24/03/2017

Creepypasta dos Fãs: Eu vejo você

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Medo. Gritos. Por que é que eles sempre gritam? Na maioria dos filmes de terror, o personagem babaca se vê perto do "monstro" e então grita "Tem alguém aí?", como se já não soubesse que está prestes a se encontrar com seu assassino. Por que eles representam assim? Todo mundo sabe que é idiota, e não faz o menor sentido. 

No mundo real, isso não passa de uma grande utopia. Quando eu era mais nova, eu via coisas. Acordava todos os dias às três da manhã gritando por minha mãe, e quando ela aparecia, me salvava dos monstros que me perseguiam mesmo depois de acordar dos pesadelos. Todo santo dia. 

Eu culpo a casa. Desde que nos mudamos daquela casa, eu não tive mais pesadelos diários, aquilo passou. Foi um grande alívio para mim e, é claro, para minha mãe.  Mas eu ainda via coisas. Eu ainda vejo. 
Não é nada tão horrível assim, apenas uma figura feminina no final do corredor com longos cabelos pretos, pele pálida e um vestido branco. Se assemelha muito a maioria dos filmes de terror, e eu nem sei por quê. Só assisti dois em toda a minha vida, e um deles era sobre a Bloody Mary; quando eu tinha uns quatro anos, entrei no quarto onde minha irmã e meus primos estavam assistindo — eles amavam filmes de terror — e vi uma cena em que ela aparece no espelho após ser chamada. Fiquei extremamente perturbada, e sequer fui capaz de me olhar no espelho por meses. 
Até hoje eu tenho um certo receio de espelhos, mas digamos que isso passou. Essa mulher que aparece pra mim, eu não sei o que ela quer. Ela é a única que ainda permanece aqui. Eu a vejo pelo canto do olho quando estou deitada no sofá atenta ao celular, então eu meio que coloco o aparelho na frente do corredor e não a vejo mais. Quando eu tento olhar pra ela, ela some. 
Às vezes eu vejo uma criança idêntica a ela, que corria para o banheiro quando eu a olhava. Mas essa mulher está aqui, todas as noites. 
Uns anos atrás eu a temia mais do que tudo. Quando ia dormir, desligava a TV da sala e ia correndo até o quarto, atravessando o corredor o mais rápido que podia. Eu nunca a vi se não pelo canto do olho enquanto estou mexendo no celular, mas não era necessário vê-la. Eu a sentia. 
Enquanto eu corria, era como se uma respiração fria dançasse pela minha nuca. Era o suficiente para o meu corpo todo arrepiar. Quantas vezes atravessando aquele corredor eu senti alguém atrás de mim, ouvi passos... E quando tinha coragem para virar, lá estava: o grande nada. Gostaria de saber o que ela é, o que ela quer e por que ela não me deixa. Mas ela está aqui há tanto tempo, que eu já nem me incomodo mais. Eu apenas a ignoro com aquele esquema de colocar o celular tapando a visão do corredor. É bem simples. 

Por que as pessoas têm tanto medo? Ela nunca me fez nada. Os outros fizeram, eles me traumatizaram; mas sumiram. Já ela, apenas me assusta algumas vezes.  Não é tão grave assim. Ela sumiu. Eu posso ouvir a sua respiração pesada, o som de cada passo; mas ela não está mais aqui. 
Ainda sim, quando eu fecho os olhos, tudo o que eu ouço são gritos implorando por misericórdia, enquanto roda na minha mente a imagem dos cartazes pendurados nos postes, tão claros quanto sua pele jamais foi. 


Paira sobre mim uma lembrança não tão recente daquele pequeno corpo ferido sendo arrastado para o meu banheiro. E os gritos agonizantes soando como estacas furando a minha cabeça,  qualquer som que emitia me incentivava a rasgá-la cada vez mais. Eu vejo o sangue escorrendo pelo seu delicado vestido branco, seu cabelo completamente emaranhado, seus olhos piedosos
e seu choro sem fim. Eu sinto o toque de suas mãos tentando lutar, sua voz perdendo a força, seus olhos congelando, seu corpo sem reação.... Uma linda garotinha. Então eu abro os olhos e, finalmente, eu entendo porque ela sumiu. 
Ela sabia que não era o único monstro aqui. 

Autor: Mariana Marques
Revisão: Gabriela Prado


15 comentários:

  1. Otima. As creepy dos fãs estão ficando cada vez melhores.

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  2. Otima. As creepy dos fãs estão ficando cada vez melhores.

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  3. Eu tinha uma amiga sensitiva (acho que é assim que chamam essas pessoas, nu sei dhsjs) a maioria das "coisas" que apareciam pra ela, ela meio que ja estava acostumada e tal. Mas tinha um que ela tinha medo em particular, e essa creepy me lembrou isso, ela falando de um homem que ela via com o canto do olho e ele nunca fazia nada, ficava sempre parado la, como se estivesse esperando ela notar ele... bem bizarrinho hdhshdd'

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  4. As vezes é melhor que algumas criaturas que permanecem fora da nossa visão... ...continuem fora da nossa visão... caso contrário
    Já sabe

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  5. Incrível , achei 10/10 muito bom mesmo

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  6. Mto boa essa creepy, parabéns Mariana Marques pela escrita e por conseguir transmitir esse medo constante ao leitor, essa tensão, e parabéns Gabriela Pardo pela revisão, deixou a creepy impecável, se houve algum erro, eu não notei kkkkk

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    1. Olá! Muito obrigada! E caso haja erros, não hesite em me avisar, ok? O feedback de vocês é essencial para que a qualidade do site esteja sempre aumentando! Abraço!

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  7. 7/10 tensa...
    "utopia" foi uma palavra forte

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