19/06/2018

A Maldição das Creepypastas

Estava suando frio quando acordei, praticamente pingava. Era madrugada de uma quinta-feira de verão, não devia estar abafado por morar no litoral, mas me sentia sufocada. Os pesadelos voltavam a me assombrar, eu realmente devia ter parado de ler as creepypastas, pois apesar de ser bem crescida e de na realidade elas não me assustarem, há algum tempo já me importunavam nos sonhos e me trazia alguns pensamentos estranhos.

Levantei da cama e fui tomar um copo d’água, nem sequer liguei a luz, sabia o caminho de cor, pois há algumas noites já vinha fazendo esse roteiro. Já menos ofegante, abri a geladeira, a água estava gelada a ponto causar uma dor aguda na cabeça, bem na testa, fechei os olhos e me pus à janela, precisava de um pouco de ar.

Observando as ondas, altas, fortes, pude observar algo no mar adentro. Estava distante e não pude ver bem - Algo como o slenderman? – Claro que não, que boba, não estava mais na idade de misturar ficção com a realidade, fui tentar voltar a dormir pois era mais vantajoso pra mim, do que ficar imaginando bobagens.

Tentei, sem sucesso. Já estava amanhecendo e eu tinha aula cedo. Os raios de sol já estavam iluminando o interior do meu quarto, e eu precisava mesmo sair, dar uma volta, me distrair, fazer algo, e parar de ler as malditas creepypastas que estavam tirando meu sono.

Meus pais já estavam à mesa, e eu já estava pronta para sair, comi uma maçã, me despedi, e fui à pé pra aula. Era cedo, e estava bem fresco o dia. Preferia o frio, mas precisava aturar o verão. Cheguei na escola ainda com portões fechados, parecia feriado pois não via ninguém no caminho, da mesma forma que não havia ninguém na escola. Aguardei até chegar o horário, outros alunos já se aproximavam. Era o início de mais um dia chato de aula.

Aula de história, amava o assunto, mas o sono que faltou à noite começou a tomar conta de mim. Tentei me manter acordada, mas não consegui, cruzei meus braços sobre a mesa e apoiei a cabeça, me rendendo ao sono que precisava. Como de repente, já estava em sono profundo, num local escuro e deserto. Sem edificações ao redor, como o meio do nada, e novamente pude ver a silhueta do slender que havia visto na noite anterior, quando achava que estava acordada. Ele vinha em minha direção, mas não o via se mover. Corri, ou pelo menos tentei correr. Os braços dele me alcançavam, me agarrava, eu rebatia, me soltei, corri, gritei, queria acordar pois sabia que era um sonho, mas não conseguia. No meio do nada apareceu uma porta, seria meu abrigo. Abri rapidamente, e logo após fechei. Me encostando na porta por fora, suspirei e dei de frente com outro alguém. Na verdade vi logo um sorriso, bonito e assustador. Eu queria sair dali mas não sabia pra onde ia. Estava cercada, encurralada, já com vontade de chorar. A certeza que era um sonho eu não tinha mais, mas surpreendentemente o rapaz risonho com quem dei de cara se dispôs a ajudar.

- Sei como te fazer sair daqui, voltar à paz! Tome!

Eu nem sequer respondi, vi que todo o chão estava úmido, molhado, e ele havia me dado uma caixa de fósforos. O cheiro forte não me enganava, era querosene por todo o lado.

- Eu seguro a porta, enquanto você vai pra um lugar seguro!

- Mas e você?

- Não se preocupe, eu cuido de tudo!

Pude reconhecer, aquele ser era o Jack Risonho das creepypastas, até que não era um rapaz mal. Fiz o que ele pediu. Havia um longo corredor vazio, por onde corri até chegar a outra porta, essa eu não consegui abrir, apenas pude ouvir um sussurro, provavelmente do Jack, que era o único ali além de mim:

- Queime!!!

Fechei os olhos, e nada de acordar. Me beliscava e não sentia. O abafado da madrugada anterior havia voltado, e eu já estava ofegante, suando frio, querendo acordar e não conseguia. Ouvi outra vez o mesmo sussurro, com uma voz mais forte:

- Queime!!!

Pensei comigo mesma, quem sabe queimando eu acorde. Tirei um palito da caixa, risquei e joguei no chão. Já foi o suficiente. Não demorou muito e as chamas já tomavam conta do local. E subitamente acordei, agora estou aqui. Ouço a onda quebrar, ainda é litoral. Tenho marcas de queimaduras pelo corpo, mas nada demais, não é à toa que a camisa de força está bem apertada, ela não machuca minhas queimaduras e eu também mal ofereço resistência. Aqui durmo em paz, e pelo que me dizem, nem a mim mesma ofereço perigo. Não consigo desenhar, senão as paredes não seriam tão branquinhas, parecem até acolchoadas. Minha única companhia é o Jack, embora nunca me assuste, também tem o slender, que de vez em quando aparece na janela à noite, aliás, a única janela por qual vejo o sol, é uma pequena e quadrada, gradeada, no alto do quarto. É também por ela que ouço o barulho das águas e vejo lá no alto do monte, a escola onde estudava, ou as cinzas dela, que é a única coisa que sobrou depois que foi incendiada.

Autor: Maldit


4 comentários:

  1. Interessante, mas não precisava ficar tão mastigado, poderia deixar meio que em aberto, pra provocar dúvida no leitor, mas curti mesmo assim!

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  2. Boa, gostei. Foi rápida essa...

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  3. Aeeeeeee vou parar de ler creepypasta a coisa mas legal de se fazer nos finais de semana, e a culpa e de vcs :D

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  4. Gostei dessa creepypasta, não foi assustadora, mas a história ficou legal mesmo, continue assim e se puder coloque algo mais assustador.

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