25/08/15

A Garota na Janela

Novo ano, escola nova. Nada é realmente novo pra mim, pois minha família se muda muito. A escola parece bem normal, assim como os alunos e os professores.

Pelo menos eu pensava que era.

Na escola há esse único corredor - que tem a biblioteca e algumas salas raramente usadas - que me faz sentir muito desconfortável, até mesmo antes que eu comecei a ouvir rumores sobre ele. Eu sempre tento afastar essa sensação e dizer a mim mesmo que eu só estou paranoico, até que, claro, descobrem que um dos mais famosos rumores era verdade: há uma garota que você pode ver de vez em quando que encara o corredor pela janela que a porta da biblioteca tem. Ninguém sabe quem ela é, mas várias teorias circulam por aí. Na verdade, parece que existem tantas teorias quanto alunos na escola.

A primeira vez que eu a vi, quase infartei. Ela é exatamente como as pessoas a descrevem: uma garota loira vestindo um casaco com capuz, que cria uma sombra até a metade de seu rosto.

A parte de baixo de seu rosto indica que ela encara o corredor sem expressão alguma nos olhos, mas eu posso sentir como se seus olhos criassem buracos em minha pele. Meu corpo todo estremeceu e eu corri pra próxima aula.

Algumas semanas depois, já tinha me acostumado a vê-la. Seu olhar não surtia mais efeito em mim, e muitas vezes eu nem lembro que ela está lá. Ela também não se mexeu um centímetro desde a primeira vez que a vi, e eu estou convencido de que ela é realmente inofensiva.

Então agora estou indo para minha próxima aula, e estou passando pelo corredor dela.

-Você não quer se juntar a mim?

Quase ninguém vem nesse corredor a menos que a próxima aula desse alguém seja ali, então eu soltei um pulinho e virei de costas. Não havia ninguém lá, exceto a garota da janela, então eu descartei aquela ilusão e continuei andando.

-Eu estou tão sozinha...

Me virei de novo. Ainda não tinha ninguém naquele corredor, só que, agora, havia um sorriso grande na boca da garota da janela. Senti os pelos no meu pescoço se arrepiarem, mas continuei a caminho da sala onde era minha próxima aula.

-Pra onde você vai?

A voz parecia ficar mais irritada comigo. Eu fui até a biblioteca e olhei diretamente pro lugar onde eu pensava que ficavam os olhos dela.

-O que você quer? - eu perguntei, irritado, batendo o lado da minha mão no vidro.

-Está tão sozinho aqui, não quer se juntar a mim?

Bem naquela hora, ouvi a voz de uma professor atrás de mim, que dizia:

-Vá pra sua sala, garotinha!

Virei de costas e olhei para o professor por um segundo antes de voltar a andar pelo corredor. Assim que ele voltou pra sua sala, eu voltei sorrateiramente para a janela. Ela ainda estava lá. Ainda estava sorrindo.

-Vamos, podemos ser amigos - ela disse.

-Eu prefiro morrer - retruquei, me arrependendo quase que ao mesmo tempo, porque percebi que isso poderia realmente acontecer.

-Não, você não prefere.

Sua voz soou como um rosnado. Ela levantou suas mãos até a janela e me surpreendeu ao fazê-las atravessarem o vidro e agarrarem meu pulso.

-Venha. Junte-se a mim. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

Junto com cada frase, ela puxa meu braço em sua direção, fazendo-o cada vez mais forte a cada puxada.

- Junte-se a mim. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

O capuz que ela vestia caiu pra trás, revelando buracos pretos no lugar onde seus olhos deveriam estar. Soltei um grito e puxei meu braço o mais forte que podia.

-Pare de resistir. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

Nesse ponto, ela fazia sons que pareciam algo como um gato morrendo, e sua voz ficava apenas mais horrenda a cada vez que repetia suas palavras.

-Vamos, pare de lutar.

Eu continuava a gritar e a me debater com toda a minha força, mas tudo ficou preto antes que eu conseguisse me soltar.

Quando a escuridão vai embora, eu me vejo de pé na biblioteca, olhando pra fora da janela. Eu pareço não conseguir sair do lugar, mas também não sinto vontade de fazê-lo por algum motivo.

Pelas horas que passaram, um punhado de crianças passaram pela biblioteca. Nenhuma delas pareceu me notar, exceto por uma garotinha loira de olhos escuros, que parou e olhou pra mim.

A boca dela formou um grande sorriso.




P.S.: Clichê? Sim. Boa? Também. Bjs


20 comentários:

  1. Final confuso, a garota da janela trocou de lugar com o personagem principal no fim?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. acho que ele era o fantasma e ela estava viva e so reparar que professor chama a garota pra sala :v

      Excluir
  2. Na vdd a garota era a personagem principal, e o garoto era a "assombração", tanto é que o professor chama a menina pra ir pra sala

    ResponderExcluir
  3. Na vdd a garota era a personagem principal, e o garoto era a "assombração", tanto é que o professor chama a menina pra ir pra sala

    ResponderExcluir
  4. As vezes fica meio q repetitivo.só algumas vezes.

    ResponderExcluir
  5. As vezes fica meio q repetitivo.só algumas vezes.

    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. UOU, UOU UOU UOU. ELE É O FANTASMA? UOU. Clichê, mas boa. Parabéns.

    ResponderExcluir
  8. Galera, eu criei um grupo pra gente conversar sobre terror no WhatsApp, quem quiser entrar é só mandar uma mensagem para +55 31 9780-3942

    ResponderExcluir
  9. Postem alguma creepy que tenha haver com Jogos ou Filmes!!

    ResponderExcluir
  10. Postem alguma creepy que tenha haver com Jogos ou Filmes!!

    ResponderExcluir
  11. Boa. Faltou só ser um pouquinho mais "devagar" no final, aumentando o suspense...

    ResponderExcluir
  12. Boa. Faltou só ser um pouquinho mais "devagar" no final, aumentando o suspense...

    ResponderExcluir
  13. Teve um cliché no início, mas o final me surpreendeu muito.

    O blog realmente voltou com tudo

    ResponderExcluir
  14. O menino era o fantasma e a menina era a protagonista O.o e so reparar que o professor chama a menina pra ir pra sala

    ResponderExcluir
  15. Vim do futuro para dizer que este blog em 2016 não será tão bom quanto ele está nessa creepy

    ResponderExcluir