14/07/2013

Creepypasta dos fãs:O Hospede


Era sexta feira, eu estava na cidade apenas para cuidar de alguns negócios de compra de ações de uma empresa, do qual eu ja tinha acabado, estava frio, nevando, meus dedos quase não se mexiam dentro dos enormes bolsos no meu casaco, eu estava andando a quase meia hora no frio, não sentia mais meus pés e minha boca seca já começava a se rachar, eu estava procurando por um lugar pra dormir mas todos os hotéis estavam lotados, com a nevasca que estava chegando ninguém queria ficar sem lugar pra passar a noite, olhei no relógio e já marcavam 23:33, se eu não achasse um lugar pra passar a noite teria que arrombar algum lugar, era certo, mas foi quando eu terminei de pensar isso que eu vi um prédio, bem antigo, uma pequena fumaça saindo lá no topo, ele tinha quatro ou cinco andares e mal de notava a pequena placa escrita "hotel" na lateral, talvez lá eu tivesse sorte, atravessei a rua deserta e coberta com a neve rapidamente, estava com bastante esperança de encontrar algum quarto, assim que empurrei a porta pra entrar eu levei quase um choque, o prédio por fora parecia estar prestes a ser demolido mas por dentro estava impecável, apesar da decoração rústica, que me fazia pensar que estava nos anos 30, era tudo muito bonito, feito em madeira, na recepção um lustre enorme todo coberto com velas que pareciam recém postas, os sofás vermelhos pareciam muito confortáveis, e a lareira acesa no canto da recepção esquentava o lugar, cheguei na recepção e apertei o sino, mas ninguém veio, apertei outra vez e alguns segundos depois um homem de terno preto e bigode entrou pela porta na parte de dentro da recepção.
- Boa noite, no que posso lhe ajudar? - disse ele, de uma maneira muito elegante.
- Eu gostaria de um quarto pra passar a noite, por favor. - Eu falei para ele, e em silêncio, o vi folhear um caderno que estava em cima do balcão.
- Ora ora, hoje é seu dia de sorte, temos apenas um quarto vago. - Disse ele com um pequeno sorriso.
- Eu gostaria de ficar com ele - eu disse - Ah, e antes que eu me esqueça, gostaria de pagar antecipado a noite, quanto vai ficar? - falei.
Ele olhou por alguns segundos o caderno novamente antes de me responder.
- Eu disse que era seu dia de sorte senhor, parece que você é o nosso cliente numero 10 mil, você vai ser nosso hospede de graça.
Eu sorri, que ótimo, valeu a pena a caminhada.
- Obrigado, mas, só mais uma coisa, vocês tem rede wi-fi aqui? - perguntei
Enquanto ele pegava a chave na gaveta ele olhou pra mim com uma cara estranha.
- Presumo que eu não eu saiba o que é isso senhor, aqui está sua chave. - Ele me entregou a chave, nela tinha um chaveiro com o numero 301,
o prédio com certeza não tinha trezentos quarto, então, presumi que seria no terceiro andar.
- Obrigado - falei por fim antes de me dirigir ao elevador, o elevador era antigo, era aberto com grades, apertei o botão e os barulhos das engrenagens mostravam que o elevador estava vindo para o térreo, empurrei a grade e entrei no elevador, empurrei a alavanca até a marca de numero 3 e o elevador começou a subir, no terceiro andar as coisas continuavam muito elegantes, eu já até tinha me esquecido que era inverno com a temperatura tão aconchegante do lugar, abri a porta do meu quarto e nele tinha uma cama, muito bonita por sinal, uma escrivaninha com papel e uma caneta de pena e tinta, uma cadeira e uma porta que presumi que seria do banheiro, as paredes eram todas de madeira e muito detalhadas, nunca estive em um lugar tão aconchegante na minha vida.
Abri minha pasta e retirei meu laptop, coloquei em cima da mesa e tentei procurar com alguma rede ali por perto, queria falar com a minha esposa e filho, não falo com eles desde ontem a noite, mas não havia nenhuma rede por ali.
Resolvi me deitar, já era quase meia noite e eu estava morrendo de tanto caminhar, o lustre acima da cama era diferente do da recepção, esse tinha lâmpadas ao invés de velas de verdade, desliguei o interruptor e me deitei na cama, ainda podia ouvir o vento frio lá fora, mas adormeci.
      De manhã a luz entrou, mesmo que fraca, pela cortina que cobria a janela, acordei, mas não levantei de imediato, olhei um pouco pro teto, assim que levantei tentei olhar pela janela, a janela tinha grades pelo lado de fora, tudo estava coberto por neve e apesar dos pequenos raios de sol saindo das nuvens, o céu continuava bem nublado, coloquei minha roupa e meu casaco, peguei minhas coisas e desci até a recepção, que agora estava diferente, estava bem cheia, com pessoas muito elegantes, homens de terno e cartola e algumas mulheres com vestidos que não pareciam muito quentes nesse frio, fui até o balcão da recepção.
- Olá, eu gostaria de informar minha saída do hotel, ok? - Não foi uma pergunta, foi mais um aviso.
- Receio que isso não será possível senhor. - Eu franzi o cenho e antes que pudesse falar algo ele continuou - A nevasca lá fora está muito forte e isso nos deixou todos presos aqui, todos terão que esperar até que o tempo melhore.
Eu não discuti, seria inútil, a culpa não é dele.
- Tudo bem, vocês tem algum telefone por aqui? - perguntei.
- Sim senhor, nós temos, é logo ali - ele apontou para uma mesinha pequena perto dos sofás.
Eu fui até lá e me sentei no sofá, na mesinha do lado estava o tal telefone, muito antigo, eu nem sabia como usar aquilo, tentei discar, mas simplesmente não havia sinal, só o silêncio do telefone e as vozes no saguão.
- Problemas? - Uma voz doce falou, mas não vinha do telefone, virei pro lado e uma mulher muito atraente de vestido vermelho me olhava. - Você não parece muito bem. - ela completou.
- É, pra falar a verdade eu to preocupado com a minha família, não falo com eles desde anteontem. - respondi.
- Você não é daqui, certo? - ela respondeu enquanto botava um cigarro na boca, mas era daqueles antigos de pessoas ricas, com uma espécie de vareta na ponta, não sei ao certo o nome disso.
- Bem, se eu fosse não estaria num hotel - forcei um sorriso - e você?
- Não, não sou, mas já estou aqui a um longo tempo, me sinto parte daqui. - Ela se levantou. - Se me der licença, agora preciso me retirar aos meus aposentos, até mais. - Ela deu dois passos e se virou novamente - Você não me disse seu nome. - ela falou.
- É James. - falei.
- Scarlett. - Ela falou com um sorriso, se virou e foi em direção ao elevador.
Que gente mais esquisita nesse hotel... em relance quando virei a cabeça avistei uma porta que não tinha visto antes, resolvi ir checar, era um restaurante, ótimo, eu estava com muita fome, depois de comer fui de novo pro meu quarto, terminei alguns trabalhos no laptop antes da bateria acabar,  a única tomada que havia no quarto era diferente da do carregador dele, mas tudo bem, estava sentado na cama quando percebi que na escrivaninha que havia no quarto tinha uma gaveta, eu fui até a escrivaninha e a abri, dentro tinha dois pinceis e varias tintas.
         A alguns anos atrás eu queria ser pintor, amo arte, mas a vida me jogou nesse emprego de administrar compras dos outros... Eu tinha muito tempo livre e decidi pintar algo num papel que eu tinha na minha mala, resolvi pintar o rosto da mulher que conheci hoje cedo, Scarlett.
Eu tenho uma memória boa, não foi difícil desenhá-la, eu fiz seus cabelos negros e seus olhos provocantes, eu não tenho certeza de porque eu resolvi desenhar justo ela, mas eu só queria fiz.
         Quando terminei já era noite, depois de jantar resolvi somente dar uma volta pelos corredores, o tema antigo fazia eu me sentir em uma espécie de filme de terror, as vezes as luzes piscavam e o barulho da madeira rangendo quando meus sapatos encostavam o chão meio que me irritava, enquanto andava nos corredores ouvi uns gritos de mulher, ela repedia "Pare, pare" e "Por que você está fazendo isso?" e então eu ouvi um barulho grande, um estouro, parecia um tiro, eu não tinha certeza de quarto vinha o barulho, decidi somente ir para o meu e dormir.
A noite foi meio perturbadora, o vento lá fora fazia um barulho estranho e eu ouvia passos no quarto acima ao meu, algumas batidas no do de baixo e pude até ouvir o choro de alguém, mas podia apenas ser a minha imaginação, demorei um pouco pra pegar no sono.
Na manhã seguinte tudo estava calmo, o silêncio tomava conta do lugar outra vez, chequei a janela o tempo parecia ter melhorado, juntei minhas coisas pelo que parecia ser a ultima vez, chequei o relógio e já passava do meio dia, não costumo acordar tão tarde, deve ter sido a má noite, quando sai do meu quarto Scarlett estava no corredor, com uma lágrima nos olhos, ela chegou perto de mim e sussurrou:
- Me desculpa pelo o que eu vou fazer. - Ela me beijou e foi em direção ao elevador. Eu fiquei parado, realmente não sabia o que fazer, eu nem sabia quem era ela, resolvi simplesmente ir embora, ela não me esperou no elevador, assim que cheguei na recepção e informei minha saída o homem de bigode da recepção tentou me convencer a ficar para o almoço, que hoje a comida estava ótima, mas recusei.
         Sai pela porta e senti o vento frio no meu rosto, isso era bom, ainda tinha neve no chão, porém não nevava mais, logo a frente dois homens saiam de um van.
- Ei cara, o que você ta fazendo aqui? Invadindo propriedade alheia? -  O mais magro gritou, primeiro eu achei que não era pra mim, mas só tinha eu ali, ainda estava parado nos degraus que davam a porta do hotel.
- Você ta falando comigo? - perguntei.
- O que você ta fazendo nesse hotel abandonado cara? Tu não pareces com um mendigo - O homem mais gordo falou dessa vez, mais calmo.
- Abandonado? - Eu ri - Eu tava hospedado aqui cara, tá cheio de gente lá dentro.
Os dois homens de olharam, eu dei alguns passos em direção a eles e o mais magro foi em direção adentro do hotel.
- Cara, a gente tá aqui pra fazer a ultima inspeção pra demolir esse lugar. - O mais gordo falou.
- Você é um grande piadista cara, não tem nada la dentro - O mais magro falava enquanto saia do prédio.
Eu andei até a porta e a abri, simplesmente não acreditava no que via ali, era o mesmo lugar, o mesmo de qual eu acaba de sair, mas agora estava em pedaços, estava tudo vazio, úmido e sem móveis, com as paredes rachadas.
- Esse hotel foi fechado em 1910, quando uma mulher que apanhava do marido matou ele em um dos quartos, ela ficou com medo de que alguém descobrisse e colocou veneno de rato na comida do hotel inteiro, todos do hotel morreram, quando ela percebeu o que tinha feito acabou de enforcando. - Disse o cara mais gordo
- Espera - Eu disse enquanto revirava a bolsa, peguei a pintura que fiz da moça do saguão e mostrei pra ele. - Foi essa mulher?
- Essa mesmo cara, Scarllet Füller, algo assim, nunca tinha visto essa pintura, onde você conseguiu?
Engoli a seco.

- Pode ficar com ela - respondi.

Autor da Creepypasta: Bruno A.


24 comentários:

  1. Mesmo presumindo o final conseguiu ser tensa,amei

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  2. Não é assustadora, mas também gosto de fantasias macabras XD

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  3. Faz o favor de diminuir a fonte queridos moderadores o//

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  4. impressão minha,ou todos que gostam deste tipo de coisa, como eu, tem uma certa fixação pelo número 3?

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  5. Finalmente uma creepy q esta a altura do crepypasta ,,,,adorei essa viiu ;-)

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  6. Muito mais pela excelente história do que pelos clichês e previsibilidade, uma Ótima história, bem escrita e que prende o leitor. Simplesmente sensacional.
    ~Dan

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  7. Pensando em fazer desta história uma história com ilustrações para postar no facebook ...
    ~Dan

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  8. Muito legal... ele iria ser mais uma vítima, se ficasse pra almoçar... deu sorte esse aí.

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  9. Como alguns disseram, o final ficou previsível, mas não por isso a creepy perde o encanto.

    Marshall aproves 9/10

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  10. Gostei.
    Quem sabe uma continuação? (só uma ideia) ^^

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  11. O almoço daquele dia realmente estava ótimo.

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  12. Mto boa a creepy, me lembrou aquele filme navio fantasma rsss

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  13. Eu ia morrer se fosse o cara. :( Eu ia ficar pro almoço D:

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  14. Adorei o conto (gosto das historias em que o protagonista vive no final kkk)

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  15. Não achei o final previsível... Pra falar a verdade, não tinha nem ideia de como seria o final.

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