23/11/15

Finalmente Acordado - Parte 2

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O médico aproveitava sua xícara de café na sala quando a enfermeira cutucou-o e pediu que fosse ajudá-la na emergência imediatamente. O homem podia ver o pânico nos olhos daquela mulher, então decidiu que não devia perguntar nada, apenas segui-la. Sete anos na ala de traumas do hospital o ensinaram que haviam horas em que podia-se fazer perguntas e outras onde só se escutava e corria. Deixou o café no balcão, perto do jornal do dia, e foi como uma bala atrás da enfermeira.

Quando chegou na emergência, os paramédicos chegavam com a maca no hospital. Deram uma rápida descrição da situação do paciente e tudo o que haviam feito para mantê-lo vivo. Não disseram o que acontecera com ele. Parecia que ele tinha entrado numa briga com uma máquina de moer carne e saído com vida milagrosamente. Dois plantonistas foram e ajudaram a guiar a maca em direção à Sala de Emergência 1 enquanto a enfermeira checava o que os paramédicos haviam lhe feito.

O médico começou a an
alisar a condição do paciente. A primeira coisa que percebeu foi seu olho direito. Caído. Só continuava preso ao corpo dele por algumas veias. No lugar do mesmo, havia carne viva. Ele estava todo coberto em sangue. Sua garganta, rasgada, apesar de a traqueia estar bem, só com uma fina camada de pele em cima. Ainda que estivesse vivo, o médico mal lhe podia chamar de sortudo. O resto de seu corpo estava coberto por cortes profundos e haviam, ainda, pedaços de carne e músculo pendurados. Enquanto examinava seu paciente, o médico viu algum tipo de fluido que saía do nariz do homem. Checou as orelhas e viu que tal fluido saía de lá também, portanto constatou que ocorrera algum tipo de lesão cerebral. Soube na hora que aquele homem não sobreviveria mais uma hora, e muito menos a noite toda.

Ele abriu seu olho esquerdo. "Ele ainda está consciente! Tomara que possamos estabilizá-lo até, pelo menos, acharmos seus parentes.", o médico pensou. Sabia que não podia mantê-lo vivo por muito mais, mas talvez pudesse trazer sua família, para que o semi-morto conseguisse passar um tempo perto de seus amados. É muito mais difícil relatar a morte de alguém que se ama quando não há um último contato. Sabe, dizer um "eu te amo", ou "tudo ficará bem" ou, até mesmo, "desculpa ter ficado bravo daquele jeito quando você saiu". As veias dele saltaram em seu pescoço e um pouco de sangue saiu do corte que havia lá, manchando a roupa do médico...

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Em breve parte 3.


9 comentários:

  1. Saudades da educação dos editores do blog.
    Espero que essa atitude rude sem motivos vá embora logo :3
    Espero a parte 3 em breve.

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    Respostas
    1. Não tinha a intenção de ter sido rude, porque, com aquilo, quis dizer que postarei quando tiver tempo. Porém, se você se sentiu ofendido, não há o que fazer. Realmente o que está escrito pode ter uma interpretação negativa, portanto, creio que devo pedir desculpas.

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  2. queremos a parte 3 \o/

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