06/11/13

O sofá

Bom, quero deixar claro que tudo que ocorreu nessa história foi real. Não espero convencer ninguém, é sério, foi muito difícil chegar a um acordo comigo mesmo. Não sou um cara louco, pode parecer cliché, mas depois de uma grande luta interna, cheguei à conclusão de que existem coisas na vida que não podem ser explicadas, ao menos nas formas que conhecemos.

A lógica, por mais que depositemos confiança nela, nada mais é que uma vela muito fácil de ser apagada. E quando é apagada, somos deixados sozinhos no escuro, e logo passamos a acreditar e confiar em tudo aquilo que zombamos enquanto havia luz.

Tudo bem, antes que eu fique muito melodramático, aqui vai a história.

Eu era muito jovem; apenas 4 ou 5 anos no máximo, antes mesmo dos meus outros irmãos nascerem. Era apenas minha mãe, meu pai e eu, vivendo em nossa pequena casa em Great Bend, Kansas. Um lugar aconchegante. Éramos uma família jovem, sem muito dinheiro, e a maioria dos nossos móveis eram de segunda mão.

Já era quase meio dia; verão, calor, tédio. Eu estava brincando com bolinhas de gude no fino carpete ao lado do grande e velho sofá com estampas quadriculadas. Minha mãe estava na cozinha, e meu pai no trabalho.

Por que eu estava tentando rolar as bolinhas de gude pelo carpete? Eu não sei – pois nós tínhamos um chão perfeitamente liso para as bolinhas. Mas ali estava eu, rolando as bolinhas pra lá e pra cá, atingindo umas com as outras. Então, em meu descuido, joguei uma gude com muita força. Minha gude favorita – era limpa, vermelho rubi, e foi se perder diretamente no espaço escuro embaixo do sofá.

Droga. O papai não estava em casa, e ele era o único forte o suficiente para levantar aquele sofá velho. Eu teria que pegar a gude sozinho.

Estiquei o braço para baixo do sofá, hesitante no inicio, e então indo mais fundo. Sem encontrar a gude, puxei o braço de volta desapontado.

Então, uma mão se estendeu de baixo do sofá para mim.

Lembro-me da imagem vividamente, e acho que nunca esquecerei. Era uma mão pequena, com dedos finos – a mão de uma mulher. Estava retorcida e enrugada, como se fosse muito velha, e estava enegrecida. Não negra como na África, negra como na morte. Claro que naquela época eu não sabia que os corpos enegreciam durante a decomposição, então eu não sabia por que estava negra.

A mão se esticou para mim o máximo que pôde e então retornou para baixo do sofá.

Então emergiu outra vez, dessa vez ela puxava uma pequena embalagem amassada com uma marca, um tipo de logo que eu não reconheci. A mão ficou parada, como se estivesse esperando que eu pegasse a sacola. Então, como eu não peguei, a mão puxou a sacola para baixo do sofá e se foi.

Levantei-me, fui para a cozinha, e contei para minha mãe sobre o que aconteceu.

Por que não corri gritando? Não sei muito bem. Tudo que posso dizer é que eu ainda era muito criança; uma mão saindo de baixo do sofá não parecia ser um grande problema. Eu ainda não tinha aprendido sobre o que era ou não permitido na realidade. Eu não tinha uma visão de mundo.

Mamãe era cética, mas me levou até o sofá e explicou como eu provavelmente estava imaginando coisas. Ela até passou a mão por baixo do sofá para me convencer de que não havia nada ali embaixo. Mais tarde, papai levantou o sofá para mim, e a única coisa lá embaixo, era é claro, minha gude rubi, mais algumas outras gudes que eu nem lembrava de ter perdido.

Mas ai vem a parte assustadora…

Por anos isso ficou em minha mente – até criei a estranha ideia de pessoas pequeninas vivendo embaixo do sofá, e eu, em minha infantil inocência, acreditava que eles me pegariam e me levariam se eu invadisse o território deles outra vez. Porém, enquanto crescia, fui deixando essa ideia como um sonho que tive quando criança – um sonho bonitinho, mas bobo.

Então, alguns anos depois, contei outra vez a história para a minha mãe.

Ela sorriu para mim, e disse que se lembrava disso, por que afinal, ela esteve lá. Ela me contou que ainda lembrava que eu corri para ela no meio do dia e falei sobre uma mão embaixo do sofá, e lembrava de ter ficado bastante perturbada com a minha história, já que eu era um garoto muito calmo, bem comportado e que nunca mentia.

Então ela me contou uma coisa que eu não sabia sobre o sofá.

Ela e o papai conseguiram o sofá dos bens de uma velha que havia morrido em cima dele. Pelo que eles andaram pesquisando, a velha havia se suicidado, com cortes no pulso e no pescoço. Essa foi a primeira vez que ouvi sobre isso, e com certeza explicava o porquê eles se livraram do sofá logo um mês depois do que aconteceu comigo.

Mas ai vem a parte que me assusta, até hoje. A parte que tento a todo custo tirar da minha mente todas as noites. Lembra daquela embalagem que a mão tentou me entregar? Nunca esqueci da logomarca que havia nela. E, recentemente, voltei a ver a logomarca, no que parecia o mesmo tipo de embalagem, em uma loja de ferramentas.

Era uma embalagem de lâminas para navalhas.



27 comentários:

  1. acho q já li essa creepy aqui...mas não com essas palavras...ñ era a tal da mão negra?

    ResponderExcluir
  2. ve mulheres debaixo do sofa, quem nunca?

    ResponderExcluir
  3. "Não negra como na África, negra como na morte." Ah... agora tá explicado né cara

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Serio,eu fiquei meio que "juuuura?" quando li isso '-'

      Excluir
  4. Depois da mao aparecer oviu-se uma voz: quer carne friboi?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu estou me perguntando se a mão era friboi ??? heueheuheueuhe

      Excluir
  5. Respostas
    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ai ay ae kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (BREEEEATHE) kkkkkkkkkkkkkkkkkk só vc mesmo!

      Excluir
  6. Tipo, ela queria que ele também cortasse os pulsos?

    ResponderExcluir
  7. A véia ouviu muito Gilletovato -qn

    ResponderExcluir
  8. Se o pai do mlk não tivesse matado a sogra... E ainda botaram a culpa na pob da véia.. #QiDoh

    ResponderExcluir
  9. Eu li essa creepy ouvindo um vídeo do Ambuplay enquanto passava atividade paranormal na tv = nunca mais dormir

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. MELDELS, vc é multifuncional? Assistir um filme, um video e ler uma creepy ao mesmo tempo? Tenso

      Excluir
  10. Quem me dera se encontrasse mulheres de baixo do sofá

    ResponderExcluir
  11. Tacaram um sofá na pessoa da foto ? O-o

    ResponderExcluir
  12. A mão se estende a você, você aperta a mão dela e diz"muito prazer, vc poderia fazer o favor de pegar minha gude? Muito obrigado!!" O.o

    ResponderExcluir
  13. A mão se estende a você, você aperta a mão dela e diz"muito prazer, vc poderia fazer o favor de pegar minha gude? Muito obrigado!!" O.o

    ResponderExcluir
  14. Era só um bracinho enrugado debaixo do sofá, isso é normal

    ResponderExcluir