mato. Fazendo seu caminho em
direção ao carro, o barulho e a luz atrás dele pareciam segui-lo, mas sua leve
mudança de direção o providenciou algum tempo.
Após passar pela fileira de árvores,
finalmente Frederick havia chegado no carro. Enquanto destrancava a porta, ele
se atrapalhou com as chaves, que caíram no banco do motorista. A luz agora estava na
estrada e ele freneticamente se jogou para fora para
pegar a caixa que ele deixou do lado de fora.
Ele teve um vislumbre do que vinha em frente. Parecia como pontos de luz das quais você espera
vir da frente de um caminhão, mas uma forma por trás da luz se contorcia e
movia anormalmente. Algo motivado, algo com forma, mas certamente não tinha
feitos humanos.
Seus grunhidos ecoaram pelas árvores, de
um jeito no qual Frederick sabia: Essa coisa estava o caçando.
Arremessando a caixa no banco de trás,
ele encaixou a chave com força na ignição e começou a dar ré o mais rápido possível pela ladeira. O carro se
desviou e derrapou no lodo, enquanto descia colina abaixo, muitas vezes quase
saindo da estrada e caindo em uma das muitas valas.
Se isso acontecesse, seja lá o que
aquilo fosse, estaria em cima dele.
A luz agora estava a apenas poucos
metros e enquanto ela se aproximava, Frederick pôde sentir um calor intenso
vindo dela. O barulho, agora confirmado não ser de um motor de carro, era um
ensurdecedor som de fúria e ódio, de metal sobre metal ou unhas sobre a lousa.
Enquanto o furor crescia e a luz se intensificava para um estado de cegueira,
Frederick começou a chorar, chorar como um bebezinho.
Mas ela já havia escapado.
O carro girou até chegar na estrada,
pois, quando ele entrou, ele pisou fundo no acelerador, indo em direção à
cidade o mais rápido que ele podia.
Quase delirado com o medo, Frederick
correu para casa. Ele não ligava sobre dar atenção para si mesmo, ele só queria
estar seguro em seu próprio lar, em seu próprio mundinho. E ele já estava lá.
Uma vez que ele arrumou um drink para si
mesmo, e depois de se alto perseguir, negando a existência da luz sobrenatural
no meio do mato, a sala de estar, o corredor e o banheiro trouxeram um nível de
sobriedade para sua mente. Nas próximas três horas, enquanto ela alvejava o
banheiro e esfregava os tapetes nas salas referidas, Frederick se tocou de que
era um encontro estranho que foi inteiramente devido ao estresse da situação.
Era isso; estresse. Puro e simples
estresse. Ele amaldiçoou o momento que ele passou os olhos na garota, mas
enquanto condenava a existência dela em tom baixo, ele se confortou sabendo que
ao menos ele possuía o anel.
Aquele anel que ela amava, tomado à
força. Amado por seu assassino. Por alguma razão o anel o mostrou isso. Ele
demonstrou grande prazer em saber que ele não tinha apenas brutalmente
assassinado uma garota cigana (um grupo de pessoas que ele tinha grande
desdém), mas ele possuía algo que significava uma grande coisa para ela e
possivelmente para família dela, e isso o fazia muito feliz.
Ele apenas desejou que pudesse estar lá
quando os pais dela ficassem sabendo que ela estava morta. Para ver suas caras;
para Frederick isso seria o êxtase.
Com esse pensamento em mente, ele dormiu
muito bem naquela noite.
No dia seguinte, apesar de tudo, os
maiores medos de Frederick se tornaram reais. Naquela tarde, outra indesejada e
inesperada batida em sua porta: Era a polícia. Eles estavam fazendo uma
pesquisa interrogatória, perguntando se alguém já havia encontrado a garota,
que foi vista pela última vez por um dos vizinhos de Frederick, levantando
fundos na rua deles.
Ele atuou bem, apesar de tudo. Ele
mostrou grande afeto pela “pobre garota” e ainda perguntou se ele poderia ter
uma foto dela, para organizar a vizinhança local para ficar atenta e fazerem
cópias, postando elas em volta da vizinhança. A polícia caiu nessa.
Frederick estava se deliciando com tudo
isso.
Mas esse prazer não durou muito. Dois
dias depois, a polícia veio chamando novamente. Felizmente, Frederick havia
substituído os tapetes e alvejado o banheiro dessa vez, então pareceu que nada
havia acontecido, mas ele podia dizer que a polícia estava curiosa. Eles
pediram para entrar, o qual Frederick o fez (por obrigação), e após poucas
perguntas, saíram.
Percebia-se que eles queriam ver dentro
da casa de todo mundo na rua como se fosse o último lugar que ela pudesse
estar, mas Frederick não podia dar nenhuma pista, e uma das policiais, uma
mulher chamada McClellan parecia estar muito interessada na casa dele.
Ele não tinha escolha a não ser levar
seguir com seus planos e substituir a suíte e todos os outros itens que a
garota chegou a ter contato. Se a polícia terminou executando uma investigação
assíncrona pela casa, ele tinha de remover a possibilidade de encontrarem
qualquer coisa. Mas para o desgosto de Frederick, isso certamente tinha de
incluir o dedo, mas o que ele mais considerava, era que ele tinha de manter o
anel com ele.
Era com certeza uma ação perigosa,
mas tinha algo mais profundo que parecia o direcionar a fazer isso.
Infelizmente ele não foi capaz de separar o dedo do anel e esteve preocupado
com as vendas dos velhos carpetes, tapetes e a cadeirinha de balanço. Essa
preocupação o fez cobrir tudo com alvejante.
Todo e qualquer vestígio de que a garota
esteve ali havia de ser apagado.
_________
Continua...
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