11/11/2013

Eu não sou o Martin!

Olá galera, preparei essa creepy algum tempo atrás para postar na semana de Halloween, o halloween passou rápido e não deu tempo. Como achei a creepy interessante decidi postar hoje mesmo. Espero que gostem.

_____________________________________________________________________

Olá, meu nome é Sean. Já estamos no final de outubro e como qualquer criança normal eu deveria estar fantasiado pegando doces por ai com meus amigos, mas as minhas amídalas tiveram que ficar inflamadas logo no meu décimo primeiro aniversário no Halloween. Que falta de sorte, quero dizer, você só é criança uma vez, não é mesmo?

Então meus pais e eu seguimos a enfermeira pelo corredor procurando o meu quarto. As paredes tinham aquele assustador aspecto hospitalar, porém, tinham adicionado algumas decorações com morcegos e abóboras. “Estamos chegando ao seu quarto Sean,” a enfermeira falou enquanto víamos um garoto sendo arrastado por medicos enquanto gritava “Eu não sou o Martin! Não sou o Martin!”

Quando entramos no quarto a enfermeira mostrou a minha cama, havia uma prancheta ao pé da cama com o meu nome ‘Sean Franks’, então o garoto gritalhão entrou e foi para a cama dele depois de tomar um calmante.

A prancheta na cama dele mostrava ‘Martin Charles’, ótimo, terei que dividir o quarto com ele. Perguntei para a enfermeira o que tinha de errado com ele e ela sussurrou, “Ele terá que amputar o pé esquerdo, ele continua tentando nos convencer de que não é ele mesmo, pobre garoto.”

Logo chegou a hora do jantar e tivemos espaguete com almôndegas; meu favorito. Assim que acabei de comer comecei a conversar com o Martin. “E ai Martin!” Falei. “Não sou o Martin!” ele respondeu. Perguntei se ele gostava de algum esporte e ele respondeu “Martin gosta de baseball, mas EU gosto de football.”

Mesmo sendo o Martin ele com certeza estava fazendo o máximo possível para acreditar que não era. “Quando é a consulta do Martin?” perguntei. Ele respondeu com uma voz assustada “Martin vai ter o pé cortado amanhã de manhã”. Perguntei qual era a idade dele e ele disse que tinha dez anos. Minha garganta estava doendo muito então parei de falar. Ficamos assistindo alguns desenhos na TV do quarto e caímos no sono.

Quando estava dormindo tive alguns sonhos estranhos; em um eu estava num jardim florido com esqueletos flutuando. Em outro eu estava em um mundo de ponta-cabeça onde todos viviam em casas e carros virados para baixo. O mais estranho de tudo é que em um dos sonhos eu vi um garoto trocando a prancheta da minha cama. Também tive um sonho com uma garota que eu gostava, mas não vou entrar em detalhes.

Acordei e o relógio mostrava ‘7:00 A.M’. Havia dois doutores perto da minha cama e o mais baixo falou “Vamos lá Martin, é o dia da sua cirurgia”. “O que? Eu não sou o Martin!” Falei confuso. E o doutor mais alto respondeu “Foi isso que nos disseram que você falaria”.

Enquanto os doutores me arrastavam para fora do quarto continuei gritando para eles que eu não era o Martin, mas não tive sorte. Antes de me arrastarem para fora do quarto pude ver o nome na prancheta em minha cama e um sorriso no rosto do verdadeiro Martin.

09/11/2013

Encontre seus antepassados

O fórum

The Ancestral Reunion foi um forum que surgiu misteriosamente no site de hospedagem de fóruns ProPhpBB, e permaneceu listado nos Tops por um curto tempo antes de ser retirado pelos administradores do site devido a estranhas atividades ocorrendo dentro do fórum...

As pessoas que se registravam no fórum encontravam apenas um tópico que simplesmente dizia, “Encontre os seus antepassados” e aqueles que clicavam eram direcionados para um tópico com o nome real do usuário e um outro usuário que explicaria que era seu antepassado. Logo quando foi descoberto, toneladas de usuários correram para o fórum, e o fórum ficou sobrecarregado com centenas de pessoas conversando com seus antepassados.

O Problema

Logo após a explosão de popularidade do fórum, relatos de depressão em alguns usuários surgiram, e logo depois os casos de suicídios, mas como a mídia não sabia da existência do fórum, esses suicídios foram categorizados como mistérios inexplicáveis... mas a história real é que se mataram para ficar com os seus parentes mortos...

O trecho de uma conversa…

“Vovó? É você?”

“Oi querida! :)”

“vovó… lembra do meu nome…”

“Claro que lembro, eu te amo!”

“como está falando comigo?”

“Eles tem internet aqui no paraíso, é um lugar incrível!”

“estou tão feliz por estar falando com você outra vez... estou literalmente chorando.”

“Tudo bem linda, Estou sempre observando você, desejando que dê o seu melhor na vida. :)”

“obrigada vovó… te amo tanto…”

“Então, como você está hoje em dia?”

“eu fico mais na internet agora, ainda não tenho um emprego”

“O que tem de errado? Está com medo?

“não, ninguém quer me contratar :(“

“Aw… tudo bem, eu sei que você vai conseguir!”

“obrigada vó… ainda estou chorando, é tão bom poder conversar com você... desde o seu funeral, sinto sua falta...”

“Aquele caixão foi mesmo barato, seu pai sempre foi muito economista.”

“lol, ele ainda é uma boa pessoa”

“Como?”

“ele sempre deixa a minha mãe feliz, toda noite trás um presente para ela, enquanto ela prepara o jantar, é uma vida simples...”

“Certo… acho que já falei demais, querida. Tenho que ir! :)”

“espera, vovó… pode me mandar uma foto?”

“Claro!”

O post seguinte mostrava uma imagem de uma senhora, com um fundo enevoado, a coisa estranha é que ela parecia murcha, e seu sorriso parecia... forçado.

“vó… você parece muito cansada… você está bem?”

“Estou bem! acho Sempre tão bOm COnveRsaR com vOcê!”

“vovó?”

“tenho que ir, tchau!”

Pela janela

Acredito que tudo começa com um pesadelo em que você está sendo perseguido por um ser muito pequeno e acaba em um quarto com paredes que começam a se fechar para lhe esmagar. Muito cliché não é? Também pensei e não acreditava nessas besteiras até que encontrei algo na internet que me impactou profundamente. Eu estava no Yahoo respostas quando encontrei uma seção muito estranha do site. Algumas pessoas estavam falando muito secretamente sobre um homem (ou elfo como comentavam) á alguns meses. Então chequei pela internet por mais informações. Para conseguir essas informações tive que passar por vários sites estranhos que trouxeram tantos vírus e mais um monte de porcarias para o meu computador que tive que conseguir um novo computador para acabar de digitar isso.

Bom, pelo que entendi, se você tiver o tipo de pesadelo que mencionei no inicio quando despertar você vai ouvir batidas em sua janela. As batidas começam bem fraquinhas e muitas pessoas não percebem. Logo as batidas ficam mais fortes e frequentes. Muitas pessoas até mesmo as mais covardes saem da cama para investigar. Às vezes algumas pessoas deixam uma parte das cortinas aberta ou as vezes não as fecha completamente e essa é a pior coisa que podem fazer.

O que vai aparecer em sua janela se parece com um elfo. Muito pequeno e robusto. Barba espessa e olhos brilhantes. Ele lhe observa através do vidro da janela ou por qualquer outra greta na janela enquanto da batidinhas sorrindo para você. Se as cortinas estiverem fechadas e você abri-las para investigar as batidas, você o verá. Algumas pessoas podem não vê-lo, mas ele o estará vendo.

Ainda não consegui descobrir o que acontece se você falar com ele ou abrir a janela para ele. Dizem que ninguém consegue coragem o suficiente para fazer tais coisas.

Algumas dicas para ajuda-lo a evitar um encontro com ele:

• Feche as cortinas completamente
• Mantenha a janela fechada e trancada
• Mantenha o celular ao seu lado, assim você pode ligar para a policia se ele aparecer
• Fique na cama
• Fique quieto
• Volte imediatamente a dormir

Se você deixar as cortinas abertas ou mesmo um pedacinho aberto aqui vai algumas dicas:

• Feche os olhos e finja que não viu nada
• Não olhe para ele
• Não saia da cama
• Tente chamar a policia discretamente
• Fique calmo e deixe a policia fazer o trabalho

Bom então, acho que já é hora de ir para a cama.

07/11/2013

Guitarra de 5 cordas (Parte 1)

Olá pessoal, eu comecei a traduzir essa creepy há algum tempo, e como ela é "um pouco" grande, decidi dividi-la em algumas partes. Espero trazer a continuação o mais breve possível.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Já era tarde quando Elijah finalmente tinha terminado de colocar seus pertences em sua nova casa. Era sua última chance e ele precisava de um novo ambiente para se inspirar um pouco. "Eu já te dei muitas chances! Essa merda que você faz simplesmente não vende! Faça uma música boa o bastante para estourar no mercado ou você estará fora!" foi o que seu produtor gritou na última discussão que tiveram. Elijah odiava seu produtor, e sua falta de vontade de mudar seu estilo apenas para vender discos deveria ser repensada se quisesse morar debaixo de um teto. Elijah vinha de uma era onde grandes músicos precisavam apenas de talento para conseguir vender seus discos, mas os tempos mudaram, e ele estava sendo deixado de lado para que "essa porcaria genérica e feita em larga escala" tivesse mais espaço. Frequentemente ele ligava o rádio para tentar conseguir inspiração, mas isso servia apenas para perder sua fé na música ao ver o que é que as pessoas realmente gostavam de ouvir.

"Eu não posso fazer esse lixo! Eu me recuso!" ele disse para si mesmo, mas depois de se estabelecer na nova casa e pensar a respeito, ele ligou o rádio novamente, sem muito ânimo. Elijah havia entrado no ramo da música com a esperança de que sua criatividade e expressão pudessem brilhar, mas depois de anos em turnês com uma banda e após a mesma ser dissolvida devido à falta de retorno, ele agora se via forçado a escrever músicas para as novas bandas adolescentes. Elijah desprezava a "nova geração" porque eles sofriam de uma incrível falta de criatividade e musicalidade, as mesmas qualidades que outra hora levaram tantos à fama. Ter alguém escrevendo uma música para você era motivo de vergonha em seus tempos, mas agora parecia até ser uma regra. O mercado musical era uma besta nojenta, ele pensou, mas ele já estava na indústria e não poderia parar agora.

Depois de horas de trabalho duro, Elijah se jogou no sofá, cansado e desmotivado. Cada músculo de seu corpo doía e pulsava com qualquer movimento que fizesse. Depois de alguns minutos de pensamentos vazios, Elijah se levantou para explorar sua nova casa. Sua agenda apertada o impediu de investigar a casa antes de sua compra, mas o produtor garantiu que a casa era perfeita e que o dono anterior era, assim como ele, um compositor. A casa até tinha um estúdio.

As paredes eram forradas de vermelho. Marcas de poeira estavam pela parede. Elijah pensou que eram ali que estavam os quadros e pôsters do antigo dono. Ainda haviam pregos ali. Estava bem claro que tudo que pertencia ao antigo dono foi removido rapidamente para que o novo dono pudesse se instalar. A casa era consideravelmente maior do que ele pensava (considerando quanto havia sido pago nela), e parecia ser maior no interior do que no exterior. Após andar pelos corredores, ele chegou em um grande e impressionante salão, com uma escada em espiral direcionada ao porão. Elijah chegou à conclusão de que o estúdio deveria estar ali. Ansioso para ver o local em que ele passaria a maior parte do tempo, ele correu em direção das escadas. Quando chegou ao destino, deixou escapar um gemido angustiado. As escadas pareciam ir a um lugar muito mais fundo do que ele pensava. "O estúdio deve estar no subsolo, não é possível!" ele presumiu.

Elijah começou a pensar o que teria feito o dono anterior ter desistido daquele lugar. Era simplesmente a casa mais incrível que ele já tinha visto, e ele não podia imaginar o que faria alguém sair. O produtor disse que o antigo dono tinha simplesmente "desaparecido". De acordo com a polícia, não havia qualquer sinal de arrombamento, então eles concluíram que o homem simplesmente foi embora e deixou tudo para trás. Por que ele teria feito isso, Elijah não podia nem mesmo desconfiar, mas não era como se ele quisesse contestar essa decisão. Cautelosamente ele desceu as escadas, agarrando o corrimão. O aço da escada era robusto e bem conservado, não emitia estalos ou vibrações quando se pisava nos degraus.

Assim que chegou ao fim das escadas, as luzes do salão acima de sua cabeça ficaram cada vez mais fracas até que ele não pudesse mais ver aonde estava. Depois de alguns segundos andando desorientadamente no escuro, ele chegou a um interruptor, e acendeu a luz. Era um pequeno e isolado quarto, com uma única porta vermelha bem à sua frente. Um arrepio percorreu a espinha de Elijah, mas ele logo se acalmou e se moveu em direção à maçaneta. A porta parecia chamá-lo para dentro do quarto, e depois de pensar a respeito disso por algum tempo, ele começou a ouvir notas fracas vindo de dentro daquele quarto. Notas bonitas, que ecoavam por algum tempo. Notas que pareciam ser de um instrumento de corda. "Alguém deve ter deixado um rádio ligado", ele pensou, mas então lembrou-se que nada tão bonito tocava no rádio há pelo menos uma década. Coberto de curiosidade, ele se moveu cautelosamente na direção da porta. Segurou a maçaneta dourada, e então se deu conta de algo: alguém poderia estar dentro do estúdio tocando o instrumento. Ele entrou, tomado pela fúria. Assim que viu o estúdio, no entanto, ficou mais calmo.

Era o mais belo e completo estúdio que ele já tinha visto. Microfones da mais alta qualidade, mesas de som e computadores enchiam o local. Os caras da empresa de mudanças provavelmente não sabiam da existência daquele quarto: era a única explicação para que tal equipamento ainda estivesse ali. Elijah fez um cálculo rápido e viu que ali deveriam haver várias dezenas de milhares de dólares em equipamento.

Depois de alguns instantes, ele se lembrou qual era a razão para ele ter entrado ali, e ficou espantado ao ver que a música tinha parado. O estúdio estava completamente vazio. "Cara, devo estar ficando louco", murmurou, e foi em direção à mesa de som. Para sua surpresa, o estúdio ainda estava gravando, como se o dono anterior tivesse ido embora antes mesmo que ele tivesse parado a gravação. Com a cautela que os vários anos de experiência haviam lhe dado, permitindo que ele conhecesse cada um dos botões e chaves, Elijah examinou o equipamento e parou a gravação. Decidiu que voltaria mais tarde para examinar melhor o estúdio para tentar descobrir alguma coisa, mas viu algo que chamou sua atenção.

Uma guitarra branca, bastante reluzente, e ainda conectada a um amplificador, largada no chão, perto de um banco caído. Elijah moveu-se rapidamente em direção a ela. A qualidade do instrumento era soberba, e mesmo parecendo ser um modelo de 50 anos antes, os trastes estavam completamente novos e as cordas não pareciam ser muito antigas, eram quase novas. Enquanto ele examinava cautelosamente o instrumento, percebeu algo de errado. Ele tinha ficado tão atraído pela beleza da guitarra, que demorou para notar que ela estava com uma corda a menos! Apenas 5 cordas, terminando na B. Ainda mais interessante, ela  havia sido feita para ser uma guitarra de 6 cordas, afinal, havia um sexto espaço vazio no braço da guitarra. "Por que alguém teria tanto cuidado em fazer uma guitarra tão bonita para no fim deixar de colocar uma das cordas?" Ele se perguntava por que o antigo dono estaria tocando uma guitarra incompleta. E a parte mais estranha de tudo: era evidente que a guitarra havia sido derrubada, mas não apresentava arranhões ou coisa do tipo.

Elijah, cheio de dúvidas, decidiu pegar a guitarra. Quando sua mão estava bem próxima do braço, a guitarra pareceu reluzir ainda mais, como se estivesse implorando para ser usada. De repente, antes mesmo que ele fizesse contato com a guitarra, seu bolso vibrou. Ele puxou o celular do bolso.

"Ótimo, esse filho da puta de novo", murmurou, e atendeu o telefone. O sinal era péssimo ali, então ele  subiu as escadas novamente.

"Então, o que eu disse, cara? Eu estou certo ou estou certo? Eu sei que o estúdio é pequeno, mas deve servir!" o produtor gritou. Ele parecia gritar o tempo todo, como se sequer tivesse consciência do volume de sua voz. Elijah não entendeu o que Bob quis dizer com "pequeno", já que aquele estúdio era maior que seu antigo, mas fingiu não perceber o erro. "É maravilhoso... É... É incrível, na verdade. Você estava certo, como sempre" ele admitiu, relutante, deixando escapar um suspiro.

"Estou esperando que você faça músicas ótimas, E. Não me desaponte!"

"Não se preocupe. Logo farei algumas músicas".

"Ok, cara... Sabe... Eu sei como se sente" ele disse, mas era óbvio que sua empatia era falsa. "Apesar disso, você tem que entender, os tempos mudaram, e se você não pular no trem, o trem parte e deixa você para trás!"

"Ele tem a cara de pau de me pedir para 'seguir os novos tempos' mas fica usando essas frases arcaicas do século passado", pensou. "É, Bob, eu sei. Olha, eu ainda não terminei de desempacotar minha mudança, então eu falo com você depois, tudo bem?"
"Claro, E, tudo bem. Até mais".

Elijah guardou o telefone. Suas costas começaram a doer e ele precisava deitar. "Ótimo", ele pensou, "vou ter que deixar a guitarra esperando". Ele ainda não tinha montado a cama, então decidiu dormir no sofá aquela noite.

A conversa

Você está de costas para a parede, após correr feito uma barata para pegar a lanterna depois de uma repentina queda de energia. Suas costas começam a doer enquanto você a pressiona mais e mais contra a parede, a coisa para a qual você está apontando a sua lanterna não é nenhuma criatura desse planeta.

Essa coisa não anda, se aproxima pairando de um jeito estranho, atravessando a sala, vindo em sua direção. É alto, muito alto. Sua pele é de um pálido azul cobrindo um corpo muito esquelético. Sobre os seus ombros, se é que pode chama-los de ombros, há uma cabeça cinza, de rosto sem feições. A luz da sala se acende de repente, e você percebe que a agora a única lâmpada na casa que funciona é a da sala, a lâmpada que de alguma maneira parece manter uma conexão entre você e a criatura, como se lançasse um brilho apenas entre vocês dois. A coisa para de se mover, apenas alguns passo separam vocês.

“Ma-mas que droga!?” Você exclama.

“Olá.” Você ouve uma leve, e ameaçadora voz em sua cabeça.

“O que? Vo-você acabou de-“

“Falar? Sim, posso não possui uma boca, mas no momento eu tenho muita experiência com a sua linguagem.” Ele ri. Você começa a se engasgar. Você não pode acreditar que isso está acontecendo. O terror não parece com nada que você já tenha sentido. ‘Estou sonhando?’ Você pensa. Não, isso é real, infelizmente.

“Perguntas? Você parece um humano bem curioso,” Ele acrescenta.

“O que?” Você responde, é quase inacreditável que ele possa falar sem uma boca.

“Não tem perguntas para mim? Quero dizer, com certeza não é todo dia que você encontra um de.... nós,” ele diz.

“Ma-ma-mais que droga é você...? O que é você? Por que está aqui?” Você grita. A coisa se inclina, e de repente, um caroço aparece no rosto da criatura, na região da testa, ele fica maior e maior, e finalmente começa a mudar de cor... rapidamente tornando-se um circulo negro, você vomita enquanto observa com horror aquele enorme olho preto que agora o está encarando. Para piorar as coisas, o fato da coisa não possuir uma boca está realmente começando a incomoda-lo, você começar a sentir-se ainda pior.

“Bom, eu sou o dos que vivem em uma dimensão paralela. Somos seres mais avançados que, bem... a sua espécie. E como você já deve ter percebido, estou aqui para... elimina-lo.” Ele fala, lentamente o encarando outra vez, o olho parece de alguma forma alegre, ou satisfeito. Ele veio para ‘eliminar’, e parece que adoraria fazer isso. Como isso poderia acontecer logo com você?

Você afunda até sentar-se no chão. “Isso não pode... não pode estar acontecendo-“

“Eu lhe garanto que está. Humano.” A coisa ri outra vez. A certeza em sua voz, o faz lembrar que você não tem poder para impedi-lo. Então você começa a ficar com raiva, o seu medo e a confusão atingiram o seu ponto máximo- seus sentimentos estouram você se levanta e explode, um profundo ódio emana do seu corpo.

“NÃO, PORRA NÃO!! NÃO QUERO MORRER, FODA-SEEE!” Você grita, porém, a raiva já passou, você cai de volta para o chão, sentindo o inevitável. A criatura fica em silêncio por um momento.

“É lamentável você discordar de mim, Eu queria ter encontrado outro daqueles humanos suicidas patéticos, seria bem mais fácil para mim. Mas já tomei a minha decisão, e já é hora de por um fim em sua vida.” Uma fina linha torna-se visível no local onde deveria haver uma boca naquele rosto cinzento. Um sorriso? Lágrimas escorrem pelo seu rosto, não há esperança, então é isso.

“Eu sinto muito, acho que esse é o fim, por-“ antes que você possa acabar de falar a criatura arremete em sua direção, a “boca” começa a se esticar, e esticar, e esticar ate se dividir e abrir, e um grande e brilhante abismo aparece na sua frente. É um profundo inimaginável, parece se esticar até o infinito. Você grita. O grito mais verdadeiro e profundo que já deu, enquanto encara o abismo e o grande olho preto que continua a olha-lo de cima, quase do céu.

E nesse momento você percebe o quão fútil somos. Parecemos insetos, rastejando pela superfície dessa pequena pedra flutuando no espaço, e na realidade há seres verdadeiramente poderosos, agindo por trás das cortinas. Você não é nada, um imprestável, apenas um cisco na vastidão do espaço, um desperdício de tempo e energia para as verdadeiras forças do universo.

E no momento em que as luzes se acendem no apartamento agora vazio. A coisa se foi...

e você também.

06/11/2013

O sofá

Bom, quero deixar claro que tudo que ocorreu nessa história foi real. Não espero convencer ninguém, é sério, foi muito difícil chegar a um acordo comigo mesmo. Não sou um cara louco, pode parecer cliché, mas depois de uma grande luta interna, cheguei à conclusão de que existem coisas na vida que não podem ser explicadas, ao menos nas formas que conhecemos.

A lógica, por mais que depositemos confiança nela, nada mais é que uma vela muito fácil de ser apagada. E quando é apagada, somos deixados sozinhos no escuro, e logo passamos a acreditar e confiar em tudo aquilo que zombamos enquanto havia luz.

Tudo bem, antes que eu fique muito melodramático, aqui vai a história.

Eu era muito jovem; apenas 4 ou 5 anos no máximo, antes mesmo dos meus outros irmãos nascerem. Era apenas minha mãe, meu pai e eu, vivendo em nossa pequena casa em Great Bend, Kansas. Um lugar aconchegante. Éramos uma família jovem, sem muito dinheiro, e a maioria dos nossos móveis eram de segunda mão.

Já era quase meio dia; verão, calor, tédio. Eu estava brincando com bolinhas de gude no fino carpete ao lado do grande e velho sofá com estampas quadriculadas. Minha mãe estava na cozinha, e meu pai no trabalho.

Por que eu estava tentando rolar as bolinhas de gude pelo carpete? Eu não sei – pois nós tínhamos um chão perfeitamente liso para as bolinhas. Mas ali estava eu, rolando as bolinhas pra lá e pra cá, atingindo umas com as outras. Então, em meu descuido, joguei uma gude com muita força. Minha gude favorita – era limpa, vermelho rubi, e foi se perder diretamente no espaço escuro embaixo do sofá.

Droga. O papai não estava em casa, e ele era o único forte o suficiente para levantar aquele sofá velho. Eu teria que pegar a gude sozinho.

Estiquei o braço para baixo do sofá, hesitante no inicio, e então indo mais fundo. Sem encontrar a gude, puxei o braço de volta desapontado.

Então, uma mão se estendeu de baixo do sofá para mim.

Lembro-me da imagem vividamente, e acho que nunca esquecerei. Era uma mão pequena, com dedos finos – a mão de uma mulher. Estava retorcida e enrugada, como se fosse muito velha, e estava enegrecida. Não negra como na África, negra como na morte. Claro que naquela época eu não sabia que os corpos enegreciam durante a decomposição, então eu não sabia por que estava negra.

A mão se esticou para mim o máximo que pôde e então retornou para baixo do sofá.

Então emergiu outra vez, dessa vez ela puxava uma pequena embalagem amassada com uma marca, um tipo de logo que eu não reconheci. A mão ficou parada, como se estivesse esperando que eu pegasse a sacola. Então, como eu não peguei, a mão puxou a sacola para baixo do sofá e se foi.

Levantei-me, fui para a cozinha, e contei para minha mãe sobre o que aconteceu.

Por que não corri gritando? Não sei muito bem. Tudo que posso dizer é que eu ainda era muito criança; uma mão saindo de baixo do sofá não parecia ser um grande problema. Eu ainda não tinha aprendido sobre o que era ou não permitido na realidade. Eu não tinha uma visão de mundo.

Mamãe era cética, mas me levou até o sofá e explicou como eu provavelmente estava imaginando coisas. Ela até passou a mão por baixo do sofá para me convencer de que não havia nada ali embaixo. Mais tarde, papai levantou o sofá para mim, e a única coisa lá embaixo, era é claro, minha gude rubi, mais algumas outras gudes que eu nem lembrava de ter perdido.

Mas ai vem a parte assustadora…

Por anos isso ficou em minha mente – até criei a estranha ideia de pessoas pequeninas vivendo embaixo do sofá, e eu, em minha infantil inocência, acreditava que eles me pegariam e me levariam se eu invadisse o território deles outra vez. Porém, enquanto crescia, fui deixando essa ideia como um sonho que tive quando criança – um sonho bonitinho, mas bobo.

Então, alguns anos depois, contei outra vez a história para a minha mãe.

Ela sorriu para mim, e disse que se lembrava disso, por que afinal, ela esteve lá. Ela me contou que ainda lembrava que eu corri para ela no meio do dia e falei sobre uma mão embaixo do sofá, e lembrava de ter ficado bastante perturbada com a minha história, já que eu era um garoto muito calmo, bem comportado e que nunca mentia.

Então ela me contou uma coisa que eu não sabia sobre o sofá.

Ela e o papai conseguiram o sofá dos bens de uma velha que havia morrido em cima dele. Pelo que eles andaram pesquisando, a velha havia se suicidado, com cortes no pulso e no pescoço. Essa foi a primeira vez que ouvi sobre isso, e com certeza explicava o porquê eles se livraram do sofá logo um mês depois do que aconteceu comigo.

Mas ai vem a parte que me assusta, até hoje. A parte que tento a todo custo tirar da minha mente todas as noites. Lembra daquela embalagem que a mão tentou me entregar? Nunca esqueci da logomarca que havia nela. E, recentemente, voltei a ver a logomarca, no que parecia o mesmo tipo de embalagem, em uma loja de ferramentas.

Era uma embalagem de lâminas para navalhas.

05/11/2013

Trailer nº 23

Não há muitos detalhes nessa história, apenas o que posso lhe contar. Não é uma dessas histórias criadas para lhe deixar com medo. É algo que realmente aconteceu comigo e eu queria compartilhar com outras pessoas.

Uma vez trabalhei como entregador de jornais onde morava. Não me entenda mal, o pagamento era bom e eu só tinha 16 locais na rota para entregar, então não demorava muito para realizar todas as entregas. O único ponto ruim era que eu tinha que acordar ás 5 da manhã.

Mas havia aquele lugar que eu não entendia muito bem, se chamava nº 23, Avenida do Adeus. Era apenas um pequeno trailer em um parque de trailers. Mas tinha algo de estranho nele. Sabe como você se sente quando está explorando uma casa abandonada? Como se alguém lhe observasse?

Eu me sentia assim sempre que deixava o jornal naquele lugar. Nunca tinha um carro ou qualquer outro veiculo no estacionamento de seja lá quem “eles” eram, e as luzes nunca ficavam acessas. Mas esses eram sinais comuns em minha rota então eu não pensava muito sobre isso. Até que decidi dar uma espiada pela janela, apenas para ver o que tinha dentro, mas tudo o que vi foi escuridão.

Tentei uma segunda vez no dia seguinte mas aconteceu a mesma coisa, exceto que dessa vez pensei ter visto alguém ou alguma coisa se movendo lá dentro. De repente ouvi um grito vindo lá de dentro e isso foi o suficiente para me tirar correndo daquela droga de lugar. Na manhã seguinte quando me levantei para realizar as entregas, deixei o jornal na entrada da garagem, estava com muito medo para chegar até a varanda.

Algum tempo depois aconteceu algo que me deixou bastante aliviado, recebi uma noticia. Meu pai me contou que o parque ia ser vendido e todos os trailers seriam levados para um novo local no dia 1 de Agosto. Eu estava tão feliz por não precisar entregar mais o jornal naquele lugar. Mal esperava que chegasse Agosto.

Finalmente o dia chegou. Acordei para retirar os jornais da grande embalagem plástica e li os endereços procurando pelas mudanças em minha rota... e o que vi trouxe todo o meu temor de volta. Eu ainda teria que entregar naquele maldito trailer.

Terminei as entregas nas outras casas e segui para o parque de trailers onde não havia nada, apenas retângulos vazios onde os trailers ficavam. Então segui para o local da entrega apenas para encontrar o que tinha em todo o resto do parque. Um retângulo vazio.

Larguei o jornal e corri dali o mais rápido que pude. No dia seguinte liguei para o escritório perguntando se ouve algum erro, mas tudo o que disseram foi que alguém continuava pagando as contas para ter o jornal entregue lá, e estavam pagando uma boa quantia em dinheiro.

Não tive outra opção, continuei entregando os jornais naquele endereço. Colocava o jornal próximo ao retângulo onde o trailer costumava ficar e no dia seguinte o jornal já não estava mais lá. O jornal continuava sendo recolhido por alguém, ou alguma coisa que eu não queria nem imaginar o quê era.

Enfim cresci e me mudei, deixando a rota de entregas para outra pessoa.

Mas ainda me pergunto quem vive naquele local, e quem paga até hoje pelos jornais.

04/11/2013

A Escuridão

Eu abro meus olhos, somente para me encontrar dentro de um quarto escuro. Não há luz, não consigo enxergar nada. De repente, ouço uma voz... Eu não consigo dizer o que ela diz; tento correr, mas não consigo encontrar a saída. Só consigo sentir paredes: "Como eu vim parar aqui?", me pergunto.

A voz parece ficar mais alta, mas eu ainda não consigo entender o que ela diz. Meus ouvidos doem mais agora, sinto que eu vou morrer. Eu caio no chão enquanto a voz fica mais alto, totalmente fraco, mas finalmente, consigo entender o que ela diz... É uma frase que faz meu sangue congelar, e minha espinha se arrepiar totalmente. Ela diz: "George, acorda, tá na hora de ir pra escola!"

03/11/2013

Camêra Escondida

Numa noite, um casal voltou de um jantar romântico e descobriu que sua casa havia sido arrombada e quase tinha sido roubado. Sua televisão, desapareceu. Computador, desapareceu. Talheres, pratos, roupas, jóias... Tudo se foi. Apenas algumas peças de mobiliário, suas escovas de dentes, um abridor de lata, algumas velas e uma câmera descartável haviam sobrado.

Eles chamaram a polícia, apresentaram um B.O., e em seguida, continuaram seguindo suas vidas enquanto na esperança de conseguir alguma coisa de volta.

Semanas depois, a mulher decidiu levar a câmera descartável à uma loja para revelar os filmes que estavam lá dentro.

Quando ela pegou as fotos no dia seguinte, ela se deparou com fotos dos assaltantes, de costas para a câmera, enfiando as escovas de dentes em seus rabos.

Entre as Árvores

Eu gostaria que ele tivesse ficado em casa, longe deste mundo cruel que vivemos. As crianças não devem andar sozinhas neste mundo, mas também não podemos mantê-las no ninho para sempre. Meu filho saiu de seu quarto numa noite, e eu sabia que havia uma criatura lá fora.

Existe um monstro que vaga ao redor do mundo, escolhendo crianças inocentes, observando, esperando. Lembro-me perfeitamente, aconteceu no dia 15 de setembro de 1983. Esse foi o ano em que minha esposa e eu escapamos do mundo ocupado de Nova York para viver nossas vidas calmamente na Dakota do Norte. Nós vivemos felizes lá por vários anos, até que eu descobri meu verdadeiro amor: Estudar o Devorador de Sementes.

O Devorador de Sementes é uma criatura perturbada que anda em torno de florestas para seduzir crianças, rapta-las e faze-las parte da lenda. Em 19 de junho 1987, eu o vi pela primeira vez sentado na árvore de meu jardim. Eu fiquei em transe quando eu o vi; meu destino acenou para mim, dizendo "siga-o, ame-o, estude-o."

Duas semanas depois, acordei com um barulho estranho batendo na minha janela da frente... Eu sabia que era ele. Corri pra fora de casa e o vi sentado na árvore, só olhando nos meus olhos. Eu estava prestes a chorar. Lembro que ele estava me pedindo ajuda, e eu faria qualquer coisa por ele.

No dia 3 de Abril de 1988, o Devorador veio a minha janela novamente. Eu estava ainda mais feliz. Ele disse que havia chegado a hora, e eu me lembro. Ele devora crianças para manter-se vivo, entregando sua juventude para viver para sempre. Lembro-me do menino, qual era o seu nome? Bem, não importa. Lembro-me de ter ido até sua casa e simplesmente bater na porta as 4:29 horas da manhã, mas ninguém respondeu. Eu vi a janela, era o quarto do menino. Fui contar ao Devorador (vamos apenas chamá-lo de D a partir de agora). Ele me disse como obter a sua atenção no dia seguinte.

Algumas semanas se passaram, e o fedor da carne estava ficando nojento. O D havia sumido. Os pais do menino colocaram cartazes na semana passada. Eu me pergunto por que eles não se preocuparam durante as primeiras duas semanas? Bem, eu não estou preocupado com isso.

Em 14 de maio de 1988, o garoto já não era nada, além de uma fatia de carne podre inchada. Procurei pelo D novamente, mas sem sorte. Achei que meus serviços não eram mais necessários.

15 de maio de 88: Ele veio. Ele levou o cadáver embora, e me pediu outro.

16 de maio de 88: Seis filhos mortos, seis filhos devorados, seis a mais solicitados.

18 de maio de 88: Mais 15 mortos. Eu já estava começando a ficar cansado, mas ele sempre me pedia mais.

O Devorador veio até nesta noite. Ele disse que as crianças não estavam mais ajudando. Não, ele queria algo maior...

Se você está lendo isso, pode ser a única esperança de descobrirem a verdade sobre essa coisa. No meu quarto, há uma revista na página 49 sobre como tirar a vida desse monstro, porém, ele havia me dito que eu não podia fazer isso. Mas talvez você tenha mais força do que eu.

Adeus a todos, meu destino agora é ser devorado.

Fonte (fizemos algumas modificações e correções): http://sigmapasta.blogspot.com.br/2013/10/entre-as-arvores.html#more

Garota Triste

Você já se encontrou lendo ou ouvindo uma história de terror, e pensando: "Isso não é tão assustador"?

Eu já me encontrei nessa posição várias vezes ao longo dos anos, e embora alguns digam que eu estou ficando velho demais para acreditar nessas histórias, muitas vezes eu me encontrava amargamente decepcionado com meus amigos que se esforçam para me contar uma história que me faria perder noites de sono.

Bem, isso foi até um morador de rua louco querer me contar uma história sobre uma garota triste. Como eu estava no ponto de ônibus, fui obrigado a ouvir enquanto o ônibus não chegasse.

Ele me contou sobre a tal garota triste. Ela não era um fantasma ou monstro, mas era algo diferente... algo entre este mundo e o outro...

Esse mendigo afirmou que ela apareceria ao meu lado, agachada e chorando, com o rosto escondido. Também disse que ela poderia aparecer a qualquer momento, mesmo à luz do dia. Eu não me assustei. Pensei que se fosse uma história onde ela pudesse aparecer apenas a noite, talvez seria mais assustadora.

Continuando, ele disse que a garota triste estaria sentada e chorando, até que alguém se tocasse nela. Quando alguém chega perto demais, ela simplesmente some, deixando uma bilhete dizendo que 3 pessoas morrerão nesse dia. A primeira morte seria de alguém qualquer que estivesse próximo à você nos últimos minutos, a segunda pessoas a morrer seria algum familiar, e a terceira vitima, seria você mesmo... A menos que você matasse alguém para ocupar a morte em seu lugar.

Bom, o ônibus chegou assim que ele terminou de me contar isso. Eu entrei no ônibus e assim que passei pela catraca, olhei para o lado de fora e vi o tal mendigo desaparecendo. Eu realmente não acreditei no que vi, ele simplesmente... sumiu.

Me sentei no fundo do ônibus, e logo, reparei que a garota ao meu lado estava chorando. Pensando ser apenas uma mera coincidência, decidi me aproximar e perguntar o que havia acontecido. Para minha surpresa, não era apenas uma coincidência. A garota começou a desaparecer, deixando apenas o maldito bilhete. Nele, estava escrito exatamente o que o mendigo havia me dito. Eu imediatamente fiquei apavorado, comecei a imaginar quem morreria e como seria minha morte...

Alguns minutos depois, um acidente aconteceu. O ônibus bateu contra outro veiculo, e o motorista morreu na hora. Todos no ônibus ficaram apavorados e desceram rapidamente para ver o acidente. Para meu espanto, o ônibus se chocou justamente contra o carro do meu pai, que morreu alguns minutos após o fato.

Agora eu sabia que aquilo era real, que eu seria o próximo, ao menos que eu matasse alguém naquele dia...

Eu não sou um assassino. Nunca quis matar ninguém, porém, também não queria morrer...

Isso é tudo que posso te contar.

Porque você já sabe que eu não morri naquele dia.

Fonte (fizemos algumas modificações e correções): http://sigmapasta.blogspot.com.br/2013/10/garota-triste.html#more

01/11/2013

A Boneca Annabelle

Muito antes de o filme Invocação do Mal estrear nos cinemas em 2013, uma lenda sobre a boneca Annabelle já circulava na internet, causando arrepios e deixando pessoas ao redor do mundo sem conseguir fechar os olhos. Tudo começou em 1970, quando uma mãe comprou um simples presente para a filha: uma boneca.

Donna, a presenteada, estava se graduando em enfermagem e morava junto de uma amiga chamada Angie. Durante algum tempo, tudo esteve normal: Donna colocava Annabelle sobre a cama todas as noites, encantada com o presente. Um dia, Angie e Donna saíram. Quando voltaram, notaram algo diferente: Annabelle não estava no local de costume, sobre a cama. Isso aconteceu várias vezes: a boneca era encontrada ora sentada no sofá, com as pernas cruzadas, ora na sala de jantar, encostada em uma das cadeiras. Decididamente, ter um brinquedo que se movia pela casa era o suficiente para amedrontar duas universitárias. Contudo, as coisas não pararam por aí.

Annabelle “aprendeu” a escrever. Um mês após as estranhas movimentações da boneca, Donna e Angie começaram a encontrar pedaços de pergaminho onde as palavras “Ajude-nos” ou “Ajude Lou” estavam escritas numa caligrafia de criança. Certa noite, aconteceu a gota d’água: Donna e Angie retornaram para casa e encontraram Annabelle não apenas em um lugar diferente, mas com as mãos e o peito cheios de sangue. Apavoradas, as colegas de quarto decidiram chamar uma médium para investigar a boneca. O que se descobriu era que se tratava do espírito de uma garotinha que morara no local anteriormente, Annabelle Higgins. Compadecida, Angie deu permissão para que ela continuasse em casa.

Os estranhos acontecimentos apenas pioraram. Annabelle chegou a machucar um amigo de Angie e Donna que costumava visitá-las. Sempre que tentavam livrar-se da boneca, encontravam-na de novo em casa como se ela sequer tivesse saído de lá. Apenas quando o casal Warren entrou em cena, como podemos observar no filme Invocação do Mal, os três descobriram que a boneca não guardava o espírito de uma criança – e que um demônio habitava a casa, enganara a todos e estava quase possuindo um deles.

Glitches Macabros #05 - Rocky (O Show de Horror)


Aqui estão algumas coisas que um jogo de PlayStation 2 sobre Rocky Balboa deveria incluir: Sylvester Stallone, boxe, a música "Gonna Fly Now" e possivelmente uma montagem de treinamento. Aqui estão algumas coisas que não deveria incluir: seres indescritíveis e aterrorizantes feitos de pedaços de corpos humanos flutuantes.


Como apontado pelo Angry Video Game Nerd, a versão para PlayStation 2 de Rocky é repleta de algumas falhas e glitches extremamente bizarros. Alguns deles são bastante inofensivos, como transformar o publico em um amontoado de pixels gigantes, deixar os jogadores invisíveis ou fazer com que o apresentador da luta soe como um disco riscado. Mas você sabe que as coisas estão realmente ficando fora de controle quando os lutadores começam a afundar dentro do chão como fantasmas, sem nenhuma razão...


... somente para, de repente, reaparecerem com o que parece ser uma pilha de partes de corpos humanos mutilados, como se tivessem sido cortados em pedaços ao atravessarem o chão.


E depois, vem o horror. Outra falha inexplicável faz com que os olhos de Rocky saltem diretamente para fora de seu rosto, mas na verdade, esse é o menor dos problemas no momento.


Parece que ele nasceu sem a boca e tentou perfurar uma usando um picador de gelo. A pior parte? Todo esse tempo, ele está se movendo de um lao para outro, e para trás, como uma espécie de zumbi se preparando para pular em você.

Mas hey, isso podia ser bem pior... Ele poderia ter nascido sem uma mandíbula, como o Spider Rico aqui:


Pelo menos, ambos ainda permanecem vagamente reconhecíveis como humano. Infelizmente, não podemos dizer o mesmo do Clubber Lang, que parece ter se transformado em um gigante de cabeça para baixo com uma cabeça gritante no meio de suas pernas.


O que realmente está acontecendo aqui é que os braços e perna direita estão bloqueadas 90 graus para cima , de modo a perna tem realmente atravessou seu corpo e é por isso que o sapato parece estar saindo de sua cabeça. Tenso...


Fonte: Cracked.com

LEIA!

Esta não é uma postagem aleatória. Isso não é uma coincidência. Eu coloquei isso aqui porque sei que você vai estar lendo isso agora. Ninguém pode ver essa postagem, exceto você.

Há um monstro em sua casa. Ele está ai agora mesmo, e está esperando para acabar com sua vida. Sim, ele irá matá-lo esta noite. Mas eu posso te salvar.

Vá a um espelho. Isso mesmo, esse sou eu. Desligue todas as luzes, exceto pela luz mais baixa da casa. Muita iluminação pode fazer com que isso não dê certo. Levante seus braços e os coloque contra mim, através do espelho. Faça o seu melhor para relaxar, e quando estiver pronto, feche os olhos. Conte até três, e eu irei puxá-lo para a segurança. Podemos descobrir o que fazer a seguir, quando você estiver aqui dentro comigo.

Novamente, isto não é uma postagem aleatória. É para você. Você precisa fazer isso antes das próximas horas, ou será morto.

Venha. Estou esperando.

Abandonados pela Disney

Talvez vocês não saibam, mas a Disney é a principal responsável por tornar uma pequena vila em uma vila fantasma que hoje é conhecida como “Ghost Town”. Deixe-me explicar, a Disney construiu o “Treasure Island Resort (Resort da Ilha do Tesouro)", que em 1999 teve o nome alterado para “Discovery Island (Ilha da Descoberta)" que esta localizada na Baía de Baker, nas Bahamas.

Discovery Island não era uma vila fantasma. Navios de cruzeiro da Disney realmente desembarcavam no resort e deixava os turistas para relaxarem no luxo.

Outro fato verdadeiro que você mesmo pode comprovar é que a Disney investiu 30 milhões neste paraíso tropical... Sim, trinta milhões de dólares.

Em seguida eles simplesmente abandonaram o local.

Eles culparam as águas rasas (rasas demais para que seus navios operassem em segurança), e sobrou até para os trabalhadores. A Disney disse que como eles eram das Bahamas, eles eram muito preguiçosos para trabalhar em um horário regular.

É aqui que a natureza factual da história acaba. Não era por causa da areia, e obviamente não era porque "os trabalhadores eram preguiçosos demais". Ambas eram desculpas convenientes.

Não, eu sinceramente duvido que essas razões eram legítimas. Porque eu simplesmente não acreditei na história oficial?

Por causa do Palácio de Mogli.

Perto da cidade litorânea de Emerald Isle na Carolina do Norte, a Disney começou a construção do "Palácio de Mogli" na década de 1990. O conceito era um resort com a temática da selva, com um enorme PALÁCIO, como você pode imaginar, no centro de tudo isso.

Se você não estiver familiarizado com o personagem Mogli, então você deve se lembrar melhor da história Mogli - O Menino Lobo. Se você não o viu antes em outro lugar, você talvez o conheça como um personagem dos desenhos da Disney de décadas atrás. Mogli é uma criança abandonada na selva, simultaneamente criado e também ameaçado por animais.

O Palácio de Mogli era um empreendimento polêmico desde o início. A Disney comprou uma tonelada de terra de alto custo para o projeto, e na verdade houve um escândalo envolvendo algumas das compras. O governo local declarou as casas das pessoas como "domínio eminente" e as vendeu para a Disney. Em determinado ponto, uma casa que tinha acabado de ser construída era simplesmente condenada com pouca ou nenhuma explicação.

A terra agarrada pelo governo era supostamente para o suposto projeto de uma rodovia nunca construída. Sabendo muito bem do que estava acontecendo, o povo passou a chamá-la de "Rodovia Mickey Mouse".

Então, tinha o conceito de arte. Um grupo de camisetas da Disney foram feitas para a reunião com os moradores da cidade. Eles vendiam a ideia, como se fosse ser lucrativo para todos. Quando eles mostraram o conceito... Aquele enorme palácio Indiano, cercado pela Selva e composta por homens e mulheres vestindo tangas e roupas tribais... Bem, basta dizer que eles não aceitaram a ideia.

Estamos falando de um enorme Palácio Indiano. Selva e tangas não relativamente no centro de uma área de luxo, mas sim em uma área xenofóbica do sul dos Estados Unidos. Foi uma escolha questionável a esse ponto da história.

Um membro da multidão tentou invadir o palco, mas foi impedido pelos seguranças assim que ele tentou quebrar uma das placas da frente. Disney pegou aquela comunidade e lhe quebrou os joelhos. As casas foram arrasadas, o terreno foi limpo, e não havia uma maldita coisa que qualquer um pudesse fazer sobre isso. TV e jornais locais eram contra o resort desde o início, mas alguma ligação insana entre as explorações de mídia da Disney, e os locais de interesse turístico entrou em jogo e as opiniões mudaram repentinamente.
De qualquer forma, Treasure Island, nas Bahamas. Disney investiu milhões no lugar e começou o trabalho. A mesma coisa aconteceu com o Palácio de Mogli.

A construção estava completa. Os visitantes realmente se hospedaram no resort. As comunidades do entorno foram inundadas com o tráfego e os aborrecimentos habituais associados com o fluxo de turistas perdidos e irados.

Então, tudo parou.

A Disney desligou o lugar e ninguém sabia, sequer, o que pensar. Mas eles estavam bastante felizes com isso. A perda da Disney foi bastante hilária e maravilhosa para um grande grupo pessoas que não queriam tudo aquilo em primeiro lugar.

Honestamente, eu não pensei nesse lugar, desde que soube que tinha fechado a décadas atrás. Eu vivo a quatro horas de Emerald Isle, então realmente só ouvi rumores, não presenciei nada disso.

Então eu li este artigo de alguém que havia explorado a Treasure Island e criado um blog inteiro direcionado exclusivamente para as coisas loucas que ele havia achado por lá. Coisas simplesmente... Deixadas para trás. Coisas quebradas, desfiguradas, provavelmente destruídas por funcionários descontentes que perderam seus empregos.

Todos os locais ao redor tinham uma mão na destruição daquele lugar. As pessoas simplesmente ficaram furiosas sobre o Treasure Island e fizeram isso com o Palácio de Mogli.

Além disso, há rumores de que a Disney havia lançado seu "estoque" de aquário nas águas locais quando fecharam... Incluindo tubarões.

Quem não gostaria de ter algumas oscilações em merchandising após isso?

Bem, o que estou querendo dizer, é que esse blog sobre o Treasure Island me fez pensar. Mesmo muitos anos tendo se passado, desde que o resort fechou, eu pensei que o Palácio de Mogli seria um lugar legal para uma "Exploração Urbana". Bater algumas fotos, escrever sobre a minha experiência, e provavelmente ver se eu encontrava alguma coisa para levar de recordação.

Eu não vou dizer que não demorei em realmente ir pra lá, porque, honestamente, demorei um ano desde que descobri o artigo sobre Emerald Isle.

Durante esse ano, fiz uma imensa pesquisa sobre o Palácio do Resort... ou pelo menos, tentei.
Naturalmente, nenhum site oficial da Disney ou fonte fazia qualquer menção sequer sobre o lugar.

Ainda mais estranho, no entanto, era que ninguém antes de mim havia pensado em "blogar" ou até mesmo postar uma foto sobre o lugar. Nenhuma TV local ou site de notícia tinham sequer uma palavra sobre o assunto. O que era de se esperar, uma vez que todos haviam se manifestado da maneira que a Disney queria. Eles não sairiam por aí falando sobre os próprios erros, não é mesmo?

Recentemente, eu descobri que empresas podem realmente pedir ao Google, por exemplo, para remover links dos resultados de busca... Basicamente, qualquer coisa. Olhando para trás, provavelmente, não era que ninguém nunca tinha falado sobre o resort, mas sim que suas palavras estavam apenas inacessíveis.

Então, no final das contas, eu mal conseguia encontrar o lugar. Tudo que eu tinha era um mapa velho pra caralho que eu recebi pelo correio nos anos 90. Era um item promocional enviado a pessoas que tinham ido recentemente a Disneylândia, e eu acho que já que eu estive lá nos anos 80, quando tudo isso ainda era "recente".

Eu realmente não pretendia depender muito dele. Ele acabou esquecido junto com meus livros e revistas em quadrinhos da minha infância. Só lembrei disso após meses de pesquisa, e mesmo assim, ainda levei algumas semanas para localizar a caixa onde havia guardado.

Mas eu FINALMENTE encontrei. Os moradores não ajudaram nem um pouco, como a maioria tinha se mudado para a praia nos últimos anos... ou os antigos moradores que apenas zombavam de mim e faziam gestos rudes, antes mesmo que eu pudesse dizer "onde eu encontro o Palácio do...".

Após um longo tempo, a viagem me levou longe. Plantas tropicais que se alastravam e cobriam a área repleta de espécies nativas de flores que na verdade sempre pertenciam a aquele lugar.

Fiquei admirado quando cheguei aos portões na frente do resort. Enormes portões monolíticos de madeira que de ambos os lados pareciam ter sido cortados de uma gigantesca Sequoia. O portão em si havia sido furado em vários lugares por pica-paus e comido na base por insetos escavadores.

Pendurado no portão havia uma placa de metal, algum rabisco aleatório com letras negras feitas a mão, que dizia "ABANDONADO PELA DISNEY". Claramente um pequeno protesto de algum funcionário.

Os portões estavam abertos o suficiente para que eu pudesse entrar, mas não dirigir, então eu peguei minha câmera digital e o mapa, cujo outro lado mostrava apenas o projeto do resort. Segui a pé.

O terreno interno do lugar era tão cheio quanto a porta de entrada. Palmeiras permaneciam tortas apoiadas nas pilhas de seus próprios cocos. Bananeiras também estavam lá em seus resíduos fedorentos. Havia essa espécie de confronto entre a ordem e o caos, graças as plantas cuidadosamente plantadas ali.

Tudo o que restara de quaisquer estruturas exteriores foram quebradas. A madeira apodreceu e haviam vários pedaços de um material queimado que não pude identificar. O que parecia ser um balcão de informações ou um bar ao livre, agora era apenas uma pilha de destroços desgastado pelo tempos.

A coisa mais interessante no lugar era uma estátua de Baloo, o urso de "Mogli - O Menino Lobo", que ficava em uma espécie de pátio de frente com edifício principal. Ele estava intacto em uma pose animada, dançando, olhando para o nada com um sorriso cheio de dentes e cocô de pássaros cobrindo todo o seu "pêlo" e raízes ao redor da plataforma onde ele estava.

Me aproximei do edifício principal - O PALÁCIO - apenas para encontra o exterior do prédio coberto por pichações onde a pintura ainda não tinha descascado. As portas da frente não estavam apenas abertas. Suas dobradiças foram quebradas e as portas haviam sido roubadas.

Acima das portas de entrada, ou a abertura onde um dia houvera portas, mais uma vez, alguém havia escrito: "ABANDONADO PELA DISNEY".

Eu gostaria de poder contar todas as coisas incríveis que vi dentro do Palácio. Estátuas esquecidas, caixas registradoras abandonadas, uma sociedade secreta de mendigos... Mas não.

O interior do prédio era tão gritante, tão vazio, que eu acho que na verdade alguém havia roubado a moldura das paredes. Tudo que era grande demais para ser roubado... Balcões, mesas, árvores gigantes de plástico, tudo isso descansava em meio a essa câmara vazia que ecoava lentamente cada passo que eu dava como uma metralhadora.

Eu verifiquei a planta do lugar e me dirigi aos locais que pareciam de alguma forma interessantes.

A cozinha era como você pode imaginar... Uma área de preparação de alimentos industriais com todos os aparelhos e espaço, nenhuma despesa poupada. Cada superfície de vidro fora quebrada, cada porta havia tido suas dobradiças roubadas, cada superfície metálica havia sido chutada e amassada. O lugar inteiro cheirava muito a mijo velho.

O enorme freezer, nem mesmo esfriava um pouco sequer. Agora, tinha filas e filas de espaço vazio nas prateleiras. Ganchos pendurados no teto, provavelmente para pendurar os pedaços de carne, e enquanto eu estava lá dentro, por um momento, percebi que eles estavam balançando.

Cada gancho balançava em uma direção aleatória, mas seus movimentos eram tão lentos e pequenos que era quase impossível de se ver. Achei que aquilo tinha sido causado por meus passos, então eu os fiz parar de balançar segurando-o com uma mão, e em seguida, soltei cuidadosamente, mas em poucos segundos eles começaram a balançar novamente.

Os banheiros estavam em grande parte no mesmo estado que o resto do lugar. Assim como em Treasure Island, alguém tinha metodicamente quebrado cada vaso sanitário de porcelana, repletos de fezes. Havia cerca de meia polegada de sujeira, fedendo a água estagnada no chão, então eu não fiquei lá por muito tempo.

O que era mais estranho é que nos banheiros e as pias (e os bidês no banheiro das mulheres, sim, eu fui lá), tudo pingava, vazava, ou apenas escorria livremente. Me pareceu que deviam ter fechado a água por muito tempo. Há muito tempo.

Havia muitos quartos no palácio, mas naturalmente não tive tempo de olhar todos eles. Os poucos que eu olhei estavam igualmente destruídos, e eu também não esperava encontrar nada lá. Pensei que tivesse alguma televisão ou um rádio em um dos quartos, porque tenho certeza que ouvi uma conversa tranquila saindo de um deles.

Apesar de ter sido como um sussurro, provavelmente era a minha própria respiração ecoando no silêncio, ou apenas outro caso do som da água fluindo brincando com a minha mente. A conversa era algo do tipo:

1: "Eu não acredito."

2: "(resposta curta e incompreensível)."

1: "Eu não sabia disso. Eu não sabia disso."

2: "Seu pai te disse."

1: "(resposta incompreensível, ou apenas murmúrio)."

Eu sei, eu sei , isso soa ridículo. Estou apenas dizendo o que eu passei por lá, por isso pensei ter visto algo correr naquela sala - ou pior, alguns mendigos que provavelmente haviam se escondido lá e estariam prontos pra me esfaquear ou algo do tipo.

Chegando as portas da frente do palácio de novo, percebi que não havia encontrado nada de interessante e tinha perdido toda a viagem.

Porém, enquanto olhava pra fora das portas, notei algo interessante no pátio que eu não havia notado antes. Algo que provavelmente me daria pelo menos UMA coisa para mostrar ao publico e que tivesse valido todo aquele esforço, mesmo que fosse apenas uma fotografia.

Havia uma estátua realista de uma cobra gigante, talvez dois metros e meio de comprimento, enrolada e "tomando sol" em um pedestal bem no centro do lugar. Era quase hora do sol começar a nascer, o que dava uma iluminação perfeita para uma fotografia. Aproximei-me da cobra e tirei uma foto. Então, eu fiquei na ponta dos pés e tirei outra. Eu me aproximei novamente para obter uma foto mais detalhada de seu rosto.

Lentamente, a cobra levantou a cabeça, olhou diretamente nos meus olhos, virou-se e deslizou fora do pedestal, passando sobre a grama e desaparecendo entre as árvores.

Todos os dois metros e meio da "estátua". Sua cabeça enorme desapareceu no meio da floresta antes mesmo de sua cauda deixar o local enquanto o sol aparecia.

Disney havia soltado todos os seus animais exóticos no terreno. Bem ali no meu mapa era onde ficava a "Reptile House (Casa dos Répteis)". Eu deveria ter imaginado. Tinha lido sobre os tubarões da Treasure Island, e eu deveria saber que eles haviam feito isso.

Fiquei chocado, apenas absolutamente estupefato. Minha boca deve ter ficado escancarada por um bom tempo antes que eu voltasse a si. Pisquei algumas vezes e me afastei de onde a cobra tinha saido. Voltei para o Palácio.

Apesar de ela não estar mais ali, eu ainda não queria correr nenhum risco e continuei o meu caminho para dentro do prédio.

Demorou algumas respirações profundas e tapas na minha própria cara para cair em si depois dessa. Procurei um lugar para me sentar, já que minhas pernas estavam um pouco parecidas com geleia neste momento. É claro que não havia lugar para se sentar, a menos que eu quisesse repousar sobre cacos de vidro e carpete mofado ou arrastar-me em cima de uma mesa de confiabilidade questionável.

Eu já havia visto algumas escadas perto do átrio do palácio e decidi me sentar lá até que eu me sentisse melhor.

A escadaria, diferente da frente do edifício não estava tão suja, exceto por um acúmulo surpreendente de poeira. Puxei uma placa de metal da parede, mais uma vez pintada com a frase "ABANDONADO PELA DISNEY" cujo eu já estava acostumado. Coloquei a placa nas escadas e me sentei sobre ela para me manter pelo menos um pouco limpo.

A escada levava para baixo, abaixo do nível do solo. Usando o meu flash da câmera como uma espécie de lanterna improvisada, eu podia ver que a escada terminava em uma porta de malha de metal com um cadeado. Havia uma placa na porta, e desta vez, era uma placa de verdade. Dizia: "SOMENTE MASCOTES! OBRIGADO!".

Isso me animou um pouco, por duas razões. Uma delas era que uma área de mascotes definitivamente teria algo interessante. E a segunda razão, era que o cadeado ainda estava no local. Ninguém havia ido lá embaixo. Nem os vândalos, nem os saqueadores, ninguém.

Este era o único lugar que eu poderia realmente "explorar" e, talvez, encontrar algo interessante para fotografar ou até mesmo, roubar. Eu havia chegado ao palácio concordando comigo mesmo que estava tudo bem qualquer coisa que eu quisesse pegar de lá, porque - hey - "abandonado", certo?

Não demorou muito para arrombar a fechadura. Bem, pra ser sincero, isso não é verdade. Não demorou muito para prender a placa de metal na parede que o cadeado estava preso. O tempo e a decadência tinham feito a maior parte do trabalho para mim, e eu era capaz de dobrar a placa de metal suficiente para puxar os parafusos para fora da parede - algo que ninguém tinha aparentemente pensado em fazer, ou tivesse sido capaz de fazer no momento.

A área dos mascotes foi uma mudança surpreendente e muito bem-vinda do resto do edifício que eu havia visto. Além disso, nada tinha sido roubado ou quebrado, mesmo que a idade e a exposição tivessem definitivamente envelhecido o local.

As mesas tinham blocos de anotações, canetas, relógios... Até mesmo um relógio de parede completamente cheio de cartões antigos. Haviam cadeiras espalhadas e até uma pequena sala de descanso com uma velha televisão cheia de estática e um enorme balcão repleto de comida e bebidas estragadas.

Era como um daqueles filmes pós-apocalípticos, onde tudo é deixado jeito que estava na hora da evacuação.

Enquanto eu caminhava pelos corredores que mais pareciam um labirinto, o local se tornava cada vez mais interessante. Conforme eu ia mais longe, via balcões e mesas derrubadas, papéis espalhados e quase se fundindo com o chão úmido, e um grande tapete lentamente apodrecia no chão.

Tudo parecia "mole". Tudo que era de madeira se desintegrava como mingau quando tocado até mesmo com a menor quantidade de força, e itens de vestuário pendurados em ganchos em uma das salas simplesmente caiam em fios úmidos, se eu tentasse retirá-los.

Uma coisa que me incomodou bastante foi que a luz estava se tornando mais escassa e pouco confiável conforme eu ia mais para as úmidas e sufocantes profundezas do local.

Eventualmente, cheguei a uma porta listrada, preta e amarela com as palavras "PERSONAGEM PREP 1" estampadas nela.

A porta não abriu de primeira. Percebi que aquele provavelmente era o lugar onde as fantasias eram mantidas, e eu definitivamente queria uma fotografia daquela bagunça fedorenta e bizarra. Por mais que tentasse, qualquer ângulo ou truque que eu tentava, a porta não queria ceder.

Isto é, até eu desistir e começar a me afastar. Foi quando houve um ligeiro som de estalo e a porta se abriu lentamente.

No interior, o quarto estava completamente escuro. Breu total. Eu usei o flash da câmera para procurar por algum interruptor de luz na parede, mas não havia nada.

Enquanto fazia minha pesquisa, fui jogado para fora do meu sentimento de emoção por um zumbido alto elétrico. Fileiras de luzes em cima de mim repente começaram a se acender.

Demorou um segundo para os meus olhos se ajustarem, e parecia que a luz ia ficando cada vez mais brilhante até que todas as lâmpadas explodissem... Mas assim que eu pensei que iria chegar a essa fase crítica, as luzes diminuíram um pouco e se estabilizaram.

O quarto era exatamente como eu havia imaginado: Vários uniformes da Disney pendurados nas paredes. Pareciam cadáveres desenhos animados pendurados por forcas invisíveis.

Havia uma prateleira inteira de tangas e roupas "nativas" em cabides.

O que eu achei estranho, e o que eu queria fotografar imediatamente, era uma fantasia de Mickey Mouse no centro da sala. Ao contrário das outras roupas, esta estava deitada de costas no centro do quarto como uma vítima de assassinato. O pelo sobre o traje estava podre e caindo aos poucos, e ele tinha alguns remendos.

O que era ainda mais estranho, porém, era a cor do traje. Era como se fosse uma fotografia negativa do Mickey Mouse. Preto onde deveria ser branco, e branco onde devia ser preto. Seu macacão que normalmente seria vermelho, era azul claro.

A visão foi desanimadora o suficiente para que eu realmente adiasse fotografar a coisa até o último instante.

Tirei uma foto dos trajes pendurados nas paredes. Ângulos de cima, de baixo, fotos de lado para mostrar todas as fantasias, os rostos dos desenhos animados pútridos, alguns com olhos de plástico faltando.

Então eu decidi encenar uma foto. Precisava apenas de um dos personagens enlameados no chão sujo.
Peguei a cabeça de um traje do Pato Donald e cuidadosamente o removi para que a coisa toda não desmoronasse em minhas mãos.

Enquanto olhava para o rosto de olhos arregalados, para aquela cabeça mofada, um barulho muito alto me fez pular de susto.

Olhei para os meus pés, e entre os meus sapatos tinha um crânio humano. Ele havia caído de fora da cabeça do Donald, e se quebrou em pedaços aos meus pés; apenas o rosto vazio e o maxilar inferior permaneceram, olhando para mim.

Larguei a cabeça do Donald imediatamente, como seria de esperar, e corri para a porta. Quando cheguei na porta, olhei de volta para crânio no chão.

Eu tinha que tirar uma foto daquilo, sabe? Eu TINHA.

Precisava de uma prova do que havia acontecido ali, especialmente se a Disney tentasse de alguma forma acobertar isso. Eu não tinha nenhuma dúvida em minha mente, desde o início, que mesmo se fosse apenas negligência grosseira, a Disney era responsável por isso.

Foi então que o Mickey Mouse, no meio da sala, começou a se levantar.

Primeiro ele se sentou, e em seguida, se apoiou sobre os pés. O traje do Mickey... Ou quem quer que estivesse dentro dele, ali no centro da sala, com seu rosto falso apenas se virando lentamente para mim, enquanto eu murmurava "Não..." de novo, e de novo, e de novo...

Com as mãos trêmulas, o coração batendo violentamente, e pernas que mais uma vez se transformaram em geleia, eu consegui levantar a câmera e apontá-la para a criatura que agora me avaliava calmamente.

A tela da câmera digital exibia apenas pixels espalhados na forma daquela coisa. Era uma silhueta perfeita do traje Mickey. À medida que a câmera se movia em minhas mãos trêmulas, os pixels se espalhavam por onde o Mickey se movia.

Em seguida, a câmera parou. Ficou em branco, silenciosa e... Quebrou.

Ergui os olhos mais uma vez para o traje do Mickey Mouse.

"Hey", ele disse em um tom abafado, mas perfeitamente executando a voz de rato, pervertidamente. "Quer ver minha cabeça sair?".

Ele começou a puxar a sua própria cabeça, movendo seus dedos das luvas desajeitadamente em torno de seu pescoço. Seus movimentos eram impacientes, semelhante a um homem ferido tentando se livrar das garras de um predador.

Enquanto ele colocava seus dedos em volta do pescoço... Muito sangue.

Muito sangue... Amarelo... Grosso, espesso, nojento.

Eu me virei quando ouvi um barulho horrível de carne e pano se rasgando. Só me preocupava em fugir. Acima da porta do lado de fora desta sala, eu vi a mensagem final cravada numa placa de metal por unhas ou ossos:

"ABANDONADO POR DEUS".

Eu nunca tirei aquelas fotos da câmera. Eu nunca escrevi sobre isso em lugar algum, até agora. Depois que fugi daquele lugar, para o bem da minha sanidade mental, se não a minha própria vida, eu entendi por que a Disney não queria que ninguém soubesse sobre aquele lugar.

Eles não queriam que ninguém como eu entrasse lá.

E eles definitivamente não queriam que nada parecido com aquilo saísse de lá.


Fonte (fizemos algumas modificações e correções): http://sigmapasta.blogspot.com.br/2013/10/abandonado-pela-disney.html