26/05/2017

Creepypasta dos Fãs: Insano

[Quer ver sua creepypasta aqui? Envie-a para o e-mail creepypastabrasil@hotmail.com, com título da creepy e seu nome!]

- Acorde, meu amado.

Essas aconchegantes palavras me acordam de um sono profundo, de sonhos caóticos, insanos. Olho ao meu redor mas não há nada para ver; tudo está na mais perfeita escuridão. Tento me basear em outros sentidos, mas de alguma maneira, eu não consigo me mover. Por algum motivo, eu simplesmente não consigo me sentir incomodado com a situação.

Já completamente desprovido da névoa abençoada do sono, tento falar com a estranha voz que havia sido tão carinhosa comigo.

- Onde eu estou?

Por algum tempo, só o silêncio responde a minha pergunta, até que o estranho fala novamente.

- Tudo no seu devido tempo, meu amado.

Tudo naquele lugar não me era familiar, até mesmo a voz, que me tratava com tanta gentileza. Por algum motivo, não entro em pânico.

- E agora é tempo de que?

Pergunto, percebendo que realmente ansiava para descobrir a resposta.

- Agora é tempo de acordar.

Fico confuso e falo:

- O que o leva a crer no fato de que ainda não acordei?

Mais uma vez, apenas o calar do ambiente responde a minha dúvida. Começo a perceber a estranheza da situação na qual estava, preso em uma cama, em um local que desconheço, com alguém que eu nunca vi o rosto tratando-me como a um amante. Logo o silêncio é quebrado pelo som de sua voz, em um tom duvidoso.

- O fato de você ainda não ter começado a gritar.

Fico divagando por longos minutos a respeito da estranha frase. Logo respondo.

- E por qual motivo eu gritaria?

Desta vez, a resposta vem logo a seguir: “A maioria grita quando acorda”.

A situação começava a fazer sentido, de uma maneira irônica.

- Mas segundo a sua própria lógica, eu ainda não acordei!

Ele logo começa a rir, uma gargalhada contagiante, que também me faz rir histericamente.

“É um bom argumento!”, diz ele, voltando a seriedade.

- Você poderia acender a luz? - Pergunto.

“Tem certeza de que quer ver o que está acontecendo?”.

Respondo sem nenhuma dúvida.

- Sim, acho que eu deveria ver o que está acontecendo.

Ele também não parece ter duvidas em sua resposta. “Não foi isso que eu te perguntei, mas sim, eu acenderei a luz”.

Uma luz fraca de um abajur antigo logo ilumina o ambiente, revelando o fato de eu estar completamente nu, com minhas partes íntimas expostas e eretas, amarrado em uma cama em um quarto de paredes acolchoadas. Este lugar faz eu me lembrar do passado.

“Eu estou louco?”, pergunto, achando estar em uma instituição psiquiátrica.

“Louco é uma palavra com sentido muito amplo, mas acho que não. Porque a pergunta?”. Ele parece realmente curioso.

Respondo, com o máximo de sinceridade possível. “Apenas supus que as paredes acolchoadas e o fato de eu estar amarrado significassem que eu estou em um hospício”.

- Acredite em mim quando digo que uma instituição para doentes mentais é bem pior do que este lugar.

E eu realmente acredito. Rebato minha própria pergunta com outra.

- E você, é louco?

- Por que a pergunta?

Penso em uma resposta apropriada para a questão elaborada.

“Você parece ter pelo menos alguma experiência com este tipo de lugar”. Finalmente paro e olho para ele, que está vestido apenas com suas roupas de baixo (que revelam um familiar volume, também ereto). Olho também para o seu rosto – um belo rosto, aliás –, e para seus olhos, que bizarramente eram de duas cores diferentes.

“Por que os seus olhos são assim?”, pergunto cauteloso, para não ofender o homem que fora tão educado comigo.

- É uma anomalia genética. Heterocromia. Eu nasci assim.

Decido parar de fazer perguntas, e ir direto ao ponto. “Por que eu estou aqui?”.

Ele responde com uma rapidez que me leva a crer que já esperava a pergunta.

- Porque eu quero.

Considerando a resposta dele, no mínimo interessante, decido continuar a conversa.

- E o que o leva a crer no fato de que pode mandar e desmandar na vida dos outros?

Ele responde com prontidão.

- O simples fato de que você, assim como muitas pessoas antes, simplesmente está aqui sem poder ir a qualquer outro lugar.

Eu fico encabulado com uma coisa e logo rebato. “Eu posso ter entendido isto, mas digo, qual é o sentido de eu estar aqui? O que você vai fazer comigo?”, pergunto algo que eu já sei, apenas para ver a sua reação.

Ele me olha nos olhos e fala, com sinceridade: “Acredito que logo você vai ficar sabendo, de qualquer maneira”.

Ele começa a mexer em um criado mudo que estava ao lado de minha cama. Parecia concentrado, mas continuou a falar.

- É mesmo uma pena que eu tenha que começar logo, você é diferente dos outros.

E eu, intrigado, pergunto: “Diferente de que forma?”.

Ele fala logo, sem hesitação. “Pra começar, você é o único a ficar de pau duro no processo inicial todo...”.

Neste momento, ambos começamos a rir, em sincronia.

- Além do fato de que você não procurou fugir até agora.

Respiro fundo e digo: “Fugir de que?”.

E ele, começando a parecer irritado, responde brutamente.
- Sério que você ainda não percebeu?

Começo a rir e o respondo: “Perceber o que? Que você é um louco? Que provavelmente eu não vou sair daqui vivo? Você realmente acha que eu me importo?”.

Ele responde em tom sombrio, enquanto finalmente acha o objeto que estava procurando.

- Então vamos começar, meu amado...

Noto uma mudança no brilho de seu olhar, que agora parecia mais animalesco do que nunca. Ele segura uma faca comum, de cozinha, e dá um risinho.

- Acho que agora é tarde demais pra você.

E eu, sinceramente respondo: “Eu realmente tive alguma chance?”.

Ele não responde, apenas aproxima aquela faca cada vez mais perto de mim, e eu, ao invés de sentir medo, apenas fico curioso. Ele faz um corte reto longo em minha pele, logo após faz outro, e outro... Até completar um quadrado bizarramente perfeito. A dor é insuportável, mas eu não consigo parar de olhar. Olhar para o sangue saindo é quase hipnótico, tem uma cor forte familiar, vermelho vivo...

Percebo que isso o excita. Não posso culpa-lo, eu mesmo estava com um puta tesão de ver (e sentir) aquela dor maravilhosa. Ele parece um pouco decepcionado.

- Parece que eu vou ter que fazer melhor que isso para você começar a curtir, meu amado.

Ele pega outra faca, desta vez uma serrilhada, e se aproxima do meu pênis. Começa a cortar, fazendo um movimento de vai e vem. Sinto o músculo se rasgando, enquanto ele o corta fora. Logo antes de ele terminar, eu chego ao ápice do prazer e tenho um orgasmo. O esperma sai junto com sangue do pedaço de carne que um dia fora meu pênis. Ele pega o pedaço de pênis que ele retirou e come um pedaço. Por algum motivo, aquela visão me faz rir, uma risada histérica. Ele parece mais irritado do que nunca, começa a tamborilar com os dedos na superfície da cabeceira de uma maneira irritante.

- Por que você não grita?

Eu faço um sinal com a cabeça para ele se aproximar, e sussurro em seu ouvido:

- Antes de sequestrar alguém, você deveria se perguntar se essa pessoa não é louca também.

Dou uma mordida leve em sua orelha. Ele parece mais irritado do que nunca.
De repente eu percebo o quão irônica é a situação em que me encontro, e não consigo conter uma gargalhada. Ele parece surtar completamente, e grita a plenos pulmões:

- Por que você não grita?

Ele repete essa pergunta diversas vezes enquanto pega a faca de cozinha e a levanta logo acima de mim. Eu sei o que virá a seguir, e isso só me faz rir mais.
E ele o faz, a faca sobe e desce diversas vezes, penetrando minha carne. A dor é insuportável, mas eu não consigo me importar. Começo a expelir sangue pela boca entre as gargalhadas. Minha visão escurece e eu percebo que vou morrer ali, mas penso que não é um fim tão ruim. Se tudo der certo, é capaz até de eu aparecer na capa de algum jornal por aí.

Ou não.

Afinal, quem se importaria com a morte de um assassino?

Penso também na burrice do cara que me matou (bom, tecnicamente eu ainda não estou morto, mas eu chego lá), que não reconheceu minha face dos jornais. É uma grande ironia eu morrer pelas mãos de alguém tão parecido comigo.

O que será que minhas vitimas pensariam disso?

Meus pensamentos ficam confusos, e eu começo a perder a consciência. Só consigo distinguir uma última frase.

- Adeus, meu amado.

Seu rosto se aproxima do meu, e a última coisa que eu sinto é o seu beijo quente em meus lábios.

Autor: Carlos E.P.F.

Revisão: Gabriela Prado


22 comentários:

  1. Eu nao deveria ler isso antes de almocar

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  2. Caramba, 10/10. Amei o jeito que escreveram :3 e o final foi ótimo, parabéns.

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    1. obrigado!(0bs: fui eu que escrevi) kkkkkk

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    2. Meu grande amigo Carlos essa história é realmente perturbadora e extremamente brutal. Eu adorei!!!

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  3. Caraca, o que falar desse texto que acabei de ler mas já considero pacas?
    Amei demais <3

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. 9.5/10 o.o
    No que a opinião pessoal pesa, eu não curto muito gore, e a parada do "você não acordou ainda" sem dúvidas vai muito melhor com creepypastas de seres sobrenaturais, mas toda a atmosfera e a escrita da creepy compensam completamente! A creepy se desenvolve de um jeito muito calmo e estranho. Não é o louco daquele tipo "hurr eu sô pesicopata asasino xD jefe dequiler", a creepy injeta uma naturalidade nisso.

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  5. Demais! Adorei! O autor está de parabéns!

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  6. Muito bom, o climax dessa creepy foi bem intenso, congrats!

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  7. Cara, que delicia de texto
    Gosto dessas coisas calmas e hipnóticas:3

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  8. A parte do pau duro cortou meu clima, mas adorei 10/10!!!

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  9. caraca. muito tenso, bem mórbido e "impiedoso" esse texto. consegue ser bastante gráfico mas ao mesmo tempo atiça a curiosidade do leitor com essa situação tão peculiar.
    nota: 8.0

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  10. Amei😍completamente insano assim q eu gosto

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  11. Amei a Creepy e, bem, acabei ficando excitado por algum motivo .-.
    10/10. Ótima história.

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  12. Parei no "O que leva a crer no fato que ainda não acordei", é uma pessoa falando ou um livro de alto ajuda.

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