12/05/2017

Creepypasta dos Fãs: A Face da Morte

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Era noite. Muito tarde. Estava eu voltando de uma boa festa com um grupo de amigos. Eis que ficamos cansados e decidimos nos apoiar na parede e na calçada para descansar um pouco. O lugar era desconhecido (sinistro, aliás), mas não nos importamos muito (estávamos exaustos mesmo). Até que um dos nossos amigos decide se levantar e ir embora, na frente. Disse ele ter que acordar bastante cedo e que, por algum motivo, não poderia mais ficar vagabundando até amanhecer conosco. Nos despedimos dele e ele partiu. 
 Cerca de uma hora depois, também decidimos partir, afinal, todos nós teríamos suas respectivas responsabilidades pela manhã e não poderíamos perder mais tempo ali. Ao total, havia seis pessoas conosco (sete com nosso amigo que partiu mais cedo). Cada vez mais que nos locomovíamos pela redondeza, eu notava o quanto aquilo era tenebroso. A temperatura caiu e fiquei com muito frio. Fui caminhando cada vez mais devagar e por não entender direito, mas estava com medo de algo, repreensivo. 

 
“Será o frio?”, pensei. 
 
Continuamos a andar, até que Ana, que estava mais na frente que todo mundo, grita desnorteada:  
 
- Meu Deus, o que é isso? Christian, por quê?! 
 
Christian é o nome do nosso amigo que saiu sozinho na frente antes de nós. Fico sem entender. O medo fica maior, mais forte. Corro para tentar consolá-la, o mais próximo dela. Até que chego em seu campo de visão e fico completamente gelado. Não conseguia reagir, minhas pernas estavam bambas e meu suor, frio. Tiro Ana dali o mais rápido possível. Peço para os meus amigos se acalmarem. Todos estão nervosos.  
 
Encontramos nosso amigo completamente ensanguentado, sem duas pernas e um braço, falando em voz deveras baixa e nos ignorando.  
- “Christian’’,“Christian’’... - nós gritávamos, mas nada de ele responder... 
 
Ele devorava uma de suas pernas enquanto falava coisas sem sentido e de difícil compreensão. Eu não suportei ficar olhando aquilo. Tirei Ana dali o mais rápido possível, até que uma voz rouca e forte grita: 
- Aonde pensa que vai, Isaac? Volte aqui, há algo que tenho a lhe dizer...  
 
Minhas pernas gelam, não quero voltar. Minha coluna se endurece. A última coisa que quero fazer é voltar ali. Ele me chama novamente: 
 
- O que temes, Isaac? Ande, olhe-me novamente... 
 
Ana segura meu braço e diz: 
 
- Por favor, não volte ali. 
 
Eu olho em seus olhos apavorados e digo: 
 
- Eu realmente não quero voltar... Não quero vê-lo nesse estado novamente... 
Christian sorri:  
 
- Não queres me ver assim? Hahaha. Isaac, não foi você quem há de me ter desejado isso? Isaac, aquilo que você mais desejava era minha morte... 
  
Todos olham para mim, inclusive Ana, que larga minha mão. Christian volta a repetir: 
 
- Não foi, seu traidor? Olhe para mim, veja culminar em mim o seu podre desejo, veja em mim sua mais doentia aspiração de vontade... Hahahahaha - Christian continua a dizer: 
 
- Isaac, hoje eu conheci algo sublime, você me apresentou isso. Me apresentou o ódio, a dor e o remorso. E melhor, me apresentou “aquilo”. Me espere, Isaac, eu voltarei, lembre de minhas palavras. Isaac, quando eu voltar, você verá a face da morte, você verá meu rosto... 
 
Após expressar essas últimas palavras, Christian voltou a falar baixo e, aos poucos, morreu por hemorragia.  
 
Depois de tal incidente, minha relação com meus colegas meio que culminou ali. Eu decidi mudar de cidade. Fui para longe, do outro lado do país. Eu me formei e me tornei advogado. A única com quem mantive determinado contato foi Ana. Cinco anos se passaram após a fatídica morte de Christian. Meus amigos e eu prometemos nunca mais tocar naquele assunto, decidimos tornar Christian parte do passado e esquecê-lo de uma vez por toda.            
 
“O passado está para trás”, pensei. 
 
Mas ele nunca está, não é mesmo?  
Recebo uma ligação de uma amiga que não vejo  bastante tempo, da minha velha cidade. Era a Ana... 
Ana me ligou para contar que um de nossos velhos amigos morreu: o Arthur. Ele morreu de hemorragia após ser encontrado com braços e pernas mutilados cerca de cinco dias atrás. Deixou escrito com sangue:  
 
“Não há o que se fazer, o passado não PODE ser enterrado. Eu voltarei.” 
Incipt: A face da morte. 
 
Imediatamente eu começei a soar frio. Além de mim, Ana e Arthur, mais três colegas testemunharam a morte de Christian outrora e ficaram cientes de suas palavras. São eles: Débora, Milena e Eduardo (Debóra e Eduardo eram namorados na época). 
 
- Eu voltarei!”, ele disse... 
- “Você verá a face da morte!”. Não há como ser coincidência, é o Isaac! 
 
Ana pede que eu volte a minha velha cidade, diz estar com medo. Fico apreensivo, também estou com medo. Mas depois do que presenciamos juntos, me sinto responsável pelo acontecido. Devo isso a ela. Cancelo todos os meus afazeres. Pego o avião e volto ainda hoje. Instalei-me numa pequena república de esquina. Marquei com Ana de nos encontrarmos numa antiga cantina que frequentávamos quando mais jovens. Espero-a atencioso, há muito tempo não a vejo. Eis que ela me cutuca pelas costas e profere: 
 
 
- Olá, senhor advogado! Quanto tempo... - disse Ana. 
 
Respondo: 
 
- Sim, Ana, quanto tempo! - Ela estava linda, pensei.   
- O que tens feito, minha linda? – digo.  
- Ah, nada demais... Não há muito o que se fazer em cidade pequena, sabe... Eu não tive sua sorte. – diz Ana, sorrindo. 
 
Decido desconversar: 
 
- Não diga isso, sempre soubemos que você foi brilhante... 
 
Ela, acuada, concorda: 

- É... 

O papo esfria, eis que tenho que tocar no assunto que mais temo: 
 
- Ana, você presenciou a morte do Arthur? 
 
Ela segura fortemente a minha mão, dizendo: 
 
- Sim, eu presenciei, Isaac! Na verdade, eu comecei a namorar o Arthur a cerca de um ano e estava com ele em seu quarto quando ele morreu... 
 
Eu fico pasmo, em choque!  
 
- Ana, conte-me, o que houve?  
 
- Eu não sei, Isaac! - ela diz - Estávamos bem, passávamos todos os dias juntos e transávamos durante a noite. Eu saí por um instante para tomar banho e quando voltei, o encontrei já morto. Após isso gritei pelos seus pais, pois estávamos na casa deles, e eles chamaram a polícia. Já te contei sobre a mensagem, não é?  
 
- Sim, já contastes... – digo. 
Entro em reflexão profunda. Afinal, isso é medonho! Como pode tal cena se repetir após cinco anos e novamente em nosso meio?! Ana interrompe meu devaneio... 
 
- Isaac, lembra daquela banda, Incipt? – diz Ana. 
 
- Claro que lembro, Ana, éramos fanáticos – digo. 
 
- Isaac, eu sei que nós nunca fomos, aquele grupo em específico, religiosos, mas nós sabíamos da fama da Incipt quando ao fato de serem feiticeiros, satânicos que transmitiam magia, ocultismo e bruxaria por meio de suas músicas... Isaac, quando nós ficamos bêbados, naquele dia, no show da Incipt, eu lembro que o Mr. Crowley, vocalista da banda, nos cumprimentou e nos deu de sua própria bebida. A todos nós, incluindo Christian. Após aquilo, lembro-me apenas de fatidicamente estarmos todos nós, cansados, caminhando por ruas escuras e frias, que nunca havíamos visto antes... Isaac, você se lembra?  
 
- Isaaac... Isaaccc... Isaaaaaaaaaaaaaac... 
- Ana, o que nós fizemos? – eu disse. 
 
Até aquele momento, eu realmente não lembrava-me de nada do que proferido por Ana. Talvez tenha eu me tornado tão ressentido com aquele ocorrido, que decidi apagar de minha memória cada traço que me remetesse aquele dia, que me remetesse à culpa pela morte do Isaac. Ana realmente tem razão: nós bebemos do copo do Crowley. Logo após, todos nós cantamos “A face da morte”, a música mais famosa da Incipt. A amaldiçoada música que jurava fazer com que todos os seus desejos podres se realizassem. E eu desejei, desejei mais que do que minha própria morte naquela noite, desejei a morte de todos os seis, TODOS OS MALDITOS SEIS QUE SEMPRE ME HUMILHARAM. Sim, eu me lembro agora:  
 
“A face da morte 
 
Vamos, basta pedir, a morte acalenta o suspiro do sofrimento. 
Não tenha medo, rápido, peça... A morte aguarda o suspiro que cessa. 
Acaricie sua chance, abrace teu desejo, conheça na morte o mais doce desejo. 
Se coragem é o que te falta, deixe com ela toda avidez covarde, dê para ela o que tanto suplica, imprime nela vontade. Dá a ela a mais sublime vontade, vontade de vida, característica inerente à morte. Não há morte, sem vida. 
Mas muito bem, esteja ciente, o desejante é também pendente.  
Fara com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no fim." 
 
Eu não sou um monstro, mas não estava mais disposto a ser somente capacho. Sim, eu pedi com todas as minhas forças a morte dos seis, mais fortemente ainda a do Christian, aquele maldito. Eu sempre fui o excluído do grupo, aliás, eu nem fazia mesmo parte dele. Eu era um incluso sem graça que somente servia de capacho. Porém, eu sempre aguentei os insultos e exclusão pela Ana. Eu sempre amei a Ana, apesar de nunca ter tido coragem de dizê-la. E não poderia mesmo, não depois daquele incidente. Eu contei ao Christian, momentos antes de ir ao show, que a amava e, mesmo assim, durante o show, ele beija-a e sorri para mim. Coincidentemente toca: “A face da morte” e num culminar de raiva eu desejo a morte de todos.” 
 
Logo após recuperar todas as lembranças, sou novamente indagado por Ana: 
- Isaac, você se lembra? 
 
Respondo-a: 
 
- Sim, eu lembro! 
 
Ana diz: 

- Ótimo! 
Posteriormente, fui acertado na cabeça pelas costas, desmaiando. Acordo desnorteado, num quarto abandonado que desconheço. Tento recuperar um pouco de minha visão, que estava embaraçada. Na minha frente, encontrava-se somente uma TV fora do ar e um sonzinho que tocava uma música familiar. Escuto passos bem fortes vindos de fora do quarto, a porta estava trancada. Eis que uma voz macabra ecoa de debaixo do meu colchão, eu não posso me mexer, estou amarrado pelos braços e pernas. A voz fica mais alta e rouca, me assusto, tenho medo, fecho meus olhos. A voz ordena-me:  

 
- Psiiiiu! Abra teus olhos... 
 
- Não! – digo. 
  
A voz sorri: 
 
- Hahahaha. O que temes? – pergunta, e fica mais forte - Vamos, abra! Veja o resultado do teu pedido, veja, olhe para mim, o consumar de sua vontade... Abra os olhos, covarde! 
 
Eu abro... Era a Ana... Após vê-la em tal estado, meu ímpeto se quebrou por completo. Digo, eu já sabia que iria morrer ali. Ela anunciava-me o meu desejo, como eu amaldiçoei todos naquela noite enquanto cuspia sangue e mais sangue. Os passos ficam mais rápidos. Alguém bate na porta. A TV dá sinal; era uma câmera. Há cinco pessoas do lado de fora do quarto. Ana pronuncia-se: 
- Oh, eles chegaram, Isaac?! 
 
- “ELES”, quem? – pergunto. 
 
Ana sorri, dizendo: 
  
- Andem, respondam a ele quem são vocês! 
 
Tudo fica em silêncio por um instante. Até que vozes trêmulas e roucas se anunciam aos poucos, profanando nomes: 

- Débora! 
- Milena! 
- Arthur! 
- Eduardo 
- CHRISTIANNN! 
- E eu, Anna! 
- Cá estamos nós, Isaac, os amaldiçoados por você. Todos nós pagamos pelo seu insolente pedido e alimentamos os malditos bruxos da Incipt. Mas sabe, Isaac, podes me dizer qual a parte boa, apesar de tudo? Lembra-se da letra da fatídica “Face da morte”? Relembremos um trecho e, uma vez mais, juntos, cantemos. O volume do som aumenta:  

“Mas muito bem, esteja ciente, o desejante é também pendente.  
Fara com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no fim.”  
 
Todas as vozes demoníacas expressaram o trecho num onírico coro, avisando-me da morte eminente. Quando terminaram, Ana, ensanguentada, disse: 
 
- Vamos agora, entrem! O desejante é também pendente! Fará com que uns conheçam o fim ao pedir, mas é o rosto daqueles que pediu, que verás no FIM...

Autor: Uraharaki Suki
Revisão: Gabriela Prado



7 comentários:

  1. Quem gostou da história, que é realmente muito boa, recomendo os filmes da saga "o mestre dos desejos". Creio que só tem o 1 e o 2, mais a história lembra muito essa!!!

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  2. Boa história. Só sugiro uma correção: em algum ponto foi dito que o Isaac morreu, mas na verdade foi o Christian.

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  3. nunca comentei aqui, mas dessa vez não tem como, MUITO BOOM ! parabéns

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  4. muito boa cara essa é uma boa creepy

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  5. Que creepy boa! Bela imaginação do autor :0

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  6. Poderia mudar tbm a parte que diz “ sem duas pernas” eu fiquei um pouco incomodado fez- me intender q ele teria mas de duas pernas ou sei lá poderia ter escrito (sem as pernas) isso é só um palpite :)

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