26/08/2017

O Mausoléu

Mario chega à sua casa e encontra um estranho a sua espera. Ele estava bem vestido, de terno e gravata, cabelo bem penteado, sapatos lustrados e um sorriso branco estampado do rosto.

-Você não me conhece, mas eu te conheço muito bem, meu nome é Romeu e sou da polícia federal.

Ele congelou da cabeça aos pés, sabia que ai viria problema e ele provavelmente seria preso. Seu último trambique foi genial, ele roubou todo o dinheiro de uma mulher casada depois de seduzi-la e jurar amor eterno, supostamente estavam roubando o dinheiro do marido e iriam fugir, porém ele fugiu só deixando-a de mãos vazias.

-Não se preocupe, não vim te prender. Eu sei que você é um dos melhores trapaceiros da cidade, pois já venho te investigando há algum tempo. Acontece que estou planejando minha aposentadoria e tenho um plano que pode tornar meus sonhos e os seus em realidade.

- Vamos entrar para termos mais privacidade.

Os dois entraram na casa e o plano foi explicado para Mario que achou tudo muito simples, mas deveria funcionar e acabar de vez com seus dias de trapaça, pois o esquema envolvia muito dinheiro.

Romeu falsificaria vários documentos dentro da polícia e Mario se passaria por um milionário que iria ao banco para transferir dinheiro para o exterior. Se tudo desse certo eles transfeririam o dinheiro para várias contas em diversos países, o que deixaria quase impossível de rastrear e os dois passariam o resto de suas vidas em férias. Alguns dias se passaram e o momento do golpe chegou, Mario foi ao banco e seguiu todas as instruções de Romeu. Duas horas depois a transferência foi confirmada.

Ele saiu do banco contente, sua vida iria mudar. Entrou em seu carro e foi dirigindo em direção ao aeroporto por onde escaparia para a Europa e depois que ele estivesse com o dinheiro na mão decidiria para onde ir. Ele parou em um sinaleiro onde foi abordado por Romeu. Mario abriu a porta confuso, pois supostamente Romeu deveria estar no aeroporto a sua espera.

-O esquema foi por água abaixo, te descobriram e estão te procurando por toda a cidade, você tem que se esconder e rápido, a polícia federal está em massa no aeroporto.

O coração de Mario disparou, o medo tomou conta de seu corpo tremulo.

-Não pode ser, aonde vou me esconder? Eu não tenho pra onde ir!

-Comigo não vai ser, pois eu não vou em cana com você. Pensando bem, minha família tem um mausoléu no cemitério no centro da cidade, se você tiver coragem posso te levar lá pois tenho a chave. A tumba de baixo da sala principal é grande e você pode ficar escondido por um tempo, se você não se importar de passar um tempo com meus familiares já mortos. - disse Romeu com um sorriso sombrio.

-Acho que não tenho escolha.

Eles chegaram ao cemitério em minutos e Romeu levou Mario até o lugar. O mausoléu era enorme e muito bonito, deveria pertencer a uma família com muito dinheiro pois custavam muito caro. Romeu abriu o portão e eles entraram, Mario notou que no chão havia uma porta que dava para a parte de baixo onde os corpos ficavam armazenados em gavetas. Romeu retirou o cadeado e abriu a porta.

- Entra ai, no final do corredor tem um disjuntor onde você liga a luz. Mais tarde eu volto e te trago comida.

Mario pegou uma lanterna que estava no do lado da porta e foi entrando, seu rosto estava todo suado, seu corpo tremia, ele não queria entrar ali, pois tinha muito medo, porém sabia que não restava outra opção.

Quando entrou na sala olhou para as gavetas onde os corpos ficavam e se apavorou, gritou e correu em direção a porta para sair de lá, provavelmente a cadeia era melhor do que aquele lugar sombrio.

Ele se surpreendeu quando olhou para a porta e viu Romeu não estava mais lá, a porta se fechou com força, o eco do metal dentro da sala o deixou tonto por alguns segundos e quando retornou a si começou a bater na porta e gritar por Romeu. O terror foi tomando conta de seu corpo até que ele desmaiou. Horas depois ele acordou do susto, seu corpo doía pela queda da escada quando desmaiou.

A luz que vinha da lanterna agora estava fraca e quase não iluminava mais. Mario chorou, estava com medo, dor e fome. Ficou imaginando se seu parceiro iria regressar ou iria deixá-lo para morrer nesse lugar tenebroso e ficar com todo o dinheiro. O ar da sala estava ficando pesado, ele sentia que não havia muito oxigênio restante. Ele se levantou e começou a olhar as portas das gavetas onde ficavam os corpos. Olhava o retrato e o nome, notou que muita gente foi enterrada ali e o mausoléu era antigo.

Percebeu que duas fotos em duas gavetas eram bem recentes, pois as fotos eram novas e foi conferir.

Seu grito uma vez mais soou pelo mausoléu, o terror do que tinha visto o fez urinar. As gavetas tinham o nome Romeu Castilho e Amanda Castilho. Amanda foi a mulher que ele roubou todo o dinheiro em sua última trapaça e Romeu seu suposto parceiro. Mario não sabia que ela tinha morrido e estava confuso, ele escutou um barulho de papel, olhou para o chão e viu que estava pisando em um pedaço de jornal.

Ele pegou o papel e viu a foto do casal, o título dizia: Marido mata esposa e se suicida quando soube que foi roubado. Mario grita uma vez mais, pois sabia que ninguém viria resgatá-lo.

O golpista levou o golpe final.

Autor: MrCalazans Grandson

24/08/2017

Entre os Túmulos

Estou escrevendo isso porque sei que não sou louca, mas se eu não contar para alguém sobre o que aconteceu, posso não permanecer em sã consciencia por muito tempo. Começarei contando o que aconteceu há dois meses, quando Molly morreu e a minha vida mudou. Quase todos nós temos um amigo em quem confiamos, alguém que sabe como nos sentimos e o que pensamos sem mesmo trocar uma palavra. Um amigo que, não importa o quão ruim estejam as coisas, ele estará ao seu lado e irá sorrir para que você saiba que não está sozinho. Minha amiga era a Molly.

Eu sabia que algo estava errado quando a Molly não apareceu na escola, e nem respondeu minhas mensagens ou ligações por dois dias. Depois da escola, o meu pai me levou para a casa dela, mas quando chegamos a casa estava interditada com a faixa da polícia. No dia seguinte, as primeiras páginas dos jornais exibiam, “Homem espanca filha até a morte e se enforca”. Fiquei perturbada; não saí do quarto por três dias. Minha vida parou e fui reduzida a uma bola encolhida na cama, soluçando interminavelmente. Eu sabia que o pai da Molly batia nela com frequência, não importa o quanto eu falasse sobre isso, ela sempre ignorava. Eu nunca pensei que aquele bastardo acabaria com a vida dela.

A mãe da Molly tinha morrido quando ela ainda era muito nova, então sua tia preparou todo o funeral e convidou todos os colegas da Molly para prestar respeitos. Foi um lindo funeral. Como era um caixão fechado, a tia da Molly falava para todos que ela estava usando o vestido que usaria na formatura daquele ano. Meu coração quebrou-se outra vez ao ouvir isso, mal havia completado um mês que tínhamos comprado vestidos combinando. Molly foi enterrada ao lado da mãe em um cemitério local; seu pai foi enterrado em outro, não muito distante. Depois do funeral, comecei a perder o interesse nos estudos, na TV, nas músicas, em sair. Faltava às aulas frequentemente e recebia ligações da escola. Molly era grande parte da minha vida, e agora que ela se foi, sinto um vazio que nunca será preenchido.

Depois de um mês vivendo silenciosamente em meu quarto e mal indo para a escola, minha mãe entrou no meu quarto e conversou comigo. Ela me convenceu de que eu precisava continuar com minha vida, e que Molly desejaria o mesmo para mim. Com o tempo voltei a estudar, até achei a caneta tinteiro que Molly tinha me emprestado na ultima aula em que estivemos juntas. Sorri ao vê-la outra vez. Senti vontade de ver a minha amiga mais uma vez; queria contar que eu estava bem e sentia saudades. Um dia, enquanto voltava para casa depois da escola, comprei algumas flores e fui para o cemitério. Foi quando senti aquilo. No momento em que passei pelas portas do cemitério, senti algo estranho, como se o calor do meu corpo estivesse sendo sugado lentamente para fora. Lembrei de ter sentido algo assim no funeral da Molly, mas poderia jurar que era o tempo frio.

Enquanto andava pelo caminho cercado por túmulos, a sensação se intensificava. Comecei a tremer enquanto o calor deixava meu corpo. Minha respiração condensou e minhas mãos adormeceram, tudo que eu queria agora era deixar as flores no túmulo da Molly e sair. Olhei em volta, os túmulos envelhecidos, e não havia ninguém por perto, embora eu sentisse que alguém estava me observando. Muito, muito perto. Eu poderia descrever como o modo em que um animal selvagem observa um humano, analisando, procurando por uma fraqueza. Depois de longos segundos, alcancei o túmulo da Molly.

As flores caíram das minhas mãos adormecidas e meus joelhos curvaram-se. Caí de cara no túmulo. Toda a minha força me abandonou e minha visão embaçou enquanto eu escorregava para a inconsciência. A última coisa que vi antes de apagar foram as estranhas marcas de arranhões pelo túmulo da Molly e a sombra de uma figura parada atrás de mim.

Não sei por quanto tempo apaguei, mas acordei em um lugar fracamente iluminado, lutando para respirar, sentindo um frio que nunca senti em minha vida. Quando minha visão se ajustou soltei um grito sufocado. Uma criatura esguia, com a pele negra como carvão, estava sobre mim, com mãos em garras ao redor do meu pescoço, mal me permitindo respirar. Baba caia dos lados de sua enorme boca, cheia de dentes finos iguais agulhas. Ele me encarava profundamente, com o grande olho injetado que havia no centro do seu rosto. Eu bati e chutei, mas o aperto da criatura se intensificava. Então ela falou numa voz sibilante e pavorosa “Por séculos definhei nas sombras do cemitério, me alimentando dos vestígios de almas que restam nos corpos, mas agora a sua alma completa vai me restaurar”.

A criatura começou a apertar mais forte o meu pescoço e senti o sangue subir à cabeça com a pressão. Comecei a perder as forças outra vez, enquanto a vida lentamente me abandonava. Pensando rápido, deslizei minha mão para o bolso e puxei uma caneta. Senti sua forma em meus dedos e soube que era a caneta que Molly tinha me emprestado. O mais rápido que pude, retirei a tampa com o polegar e com o resto de força que me sobrara, dirigi a ponta da caneta diretamente para o olho do monstro. A ponta da caneta afundou através daquele globo gelatinoso no rosto da criatura, fazendo com que ela se atirasse para longe de mim e se debatesse pela sala, gritando. As longas garras da criatura passaram pelo meu antebraço deixando quatro finos cortes. Minha força retornou e meus pulmões se encheram de ar novamente. Fiquei de pé rapidamente e me afastei do monstro que se contorcia no chão. Vi um caixão no centro daquele pequeno lugar e atrás dele havia uma porta entreaberta, permitindo que um pouco de luz iluminasse o mausoléu. Corri para ela, passando pelo caixão, evitando seja lá qual fosse aquela coisa, e empurrei a porta. Sem olhar para trás, corri para longe do mausoléu, e quando percebi, já estava no lado mais distante do cemitério. Não perdi tempo, não sentia frio e nem fraqueza, e não daria outra chance para que aquela criatura me matasse. Apertando meu braço ensanguentado, corri para os portões, enquanto as lágrimas caiam dos meus olhos.

Quando cheguei em casa, meus pais me levaram ao hospital para que suturassem os cortes em meu braço. Eles não acreditaram quando contei o que tinha acontecido comigo no cemitério. Convenci meu pai a procurar pelo mausoléu que descrevi para eles. Mas o meu pai apenas encontrou a porta do mausoléu muito bem lacrada. Agora frequentemente visito um psicólogo, já que os meus pais acreditam que meus cortes foram auto infligidos e que eu lidava com uma depressão por ter perdido a minha melhor amiga. As vezes penso que eles podem estar certos e que eu realmente machuquei a mim mesma. Posso ter elaborado uma fantasia em minha mente para escapar da depressão. Mas quando acordo quase todas as noites, tremendo e suando frio, lembrando do momento em que aquela criatura terrível me enforcava, penso diferente. Sei que não estou louca, mas ninguém acredita em mim.

22/08/2017

O Perseguidor

As últimas e pálidas listras de luz desapareceram rapidamente atrás da extensão da cidade naquela noite. A rua, ainda úmida de uma chuva recente, brilhava fraca. As luzes da rua piscavam. E a rua ficava suspensa naquele momento intermitente entre o brilho e a escuridão.

Eu estava a caminho de casa depois de um difícil dia de trabalho, que me deixara exausto. Dei longos passos, minhas mãos fechadas em punhos se enfiaram fundo nos bolsos. Estavam geladas. Um frio que gelava minha espinha. Senti meu batimento cardíaco acelerar, minha respiração ficou mais rápida. Parei, fechei os olhos, e ouvi o som de um único passo atrás de mim. Então nada mais.

Alguém estava me seguindo.

Parei em uma rua vazia e virei a esquina, agora não havia dúvida. Eu certamente tinha um perseguidor. Não olhei para trás, apenas corri. Meus pés pisando forte no pavimento molhado. Nós corremos juntos, meu perseguidor e eu, uma dança maníaca e de alto risco. Através das ruas laterais, das traseiras e das latas de lixo. Finalmente chegamos à minha rua, pulei por cima da cerca, atravessando o quintal e corri para minha porta, uma briga insana com as minhas chaves. Eu sabia, se pudesse chegar ao porão antes de ser pego, estaria a salvo.

Corri para o meu porão, empurrei-o para abrir, depois desci as escadas, pulando as duas últimas etapas antes de me esconder nas sombras.

Meu perseguidor desacelerou enquanto descia os degraus do meu porão, cada pé caía descendo-o mais na escuridão sombria. Um fraco raio de luz brilhando pelas escadas do porão permitiu que eu visse a mão do meu perseguidor tateando o caminho ao longo da parede do porão frio, procurando um interruptor de luz. Ouvi cada respiração dele, irregular, pesada e molhada.

À medida que sua mão se encontrou com o interruptor da luz, ele rapidamente o acendeu.

Assisti enquanto o homem do uniforme azul estava congelado de terror quando seu olhar varreu a sala. Das paredes manchadas de sangue até o congelador sangrento no canto com o que restava do meu jantar anterior na mesa cirúrgica.

Ele não me escutou rastejando atrás dele, mas ele deve ter sentido minha respiração pesada enquanto esvaziava uma seringa cheia em seu pescoço. "Bem, oficial", eu sussurrei na orelha do policial enquanto seu corpo enfraquecia. "Parece que você solucionou este caso".


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

19/08/2017

Ivy

Estou começando a achar que meus pais não me amam.

Eu sei, eu sei. Você deve estar pensando o mesmo que os outros. “Eles te amam sim, Bárbara, isso acontece com todo mundo nessa fase. Se você conversar com eles, aposto que vai entender”. Mas não entendo. Eles nem sequer falam mais comigo, e acham que estou doente, pois todos os dias sou obrigada a ir ao médico.

Mas nem sempre foi assim. Meu pai, dono de uma empresa de automóveis no centro da cidade, sempre foi o meu maior herói. Sempre fomos apaixonados por carros. Tínhamos um armário inteiro de revistas sobre eles em um armário na garagem. Carros antigos, carros atuais, carros do futuro. Todos eles nos deixavam alucinados. Minha mãe também era a melhor mãe do mundo. Ela era professora na escola onde eu estudava, e sempre se importou muito com a educação, o que às vezes a torna um pouco chata, principalmente por causa do jogo de esconder. Ele funciona mais ou menos assim: toda vez que sou malvada, ela pega um de meus brinquedos favoritos e o esconde, até eu voltar a ser boazinha, o que demora um pouco, pois sempre acabo ficando bem irritada.

Mas mesmo assim éramos uma família muito feliz. Tínhamos uma bela casa, um belo cachorro quase maior que eu chamado Tobby, a cidade era linda. Tudo estava ótimo. Mas foi aí então que mamãe ficou grávida, e as coisas deixaram de ser tão legais quanto antes. Todo tempo agora era dedicado a médicos e novos quartos e novas mobílias. A vovó e o vovô nem ligavam mais para mim, e as revistas de carros começaram a ser substituídas por revistas de bebês.

Não demorou muito para que o bebê nascesse. Era uma menina, e meus pais a chamaram de Ivy. Ivy era o bebê mais irritante de todos os tempos. Chorava o dia inteiro, e atrapalhou completamente a nossa vida. Minha mãe agora estava sempre irritada, não tinha mais tempo pra mim, e quando tinha, era para ser malvada.

As noites, antes silenciosas, agora eram preenchidas por gritos de criança e luzes acesas para atendê-la. Porém, na noite de terça da semana passada, fui acordada apenas pelos gritos de minha mãe. Tobby levantou debaixo da minha cama assustado, e seus pelos ainda estavam molhados da tentativa de banho que dei a ele, pois ele havia se sujado muito em nossa última brincadeira. Mamãe ainda gritava quando escutei papai tirar o carro da garagem às pressas, e a polícia apareceu em casa alguns minutos depois. Mamãe estava muito triste, e acho que sei porquê. Ela estava sendo muito malvada.

Escondi o bebê.

Tobby me ajudou.

Autora: Mayara Bianca

13/08/2017

Marcas de nascença

Você sabia que algumas pessoas têm marcas de nascença?

Bem, essas marcas foram feitas quando Eles tentaram roubar você de seus pais e trocar você com uma das réplicas Deles.

Se você tem uma marca de nascença, significa que Eles falharam.

Se você conhece pessoas que não possuem uma, eu não confiaria Nelas.

11/08/2017

Acesso Final

Boa noite habitantes do vago e escuridão, meu nome é Thiago, mais um servo do profano e tradutor deste blog. Como minha primeira postagem, venho lhes trazer uma história de minha autoria, sejam críticos, comentem, apontem, critiquem e não perdoem pois no final não serão perdoados.

Sim, é verdade! Nunca tive muitas ambições ou perspectivas em demasia, me contento com o mínimo e sempre foi assim. Carreira, faculdade, especialização, curso, nada disso… Música, atuação, talento para o esporte, nada se encaixou, meu rosto é e sempre será mais um na multidão, provavelmente você não se recordaria dele, provavelmente…

Tive alguns empregos, uns bicos uma ou outra oportunidade, desprezado pelas pessoas, minimizado, ridicularizado e como consequência  vindo de meus superiores sempre ouvi a mesma coisa : Falta de motivação, proatividade, vontade e interesse.
Pra mim sempre foi simples, nunca quis ser supervisor, gerente, dono, nadar em dinheiro, o que recebia era pelo que produzia, então isso é justo.

Acabei desempenhando a função de controlador de acesso nos últimos três anos (porteiro).
Uma atividade simples "qual é o seu nome? pra onde vai?".

Apesar de sofrer uma certa rejeição pela relevância do meu cargo, na grande maioria das vezes conseguia " tirar " algo de alguém de quem passava por mim, um salgado, um espetinho, um chocolate, sempre algo que pudesse comer e me dava por satisfeito.

Esse meu "talento" de sempre poder reter algo de quem cruzava meu caminho era invejado e consequentemente um dos motivos que despertava indignação nas pessoas que me comandavam em minhas funções, eu poderia tirar, mas não o fazia, creio que se realmente desejasse poderia convencer o diabo a tocar fogo em seu próprio corpo!

Infelizmente, minhas ambições sempre foram reduzidas a nada…

Após um tempo na função, decidi que iria tiras férias em alguma cidadezinha do interior, observar o pasto e conhecer gente simples, ficar no hotel assistindo filmes, tomando cervejas carregadas em trigo e talvez usar a piscina.

Passado a primeira semana já me encontrava bem entediado após contemplar os poucos 1977 canais disponíveis em suas mais variadas línguas, formatos e públicos-alvo possíveis e imagináveis.
Descobri através da camareira um “Pub” em que boa parte da cidade se encontrava dia após dia ali, era de conhecimento de todos os moradores, provavelmente o patrimônio histórico da cidade, gerações e mais gerações frequentaram o local, passei a visita-lo também, fazia minhas refeições, bebia até cair, mas sempre sem me relacionar com ninguém, apenas acenos com a cabeça, posicionava-me frente a única porta do local, observa os populares e principalmente as idas e vindas, o acesso!

No terceiro dia de visita, estava como de costume sozinho em minha mesa observando as pessoas conversarem, dançarem, beberem entre outras coisas também de olho nas portas fechadas do estabelecimento, após uns quarenta minutos de introspectividade um homem que aparentava ter seus 50 anos de idade sentou-se na única cadeira vazia em minha mesa, de frente para mim, obstruindo minha visão da entrada, fez menção com a mão esquerda antes como se perguntasse “Posso?”. Concordei erguendo meu copo vazio, ele sorriu e se sentou. Tinha os olhos amendoados, eram bem claros quase amarelos. Não possuía barba, que era extremamente bem feita como se ali nunca jamais houvera um único fio.

Eu não havia reparado ou talvez houvesse surgido do nada mas em sua outra mão trazia um copo de Whisky e um fino cigarro de confecção própria.
Usava um chapéu que parecia de cowboy, camisa xadrez vermelha e azul trajando uma jaqueta bem simples de couro que parecia ser feita sob medida e jeans azuis, não consegui ver os seus sapatos apenas.

Após apoiar o copo na mesa estendeu a mão para me cumprimentar, de relance pude ver suas unhas bem aparadas, mão bem cuidada com um anel em cada dedo. Os ponteiros marcavam 15:33, sol raiva, mas o ambiente era fresco e agradável, as janelas possuíam blackout fazendo com que ficasse completamente escuro se não fosse a aconchegante meia-luz dos simples e empoeirados lustres.




Conversávamos sobre trivialidades, papo vai, cerveja e whisky vem, fumaça vai, shots vem...

- Então, Senhor Lucius, o que faz ou fez para ganhar a vida? - perguntei descontraído.
- Administro pessoas. – respondeu com um sorriso e já emendou: - E você Jackson, tão novo e inteligente o que faz ?

- Sou controlador de aces... porra, sou porteiro! E ergui meu copo novamente.

- O senhor é gerente, gestor, supervisor ou algo do tipo?
- Exato, algo do tipo. Sempre com um lustroso sorriso.
- Mas me diga você, não quer fazer faculdade, um curso, tocar um instrumento, seguir uma profissão?
-Eu já sigo, controlo acesso. Pra mim, já é o suficiente.
- E quer isso pro resto da vida?  Não quer ter sua própria empresa, ser rico, comandar, mandar, ditar, lide...
-Não, não tenho esse tipo de desejo, ganhar e cobrir o que consumo está de ótimo tamanho, não almejo, não quero explorar ninguém, não quero maiores responsabilidades. Veja como é simples, você me diz seu nome e pra onde vai, após meu processamento todo o resto é problema seu, a história acaba ali pra mim, não vejo nada de errado com isso.

Lucius balançou a cabeça como se reproduzisse a expressão corporal de “mais ou menos”, ainda que não fizesse sentido no contexto...

- Então diria que o que te define o que você quer é apenas observar e controlar o acesso, apenas isso? Nada mais?
- Não é como se não tivesse coração, não achasse bonito um casal de mãos dadas, o abraço de uma mãe em seu filho, reencontro de amigos... Mas não tenho e não anseio nada disso para mim, vantagens, família, relações, amizades, patrimônios, propriedades... Eu só quero passar, viver, olhar, da minha maneira, sem influenciar, mudar a vida de alguém, guiar ou dar sentido... é simples assim.
Ao enrolar um novo cigarro e acendê-lo o homem de chapéu de cowboy deixou escorregar o anel de seu dedo indicador para perto do cinzeiro e rumou ao sanitário. O anel tinha uma opala de fogo, chamativa, linda, encantadora e poderosa por um momento me imaginei utilizando o anel, apenas para experimentá-lo e nada mais, olhei para ele e estiquei ambas as mãos para avaliar em qual dedo se encaixaria melhor, mas ainda assim não tive o ímpeto de fazê-lo, apenas observá-lo...
O homem ressurgiu atrás de mim, fez o contorno e a medida que deixou seu corpo cair novamente na cadeira deslizou o dedo indicador em toda extensão circular do anel que voltou ao seu lugar original como um ímã.
-Bom, sei que está de férias mas tenho uma proposta para te fazer... Como te disse administro pessoas, pessoas de talento, atrizes, atores, bandas, atletas, esse tipo de gente que ganha muito fazendo pouco e que você reconhece pelo primeiro nome.
-Ah, então o senhor é um agente, empresário, manager sei lá hahaha.- muita, muita cerveja...
- Algo do tipo, mas sem toda essa burocracia, mídia, contratos, é mais parecido como um pacto mesmo.
- Olha, te adianto logo de cara que não tenho nenhum talento a ser agenciado, muito menos vender minha alma por algum tesouro ou habilidade latente.
Ambos rimos muito após esse comentário.
-Em uma fazenda aqui perto eu patrocinarei uma festa em que essas pessoas estarão reunidas, alguns paparazzis, apenas os com as melhores conexões estarão informados e fariam de tudo pra entrar na festa e conseguir uma foto da ganhadora do grammy deste ano completamente bêbada e drogada. Um ou outro presidente de fã clube deve estar a par também, sem contar em outros “agentes” que se aproveitariam do momento para firmar contrato com as minhas estrelas...
-Hm, certo.

- Seu trabalho é controlar o acesso dessas pessoas, deixar entrar apenas aquelas que lhe darei o nome. Quanto você quer não apenas pelo trabalho, mas para não ceder as ofertas tentadoras? 100 mil, 150 mil?

Eu ri ainda mais com a oferta.
- Você está oferecendo 150 mil por uma única noite de trabalho de um porteiro? Ou você está brincando comigo, ou está louco ou é apenas um velho que quer torrar dinheiro, talvez eu te lembre um filho que faleceu? Perguntei com sinceridade.
- Não estou brincando, o que desejas ?
-Observar e controlar o acesso, que até o fim de minha existência estaria ótimo, pode me pagar o que se pagaria normalmente pelo dia de serviço da minha categoria, não precisarei de transporte e comida então algo em torno de 50 estaria ótimo.
- Estás desprezando uma aposentadoria inteira e uns 19 anos luxuosos por um trocadinho mixuruca?
-Não é isso, agradeço a oferta e aceito o trabalho nesses termos, tudo bem?
- Jackson, alguém já elogiou sua falta de ambição?

-Nunca, muito pelo contrário, nunca entenderam...

-Ah mas eu entendi e estou te administrando desde que nos cumprimentamos, negócio fechado então!

Acontece que vim a entender que observar e controlar o acesso por fim eram minhas ambições, sonhos e fervorosa paixão, acontece que possuo diversas coisas que milhares de seres humanos desejaram a vida toda e nunca terão, vi a ruína ainda que de uma posição baixa de todos aqueles que exerceram algum tipo de poder sob mim.
Eu controlo o acesso, o acesso final e com certeza TODOS os que passam por mim rumo a toda eternidade em chamas se lembram de minha face, após 3333 anos nada mudou, continuo querendo saber apenas seu nome, mas já sabendo o destino que irá tomar. A única coisa que restou de mim fora a vontade de observar e controlar as idas e vindas (apenas ida nesse caso) foi a habilidade de “tirar” algo das pessoas, mas infelizmente já não é algo que me satisfaz, quem precisa de lamúrias, desabafos, confissões, arrependimentos ou a própria carne e osso em si?

Talvez tenha sido escolhido para o cargo por não desejar ter sucesso, viver para sempre, ter dinheiro, fama, ser feliz, ter família, queria apenas observar, controlar sendo justo e vivendo para mim. Depois desses três milênios fui conversar com meu empregador, disse que queria férias, em uma cidadezinha do interior no mundo terreno. Não esperava uma resposta positiva, sei muito bem que se alguém entra aqui... jamais sairá...

Para minha surpresa ele me concedeu esse período de férias, com certeza sentiu que eu não desejava escapar e que com certeza voltaria para cumprir minha função. Antes de sair ele me disse :

- Respondendo sua pergunta, sim, você me lembra alguém, você faz com que eu lembre de meu pai.


Depois de alguns dias recluso, decidi ouvir um pouco de música ao vivo em um estabelecimento que apresentava novas atrações diariamente. No terceiro dia de visita, uma mulher na casa dos 50 anos, cabelos ondulados e longos com camiseta regata listrada preto e branco, calças jeans azuis, não pude saber o que calçava, vinha agitando uma garrafa que parecia ser de barro com um delicioso cheiro de trigo sentou-se em minha frente.

Com a mão cheia de anéis, um pra cada dedo me deu um cigarro que parecia ter sido feito manualmente, ao ocupar minha boca foi logo dizendo: - Não tenho nada para despertar sua ambição, mas gostaria de ouvir uma proposta de emprego?

10/08/2017

O homem que me amava



Eu o conheci quando fiquei doente, meu marido tinha me deixado, incapaz de aceitar que eu poderia nunca ficar curada. Ele me disse que eu era linda, me disse que era injusto eu estar doente, que ele cuidaria de mim, e que se certificaria em me deixar confortável.  

Ele era verdadeiro com as palavras, me mudei com ele, e ele me tratou muito bem. Ele me alimentou, escovou meus cabelos, e sempre falou o quanto eu era bonita; mesmo com os fios do meu cabelo saindo em grande quantidade na escova, e a minha magreza que se acentuava mais.

Hoje ele veio ao meu quarto, com o rosto pálido, as mãos apertadas em seus braços ensanguentados, e removeu as amarras que me prendiam à cama. Mesmo doente eu era rápida, e não demorou muito para que eu o prendesse no chão ensanguentado, a única evidência de minhas refeições, e enterrasse meus dentes em sua carne.

Eu estava devorando aquele homem, aquele que cuidou tão bem de mim nos últimos meses, ele deixou escapar um suspiro, descansando suas mãos no que havia restado dos meus cabelos. Meus dentes rasgaram a carne do seu peito, meus olhos nublaram-se e minha visão escureceu; apenas seu cheiro e sua voz me lembravam de quem ele era...

O homem que me amava.


Weirdinabox

11/07/2017

A Coisa Embaixo da Paulista - (Final?)


Aos poucos a bola vai se desenrolando, a pele com aparência escamosa e negra parece não parar de se esticar, a cabeça arredondada e as pupilas em fendas verticais revelam por completo que a criatura era uma espécie de serpente mutante de outra dimensão, uma devoradora de mundos.

Sua boca está se abrindo, suas presas são como duas agulhas gigantes, os ratos estão sendo sugados  juntos com seus carros, os vidros dos prédios estão todos se quebrando, alguns prédios estão cedendo... Ela vai engolir tudo.  Não consigo me mover diante de tamanha surrealidade.

Essa coisa já engoliu metade dos prédios e os ratos estão se aglomerando nas tampas de esgoto, é como se estivessem voltando às suas origens e o seu lado animal, assim como os humanos fazem em situações extremas. Parecem bonecos voando em direção a boca da serpente. A cada vez, ela suga com mais força. 

Essa coisa é tão grande que mal dá para ver a luz do sol. Por algum motivo, ela não está me dando importância, é como se ela quisesse que eu assistisse a tudo isso, mas por quê? Já não restam mais prédios, carros e ratos, somente alguns conseguiram ir para o esgoto e continuo aqui, apenas observando as ruínas do lugar que poderia ter sido um novo lar. Preciso voltar antes que essa coisa abra a boca novamente e engula tudo.  

Minhas pernas tiveram um surto de adrenalina e aqui estou, de volta a esse lugar imundo. Preciso continuar correndo, aquela coisa não pode me pegar e sei que ela virá atrás de mim. Ela sentiu o meu cheiro, talvez nunca tenha visto alguém igual a mim por lá: metade humano.

Aqueles ratos estão chorando desesperados, como se realmente tivessem sido humanos a vida toda. Nunca vi nada igual, mas infelizmente, não tenho como ajudá-los, só preciso continuar correndo e tentar sair desse esgoto. A cada distância percorrida, ouço os gritos, mas dessa vez, são os ratos que estão gritando. Aquela coisa está me procurando! Minhas pernas estão começando a cansar, meus músculos se estreitam aos poucos, logo terei uma câimbra e é isso o que ela espera que aconteça.

Nunca corri tão rápido. Bolt teria inveja da minha velocidade. Se meu coração não estivesse acelerado a ponto de enfartar, eu até poderia sentir orgulho de mim mesmo, logo eu, que sempre fui o cara que faltava às aulas de educação física na escola. Já perdi as contas dos  túneis que passei, e não faço ideia de quanto tempo faz que estou correndo, estou exausto. Já faz algum tempo que não ouço mais grito nenhum, apenas o som das minhas patas na água.

Acho que provavelmente vou virar algum tipo de experimento ao sair daqui e me expor, ou alguém armado vai atirar em mim de tanto pavor. Se for para morrer, que seja fora desse lugar, pelo menos. Já consigo ver uma fresta de luz a alguns metros daqui. A liberdade está perto, deve estar escurecendo, a luz está diminuindo. Acho que corri por muitas horas.  Enquanto me aproximo da escada, só penso na reação das pessoas ao verem um ser como eu saindo do esgoto. Isso é o que menos importa para mim nesse momento. Qualquer olhar maldoso não será pior do que estar aqui embaixo.

Uso as forças que sobraram para levantar a tampa. É emocionante  voltar aqui depois de tanto tempo. 

Como eu já imaginava, os carros todos param com seus faróis ligados, estão todos estáticos com olhares focados em uma só direção, mas não estão olhando para mim.. A coisa voltou a gritar. Ela está aqui.  

Autor: Andrey D. Menezes 
Revisão: Gabriela Prado 

Nota do escritor: Espero que tenham gostado! Estou com projetos para o futuro, quem sabe escrever uma antologia, como já disse a vocês. Ser pisciano é complicado kk. Muitos planos, muitos sonhos. Espero que vocês comprem algo meu um dia. Obrigado por cada comentário positivo e negativo também, vocês me ajudam bastante :)
Sobre a creepy: Penso em escrever sobre a origem da criatura futuramente ou dar continuidade à creepy, mas isso vai levar um tempo. Por hora é isso :)

08/07/2017

Um fantasma no sótão

Tem um fantasma no sótão. Sei que soa estranho. Mas ele está lá! 

É o que a Debby falava para a mamãe todas as noites quando íamos para cama. Ela tinha dez anos, na época, e eu tinha quatorze. Eu sempre lhe falava que fantasmas não existiam, mas ela nunca deixava de acreditar. Porém, depois de um ano morando naquela casa, e com ela insistindo que havia um fantasma lá, meus pais se incomodaram com isso. Ela era muito jovem para acreditar nessas coisas, mas ela se recusava a esquecer “Charlie”, o fantasma. 

Quando ela tinha quase doze, eu já não aguentava dividir o quarto com ela. Ela balbuciava a noite toda, enquanto dormia, e conversava com Charlie o dia inteiro, enquanto estava acordada. Eu a levei para a biblioteca, esperando encontrar provas de que ninguém havia morrido ali. 

Porém, os jornais mostravam o contrário. Charlie, ou Charlie Hanson, desapareceu naquela casa, muito antes da minha irmã e eu nascermos. Ele tinha doze. Resolveram o caso apenas alguns anos antes de termos nos mudado. Queria nunca ter lido como ele havia morrido. Como ele havia sido enfiado em uma caixa de madeira e selado atrás de uma parede de tijolos, no sótão. Suas roupas foram pregas lá, e a tampa da caixa foi acorrentada, trancada e pregada. 

A minha irmã levou isso como prova da existência do seu fantasma, mas eu apenas queria perguntar aos meus pais como eles poderiam mudar para um lugar daqueles, e se eles sabiam o que tinha acontecido com a criança. Sabe o que eles me disseram? “A morte da criança fez o valor ficar mais baixo”. 

Fiquei abismada. 

Então, no meio da noite, minha irmã desapareceu da cama. As autoridades não a encontraram, e meus pais recusavam deixar a casa. Eles amavam o lugar, e não queriam mover as coisas dela. 

Eu saí de casa quando completei dezessete, me recusava a permanecer na mesma casa onde minha irmã... 

Desde então, uso um bracelete de ouro que minha irmã costumava usar a outra metade. 

Eu ainda não havia completado vinte, quando retornei. Meus pais decidiram se mudar, e eu estava feliz em ajuda-los. Eu não conseguia aceitar o que tinha acontecido com a minha irmã, mas eu herdaria a casa, e já tinha planos para vendê-la. 

Já era tarde da noite quando meus pais deixaram a casa para se despedir dos amigos. Meu pai foi ao bar com os amigos. Minha mãe foi ao bingo, fofocar com as amigas. E eu fiquei em casa. Tentei relaxar e assistir TV, mas a casa me deixava inquieta. 

Eu estava tão perto de dormir, quando o leve “ping” de um martelo batendo contra um prego fez com que meus olhos abrissem. Reconheci o som. Eu o ouvi em meu sonho, na noite em que minha irmã desapareceu, e eu venho ouvindo-o em meus sonhos desde então. 

Saltei do sofá e segui para a entrada do sótão. Puxei a corda e subi pela escada que tinha caído. “Quem está ai?” gritei e gritei, mas ninguém respondeu. Era a primeira vez que estava no sótão, e seria a última. Não havia nada de extraordinário, exceto pela parede à esquerda, que era de tijolos ao invés de madeira, como as outras. Os tijolos pareciam velhos, exceto pela pequena área que parecia ter sido substituída por tijolos novos. 

Eu poderia ter apenas deixado ali. Talvez, os tijolos foram trocados pelos meus pais, mas lembrei da noticia no jornal antigo. 

Comecei a revirar as caixas, procurando por algo para esmagar a parede. Arrumei um martelo e comecei a bater na parede ate que um cheiro pungente começou a se espalhar. Engasguei e cambaleei para trás, meus olhos lacrimejavam e meu nariz queimava, mas logo retornei para a parede. Cavei o restos dos tijolos com a mão até que uma simples caixa de madeira ficou visível. Estava acorrentada e trancada, e o chão abaixo dela estava com uma grande mancha de sangue. Uma chave estava ao lado. 

Rapidamente a destranquei, lágrimas continuavam a cair enquanto eu tirava a tampa. Mas, dessa vez não era pelo cheiro de podre, era pelo pequeno corpo que estava dentro. O pijama ensanguentado. O cabelo já tinha caído quase todo... 

E a pulseira de ouro estava bem apertada na mão da minha irmã.

03/07/2017

AVISO SOBRE POSTAGENS

Oi, gente, tudo bem? Quem fala aqui é Gabriela Prado, a nova revisora geral do Creepypasta Brasi :D

Seguinte... Algumas creepys ainda possuem erros gramaticais, e eu demorarei um pouco para realizar a manutenção de todo o conteúdo recente do CpBr, então peço paciência e compreensão com as atualizações, ok? :)

Sobre as postagens novas: todas elas serão postadas com as devidas revisões ortográficas.

Esperamos que gostem das mudanças, pois tudo é feito para melhorar o conteúdo pra vocês!

Um beijo!