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Creepypasta dos Fãs: Lago Negro

Sempre fui muito apegado ao meu pai. Quando era criança, ouvi seus últimos conselhos enquanto ele entrava lentamente na água escura. Me disseram que foi depressão, que sentia saudades da mamãe. Eu sabia que era mentira, lembro da expressão que ele tinha no rosto enquanto se afogava no lago onde mamãe tinha se matado.

Só fui descobrir a verdade no meu último dia na velha casa. Tia Beth tinha que voltar pro trabalho, e iam me deixar aos cuidados da assistente social. Ela iria me buscar no dia seguinte, então aquele foi meu último contato com aquela fase da minha vida.

Fora um dia difícil para mim. Quando anoiteceu demorei para conseguir me acalmar, e dormi um sono leve e sem sonhos até que algo me acordou no meio da noite.

Levantei um pouco a cabeça e espiei entre as cobertas. Meu quarto parecia estar mais frio e escuro do que costumava ser, mas algo se destacava na escuridão. Um rastro pegajoso pegajoso que se arrastava pelo chão e atravessava meu quarto até a porta escancarada.

Levantei da cama ainda meio sonolento e segui o rastro até a escada. A porta do quarto que fora dos meus pais estava aberta e tia Beth repousava lá dentro, imperturbável em seu sono de pedra.

Desci as escadas e segui aquela trilha negra até a varanda, e vi que ela se estendia pelo gramado para dentro do bosque fechado, onde jazia o lago negro que tinha tomado meus pais.

Por algum motivo pensar daquela maneira me encheu de raiva, de outra forma não teria continuado. Eu precisava descobrir a verdade antes de ir embora dali para sempre.

O bosque era um interminável silêncio, nem meus passos eram capazes de produzir som. nenhum ser vivo jamais habitaria aquele lugar, exceto a coisa responsável pelos afogamentos.

O rastro me levou até a clareira que se abria em volta do lago negro, e conforme eu me aproximava do fim da trilha de lodo uma sensação terrível como eu nunca antes havia experimentado em minha vida apossou-se de mim. Meu coração se encheu de medo quando uma voz vinda do nada pôs-se a sussurrar em meu ouvido. Era a voz de um mal antigo e poderoso, e estava contente por ter me arrastado até ali.

- Vamos, entre logo! - Era uma voz gutural, rançosa e carregada de malícia. - Seus pais estão com saudades de você.

Já não era mais eu quem controlava meu corpo, o único pensamento gritando dentro de mim era um apelo desesperado para que meus pés parassem de se mover. Quando o lodo negro tocou minha pele eu fui capaz de vê-la.

Ela não tinha exatamente uma forma física, não era algo que habitasse totalmente esse plano, mas podia sentir sua presença se arrastando em minha direção. Ela trazia cheiro de morte, decomposição, vermes e parasitas que habitam as profundezas.

Seja lá o que aquilo fosse, eu sabia que era feminina de alguma forma terrível. Suas intenções eram tão horríveis e cruéis que só fui capaz de compreende-las anos depois, mas naquele momento eu era capaz de compreender que ela faria coisas horríveis assim que tivesse meu corpo.

Eu estava prestes a sentir o toque gelado de seus dedos invisíveis, mortos, eu sabia que estava condenado e isso me enchia de pavor. Mas não foi o que aconteceu.

Subitamente uma sensação de paz tomou conta de mim, assim como o controle do meu corpo. Era a voz de meu pai que falava comigo agora. Ele parecia triste, sua voz estava mais grave e parecia muito cansada.

- Você não devia ter vindo até aqui, filho. Vá embora rápido, antes que ela volte. Eu e sua mãe te amamos muito, e estaremos sempre com você.

Saí daquele lago imundo e com lágrimas nos olhos, e fui correndo direto para a velha casa. Minha tia estava acordada quando cheguei, ela me abraçou com força e choramos juntos sem dizer uma palavra. Depois daquele dia ela me levou para morar com ela, e pude viver o resto da minha vida sem nenhum trauma exceto as lembranças de minha infância.

Até hoje eu não sei o que era a coisa que habitava aquele lago, mas rezo todos os dias pelas almas de meus pais, para que estejam livres de sofrimento onde quer que estejam.


Autor: Raul Dullius