Eu prefiro não falar sobre os dias em que trabalhei para a Coca Cola. Entretanto, sinto que é meu dever revelar os segredos doentios dessa companhia. Para eles, nunca houve qualquer problema em atormentar, torturar e até mesmo matar se isso garantisse que seus negócios não fossem prejudicados.
Não faz muito tempo - talvez em 2009, se me lembro bem - eu estava me tornando um funcionário de respeito pela minha diligência e habilidade. O chefe do nosso setor me promoveu para ver o novo projeto que estava sendo testado: Hyper Cola. Energéticos estavam cada vez mais populares, e a Coca não tinha nenhum produto nesse campo. Hyper Cola seria o primeiro.
Eu não sabia muito bem quais eram os ingredientes da Hyper Cola, uma vez que meu trabalho era de marketing. Eu sabia, entretanto, que a intenção era criar um produto extremamente viciante. Depois de conversar com a equipe desenvolvendo a bebida, nós concluímos que a única coisa de que ainda precisávamos era da opinião dos consumidores.
Diversos beta testers, dos mais novos aos mais velhos, dos mais baixos aos mais altos, chegaram. Eles experimentaram a bebida, e disseram que o gosto era ótimo. Depois do teste do sabor, nós levamos todos (15 pessoas, se me lembro bem) para uma sala enorme. Haviam cestas de basquete, escorregadores enormes, até mesmo frisbees. Havia espaço suficiente para exercícios. Depois de fechar a porta, nós ficamos olhando por uma janelinha, curiosos para ver quais seriam os efeitos da Hyper Cola.
Os idosos estavam andando ligeiro, as costas não mais arqueadas. Pareciam muito mais ativos que antes. Os mais jovens estavam correndo, pulando, jogando basquete, mas um deles estava parado, no canto, encarando a parede. Parecia estranho, mas no fim das contas todos os outros estavam mais empolgados que ele, então não demos importância. Um casal idoso começou a fazer jogging, dois irmãos começaram a jogar frisbees, haviam até mesmo dois homens de meia idade disputando uma partida de basquete; agora, entretanto, haviam duas pessoas paradas num canto, de costas para nós.
A segunda pessoa era mais velha, tinha pelo menos sessenta anos. Os dois indivíduos eram baixos e pareciam exaustos, sem vida até. Não sabíamos se estavam cansados da atividade ou se estavam meramente fazendo uma pausa. Não tínhamos certeza, é verdade, mas algo estava me deixando um tanto nervoso e preocupado. Decidimos enviar um funcionário para verificar o que acontecia.
Enquanto ele andava na direção da dupla, outras pessoas se uniram a eles. Acho que pelo menos três outras pessoas já haviam ido para o mesmo canto quando o funcionário chegou lá. Parecia que, aos poucos, todos iriam se dirigir para aquele mesmo canto. Quando o empregado chegou até eles, nós encaramos aquela pequena área, tensos. Ele lentamente ergueu o braço, e, olhando para uma garota, tocou de leve em seu ombro. "Está tudo bem, moça?"
Ela se virou para ele. Sua aparência era assustadora. De pé, encarando o funcionário com seus enormes olhos completamente vermelhos, ela lambeu sua pele bastante pálida com um sorriso enorme. Seus lábios pareciam se esticar por toda sua face, seus olhos cada vez mais abertos, e as pupilas englobavam todos seus olhos. Lábios trêmulos, pele sem qualquer cor e pupilas dilatadas ao extremo, ela respondeu, "Socorro." Sua voz estava inquieta e ela tremia da cabeça aos pés. E isso foi tudo que ela pôde dizer antes de desmaiar.
Outros desmaiaram juntos e em pouco tempo, todo o grupo estava caído, empilhado no canto daquela sala. Os funcionários correram para resgatá-los, colocando-os em quarentena. Uma vez em quartos separados, cada paciente parecia mais perto da morte. Suas peles não tinham qualquer cor, e quase todos constantemente vomitavam aquela substância viscosa, amarelo neon. Começaram a falar coisas sem sentido e a agir de maneira estranha.
Um dos pacientes começou a arranhar as paredes, e não parecia querer parar. Ele estava dedicado àquela missão, e parecia temer por sua vida. Seus lábios quebradiços se abriram, revelando seus dentes podres enquanto ele gritava "Socorro, socorro!" Ele continuou arranhando as paredes até que suas unhas quebraram e sua carne começou a rasgar. Nós imobilizamos este homem, mas só depois de sedá-lo e amarrá-lo é que percebemos que ele já havia exposto os ossos de suas mãos. Sua pele descascou completamente, e suas mãos estavam banhadas em sangue. Estava mesmo determinado a fazer o que quer que fosse.
Os outros pacientes pareciam cada vez mais insanos, correndo em volta de seus quartos, banhados em suor. Depois de um dia ou dois, nossa equipe médica conduziu testes nesses pacientes. Foi confirmado que havia uma substância desconhecida na bebida causando a deterioração e apodrecimento dos cérebros dos pacientes em velocidade acelerada. E no entanto, a única coisa que os mantinha vivos eram os demais produtos químicos da bebida. Os médicos disseram que poderiam resolver aquele problema, mas os efeitos da bebida continuariam para sempre nos organismos das vítimas.
Os cientistas da companhia correram para fazer diversos testes na bebida, tentando encontrar uma resposta. Infelizmente, não havia nenhuma. Os pacientes receberam alta, e agora pareciam não lembrar de nada do que ocorreu durante aquele período. A empresa, chocada, ordenou que nunca falássemos do assunto com ninguém.
Ao contrário dos demais, entretanto, eu acompanhei a vida desses pacientes. Fiz algumas pesquisas e descobri algo aterrorizante. Todos eles haviam morrido depois de sair do prédio. Isso era ruim o bastante, mas o pior de tudo era que todos haviam morrido exatamente no mesmo dia. O dia em questão era o mesmo dia do prazo de validade das garrafas de Hyper Cola. Aquilo me enervou bastante.
O projeto foi jogado debaixo do tapete devido à sua periculosidade. A companhia, é claro, tratou de se proteger, mas com sua fama e tamanho, não foi muito difícil. A Coca Cola deletou todos os traços da Hyper Cola de todos os cantos. Especulações foram desmentidas, e artigos sobre o "suposto" produto foram removidos. E, como eu disse, ninguém na empresa jamais falou sobre esse assunto. Ninguém exceto eu. Eu não me surpreenderia se esse texto fosse removido. Afinal, a Coca Cola vem fazendo um trabalho maravilhoso para esconder todo esse projeto do público.
22/01/2015
06/01/2015
ANO NOVO, VIDA NOVA! MUITAS NOVIDADES E ESCLARECIMENTOS!
Primeiramente, feliz natal e um feliz 2015 atrasado pra todo mundo!
Esperamos que esse ano tenha sido um ótimo ano pra todos vocês. Pessoalmente, 2014 foi um ano muito complicado, conturbado pra mim, recheado de coisas novas, algumas boas e outras não tão boas assim. Novos rumos, novos obstáculos, novas amizades, novas brigas, novas responsabilidades. Sem entrar em muitos detalhes, pessoalmente, foi um ano bastante complicado desde de Janeiro, até o final. Correria pra arranjar emprego, problemas financeiros e pessoais tensos, e claro, preocupação máxima com o blog e o canal, no sentido de atualizar semanalmente, editar, gravar, renderizar, etc. Tudo isso custou muitas de minhas madrugadas, mas vendo o numero de seguidores tanto do canal quanto do blog, e que esse numero continua a crescer constantemente, é muito mais do que satisfatório pra mim, pra todos nós.
É claro que, como todo começo de ano, temos nossas metas a serem atingidas, e nesse ano não poderia ser diferente. Já tenho minhas metas pra esse ano, como comprar um carro, conseguir um trabalho que eu goste e que ganhe bem (essa meta, felizmente, consegui lol), entre outras coisas. Uma dessas metas, e a principal pra mim, é dar mais atenção e prioridade ao canal e ao blog, alavancar tanto a qualidade quanto o reconhecimento de ambos, pois sim, reconhecemos que 2014 foi um dos piores anos pro blog, com pouca frequência de postagens, muitas creepypastas dos fãs que acabaram desgastando bastante, e a falta de mudanças, devido ao fato de ter sido um ano complicado não só pra mim, mas pra todos os integrantes do blog. Pois bem, já conversei com a Divina sobre isso, e estaremos já começando a trabalhar nisso nesse começo de ano, pois escutem o que eu digo: 2015 vai ser o ano em que vamos arregaçar!
Entre as mudanças do CPBr, estão:
- Nova cara e layout do CPBr, para dar uma "refrescada" no blog;
- Novos tradutores para ajudar na frequência de postagens (nossa intenção é voltar a postar diariamente, diversas por dia);
- Mais métodos de divulgação e melhor interação com vocês, com destaque a atenção também ao feedback de todos (para que isso ocorra com mais facilidade e profissionalidade, estaremos deixando nossos facebook's SOMENTE para fins pessoais, então se você acompanha nosso trabalho e quer passar dicas, sugestões ou somente trocar uma ideia conosco, pode nos contatar pelas fanpages do blog e do canal, respectivamente);
- Playlist de musicas totalmente renovado;
- Creepypastas foderosas e aterrorizantes, daquelas que te deixaram com medo de passar pelo corredor pra ir ao banheiro de madrugada.
Gostaram? Esperamos que sim! Agora, vamos às novidades pro canal:
- Novas séries macabras, que tem tudo e mais um pouco a ver com o blog, fazendo com que ambos se intercalem mais (sem spoilers, mas temos certeza que vocês irão adorar!);
- A primeira temporada do ARQUIVO CREEPYPASTA continuará firme e forte, dessa vez será lançado com mais frequência, agora que eu e os outros editores, Beluga e Argentino, conseguimos nos organizar melhor. Já temos diversos episódios gravados e estamos trabalhando na edição desde já;
- Diferente programa de edição, fazendo com que os videos tenham uma qualidade melhorada, em quesito de estética de edição e resolução;
Por ultimo, tenho só mais uma coisinha a abordar, também sobre o canal... Muitas pessoas especularam nos comentários do último Creepy Video que esse era o ultimo episódio da série, ou até mesmo do canal. Pois bem, estou aqui pra dar algumas satisfações a respeito do caso, pois não acho legal deixar vocês que acompanham tudo no escuro.
Sim, os Creepy Videos e os Maldições e Reações estão se despedindo... Por enquanto. Fiquem tranquilos que nunca descartaremos a possibilidade de voltar a grava-los, mais pra frente, caso as coisas se acertem pra todo mundo, mas isso ocorreu devido a uma série de fatores. Um deles foi que com a quantidade de problemas que estavam ocorrendo no ano de 2014, acabou que isso foi desanimando um pouco a gente, pois estava sendo mais por obrigação do que por diversão, e acho que quando passa a ser por isso, simplesmente você não está fazendo videos pela razão correta.
"Okay então, vamos dar um tempinho, depois voltaremos com tudo", foi o que pensamos. Decidimos dar foco total ao Arquivo Creepypasta durante o tempo, e ir subindo os Creepy Videos já gravados aos poucos.
Porém, dentro desse tempo, começaram a ocorrer muitas merdas, e isso em especifico eu vou deixar em off, pra preservar todo mundo, pois ai é algo pessoal demais para expor aqui. Só digo o seguinte: Quase todos nós de toda a equipe recém criada fizemos merdas ao decorrer de toda essa jornada, porém, duas pessoas fizeram uma merda tão feiaem especifico que nos custou um integrante, e não será possível gravar esse tipo de videos sem ele.
Por essa razão, vamos dar continuidade ao Arquivo Creepypasta (cujo tem o potencial de virar algo grandioso dentro do Youtube futuramente, já que o pessoal aparentemente adorou e deu criticas e feedbacks super construtivos para os episódios futuros), começar séries novas, diferentes do que você já viu e que tem tudo a ver com Creepypastas, com diferenciais a mais. Não posso revelar mais, porém ainda em Janeiro, vocês verão do que estou falando. E temos certeza de que vocês vão adorar.
Pois é, como podem ter visto... Não foi um ano nada fácil, e por essa razão, vamos começar esse ano com tudo. E meu conselho é que vocês façam o mesmo: Corram atrás de seus sonhos, suas metas. Lutem por isso então deixem pra depois, e o mais importante, valorizem as pessoas que estão do seu lado, especialmente sua família e seus melhores amigos, pois isso não se troca por nada nesse mundo... Nada.
É isso ai galera, vamô que vamô, e que 2015 seja do caralho pra todos nós!
Grande abraço, até a próxima, and Keep Creepying!!!
01/01/2015
Minha namorada morta me manda mensagens no Facebook
Minha namorada Emily morreu no dia 7 de agosto de 2012.
Acabei de receber outra mensagem, e ela é pior do que as
outras. Ela sofreu um acidente envolvendo 3 carros. Alguém atravessou um sinal
vermelho enquanto ela dirigia pra casa do trabalho. Ela morreu em questão de
minutos na cena do crime.
Nós estávamos namorando há cinco anos quando isso aconteceu.
Ela não curtia muito toda aquela ideia de casamento (ela dizia que sentia como
se fosse algo arcaico, que lhe dava uma sensação estranha), mas se curtisse, eu
teria me casado com ela com cerca de 3 meses de namoro. Ela era corajosa; o
tipo de garota que sempre fazia as escolhas mais ousadas. Sempre ficava feliz
quando acampava, mas também era uma verdadeira viciada em tecnologia. E ela sempre
cheirava a canela.
Dito isto, ela não era perfeita. Sempre dizia coisas do tipo
"Se eu morrer primeiro, não adianta ficar dizendo coisas boas sobre mim. Nunca
gostei disso.” ou “Se você não me pagar, está me fazendo um desserviço” e “Eu
tenho muitas falhas, e isso é apenas outra parte de mim". Então, isto é pra
Emily: a música que ela dizia que gostava e a musica que realmente gostava de
verdade eram totalmente diferentes. Sua ideia de afeto era somente um abraço comum.
Ela tinha dedos muito longos, como um chimpanzé.
Sei que isso é superficial, mas não me sinto bem se você não
tiver uma ideia de como ela era. Emily havia morrido a certa de 13 meses quando
me mandou a primeira mensagem.
04 de Setembro de 2013
Isto foi quando tudo começou. Eu havia deixado a conta do
Facebook de Emily ativada pra que eu pudesse enviar-lhe mensagens ocasionalmente,
postar em seu mural, rever suas fotos... Parecia muito conclusivo (e muito
diferente do que Emily iria querer) fechar sua conta e deixar somente as
lembranças. Eu compartilhava o acesso com sua mãe (Susan) - ou seja, ela tinha
o login e senha, e passou somente 3 minutos naquela conta (ou num computador,
afinal). Após uma pequena confusão, pensei que fosse ela.
06 de Novembro de 2013
Susan me confirmou que ela não tinha entrado no perfil de
Emily desde a semana de sua morte. Emily conhecia muita gente, então imaginei
que fosse somente algum amigo ou amiga dela mexendo comigo da pior maneira possível.
Por volta de Fevereiro de 2014, Emily começou a se marcar nas
minhas fotos. Eu recebia notificações sobre as marcações, mas elas normalmente
eram removidas assim que chegava a abrir a imagem. A primeira vez que eu
realmente cheguei a ver uma, senti como se alguém tivesse me dado um soco no
estômago. “Ela” me marcava em partes onde plausivelmente era poderia estar, ou
gostava de ficar.
Consegui tirar dois prints (um de Abril e um de Junho, que
foram os únicos que eu consegui ver, por isso estão um pouco fora da linha do
tempo desse texto).
Nesse período, comecei a perder meu sono. Estava puto demais
pra dormir.
Ela se marcava em fotos aleatórias ao longo das semanas. Os
amigos que notaram diziam que era somente um bug estranho do Facebook; Descobri
recentemente que teve amigos que notaram, mas que não me disseram nada sobre
isso. Alguns deles até mesmo me removeram de sua lista de amigos.
Neste ponto, você deve estar se perguntando: “Por que você
não simplesmente desativou aquela conta do Facebook?”. Olha, bem que eu queria
ter feito isso. Eu realmente queria. Só que nos dias em que eu não podia sair
de casa, era bom ter alguém com quem pudesse conversar. Era bom visitar a
página de Emily quando aquele pequeno ponto verde não estava ao lado de seu
nome. Eu já era socialmente recluso quando ela estava viva; sua morte me
transformou em algo muito próximo de um ermitão, e o Facebook e Jogos Online
sempre foram (são) minhas únicas saídas do mundo real.
15 de Março de 2014
Enviei uma mensagem ao que eu achava ser o hacker de Emily.
Em 25 de Março, recebi uma “resposta”.
Não demorou muito mais do que alguns meses repassando por
todo o bate-papo que eu descobri que ela estava reutilizando minhas próprias
palavras também.
Minha resposta parece meio sem graça aqui. Eu estava
intencionalmente fornecendo a ela/ele uma “isca” emocional (“Isso é horrível”)
pra mantê-lo interessado no seu joguinho de merda; Eu havia imaginado que o tipo
de pessoa que faria isso seria o mesmo tipo de pessoa que sente prazer com o
sofrimento dos outros. Estava navegando em fóruns de tecnologia, tentando
encontrar uma maneira de achar essa pessoa, contactando o Facebook.
Precisava mantê-los por perto se eu quisesse recolher “evidencias”.
Eu cheguei até a mudar minha senha e detalhes de segurança diversas
vezes.
16 de Abril de 2014
Eu recebi isso:
29 de Abril de 2014
Não descobri nenhuma pista. O Facebook havia me dito os
locais de onde a pagina de Emily foram acessadas, mas desde sua morte, todos
são lugares onde pude ter acesso (minha casa, meu trabalho, a casa de sua mãe,
etc).
Minha resposta não era isca. "Pergunte ao Nathan"
era uma piada interna muito ruim para que eu explique pra vocês, mas vê-la
dizendo novamente foi absolutamente incapacitante. Minha reação foi de choque
total.
Suas ultimas mensagens começaram a me assustar, mas não quis
admitir isso, até agora.
8 de Maio de 2014
Eu não tenho nem palavras pra descrever isso...
“CONGE LAN DO” foi a primeira palavra original que ela (?)
havia dito. Isso me deu pesadelos que não vão acabar tão cedo. Eu ainda
continuo sonhando que ela está presa dentro de um carro, congelado e acinzentado.
Estou do lado de fora da porta do carro no calor, gritando para que ela saísse dali.
Ela nem percebe que eu estou lá. Às vezes, as pernas dela estão do lado de fora
comigo.
24 de Maio de 2014
Eu não estava bêbado de verdade. Emily não era uma garota
carinhosa, e sempre se envergonhava quando trocávamos dengos do tipo “eu te amo”,
quando falávamos o quanto nós significávamos um para o outro. Ela ficava mais
confortável com isso quando eu estava bêbado. Já fingi estar bêbado MUITAS
vezes.
Sua resposta foi o que finalmente me convenceu a desativar
sua pagina, pensando que poderia colocar um fim nisso. Pode parecer algo inofensivo,
sua mensagem anterior – foi tirada de uma conversa antiga, onde eu estava tentando
convencê-la a me deixar levá-la para casa, quando ela estava vindo embora da
casa de uma amiga dela.
Na colisão, o painel a esmagou. Ela fora cortada em uma
linha diagonal de seu quadril direito até logo abaixo de sua coxa esquerda. Uma
de suas pernas foi encontrada debaixo do banco traseiro.
07 de Agosto de 2012
Voltando no tempo...
Estas são as mensagens que eu enviei pra ela no dia em que
ela morreu. Normalmente, ela chegava em casa lá pelas 16:30. Essa, juntamente
com algumas mensagens de voz, foi a ultima vez que falei com ela sabendo que
estava viva. Você entenderá logo menos porque estou lhe mostrando isso.
01 de Julho de 2014
Recebi essas mensagens ontem:
Desativei sua pagina alguns dias após a mensagem sobre "andar". Até hoje, ela ficou quieta; parou até mesmo de se marcar nas minha
fotos.
Eu não sei mais o que fazer. Será que devo excluir seu
perfil? E se for ela? Sinto como se fosse vomitar. Não sei o que está
acontecendo.
Acabei de receber uma notificação, ouvi o som de mensagem. Estou
com muito medo de trocar de aba e verificar.
Eu verifiquei o alerta. Essa foi a mensagem...
Essa é a minha porta...
Esse é o meu computador...
Esse sou eu...
Recebi essa mensagem três horas atrás, mas não quis
verificá-la até agora...
Agora estou legitimamente assustado. Não faço ideia de
quem tirou essa foto.
29/12/2014
Rosto de boneca
Eu estava ali
Apenas esperando
Observando
Eu sei que ele voltará, eu sei. Não posso comer ou dormir, fico apenas observando o maldito buraco na parede. No inicio ele era apenas um pequeno buraco, e com o tempo ele começou a aumentar. Tentei tampa-lo; mas acabei tornando-o maior. Eu acho que ele sabe que o estou esperando, é por isso que ele decidiu morar em minha parede.
Tentei atrai-lo com comida, camundongos, hamsters, até um porquinho; nada funcionou. Meu deus! Eu tenho que vê-lo outra vez! Apenas para superar meus medos. Eu quero encarar seus olhos negros e sem vida, talvez descobrir o que ele quer de mim. Acho que na primeira vez que eu o vi, bem rapidamente, foi o momento em que minha vida foi arruinada.
-
Eram 3:29 a.m, eu estava sozinho em casa, e tinha acabado de descansar a cabeça no travesseiro quando ouvi um barulho terrível. Me levantei e olhei por todos os cantos do quarto, mas não consegui enxergar nada naquela escuridão. Peguei minha câmera e comecei a tirar fotos com o flash ativado, assim como naquele filme, Jogos Mortais, e comecei a procurar a origem do barulho. Eu deveria ter pensando em algo melhor, os flashes apenas me cegavam. Decidi largar a câmera.
Fui para a cozinha, tateando no escuro. Percebi que a porta da geladeira estava aberta, o que era realmente estranho, sendo que eu nem tinha aberto a geladeira naquela noite. Quando finalmente consegui ligar as luzes, eu vi a estranha criatura em um canto da cozinha, era quase da mesma altura da minha mesinha de café.
Me aproximei dele e por um momento pensei que meus olhos estavam me pregando um truque, mas eu podia jurar que ele tinha se movimentado tão rápido, que em menos de um segundo já não estava mais ali. Tentei correr de volta para o meu quarto, mas acabei batendo o pé na porcaria de uma cadeira. Eu caí, e fiquei petrificado ali no chão quando percebi que algo bafejava em meu pescoço.
“Era um sonho, tinha que ser um sonho, não poderia ser real...” Rolei lentamente para o lado, e me deparei com um terrível rosto branco, bastante semelhante ao rosto de uma boneca de porcelana. Foi nesse momento que reagi e me joguei para o canto mais distante, para observar aquela coisa... entrando em meu quarto.
-
A visão daquela coisa é algo impossível de esquecer, e foi assim que acabei ficando com essa terrível obsessão, sentado em frente ao buraco na parede, esperando... Agarrado à minha câmera, tentando não cair no sono, dividido entre o medo de ser atacado e a incontrolável vontade de revê-lo.
Talvez eu esteja louco? É, pode ser que sim, talvez esteja ficando louco pela falta de comida e descanso. Talvez eu devesse dor-
NÃO! Não posso cair nesse truque! Tentar me fazer dormir para vir e me matar sem que eu o veja! Isso não vai acontecer comigo. Sou muito esperto para cair nesse truque. Dias... Droga! Não durmo há dias!
Eu posso ouvi-lo me chamando…
Meu Deus…
Onde estou? Essa não é a minha casa! Eu devo ter dormido. Esse som... eu já o ouvi... não! Não posso morrer! Não agora! Eu o sinto em minha mente, ele QUER que eu o veja, que eu tire uma foto. A minha câmera... ele a jogou para mim...
O que faço? Devo vê-lo? A vontade é esmagadora...vou morrer mesmo... eu preciso vê-lo-
• Click*
OH MEU DEUS! MAS QUE DRO-
Apenas esperando
Observando
Eu sei que ele voltará, eu sei. Não posso comer ou dormir, fico apenas observando o maldito buraco na parede. No inicio ele era apenas um pequeno buraco, e com o tempo ele começou a aumentar. Tentei tampa-lo; mas acabei tornando-o maior. Eu acho que ele sabe que o estou esperando, é por isso que ele decidiu morar em minha parede.
Tentei atrai-lo com comida, camundongos, hamsters, até um porquinho; nada funcionou. Meu deus! Eu tenho que vê-lo outra vez! Apenas para superar meus medos. Eu quero encarar seus olhos negros e sem vida, talvez descobrir o que ele quer de mim. Acho que na primeira vez que eu o vi, bem rapidamente, foi o momento em que minha vida foi arruinada.
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Eram 3:29 a.m, eu estava sozinho em casa, e tinha acabado de descansar a cabeça no travesseiro quando ouvi um barulho terrível. Me levantei e olhei por todos os cantos do quarto, mas não consegui enxergar nada naquela escuridão. Peguei minha câmera e comecei a tirar fotos com o flash ativado, assim como naquele filme, Jogos Mortais, e comecei a procurar a origem do barulho. Eu deveria ter pensando em algo melhor, os flashes apenas me cegavam. Decidi largar a câmera.
Fui para a cozinha, tateando no escuro. Percebi que a porta da geladeira estava aberta, o que era realmente estranho, sendo que eu nem tinha aberto a geladeira naquela noite. Quando finalmente consegui ligar as luzes, eu vi a estranha criatura em um canto da cozinha, era quase da mesma altura da minha mesinha de café.
Me aproximei dele e por um momento pensei que meus olhos estavam me pregando um truque, mas eu podia jurar que ele tinha se movimentado tão rápido, que em menos de um segundo já não estava mais ali. Tentei correr de volta para o meu quarto, mas acabei batendo o pé na porcaria de uma cadeira. Eu caí, e fiquei petrificado ali no chão quando percebi que algo bafejava em meu pescoço.
“Era um sonho, tinha que ser um sonho, não poderia ser real...” Rolei lentamente para o lado, e me deparei com um terrível rosto branco, bastante semelhante ao rosto de uma boneca de porcelana. Foi nesse momento que reagi e me joguei para o canto mais distante, para observar aquela coisa... entrando em meu quarto.
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A visão daquela coisa é algo impossível de esquecer, e foi assim que acabei ficando com essa terrível obsessão, sentado em frente ao buraco na parede, esperando... Agarrado à minha câmera, tentando não cair no sono, dividido entre o medo de ser atacado e a incontrolável vontade de revê-lo.
Talvez eu esteja louco? É, pode ser que sim, talvez esteja ficando louco pela falta de comida e descanso. Talvez eu devesse dor-
NÃO! Não posso cair nesse truque! Tentar me fazer dormir para vir e me matar sem que eu o veja! Isso não vai acontecer comigo. Sou muito esperto para cair nesse truque. Dias... Droga! Não durmo há dias!
Eu posso ouvi-lo me chamando…
Meu Deus…
Onde estou? Essa não é a minha casa! Eu devo ter dormido. Esse som... eu já o ouvi... não! Não posso morrer! Não agora! Eu o sinto em minha mente, ele QUER que eu o veja, que eu tire uma foto. A minha câmera... ele a jogou para mim...
O que faço? Devo vê-lo? A vontade é esmagadora...vou morrer mesmo... eu preciso vê-lo-
• Click*
OH MEU DEUS! MAS QUE DRO-
24/12/2014
Pura maldade
Ahh, o Natal. Um dos momentos mais aguardados do ano, e o momento perfeito para concluir o meu plano. Tem que ser assim, pois afinal, todos querem alguma coisa.
Eu já o estava perseguindo desde o mês passado; era apenas um cara comum, vivendo uma vida simples com sua família, em uma rua pacata. Ele era o próximo. Ele não saberia os motivos por ser o próximo, mas no fim ele entenderia.
Tudo morre um dia. Eu apenas adiantaria o processo para ele.
Vestido como o bom velhinho, em um vermelho brilhante, assim como meu cabelo, agarrei a ferramenta perfeita para o serviço. Meus olhos verdes cheios de determinação, com sede de sangue. Meu rosto distorcido em uma máscara de malícia.
Atravessei alguns quintais, seguindo em direção aos fundos da casa do meu alvo. Os cães sentiam a minha presença, e uivavam para o céu estrelado. Era como musica para meus ouvidos. Se também houvesse alguns gritos de dor, séria uma sinfonia perfeita.
Abri lentamente as janelas do fundo. Um som agitado preenchia o ar. Parecia a trilha sonora de algum filme de ação. Isso apenas facilitou a minha silenciosa entrada.
Escondido nas sombras, observei, enquanto o meu alvo digitava algo em um notebook, acompanhado pela música alta que saia de duas caixas de som ligadas ao aparelho. Eu sabia que ele estava sozinho, vi a sua família sair para comprar algo que faltava para a ceia.
Assim que ele acabou de digitar (o que demorou um pouco, devo admitir), ele recostou-se para descansar na cadeira, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás.
Me aproximei mais um pouco dele.
Não houve muito tempo para que ele pudesse reagir quando percebeu o meu movimento. Assim que ele abriu os olhos e virou-se para mim, foi imediatamente recebido com um taco de golfe bem no meio do rosto, caindo da cadeira com um grande barulho. Um nariz quebrado e um grande corte tomava o lado direito do seu rosto; seus lábios escorrendo sangue quando um dente se partiu e caiu no chão. A trilha sonora continuava a preencher o ar, com um toque agitado de ação bastante irônico para aquele momento.
“Esse é um momento de felicidade, SORRIA!”. Gritei, explodindo de excitação.
Abri um largo sorriso e até comecei a cantarolar seguindo o som, batendo o taco de metal frio na palma da minha mão. Levantei o taco mirando mais uma vez em seu nariz. Instintivamente, ele ergueu um braço para bloquear o taco, gritando pateticamente enquanto recebia o impacto.
“O que você quer?” ele gritava com a voz engasgada, cuspindo sangue e pedaços de dente. Essa era a pergunta que eu realmente esperava. Levantando o taco outra vez, percebi a fina linha de sangue que o cobria. Tentei controlar toda a felicidade e excitação em minha voz, para responder de forma bastante clara:
“Eu quero que poste Creepypastas com mais frequência, seu desgraçado!”
Com rápidos movimentos, o taco desceu mais duas vezes. Primeiro ele gritou, e depois pôde apenas soltar um leve gemido. Deitado em uma poça do próprio sangue, ele dava o último suspiro.
Sorri um pouco mais ao observa-lo daquele jeito. Olhei para a grande árvore de natal em sua sala, e me perguntei se a árvore ficaria melhor se eu pusesse alguns pedaços dele pendurados como enfeites. Talvez pendurasse seus intestinos ao redor da árvore, e pendurasse sua cabeça bem no topo. Seria algo perfeito!
Porém, havia algo que eu deveria fazer antes.
Acessei o blog no qual ele costumava postar, e utilizei a conta dele para digitar tudo isto para vocês que gostam de creepypastas. Sim, eu sei quem são vocês. Acham que não conheço todos que comentam por aqui? Ou aqueles fanáticos por creepys, assim como eu?
Eu destruo amizades e espalho a tristeza. Sou o amante do medo, devorador de almas. Eu tornarei o mundo das creepypastas uma realidade. EU sou a pura maldade.
EU so
Ele se mexeu!
Parece que ainda está vivo. A família dele já deve estar chegando. Devo acabar logo com isso.
Agora, se me derem licença, tenho uma creepy para terminar…
Eu já o estava perseguindo desde o mês passado; era apenas um cara comum, vivendo uma vida simples com sua família, em uma rua pacata. Ele era o próximo. Ele não saberia os motivos por ser o próximo, mas no fim ele entenderia.
Tudo morre um dia. Eu apenas adiantaria o processo para ele.
Vestido como o bom velhinho, em um vermelho brilhante, assim como meu cabelo, agarrei a ferramenta perfeita para o serviço. Meus olhos verdes cheios de determinação, com sede de sangue. Meu rosto distorcido em uma máscara de malícia.
Atravessei alguns quintais, seguindo em direção aos fundos da casa do meu alvo. Os cães sentiam a minha presença, e uivavam para o céu estrelado. Era como musica para meus ouvidos. Se também houvesse alguns gritos de dor, séria uma sinfonia perfeita.
Abri lentamente as janelas do fundo. Um som agitado preenchia o ar. Parecia a trilha sonora de algum filme de ação. Isso apenas facilitou a minha silenciosa entrada.
Escondido nas sombras, observei, enquanto o meu alvo digitava algo em um notebook, acompanhado pela música alta que saia de duas caixas de som ligadas ao aparelho. Eu sabia que ele estava sozinho, vi a sua família sair para comprar algo que faltava para a ceia.
Assim que ele acabou de digitar (o que demorou um pouco, devo admitir), ele recostou-se para descansar na cadeira, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás.
Me aproximei mais um pouco dele.
Não houve muito tempo para que ele pudesse reagir quando percebeu o meu movimento. Assim que ele abriu os olhos e virou-se para mim, foi imediatamente recebido com um taco de golfe bem no meio do rosto, caindo da cadeira com um grande barulho. Um nariz quebrado e um grande corte tomava o lado direito do seu rosto; seus lábios escorrendo sangue quando um dente se partiu e caiu no chão. A trilha sonora continuava a preencher o ar, com um toque agitado de ação bastante irônico para aquele momento.
“Esse é um momento de felicidade, SORRIA!”. Gritei, explodindo de excitação.
Abri um largo sorriso e até comecei a cantarolar seguindo o som, batendo o taco de metal frio na palma da minha mão. Levantei o taco mirando mais uma vez em seu nariz. Instintivamente, ele ergueu um braço para bloquear o taco, gritando pateticamente enquanto recebia o impacto.
“O que você quer?” ele gritava com a voz engasgada, cuspindo sangue e pedaços de dente. Essa era a pergunta que eu realmente esperava. Levantando o taco outra vez, percebi a fina linha de sangue que o cobria. Tentei controlar toda a felicidade e excitação em minha voz, para responder de forma bastante clara:
“Eu quero que poste Creepypastas com mais frequência, seu desgraçado!”
Com rápidos movimentos, o taco desceu mais duas vezes. Primeiro ele gritou, e depois pôde apenas soltar um leve gemido. Deitado em uma poça do próprio sangue, ele dava o último suspiro.
Sorri um pouco mais ao observa-lo daquele jeito. Olhei para a grande árvore de natal em sua sala, e me perguntei se a árvore ficaria melhor se eu pusesse alguns pedaços dele pendurados como enfeites. Talvez pendurasse seus intestinos ao redor da árvore, e pendurasse sua cabeça bem no topo. Seria algo perfeito!
Porém, havia algo que eu deveria fazer antes.
Acessei o blog no qual ele costumava postar, e utilizei a conta dele para digitar tudo isto para vocês que gostam de creepypastas. Sim, eu sei quem são vocês. Acham que não conheço todos que comentam por aqui? Ou aqueles fanáticos por creepys, assim como eu?
Eu destruo amizades e espalho a tristeza. Sou o amante do medo, devorador de almas. Eu tornarei o mundo das creepypastas uma realidade. EU sou a pura maldade.
EU so
Ele se mexeu!
Parece que ainda está vivo. A família dele já deve estar chegando. Devo acabar logo com isso.
Agora, se me derem licença, tenho uma creepy para terminar…
22/12/2014
O caso do Assassino da Teia
Tudo começou há 3 meses, vítimas foram encontradas sem sangue e enroladas em um tipo de seda. Pareciam insetos mortos por uma aranha. Logo começaram a chamar o caso de “Assassino da teia”. Até o momento, 12 se tornaram vitimas desse assassino desconhecido. Não havia vestígios ou provas de quem seria esse assassino, alguns acreditavam que as vítimas foram parte de algum ritual satanista. O caso já estava para ser arquivado, até que um dia, uma mulher que caminhava em um parque, ouviu algo, parecia o som de alguma coisa sendo arrastada, ela gritou, perguntando se alguém precisava de ajuda e não houve resposta, nem mesmo havia pássaros cantando. Ela ficou preocupada e decidiu verificar o que estava acontecendo, já que alguém poderia estar ferido e não pudesse falar.
Ela começou a procurar por toda a área ao redor, sem sucesso. Ela continuou procurando por mais alguns minutos e logo decidiu descansar embaixo de uma grande árvore. Por alguma estranha razão, algo lhe disse para olhar para cima, e o que ela viu parecia algo de um filme de terror. Havia um corpo pendurado no que parecia seda, e para sua surpresa, a pessoa ainda estava viva. As autoridades foram chamadas, e levaram a vítima para o hospital, ela poderia ser muito útil para ajudar a encontrar o assassino, assim ela acordasse.
No dia seguinte encontraram outra vítima, pendurada em um passarela em uma rua isolada. Era a vítima número 13, e assim decidiram me chamar. Meu nome é Alex, sou especialista em casos ligados a rituais satanistas e ao paranormal. Eu li os relatórios do caso e decidi revisitar cada área onde as vítimas foram encontradas, caso os investigadores da polícia tivessem deixado passar algo. Cheguei á primeira área. Não havia sangue ou fios de cabelo... tudo o que vi foi um cão fugindo assustado e de orelha baixa. Mas isso não importava, não poderia perder tempo com besteiras.
Segui para a próxima área, e como antes, não encontrei nada de importante. Eu já estava prestes a seguir para o próximo local quando vi algo movendo-se em um canto, era um cão, parecia exatamente o mesmo que eu tinha visto antes, porém, apenas a sua cabeça estava visível, enquanto o resto do corpo estava oculto pela escuridão da área. Ele tinha lindos olhos azuis, pensei que ele estivesse me seguindo, achando que eu talvez pudesse lhe dar algo para comer, o que eu não tinha no momento. Encontrei um hambúrguer meio comido em uma lixeira, e o joguei para o cão, em seguida parti para o próximo local.
Eu estava nas docas, e o cheiro de peixe já estava quase me fazendo vomitar. Caminhei pelo apertado beco onde o corpo foi encontrado, olhando por todos os cantos, até que captei algo. Era um pequeno tufo de cabelo negro, e já que cabelo da vítima era tingido de rosa, naquele momento pensei que o tufo de cabelo só poderia ser do assassino. Eu o coletei e continuei a minha procura, não encontrando nada mais importante. Por um momento, naquele beco apertado, me senti observado. Olhei ao redor, procurando por meu perseguidor e o encontrei; escondido nas sombras, estava um cão.
Era o mesmo de antes, ele estava apenas me observando, sem se mover ou mesmo piscar. Ele já estava me assustando.
Meu celular tocou e eu quase enfartei, era o Jeff, eu havia deixado a amostra de cabelo com ele, ele reportou que não era cabelo humano, eram pelos de aranha, e foi nesse momento que a minha ficha caiu; as vítimas estavam sem sangue, amarradas com fios de seda, e todas estavam penduradas em algum lugar. Realmente parecia obra de uma aranha, mas as suspeitas eram de um serial killer fanático por aranhas, e não uma grande aranha assassina. Uma aranha não poderia fazer um estrago desses. Talvez um experimento do governo? Não seria a primeira vez que algo assim acontece. Captei algo em minha visão periférica, era o cão de alhos azuis, ainda me encarando. Sai do beco e entrei em meu carro, pensei que talvez pudesse encontrar algo no próximo local.
Entrei no abatedouro abandonado, o local do quarto assassinato, o abatedouro já possuia um histórico ruim, um louco que costumava matar suas vítimas e come-las naquele local. Ele nunca foi capturado nem identificado, anos depois até fizeram um filme sobre isso. Às vezes algumas crianças se desafiam a entrar no abatedouro, ou alguns fanáticos invadem tentando encontrar fantasmas. O cheiro de mofo batia em meu rosto, me sufocando enquanto andava pela área onde o corpo foi encontrado. Segundo o relatório, a vítima estava pendurada no cano de metal, que naquele momento estava bem acima de mim, se o cano no tivesse quebrado, o corpo jamais seria encontrado. Não havia como alguém ter pendurado um corpo tão pesado naquela altura. Uma pessoa não poderia fazer algo assim sozinha. Isso parecia justificar a teoria da aranha gigante.
Ouvi algo se movendo. Sem uma arma no momento, resolvi usar um dos canos que estavam caídos no chão. Seria o assassino? O local era grande e perfeito como um esconderijo. Comecei a caminhar lentamente, e bastante atento a todos os movimentos ao meu redor. Encontrei algumas portas, estavam enferrujadas e travadas. Enquanto me virava para tentar encontra outras portas, algo me assustou, me fazendo pular para trás. Era apenas um cão, o mesmo que esteve me seguindo o dia todo, aquele pestinha assustador, como sempre, eu só conseguia ver a sua cabeça, o resto estava escondido no escuro. O cão parecia estar em um local mais alto, pensei que estivesse em algum andar acima de onde eu estava e que não consegui enxergar no escuro, talvez tivesse alguma escada por trás das portas enferrujadas que não consegui abrir. E se fosse isso mesmo, como o cão chegou lá?
O meu celular tocou, era o Jeff outra vez, ele me avisou que a garota tinha acordado e descrito o atacante, a policia não acreditou quando ela disse que o atacante não era humano, era uma criatura muito grande e que parecia uma aranha. Ela completou, dizendo que a criatura possuía um tipo de segunda cabeça no abdômen, uma cabeça que se assemelhava à de um cão, de orelhas baixas e olhos azuis...
Ouvi algo caindo atrás de mim, eu não conseguia me mover, não conseguia falar ou gritar, estava sem saída...
Naquele momento, percebi que o assassino já estava me observando o tempo todo...
................................................................................
desculpem a demora galera, ficamos um pouco atolados com trabalho\estudos, mas agora as coisas já estão se normalizando! :)
10/12/2014
SCP-2002
AVISO: ACESSO RESTRITO
Item #: SCP-2002
Classe do Objeto: Neutralizado (classificação Keter revogada em ██/██/20██)
Procedimentos Especiais de Contenção: A contenção do SCP-2002 é concentrada na disseminação coordenada de desinformações para todas as organizações ou indivíduos envolvidos com a descoberta, detecção, estudo e/ou discursão envolvendo objetos astronômicos (em movimento). Uma atenção especial deve ser posta na manipulação de algumas organizações, visando ofuscar a natureza do SCP-2002.
Imagens do SCP-2002 vazadas para o público devem se desmentidas, assim como digitalmente alteradas e rotuladas como obras de teorias conspiratórias. Para esse propósito, funcionários da fundação devem ser preparados para aparições na mídia e como consultores em qualquer projeto de pesquisa externa.
Para mais informações relacionadas às medidas de desinformações, por favor, verifiquem o documento SecInf/2002-D/DepDI:rev2.41. O uso de força bruta foi autorizado para impedir que qualquer informação relacionada ao SCP-2002 vaze ao público.
Todas as peças e restos dos tripulantes coletados do SCP-2002 devem ser armazenados no Local
para futuras pesquisas sobre a origem do SCP-2002. Entrem em contato com o atual líder do projeto Dr. Aeslinger para mais informações sobre as pesquisas.
Rem/AESL1/20060217: Notem que apesar de neutralizado, os procedimentos de contenção do SCP-2002 devem permanecer efetivos por tempo indeterminado.
Descrição: O SCP-2002 é um corpo celeste em rota de colisão com a terra. Após detecção, o setor astronômico da Fundação disponibilizou várias imagens indicando várias similaridades entre o design do SCP-2002 e o design do, ainda em desenvolvimento, [INFORMAÇÃO EXCLUIDA] naquele momento. Levando em consideração essas informações, e adicionando resultados de pesquisas dos destroços, o SCP-2002 foi classificado como uma possível anomalia do continuum espaço-tempo, mas foi considerado nativo para esta realidade. Sua neutralização impediu que os funcionários pudessem encontrar detalhes adicionais, porém, os exames dos destroços realçou as evidencias que sustentavam a teoria do SCP-2002 ser uma anomalia do continuum espaço-tempo.
O SCP – 2002 possuía um casco esférico com um diâmetro estimado de 450m. Acoplado ao casco principal haviam ~3000 pequenas esferas com aproximadamente 1,7 m de diâmetro. O SCP – 2002 não possuía qualquer dispositivo de propulsão visível ou sistemas externos de geração de energia, também não possuía compartimentos individuais como uma cabine de controle, área de armazenamento, ou qualquer outra cômodo.
Todas as tentativas de comunicação foram respondidos por transmissões automáticas do SCP-2002, em uma rádio frequência reservada exclusivamente para o trafego de informações da Fundação. Sinais enviados por instalações amadoras não receberam respostas do SCP-2002, sugerindo que o SCP talvez soubesse da origem do sinal. Vejam o Apêndice 2002-A-04 para a transcrição da resposta automática gerada pelo SCP-2002.
Em revisão, a mensagem transmitida pelo SCP-2002 parece implicar que o SCP possuía sistemas que facilitavam o retorno para a terra automaticamente. Independentemente disso, o SCP-2002 foi classificado como Keter devido aos efeitos potenciais que o SCP poderia causar ao cair na terra, sendo esta hipótese dada como falsa mais tarde. O SCP-2002 mantinha uma velocidade fixa de 12,5 km/s e era esperado reentrar na atmosfera em ██/██/20██. Foram projetados protocolos para lidar com um possível cenário Classe-K como resultado da queda do SCP-2002.
O SCP-2002 foi detectado pela primeira vez a uma distância de aproximadamente 15.8 au da terra em ██/██/19██, por sensores remotos nos satélites da fundação. Extrapolando e não assumindo alterações no curso do SCP-2002, ele deveria ter sido descoberto a pelo menos ██ antes. Isso sugere uma troca temporal acidental, assim como uma intervenção consciente por parte do SCP-2002 ou sua tripulação. O conteúdo da transmissão automática do SCP-2002 trás mais credibilidade para essa teoria.
Apêndice 2002-A-01: Trecho do relatório de neutralização 2002/D/NeutRpt-01:rev1.01
No dia ██/██/19██, enquanto o SCP 2002 passava pela lua terrestre, um satélite não identificado equipado com um canhão laser altamente poderoso de diáxido de carbono, abriu fogo contra o SCP-2002, danificando seu casco principal e espalhando as pequenas esferas por uma grande área. Várias dessas esferas acabaram sendo destruídas pelo laser, enquanto outras ficaram à deriva no espaço. Uma certa quantidade dessas pequenas esferas continuaram seguindo em direção à terra. No dia ██/██/20██, essas esperas, junto com um grande pedaço do casco principal, entraram na atmosfera terrestre.
As investigações sobre o satélite não identificado e a destruição injustificada do SCP-2002 levaram á uma série de mensagem de e-mail codificadas e transmitidas por uma estação localizada no terminal de comunicação na Área 102. A decodificação dessas mensagens revelaram um vazamento de informações para o GOC, contendo fatos sobre o SCP-2002, embora em detalhes básicos. Nesse caso, o vazamento interno de falsas informações acabou misturado com algumas informações verdadeiras sobre o SCP-2002.
Uma investigação realizada pelo Mobile Task Force Beta-1 identificou o █████ ████████, um membro de Level 4 como sendo o responsável pelo vazamento das informações. O responsável em questão foi detido enquanto tentava deixar o local onde trabalhava, foi interrogado e consequentemente [INFORMAÇÃO EXCLUÍDA] geralmente utilizado em operações contrainteligência. Esforços para descobrir a verdadeira identidade do destinatário não obtiveram sucesso, porém, descobrimos que essa organização já possuía conhecimento sobre o SCP-2002 desde 19██, porém, tais conhecimentos consistiam apenas de detalhes básicos (veja abaixo). Presume-se que o vazamento de informações corretas, em adição à politica interna e externa de desinformação da Fundação à respeito do SCP-2002, levaram o GOC a tomar a decisão de neutralizar o SCP-2002.
Como resultado desse incidente, protocolos para a comunicação interna e externa sobre anormalidades foram revisados e atualizados, e a Operação Carbon foi iniciada, permanecendo efetiva por tempo indeterminado, enquanto um teste padrão de lealdade é desenvolvido para os atuais e futuros funcionários.
O satélite utilizado pela GOC foi sabotado e caiu em uma floresta Brasileira no dia ██/██/20██. Foi recuperado pela Fundação e permanece sob sua custódia, apesar dos inúmeros pedidos da GOC, para que o satélite fosse devolvido. Por favor, acesse o documento adicional 2002/C/DipInc-8:rev.1.12 para mais detalhes acerca das comunicações inter-organizacionais sobre o objeto.
Apêndice 2002-A-02: Documento capturado pela GOC sobre o SCP-2002
KTE-0481
ID da Ameaça: KTE-0481-Typhon "Grande objeto desconhecido em rota de colisão com a terra”
Descrição: Um objeto astronômico não identificado em rota de colisão com a terra. Informações fornecidas pelo ██████ sugerem que a Fundação está monitorando o KTE (sobre designação SCP-2002) por razões desconhecidas, ainda não formulando qualquer plano de ação ou medidas para impedir o seu progresso.
O objeto é esférico, com um diâmetro estimado de 450 m 450 m (~1,476 ft), com múltiplas pequenas esferas acopladas à sua superfície. Não é possível saber se essas pequenas esferas são algum tipo de arma ou sistema de defesa. Nenhum sistema de propulsão é visível no objeto. Sistemas de geração de energia também parecem não existir.
O objeto não responde às tentativas de comunicação, apesar das mensagens de saudações serem enviadas em intervalos regulares pelas instalações da GOC e a USS███████████.
Os últimos cálculos informam o momento do impacto às ██:██ GMT, ██/██/20██. A previsão é de um cenário apocalíptico caso o KTE-0481 continue seu caminho sem interrupções.
Medidas: Caso o objeto atinja 0.00269 au da terra, a sua destruição é permitida para prevenir a extinção de toda a vida terrestre. O satélite Thor-AXII foi posto em estado de alerta permanente para essa medida. Protocolos foram postos em prática para garantir 100% de sucesso.
Apêndice 2002-A-03: Sumário do relatório de recuperação 2002/D/RecRpt-14:rev1.15
No dia ██/██/20██, 37 minutos após a queda de uma grande parte do SCP-2002, membros do MTF Zeta-40 (equipe de limpeza) e vários guias locais se aproximaram dos destroços á aproximadamente 240 km de Riade (Capital da Arábia Saudita). Por vários dias, destroços e vários restos humanos (estimam-se compostos por 5 adultos masculinos, 21 adultos femininos, 142 recém nascidos masculinos, e 377 recém nascidos femininos) foram carregados em transportes da Fundação e levados para a Área-102. Testes de DNA revelaram certas semelhanças aos atuais membros da Fundação, incluindo vários membros do conselho O-5.
Apêndice 2002-A-04: Transcrição parcial da transmissão automática emitida pelo SCP-2002
Mensagem do sistema;
Esta é a arca da Fundação, SCPS Mendel. Recebemos a sua transmissão. Devido aos protocolos de estase em efeito, nenhum membro encontra-se disponível para responder à sua mensagem no momento. Por favor, aguarde pela transmissão automática pré-gravada.
Voz feminina;
Aqui é a Dr. Agnes Younts, Líder do projeto SCP-█████. Se está recebendo esta mensagem, fico feliz em informar que essa missão foi desnecessária. Quando ocorreu a destruição causada pelo SCP-█████ em 21██, passamos um longo tempo tentando descobrir uma maneira de reverter seus efeitos. Tentamos descobrir se a realocação era a solução. Construímos uma estação espacial e, quando não deu certo, construímos um complexo lunar, mas a praga sempre nos seguia de alguma forma. Enfrentando uma taxa de 100% de esterilidade, descobrimos uma maneira de fertilizar embriões, assim eles não estariam sujeitos aos efeitos da praga. Bom, pelo menos enquanto os embriões permanecessem em estase. Nossos cálculos indicaram a dissipação dos efeitos da praga aproximadamente ███ anos desde o dia zero, então por fim, não nos sobraram muitas opções além de enviar para o espaço uma seleção desses embriões, junto com alguns funcionários. Os membros e a carga desta arca serão revividos e preparados para o retorno à terra. Eles já percorreram um longo caminho.
Mensagem do sistema;
Nossa atual situação indica PERIGO; erro de deslocamento temporal detectado. Pedimos que limpem o Setor-521A para a nossa chegada¹.
Mensagem do sistema;
Esta mensagem se repetirá em Mandarim.
Depois da repetição em mandarim, a mensagem também foi repetida em espanhol, hindi e árabe antes do fim da transmissão.
Notas finais
Nenhum Setor-521A existe como propriedade da Fundação. Porém, cálculos mostram que a sua suposta localização seria na [EDITADO]
______________________________________________________________-
03/12/2014
25/11/2014
O pintor de telhados
Há alguns anos, recebi uma série de estranhos e-mails do endereço “alooga2@gmail.com” Não sei os motivos pelos quais foram enviados para mim, mas vou passa-los para vocês. É bem assustador. Bloqueei a minha conta por razões que não precisam ser explicadas.
.....
Eu estava acordada até tarde checando meus e-mails (tenho insônia) quando a página atualizou mostrando uma nova mensagem.
“3:48 AM (22/09/10) “alooga2”
Não sou apenas ruim. Eu sou o pior. Você nunca me verá chegando. Eu sou aquele que você acha que não sou. Sou um pintor. De telhados.”
Achei que fosse algo normal. Eu nem conhecia aquele endereço de e-mail. Então outra mensagem chegou:
“3:48 AM (22/09/10) “alooga2”
Eu sou livre? Não. Eu tenho bocas para alimentar. Estou falando por meio de charadas. Sou o grande mal, eu tenho que ser o tal. Isso me torna mais assustador. Como tinta preta.
Nesse ponto, eu ainda não estava muito assustada. Pensei que estivesse recebendo as mensagens por engano. Já tinha acontecido antes.
Levou apenas alguns minutos para ele mandar outra mensagem.
“3:57 AM (22/9/10) “alooga2”
...pintar.”
“4:33 AM (22/09/10) “alooga2”
Eu zombo de você quando você não está”
Eu já estava ficando irritada, mesmo assim decidi ignorar. Pensei que ele já tivesse se cansado quando algumas horas se passaram sem que ele me enviasse outra mensagem. Mas...
“8:11 AM (22/9/10) “alooga2”
Café. Preto. Preto. Café”
“8:11 AM (22/9/10) “alooga2”
Acumule moedas. Quebre o porquinho. Pegue o que ganhou. Estou sempre à caminho. Chame o pintor. Faça ao mundo um favor”
Eu nem tive tempo de mandar o cara se ferrar, já que eu tinha que ir para o trabalho. Levei bastante tempo sem verificar o email, e quando o fiz, encontrei quatro novas mensagens, enviadas por... adivinha quem....
“12:51 PM (22/9/10) “alooga2”
Dizem que sou surreal. Mas sou diferente, com minha cartola e meu bigode. Pareço ter saído de um desenho animado. E vou pintar o seu telhado.”
“3:21 PM (22/9/10) “alooga2”
Quero pintar o seu telhado.”
“3:52 PM (22/9/10) “alooga2”
Acho que vou pintar hoje. Vou pintar de preto, assim como o seu cabelo, Mirian. Seu cabelo é preto. Preto. Cabelo. É um trocadilho.”
Agora, nesse ponto vocês já podem imaginar que eu estava furiosa com esse cara me mandando essas porcarias. Então respondi com essa clara e concisa mensagem:
“Para com essa palhaçada seu merdinha.”
Então ele me respondeu, em apenas alguns segundos.
“4:20 PM (22/9/10) “alooga2”
Teve um dia cansativo no trabalho? Pensei que você gostasse de mim. Vou até pintar o telhado para você”
A coisa já estava ficando muito estranha. Então resolvi bloquear o imbecil. E isso resolveu meus problemas. Levei alguns anos sem receber outra mensagem, até que em uma madrugada, enquanto estava outra vez checando meus e-mails, recebi uma nova mensagem com um anexo.
“3:48 AM (23/9/13) “aloooga2”
Enfim, pintei o seu telhado.”
O anexo era uma foto da minha casa. Estava com o telhado todo preto. Corri para a janela e vi a tinta preta pingando do telhado. Manchando toda a varanda.
Então chegou uma última mensagem.
3:48 AM (23/9/13) “aloooga2”
“Deveria ter visto a sua cara. Aqui, tirei uma foto do momento”
Nessa mensagem também tinha um anexo. Era uma foto minha, enquanto olhava assustada pela janela. A mesma janela que olhei uns 3 minutos atrás. Eu não percebi nenhum flash ou algo assim. A minha única reação, foi sair correndo. Entrei em meu carro e segui para o motel mais próximo. Chamei a policia e expliquei tudo. Que havia um maníaco pintor, e que ele tinha pintado o meu telhado e que estava me espionando.
Mas a policia não o encontrou, ele simplesmente sumiu e eu estava em segurança. Fiquei no motel por uns três dias, até que numa noite, enquanto eu tentava dormir, ouvi um sussurro em meu ouvido:
“Hey. O telhado desse motel precisa de uma nova pintura.”
Quando abri os olhos, consegui enxergar apenas a silhueta de uma pessoa muito magra, saindo rapidamente pela janela.
.....
Eu estava acordada até tarde checando meus e-mails (tenho insônia) quando a página atualizou mostrando uma nova mensagem.
“3:48 AM (22/09/10) “alooga2”
Não sou apenas ruim. Eu sou o pior. Você nunca me verá chegando. Eu sou aquele que você acha que não sou. Sou um pintor. De telhados.”
Achei que fosse algo normal. Eu nem conhecia aquele endereço de e-mail. Então outra mensagem chegou:
“3:48 AM (22/09/10) “alooga2”
Eu sou livre? Não. Eu tenho bocas para alimentar. Estou falando por meio de charadas. Sou o grande mal, eu tenho que ser o tal. Isso me torna mais assustador. Como tinta preta.
Nesse ponto, eu ainda não estava muito assustada. Pensei que estivesse recebendo as mensagens por engano. Já tinha acontecido antes.
Levou apenas alguns minutos para ele mandar outra mensagem.
“3:57 AM (22/9/10) “alooga2”
...pintar.”
“4:33 AM (22/09/10) “alooga2”
Eu zombo de você quando você não está”
Eu já estava ficando irritada, mesmo assim decidi ignorar. Pensei que ele já tivesse se cansado quando algumas horas se passaram sem que ele me enviasse outra mensagem. Mas...
“8:11 AM (22/9/10) “alooga2”
Café. Preto. Preto. Café”
“8:11 AM (22/9/10) “alooga2”
Acumule moedas. Quebre o porquinho. Pegue o que ganhou. Estou sempre à caminho. Chame o pintor. Faça ao mundo um favor”
Eu nem tive tempo de mandar o cara se ferrar, já que eu tinha que ir para o trabalho. Levei bastante tempo sem verificar o email, e quando o fiz, encontrei quatro novas mensagens, enviadas por... adivinha quem....
“12:51 PM (22/9/10) “alooga2”
Dizem que sou surreal. Mas sou diferente, com minha cartola e meu bigode. Pareço ter saído de um desenho animado. E vou pintar o seu telhado.”
“3:21 PM (22/9/10) “alooga2”
Quero pintar o seu telhado.”
“3:52 PM (22/9/10) “alooga2”
Acho que vou pintar hoje. Vou pintar de preto, assim como o seu cabelo, Mirian. Seu cabelo é preto. Preto. Cabelo. É um trocadilho.”
Agora, nesse ponto vocês já podem imaginar que eu estava furiosa com esse cara me mandando essas porcarias. Então respondi com essa clara e concisa mensagem:
“Para com essa palhaçada seu merdinha.”
Então ele me respondeu, em apenas alguns segundos.
“4:20 PM (22/9/10) “alooga2”
Teve um dia cansativo no trabalho? Pensei que você gostasse de mim. Vou até pintar o telhado para você”
A coisa já estava ficando muito estranha. Então resolvi bloquear o imbecil. E isso resolveu meus problemas. Levei alguns anos sem receber outra mensagem, até que em uma madrugada, enquanto estava outra vez checando meus e-mails, recebi uma nova mensagem com um anexo.
“3:48 AM (23/9/13) “aloooga2”
Enfim, pintei o seu telhado.”
O anexo era uma foto da minha casa. Estava com o telhado todo preto. Corri para a janela e vi a tinta preta pingando do telhado. Manchando toda a varanda.
Então chegou uma última mensagem.
3:48 AM (23/9/13) “aloooga2”
“Deveria ter visto a sua cara. Aqui, tirei uma foto do momento”
Nessa mensagem também tinha um anexo. Era uma foto minha, enquanto olhava assustada pela janela. A mesma janela que olhei uns 3 minutos atrás. Eu não percebi nenhum flash ou algo assim. A minha única reação, foi sair correndo. Entrei em meu carro e segui para o motel mais próximo. Chamei a policia e expliquei tudo. Que havia um maníaco pintor, e que ele tinha pintado o meu telhado e que estava me espionando.
Mas a policia não o encontrou, ele simplesmente sumiu e eu estava em segurança. Fiquei no motel por uns três dias, até que numa noite, enquanto eu tentava dormir, ouvi um sussurro em meu ouvido:
“Hey. O telhado desse motel precisa de uma nova pintura.”
Quando abri os olhos, consegui enxergar apenas a silhueta de uma pessoa muito magra, saindo rapidamente pela janela.
19/11/2014
Humannequin
Não era desse jeito que eu pretendia passar a minha noite de sexta-feira, pensei comigo mesmo enquanto revirava uma grande pilha de papéis em minha escrivaninha. Eram umas 18:45, e eu já estava em casa há meia hora. A hora do jantar chegou e passou, mesmo assim, ainda não pude desviar a minha atenção da grande carga de trabalho que estava diante de mim. As 20:30, larguei tudo e decidi encontrar a minha esposa e a minha filha na sala de estar; se eu continuasse mais um pouco naquela escrivaninha, acabaria arrancando meu próprio cabelo.
Segui para a sala de estar para encontrar a minha filha, Mary, remexendo em nossas fotos da família. Minha esposa a estava ajudando, com as duas rindo e revivendo as várias viagens e experiências que tivemos, decidi me juntar a elas, carregando uma xícara de café e observando o que estavam fazendo.
“Certo, agora esta vai aqui –“
“Não! Fomos para a Venezuela DEPOIS do belíssimo casamento. Não foi querido?”
Desviei minha atenção das fotos para olhar a minha esposa nos olhos. Ela já estava desenvolvendo os primeiros traços de algumas rugas, mas suas características juvenis continuavam tão fortes quanto quando nos conhecemos. Um leve sorriso combinado com olhos verdes brilhantes e bochechas e queixo bem definidos.
“Isso mesmo!” afirmei. “Ficamos lá por duas semanas até que fiquei doente quando peguei a terrível La Venganza de Montezuma.” Rimos muito com isso e continuamos com a construção do projeto. Mary estava reunindo algumas fotos para um projeto da escola, um tipo de atividade para “encontrar suas raízes.” Um pouco desnecessário, talvez, mas não fazia mal. Já tinha terminado meu café e estava prestes a voltar ao trabalho quando uma transmissão de emergência irrompeu em todos os televisores da casa. A mensagem tradicional de emergência tremulava como se algo quisesse interrompe-la; como se houvesse outra mensagem querendo tomar espaço para desviar a nossa atenção do perigo real. A mensagem surgiu na tela, em grossas letras negras:
NÃO SAIAM, AERONAVE NÃO IDENTIFICADA EXECUTANDO CIVIS EXPOSTOS
NÃO SAIAM, AERONAVE NÃO IDENTIFICADA EXECUTANDO CIVIS EXPOSTOS
“Oh meu Deus,” Mary suspirou. “Vamos ficar seguros, papai?”
Eu não poderia ser honesto com ela. Se ela soubesse das possibilidades, ela sairia correndo em pânico. Então, decidi lidar com a situação pensando racionalmente.
“É claro, Mary. Vá para o meu quarto e prepare os cobertores. Quero todos em um só lugar hoje à noite, assim, um de nós pode alertar o outro caso aconteça algo. Querida, você vai pegar as lanternas e o revólver. Vou trancar as portas e me certificar que ninguém esteja lá fora.”
Enquanto nos dividíamos para nos preparar, percebi algo enquanto checava a porta da frente. Na rua, pequenas luzes vermelhas foram colocadas ao longo do solo, além dos grandes e vermelhos “X’s” que foram desenhados em cada cruzamento. Foi então que suspeitei que a tal aeronave não era tão desconhecida quanto o governo queria que acreditássemos. Eu não conhecia muito bem o protocolo deles, mas sabia reconhecer uma quarentena. Largando minhas suspeitas de lado, segui para meu quarto. As lanternas e o revólver já estavam na mesa de cabeceira. Carreguei o revólver, me enrolei no cobertor ao lado da minha esposa e tentei dormir.
O som de buzinas me acordou. Agarrei o revólver, atento para o que quer que tenha soado a buzina tão alto. Olhei para o lado, onde minha esposa e minha filha continuavam dormindo embaixo dos cobertores. Suspirando de alívio, sai da cama para verificar a condição das coisas. A TV continuava a transmitir a mesma mensagem.
Notei que algo piscava rapidamente enquanto a mensagem continuava bastante clara na tela. Para minha surpresa, a tela congelou por poucos segundo, porém, o bastante para que eu pudesse ver o que piscava junto com a mensagem.
Parecia ser uma imagem de baixa qualidade, que mostrava uma caveira com um símbolo radioativo na testa. Logo abaixo da caveira, havia a palavra “OBEY”. Um súbito sentido de alerta passou por minha mente, mas naquele momento pensei que era apenas coincidência, algo passageiro. Ainda assuntado com o que tinha acabado de ver, saí para verificar o que mais havia sido afetado.
Assim que as buzinas pararam, o ar foi preenchido com a Moonlight Serenade de Glenn Miller, que tocava por algum alto falante que eu não conseguia ver. Carros estavam nas ruas, mas não estavam estacionados; de fato, a maioria dos carros continuavam rodando, e alguns deles estavam batidos. Me aproximando de um dos carros, fiz uma estranha e terrível descoberta.
Não havia um humano dirigindo o carro. Era um... um manequim. Inicialmente pensei que alguém tivesse posto o manequim dentro do carro como um tipo de piada. Porém, depois de verificar melhor, percebi que ele usava roupas e um relógio. Cheio de curiosidade, verifiquei seus bolsos – estavam cheios. Um manequim do que parecia ser um trabalhador de classe média com os bolsos cheios de dinheiro e um relógio que parecia bem caro. Seu rosto mostrava uma expressão de riso, e suas mãos estavam em frente ao rosto, como se estivesse se protegendo de algo. Percebendo a gravidade de situação, corri para minha casa, desesperado para verificar a minha mulher e a minha filha.
À primeira vista, tudo no quarto parecia normal. May e a mãe não tinham se mexido desde a última vez que as vi antes de sair, e isso me deixou bastante preocupado depois de ter visto como estavam as coisas lá fora. Puxei o cobertor da minha filha e vi o seu rosto brilhante, de expressão sonolenta, porém, artificial e estática. Seu manequim também possuía a mesma altura, assim como a mesma curva no nariz e o formato dos dedos. Tentando levanta-lo, descobri que aquela copia doentia não pesava quase nada. Quem quer que tenha feito aquela coisa, não tinha colocado apenas a mesma pele da minha filha, como também seus cabelos amarelados em detalhes desde a raiz. Sentimentos de raiva e desespero tomaram conta de mim assim que percebi que a minha mulher tinha encontrado o mesmo trágico e misterioso destino.
O que quer que estivesse acontecendo, cheirava a uma conspiração muito bem planejada. Isso foi comprovado assim que segui para a cozinha à procura de mantimentos e percebi que todos os tipos de alimentos foram substituídos por cópias idênticas feitas de plástico.
Lembrando das fotos da família espalhadas pela mesa da sala desde a noite anterior, peguei algumas para procurar por alguma mudança. Em cada uma das fotos, eu, a minha esposa e minha filha, éramos manequins. Fiquei horrorizado. Os rostos e expressões eram exatamente os mesmos, porém, eu mal reconhecia meu próprio rosto com um sorriso tão vazio.
Tão... desumano.
Ninguém em sã consciência poderia aguentar esse tipo de realidade...
Pegando meu revolver e as chaves do carro, saí para verificar se ainda havia sobrado algum vestígio de vida naquele lugar.
Destroços e mais destroços obstruíam o meu caminho e retardavam a minha viagem dentro daquele silencioso e perturbador subúrbio. Manequins estavam atrás do volante de cada carro que eu encontrava. Homens, mulheres, e crianças petrificados com expressões de vários tipos, que foram pegas em vários momentos; um pai furioso gritando com o filho no assento de trás, um guarda sonolento ajudando várias crianças agitadas a atravessarem a rua, e duas irritadas mulheres paradas no meio de uma discursão silenciosa em um cruzamento. Assim como eu tinha visto antes, todos os cruzamentos possuíam um grande X vermelho pintado no asfalto. Continuei dirigindo até alcançar uma barricada onde deveria estar a saída do bairro. Sai do carro e não encontrei nada além de uma densa névoa que cobria todo o terreno atrás da barricada. Estendendo minha mão para senti-la, descobri que ela queimava ao encostar-se à pele.
Então é isso, confirmei comigo mesmo. Estou preso aqui.
Naquele momento, um carro já não parecia tão necessário, então passei a andar sem um rumo. Em um beco um pouco próximo à barricada e ao desconhecido além, havia um garoto com uma tinta spray vandalizando o lado de uma casa. Havia um sorriso em seu rosto, mas estava de um modo forçado. Seus dedos continuavam pressionando o spray, mesmo com a lata quase vazia, mostrando que ele já estava naquela posição a bastante tempo.
Um pouco de tinta negra escorria por entre os dedos do manequim, caindo no asfalto. A mensagem que ele pichava na parede dizia:
NÃO TENHO BOCA MAS DEVO SORRIR
A música parou de repente e uma voz soou. Era nítida e anormalmente clara.
“Obrigado por observarem o trabalho perfeitamente detalhado e preparado pela Futureline Industries. Esse ambiente sofrerá uma explosão nuclear em vinte minutos.”
O mesmo som que estava tocando antes, passou para um volume mais baixo enquanto uma contagem iniciava. Entrei em uma casa próxima e peguei um pequeno caderno onde pude escrever tudo o que vocês leram ate aqui. Eu ficaria surpreso se alguém pudesse encontra-lo nos escombros, mas eu realmente espero que alguém encontre.
Que Deus cuide da minha alma e derrame a justiça sobre aqueles que me condenaram.
- 5 de Janeiro de 1960
Usando um par de luvas de couro preto, o elegante e pomposo milionário entrou na galeria com sua comitiva. Seu recente projeto lhe custou um total de 70 milhões de dólares, mas ele sabia que o projeto geraria um grande lucro se conseguisse vende-lo. Isso já era garantido – as artes de Sinclair Gustav sempre eram vendidas com os mais altos preços em qualquer exposição. Sua consciência estava perfeitamente limpa para alguém que fez um bairro inteiro desaparecer; todos que o cumprimentavam, desconheciam que em seu coração, ele era um assassino de sangue frio, que pensava apenas em vender seu trabalho pelo maior lance.
Depois de vários elogios e champagne, seu quadro mais admirado e realista foi vendido por um total de 100 milhões de dólares. O artigo mais caro daquela noite mostrava um manequim em chamas ao lado de um homem com expressões de sofrimento enquanto escrevia algo e também estava em chamas. Ele sorriu presunçoso, quando o título foi anunciado, selando seu lugar na fama e na infâmia:
Humannequin
...
Naquele bairro – nas ruínas vaporizadas e em cinzas – A Moonlight Serenade continuava a tocar pelos alto-falantes... que mal conseguiram permanecer intactos...
Escrita por: Dubiousdugong
Segui para a sala de estar para encontrar a minha filha, Mary, remexendo em nossas fotos da família. Minha esposa a estava ajudando, com as duas rindo e revivendo as várias viagens e experiências que tivemos, decidi me juntar a elas, carregando uma xícara de café e observando o que estavam fazendo.
“Certo, agora esta vai aqui –“
“Não! Fomos para a Venezuela DEPOIS do belíssimo casamento. Não foi querido?”
Desviei minha atenção das fotos para olhar a minha esposa nos olhos. Ela já estava desenvolvendo os primeiros traços de algumas rugas, mas suas características juvenis continuavam tão fortes quanto quando nos conhecemos. Um leve sorriso combinado com olhos verdes brilhantes e bochechas e queixo bem definidos.
“Isso mesmo!” afirmei. “Ficamos lá por duas semanas até que fiquei doente quando peguei a terrível La Venganza de Montezuma.” Rimos muito com isso e continuamos com a construção do projeto. Mary estava reunindo algumas fotos para um projeto da escola, um tipo de atividade para “encontrar suas raízes.” Um pouco desnecessário, talvez, mas não fazia mal. Já tinha terminado meu café e estava prestes a voltar ao trabalho quando uma transmissão de emergência irrompeu em todos os televisores da casa. A mensagem tradicional de emergência tremulava como se algo quisesse interrompe-la; como se houvesse outra mensagem querendo tomar espaço para desviar a nossa atenção do perigo real. A mensagem surgiu na tela, em grossas letras negras:
NÃO SAIAM, AERONAVE NÃO IDENTIFICADA EXECUTANDO CIVIS EXPOSTOS
NÃO SAIAM, AERONAVE NÃO IDENTIFICADA EXECUTANDO CIVIS EXPOSTOS
“Oh meu Deus,” Mary suspirou. “Vamos ficar seguros, papai?”
Eu não poderia ser honesto com ela. Se ela soubesse das possibilidades, ela sairia correndo em pânico. Então, decidi lidar com a situação pensando racionalmente.
“É claro, Mary. Vá para o meu quarto e prepare os cobertores. Quero todos em um só lugar hoje à noite, assim, um de nós pode alertar o outro caso aconteça algo. Querida, você vai pegar as lanternas e o revólver. Vou trancar as portas e me certificar que ninguém esteja lá fora.”
Enquanto nos dividíamos para nos preparar, percebi algo enquanto checava a porta da frente. Na rua, pequenas luzes vermelhas foram colocadas ao longo do solo, além dos grandes e vermelhos “X’s” que foram desenhados em cada cruzamento. Foi então que suspeitei que a tal aeronave não era tão desconhecida quanto o governo queria que acreditássemos. Eu não conhecia muito bem o protocolo deles, mas sabia reconhecer uma quarentena. Largando minhas suspeitas de lado, segui para meu quarto. As lanternas e o revólver já estavam na mesa de cabeceira. Carreguei o revólver, me enrolei no cobertor ao lado da minha esposa e tentei dormir.
O som de buzinas me acordou. Agarrei o revólver, atento para o que quer que tenha soado a buzina tão alto. Olhei para o lado, onde minha esposa e minha filha continuavam dormindo embaixo dos cobertores. Suspirando de alívio, sai da cama para verificar a condição das coisas. A TV continuava a transmitir a mesma mensagem.
Notei que algo piscava rapidamente enquanto a mensagem continuava bastante clara na tela. Para minha surpresa, a tela congelou por poucos segundo, porém, o bastante para que eu pudesse ver o que piscava junto com a mensagem.
Assim que as buzinas pararam, o ar foi preenchido com a Moonlight Serenade de Glenn Miller, que tocava por algum alto falante que eu não conseguia ver. Carros estavam nas ruas, mas não estavam estacionados; de fato, a maioria dos carros continuavam rodando, e alguns deles estavam batidos. Me aproximando de um dos carros, fiz uma estranha e terrível descoberta.
Não havia um humano dirigindo o carro. Era um... um manequim. Inicialmente pensei que alguém tivesse posto o manequim dentro do carro como um tipo de piada. Porém, depois de verificar melhor, percebi que ele usava roupas e um relógio. Cheio de curiosidade, verifiquei seus bolsos – estavam cheios. Um manequim do que parecia ser um trabalhador de classe média com os bolsos cheios de dinheiro e um relógio que parecia bem caro. Seu rosto mostrava uma expressão de riso, e suas mãos estavam em frente ao rosto, como se estivesse se protegendo de algo. Percebendo a gravidade de situação, corri para minha casa, desesperado para verificar a minha mulher e a minha filha.
À primeira vista, tudo no quarto parecia normal. May e a mãe não tinham se mexido desde a última vez que as vi antes de sair, e isso me deixou bastante preocupado depois de ter visto como estavam as coisas lá fora. Puxei o cobertor da minha filha e vi o seu rosto brilhante, de expressão sonolenta, porém, artificial e estática. Seu manequim também possuía a mesma altura, assim como a mesma curva no nariz e o formato dos dedos. Tentando levanta-lo, descobri que aquela copia doentia não pesava quase nada. Quem quer que tenha feito aquela coisa, não tinha colocado apenas a mesma pele da minha filha, como também seus cabelos amarelados em detalhes desde a raiz. Sentimentos de raiva e desespero tomaram conta de mim assim que percebi que a minha mulher tinha encontrado o mesmo trágico e misterioso destino.
O que quer que estivesse acontecendo, cheirava a uma conspiração muito bem planejada. Isso foi comprovado assim que segui para a cozinha à procura de mantimentos e percebi que todos os tipos de alimentos foram substituídos por cópias idênticas feitas de plástico.
Lembrando das fotos da família espalhadas pela mesa da sala desde a noite anterior, peguei algumas para procurar por alguma mudança. Em cada uma das fotos, eu, a minha esposa e minha filha, éramos manequins. Fiquei horrorizado. Os rostos e expressões eram exatamente os mesmos, porém, eu mal reconhecia meu próprio rosto com um sorriso tão vazio.
Tão... desumano.
Ninguém em sã consciência poderia aguentar esse tipo de realidade...
Pegando meu revolver e as chaves do carro, saí para verificar se ainda havia sobrado algum vestígio de vida naquele lugar.
Destroços e mais destroços obstruíam o meu caminho e retardavam a minha viagem dentro daquele silencioso e perturbador subúrbio. Manequins estavam atrás do volante de cada carro que eu encontrava. Homens, mulheres, e crianças petrificados com expressões de vários tipos, que foram pegas em vários momentos; um pai furioso gritando com o filho no assento de trás, um guarda sonolento ajudando várias crianças agitadas a atravessarem a rua, e duas irritadas mulheres paradas no meio de uma discursão silenciosa em um cruzamento. Assim como eu tinha visto antes, todos os cruzamentos possuíam um grande X vermelho pintado no asfalto. Continuei dirigindo até alcançar uma barricada onde deveria estar a saída do bairro. Sai do carro e não encontrei nada além de uma densa névoa que cobria todo o terreno atrás da barricada. Estendendo minha mão para senti-la, descobri que ela queimava ao encostar-se à pele.
Então é isso, confirmei comigo mesmo. Estou preso aqui.
Naquele momento, um carro já não parecia tão necessário, então passei a andar sem um rumo. Em um beco um pouco próximo à barricada e ao desconhecido além, havia um garoto com uma tinta spray vandalizando o lado de uma casa. Havia um sorriso em seu rosto, mas estava de um modo forçado. Seus dedos continuavam pressionando o spray, mesmo com a lata quase vazia, mostrando que ele já estava naquela posição a bastante tempo.
Um pouco de tinta negra escorria por entre os dedos do manequim, caindo no asfalto. A mensagem que ele pichava na parede dizia:
NÃO TENHO BOCA MAS DEVO SORRIR
A música parou de repente e uma voz soou. Era nítida e anormalmente clara.
“Obrigado por observarem o trabalho perfeitamente detalhado e preparado pela Futureline Industries. Esse ambiente sofrerá uma explosão nuclear em vinte minutos.”
O mesmo som que estava tocando antes, passou para um volume mais baixo enquanto uma contagem iniciava. Entrei em uma casa próxima e peguei um pequeno caderno onde pude escrever tudo o que vocês leram ate aqui. Eu ficaria surpreso se alguém pudesse encontra-lo nos escombros, mas eu realmente espero que alguém encontre.
Que Deus cuide da minha alma e derrame a justiça sobre aqueles que me condenaram.
- 5 de Janeiro de 1960
--
Usando um par de luvas de couro preto, o elegante e pomposo milionário entrou na galeria com sua comitiva. Seu recente projeto lhe custou um total de 70 milhões de dólares, mas ele sabia que o projeto geraria um grande lucro se conseguisse vende-lo. Isso já era garantido – as artes de Sinclair Gustav sempre eram vendidas com os mais altos preços em qualquer exposição. Sua consciência estava perfeitamente limpa para alguém que fez um bairro inteiro desaparecer; todos que o cumprimentavam, desconheciam que em seu coração, ele era um assassino de sangue frio, que pensava apenas em vender seu trabalho pelo maior lance.
Depois de vários elogios e champagne, seu quadro mais admirado e realista foi vendido por um total de 100 milhões de dólares. O artigo mais caro daquela noite mostrava um manequim em chamas ao lado de um homem com expressões de sofrimento enquanto escrevia algo e também estava em chamas. Ele sorriu presunçoso, quando o título foi anunciado, selando seu lugar na fama e na infâmia:
Humannequin
...
Naquele bairro – nas ruínas vaporizadas e em cinzas – A Moonlight Serenade continuava a tocar pelos alto-falantes... que mal conseguiram permanecer intactos...
| Uma das fotos tiradas após a explosão. |
Escrita por: Dubiousdugong
18/11/2014
O portador do conhecimento
Em qualquer cidade, em qualquer país, vá a qualquer hospício ou casa de recuperação a que você possa ter acesso. Uma vez na recepção, peça para visitar aquele que se entitula "O guardião do conhecimento". O atendente vai rir e levará você até um quarto vazio. Ele lhe dará uma chave e dirá para que espere por algum tempo até ouvir um sino. Quando o sino tocar, você deverá trancar a porta pela qual entrou, esperar até que toque novamente, e destrancá-la.
Uma vez que você tenha seguido essas instruções, a porta se abrirá sozinha e revelará um longo corredor, com todas as cores possíveis de se imaginar pintadas nas paredes, teto e chão. Ande pelo corredor até ouvir uma garotinha cantando. Pare, feche os olhos e permaneça imóvel até que ela termine. Se você falhar e acabar se mexendo, corra. Corra até a porta por onde você entrou, tão rápido quanto possível. Pule pela janela do quarto onde você esperou antes, e talvez você viva. Se você não conseguir alcançar a janela a tempo, você será arrastado de volta pelo corredor por algo que definitivamente não é uma garotinha. Você será arrastado por essa criatura até o fim dos tempos, eternamente sentindo a dor de todas as almas arrastadas prematuramente para a morte.
Se, por outro lado, você conseguir se manter completamente calmo e imóvel até o fim da música, você poderá escolher se quer virar de costas e ir embora ou continuar a se aventurar nesse ambiente. Se escolher a segunda opção, continue andando pelo corredor até encontrar uma porta em formato de pessoa. Abra-a com a mesma chave que lhe foi dada mais cedo, entre e feche-a novamente. No meio do quarto, você verá uma mesa com uma vela brilhante. Atrás da mesa há um homem, cujo rosto não pode ser visto por trás do brilho da vela. Aproxime-se, mas mantenha a chama entre você e o rosto dele, pois se você chegar a ver a aparência dele, seu olhar ficará fixo no dele até que suas próprias mãos removam cada centímetro de pele do seu corpo.
Pare quando estiver a cinco passos de distância da mesa. O homem levantará a mão e gesticulará para que você chegue mais perto, mas não dê mais nenhum passo à frente. Feche os olhos e pergunte: "Quem irá trazê-los de volta juntos?"
Você irá ouvir o homem se erguer e começar a rezar em uma língua que você não entende. Depois de dois minutos, você ouvirá um nome. Se você ouvir "Anubis", então é melhor que você faça suas preces no pequeno espaço de tempo que você terá para fazê-las... mas se ouvir "Thor", então você pode abrir seus olhos. Você verá a cabeça do homem, cortada, sobre a mesa, e ainda falando. Após três minutos, ele terminará sua oração, e irá dizer como você vai morrer. Ele vai descrever cada pequeno detalhe de sua morte, e você não conseguirá se mover ou reagir enquanto ele explica. Por fim, ele irá descrever aquele que irá tirar sua vida, e entrará em detalhes, como por que é necessário que você se questione o que seria pior: ser assassinado ou continuar sua vida.
Eventualmente, a cabeça irá parar de falar. Essa história assustadora é o objeto 9 de 538. Cabe a você decidir o que fazer com a informação sobre sua morte, pois agora é inevitável.
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13/11/2014
O portador da riqueza
Em qualquer cidade, em qualquer país, vá a qualquer hospício ou casa de recuperação a que você possa ter acesso. Uma vez na recepção, peça para visitar aquele que se entitula "O guardião da riqueza". O atendente vai levantar uma sobrancelha, como se estivesse confuso. Pergunte uma segunda vez, e ele dará de ombros, levando você ao outro lado da rua, onde uma enorme mansão o espera. Se você é uma pessoa observadora, vai notar que ela não estava ali quando você iniciou sua jornada... O dono dela prefere que você não pense a respeito disso.
Atravessando a porta você encontrará um lance de escadas em espiral, do outro lado do hall. As paredes estarão cobertas com belas pinturas, e uma enorme estátua de mármore estará em um pedestal aos pés da escada. A aparência sobrenatural da estátua invoca uma imagem de um monstro horrível, um misto de alien e demônio. Admire-a o quanto quiser, mas não toque-a, a menos que queira acordar esse monstro faminto.
Suba as escadas. Não toque nada, e você não terá problemas. Não entre em pânico. No topo, você via encontrar uma pequena porta de madeira: sua aparência modesta é um enorme contraste ao luxo decadente da mansão. Ela se abrirá sozinha para você, desde que você não esteja com medo.
Atravessando-a, você encontrará um homem com um cavanhaque pontudo e um cabelo curto, penteado e engomado. Sentado atrás de uma enorme mesa de mogno, seu terno é feito de carne humana e seda italiana. Ele irá falar, e por um bom tempo. Ele falará sobre sua bela casa e a linda estátua de sua concubina no andar inferior. Não o interrompa, não responda qualquer pergunta que ele faça. Quando ele parar de falar, prepare-se e pergunte de maneira confiante: "Posso receber meu salário?"
Ele irá lhe explicar, em detalhes vívidos, o valor da vida. Ele falará de destinos piores que a morte, e ele irá falar de coisas que ele espera que você faça exatamente como ele diz. O fabuloso interior do aposento começará a apodrecer, e o piso de taco francês se transformará em fezes. A aparência do homem vai se tornar ciclópica e incrivelmente horrenda. Ele tirará uma nota promissória do bolso de seu terno, e entregará a você.
Essa nota é o objeto 8 de 538. Seu guardião espera que você faça bom uso dela.
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