16/11/15

O Segredo do Viajante

Nas profundezas da floresta, uma figura encapuzada andava vagarosamente pelo antigo carvalho. Ele viajava silenciosamente pela floresta à procura de algo. O pôr do sol lançava longas sombras sobre as árvores, depositando então sua face na escuridão. A única característica deixada pelo sol poente era uma fraca luz laranja emanando das dobras do seu capuz. Embora ninguém conhecesse a origem dessa luz, parecia emitir uma sensação de pura magia e alegria para aqueles que pudessem obtê-la. Parando rapidamente para observar as faces cristalinas na lagoa e ouvir as vozes suplicantes do vento que sussurrava, a figura se arrastou em direção ao crepúsculo, tentando chegar a algum fim.

Uma coruja piou um aviso à vila mais próxima conforme a figura deslizava pela floresta. A maioria dos aldeões sabia evitar esse espírito viajante da floresta, mas alguns dos mais jovens ansiavam por vislumbrar o ser encapuzado. Um grupo de adolescentes permaneceu perto do limite da floresta, a fim de medir a coragem de cada um. Um garoto chamado Cedric decidiu sair para procurar o espírito. Ele havia ouvido uma antiga história dos anciãos da aldeia. Dizia-se que o espírito era um dos antigos druidas, a quem fora confiada a guarda do objeto escondido em seu capuz. Nem mesmo o mais sábio dos anciãos sabia a identidade do objeto. Comentava-se que o objeto seria tudo do coração da magia da floresta, a fonte de todo o conhecimento, a imortalidade. Os aldeões não chegavam perto da floresta devido ao medo dos fantasmas daqueles que tentaram roubar o objeto e falharam. Cedric estava determinado a roubar o objeto, pois ele tinha um plano antes mesmo dos adolescentes se amontoarem no limite da floresta.

— Eu roubarei a magia do fantasma, e eu tenho um plano. — gabou-se para o público.

— Bem, e o seu plano envolve se tornar um fantasma da floresta? — gritou James conforme seu amigo Nicholas riu.

Conforme a multidão começou a zombar, Cedric gritou sobre suas cabeças:            
                                                                                                           
— Eu posso atacar o fantasma com uma espada que meu pai me deu (verdade seja dita, Cedric roubou-a enquanto seu pai estava fora).. Ela é poderosa o bastante para controlar o morto. —  A multidão parou de rir assim que Cedric puxou uma antiga espada de ferro. — Uma bruxa enfeitiçou-a para que pudesse amedrontar qualquer fantasma.

 A multidão assistiu horrorizada quando Cedric entrou na floresta com a espada enfeitiçada no alto. Ele pretendia enganar o espírito e reivindicar o seu prêmio. Cedric não se importava com conhecimento, esperava que o espírito viajante tivesse ouro. Ele marchou, sua ganância fazendo-o seguir em frente. Ao passar debaixo das árvores, percebeu que elas pareciam gemer e resmungar como ossos velhos chacoalhando no vento. O modo como as árvores pareciam olhar o fazia imaginar almas humanas perdidas presas em seus galhos. Cedric sabia que estava imaginando isso enquanto caminhava, ignorando os suspiros que o vento dava em aviso. Chegou perto de uma lagoa e alegrou-se com a possibilidade de saciar sua sede. Ajoelhou-se para beber quando levou um grande susto: a face translúcida de um garoto da vila olhou para ele. O garoto era mais velho do que Cedric e havia desaparecido da vila há um ano. Cedric tentou desesperadamente tirá-lo da água, até que percebeu a presença de um fantasma olhando para ele. Os olhos apáticos do fantasma pareciam avisa-lo para voltar. Era tarde demais para voltar.

 O viajante imortal esgueirou-se atrás do garoto na lagoa e esperou. Quando Cedric percebeu que o fantasma estava atrás dele, se levantou e brandiu sua espada. — Eu não tenho medo de você, fantasma! — ele gritou — Esta espada pode machucar os mortos! Agora me dê o seu ouro, ou —

— É isso que você quer? — rosnou o som oco da morte.

Surpreendido, Cedric disse:                                                                                                                                                                                                    
— Eu quero aquele objeto valioso que você está escondendo, ou —     

— Pegue-o. — arfou o antigo e exausto druida.

Cedric pegou o objeto assim que o velho homem ressecado saiu em direção ao pôr do sol. O druida uma vez imortal seguiu a oeste até que encontrou o fim de sua peregrinação. Cedric agora tinha, entretanto, que guardar o objeto. Ele começou a vagar pelo caminho sem fim da floresta em busca do próximo tolo ganancioso que surgiria. Cedric logo aprendeu com as almas aprisionadas da floresta que a maioria daqueles que encontraram o espírito escolheram a morte ao objeto, pois sabiam que teriam de carregar o fardo do andarilho se soubessem do segredo. Ao contrário de todos, apenas o espírito viajante sabe que o objeto é a imortalidade adquirida através da ganância, pois Cedric ainda vaga pela floresta até hoje.

Crédito: Treehugger14




6 comentários:

  1. Huuumm...Mediana, boa mas fraca...Parece aqueles contos para crianças com o objetivo de ensinar o certo e o errado.

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  2. Gostei, tem um gostinho de mitologia. Daquelas que mostram a ganância e depois as consequências dos atos. Bem legalzinha :3

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  3. Parece uma história celta medieval , gostei

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  4. CARALHO,MELHOR CONTO EVER,os caras que falam que é fraca ou mediana claramente não perceberam a mensagem que o conto quis passar,muito impressionante simplesmente a melhor.

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