23/12/2017

Vox e Rei Beau: O que minha mãe pensa ter visto e por que eu posso ter começado a chorar naqueles dias (PARTE 6)


Quando liguei para minha mãe para falar sobre Beau, ela ficou extremamente séria. Normalmente minha mãe é tão radiante quanto uma pessoa pode ser: alguém que se importa, amorosa, que faria bolinhos para todo mundo se não incendiasse a cozinha toda vez que tentasse cozinhar, e bastante racional. Ela é uma doutora brilhante, e a única exceção para sua lógica estrita é que ela é religiosa. Ela definitivamente não gosta de falar de coisas sombrias.

Quando eu fiz 7 anos ela estava acostumada com Beau, mesmo que não tivesse certeza do que pensar dele. Todos os livros e pediatras que ela consultou garantiram que amigos imaginários eram perfeitamente normais, mesmo que esse fosse um pouco mais sombrio. Como eu era uma criança feliz e sadia, que socializava com as outras (e reais) crianças e gostava de rosa e pôneis, se Beau me ajudasse a superar algum pensamento ou medo obscuro então talvez fosse O.K. E, bem, algumas histórias, como a do monstro do closet, eu nunca contei pra ela. Acho que mesmo naqueles tempos eu sabia que não era algo bom pra se falar.

Como meu irmão era mais velho, e, portanto, "legal demais" para brincar comigo, eu constantemente era deixada sozinha e criava brincadeiras comigo mesma. Beau sempre aparecia bastante nisso. Se ele não estava por perto, eu fingia ser ele e lutava contra monstros terríveis ou ia em aventuras. Se ele estava, minha mãe me encontraria sozinha em meu quarto, falando com alguém que não estava ali ou desenhando na quietude. Conforme eu fui ficando mais velha, comecei uma brincadeira nova. Um dia minha mãe me encontrou engatinhando pela casa com um cobertor sobre mim. Ela perguntou o que eu estava fazendo. Eu disse que estava aprendendo a ser uma caçadora, assim como Beau. Ela não pensou muito sobre o assunto, mas ficou bem aborrecedor quando eu também virei uma ladra. Minha mãe encontrava coisas aleatórias escondidas em meu quarto. Às vezes coisas que ela não tinha ideia de como eu consegui apareciam em meu quarto. É claro, eu culpei Beau, e ela me disse que eu deveria falar para “Beau” parar de roubar e arranjar um novo hobby.

Honestamente, isso provavelmente não era paranormal, era só eu. Eu era tão terrível quanto qualquer criança de minha idade, e quem sabe o que eu não estava achando e coletando. Quando minha mãe ameaçou tirar minhas sobremesas até que aquilo parasse, no entanto, a brincadeira mudou. Eu comecei a ser sonâmbula.

Pela manhã, minha mãe me encontrava em lugares estranhos. Começou como algo pequeno – eu estaria no chão do meu quarto ou no térreo, deitada no sofá. Novamente, os médicos garantiram a ela que isso era normal, mas começou a ficar um pouco estranho. Ela me encontraria em lugares que eu não tinha como alcançar ou nos quais ela me ouviria chegando. Alguns desses lugares incluem os armários da cozinha, o chuveiro do banheiro de hóspedes, a mesa de meu irmão, etc. Meu irmão tem o sono muito leve. Ele deveria ter me ouvido entrar e deitar ali. O armário devia ser impossível de entrar e minha mãe quase não conseguiu me tirar dali.

O que é interessante é que eu me lembro disso. É uma de minhas memórias mais sólidas, talvez por ser mais recente. Eu sei que o sonambulismo era parte do jogo. Durante meu sonambulismo eu estava sonhando. Eu podia ver tudo ao meu redor perfeitamente na escuridão, e Beau estava me guiando. Ele estava me ensinando como espiar da mesma maneira estranha que ele fazia. Pelo menos é o que eu acho que acontecia em meus sonhos.

Uma noite minha mãe acordou de seus sonhos. Isso é o que ela diz lembrar de ter acontecido. Eu não estou dizendo que aconteceu e ela mesma admite que pode ter sonhando tudo ou que a memória esteja turva pelo tempo. Mas ela se sente confiante o bastante para me contar isso, o que me leva a crer que ela realmente viu algo estranho.

Quando ela acordou, seu quarto estava completamente quieto e silencioso. O silêncio era igual ao que eu experienciei em minha própria casa. Ela disse que parecia que tudo estava segurando a respiração e esperando por alguma coisa. Minha mãe ficou quieta, mas manteve os olhos abertos e tentou entender o que estava acontecendo. Conforme ela observava tudo, a porta se abriu. Ela abriu sem fazer qualquer ruído, e eu sei que vocês sabem que todas as portas fazem pelo menos um pouco de barulho quando são abertas.

A porta abriu devagar, e eu entrei. Ela disse que meus olhos estavam fechados e eu estava aparentemente sonâmbula, mas engatinhava em meus dedos das mãos e pés com movimentos estranhos. Silenciosamente passei pelo quarto e fui direto para o pequeno corredor que liga o banheiro ao closet. Minha mãe admitiu que ela parou por um momento porque estava incerta do que fazer e sem acreditar no que estava vendo. Sabia, no entanto, que devia ver se eu, por alguma razão, precisava de ajuda, não importava que coisa assustadora eu estivesse fazendo. Eu era sua filha, afinal de contas.

O silêncio no quarto dela havia passado, mas conforme ela se aproximava do closet as sombras e o ar pareciam mais densos. Parecia que o mundo estava sendo sufocado. Eu estava enrolada perto de seus sapatos, sussurrando alguma coisa enquanto dormia. Ela me chamou e perguntou se eu estava bem, e o que eu estava fazendo. Eu disse a ela (ainda dormindo) que estava caçando algo.

Não preciso dizer que ela ficou bastante desconcertada. Ela segurou a pequena cruz que ela sempre usa e rezou em silêncio, o que não pareceu melhorar muita coisa. Depois disso ela disse algo do tipo, “Vox, você precisa parar com isso e voltar para sua cama. Está na hora de você dormir.”

Minha resposta fez zero sentido para ela na ocasião, mas ela definitivamente se lembra. Eu virei minha cabeça do canto que eu estava encarando e olhei para ela, embora meus olhos ainda estivessem fechados. Eu disse, “Mas você não quer que eu me esconda se eles tentarem me encontrar?”

Ela não respondeu. Apenas continuou rezando em silêncio, e depois disso o silêncio em seu quarto passou. Ela ainda estava assustada, mas confortável o bastante para, depois de me observar por alguns longos minutos, me pegar no colo e carregar de volta para meu quarto.

Minha mãe nunca me contou nada disso quando eu era pequena, mas eu lembro que pouco depois disso ela começou a me forçar a ir para a igreja com ela nas manhãs de Domingo. Ela se livrou de boa parte dos meus desenhos de Beau, mas isso não pareceu me incomodar, o que a deixou confusa. Ela finalmente me perguntou, um dia, se eu ainda brincava de caçadora. Eu fiquei bastante séria e disse que não brincava mais de caçadora e não queria ser uma. Eu não elaborei meus motivos na época, mas eu acho que tenho uma memória que explica isso.

Devo alertá-los que a próxima história é desagradável.


6 comentários:

  1. Vai ter continuação??
    Vai ser tipo Penpal??

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  2. Gente, estou criando um grupo no whatsapp referente a terror, creepypastas e coisas do tipo. Não sei se já existe um grupo assim, mas estarei divulgando esse aqui em todas as outras creepypastas daqui pra frente. Podem deixar o número aqui que eu adiciono, ou entrem pelo link https://chat.whatsapp.com/52Zw4qnt0TzEZy4kqQO4u4

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  3. Confesso que no começo essa série me desagradou, achei bem parada. Mesmo assim resolvi dar uma chance e acabou que a curiosidade Tá aumentando a cada parte.
    Espero que ela não seja abandonada.

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