Postagens Semanais

Segunda-Feira
Francis Divina

Terça-Feira
Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

Sexta-Feira
Talisson Bruce

Sábado
==========

Domingo
==========

Porque Os Malvados São Loucos

12 comentários
Você já percebeu, não? Hitler, Stalin, Ivan o Terrível, Átila o Huno, os serial killers e a lista vai. Todos muito, muito maus. E muito, muito loucos. E claro, você já percebeu que isso não tem como ser coincidência, todas as pessoas já perceberam.

Bem, o ponto no qual quero chegar aqui é, ora, já parou para pensar, o que uma coisa teria a ver com outra? Veja, não se tem qualquer relação direta entre sanidade e ética, ou empatia. Há pessoas boas e amalucadas, assim como pessoas meio mesquinhas e babacas, mas com uma mentalidade relativamente normal, não? Mas e os tais “muito, muito maus”? Psicopatas e ditadores, vivos e mortos, todos completamente malucos, das mil formas mais originais e artísticas imagináveis!!! Paranoia, alucinações, depressão, TOC, raiva desmedida, manias, narcisismo, tudo que há de louco e mais um pouco, artes das mais belas! Ok, ok, vou parar de devanear e ser direto. Eu não entendo muito de psicologia e nem preciso, porque a resposta da questão que entitula essa história não está em nenhuma teoria de algum humanista excêntrico tirada por seus pacientes em divãs, a resposta sou eu.

Olá, prazer, eu não tenho nome. Vocês me chamam de Caos ou Loki, em minha forma personificada. Não sou exatamente um humano, um vivo, um morto, um deus ou um diabo, sou só... Algo que existe, não importa. O que importa é que estou entediado. Eu sempre estou entediado e espero que vocês me compreendam. Quero dizer, tenho milhares de anos e só fico aqui na Terra vendo vocês repetindo as mesmas merdas enquanto dizem que evoluem, é chato, vocês entendem? Por isso eu quero me divertir, e por isso eu me divirto o quanto posso, é claro. E sim, me divirto às custas de vocês, humanos.

Não me levem a mal, nem tenham medo, não vou sair por aí infernizando todo mundo, não poderia nem se eu quisesse. Sabe, as forças que regem, bem... “as coisas”, o “tudo”, elas ainda me supervisionam, são como o meu chefe, assim como o seu, também. Não posso zoar com tudo, mas posso zoar com alguma coisa, ou melhor, com alguns. As forças do Universo não se importam tanto em desajustar com entidades que já são destrutivas, é irrelevante para a ordem das coisas, é apenas caos atacando o caos. E essas entidades existem em tudo que é vivo ou não vivo e dentre vocês humanos, esses dissidentes são conhecidos como “caras maus”.

Acho que vocês já estão sacando onde eu quero chegar. Pois é, sou eu que piro esses caras, é um dos meus hobbies favoritos. E como sei que vocês amam historinhas, vim trazer uma das minhas, talvez nem a melhor, mais divertida ou mais intrigante, mas ainda interessante, acho.

Bem, o cara era um policial corrupto. Ok, isso não é tão incomum em qualquer parte do mundo, mas este, em particular, era o cão. Era abusivo com a esposa e com os filhos, bebia feito carro velho, traçava montes de prostitutas, cobrava dos comércios locais por proteção, torturava alguns adolescentes supeitos ou não, recebia algumas propinas de criminosos um pouco maiores, coisa básica. Eu já tinha conhecimento de todo esse histórico, uma vantagem em exercer essa minha função, e já sabia bem como lançar minha isca. Para começar, fui abençoado também com a habilidade de decidir minha aparência (legal, né?) e na verdade eu não tenho uma forma física original, apenas algumas que gosto mais de usar e naquele dia em particular estava com minha favorita, a de um garoto de treze anos, velho o bastante para dominar as malícias do mundo e jovem o bastante para não ter qualquer maturidade quanto a

elas, existe coisa melhor? Claro que não. Mas beleza, eu estava andando pela rua de uma cidade média, rua que eu sabia que minha presa estaria naquele momento, descendo com seu carro. E foi com um baque que eu percebi que minha isca tinha sido mordida.

— É cego, velho filho da puta? — rosnei fingindo estar com raiva, tentando me levantar com as minhas pernas quebradas pelo impacto do carro. Vi o cara sair pela porta do motorista completamente puto. Perfeito.

— Quer morrer, moleque de merda?? — rosnou minha vítima, já tentando se impor com sua autoridade com ajuda de seus um metro e noventa de altura e 120 quilos. Uma coisa que adoro em pirar os caras maus, eles sempre tentam mostrar um ego gigante quando são desafiados, só para deixar meu trabalho ainda mais fácil e mais divertido. Seguindo a dança, finalmente eu me levantava apoiando-me ao capô e fingindo um pouco de medo misturado com raiva. Resmunguei alguns xingamentos, o que o enfureceu ainda mais.

— Seu merdinha! Pula na minha frente como palhaço, sabe quem eu sou?

Calei-me enquanto ele bufava. Por mais puto que ele estivesse, sabia que ele não negaria socorro a uma criança que acabara de atropelar. Não em público.

— Entra aqui, pivete. — resmungou, tentando baixar um pouco a voz. Ainda quieto, manquei rumo à porta do carona e entrei. Enquanto partíamos, já começava a me deliciar com os resmungos do policial, modéstia à parte, fui bastante sagaz ao pegar o cara justamente em um dos seus piores dias. Claro que ele não me levaria ao hospital, paramos em um ponto mais isolado da cidade, onde ele me puxou pelo braço a um beco ainda mais isolado.

— Escuta aqui, moleque. — rosnou, já alterando a voz de novo. — Já que o viado do seu pai nunca te ensinou respeito, eu vou ensinar agora.

— Vai se foder. — respondi em tom apático.

— COMO É??? — Não se conteve e lançou um soco rumo à minha cara. Desviei facilmente, o que o irritou ainda mais.

— Vai se foder, velho. — repeti. Vendo que precisaria ser mais persuasivo para me submeter, sacou sua arma do bolso e mirou em mim. Dei de ombros, agora já o deixando louco.

Sem raciocinar, apertou forte a arma em sua mão, já pouco se importando se ela iria disparar. Mas não era uma arma. Era um lenço. Ficou encarando a mão com uma expressão de “que porra é essa” e depois olhou pra mim.

— Que foi? — perguntei. Ele não respondeu, só ficou me encarando antes de mandar mais um soco que também só acertaria o ar.

— Tá com algum problema, moço? — perguntei inocentemente. Assustado, viu seu punho apontando para o nada enquanto eu contemplava sem me mecher, uns cinco metros atrás dele. Ele me olhou nos olhos, estupefato e já com algumas gotas de suor frio.

— Quer que eu te ajude com alguma coisa? — insisti. Estávamos no mesmo beco, eu era o mesmo garoto, mas minha perna não estava mais quebrada. Eu era só uma criança qualquer com um ar intrigado olhando pra ele. Ele soltou um pouco de ar, como se ganisse.

Acordou. Estava em uma cama de motel mais uma vez e a puta que tinha pegado parecia estar já tomando banho.

— Você estava gritando dormindo, sabia? — disse a moça ao sair, nua, mas ainda enxugando o rosto.

— N-não foi nada... — começou ele ao que viu a moça revelar o rosto por trás da toalha. Sim, era eu, quero dizer, o mesmo garoto que eu tinha me feito parecer. Ele berrou de novo e acordou de novo, dessa vez no tribunal, no banco dos réus.

— ...O senhor é acusado de cobrar propinas, ameaçar sete lojistas, cárcere privado, violência doméstica, tortura e um assassinato. Há alguma declaração que queira dar.

Ele olhou o juíz, o mesmo garoto. Olhou para o júri, o mesmo garoto, todos eles, conversando entre si normalmente como se nem notassem que os observava. Todos com o mesmo rosto.

— Tá com algum problema, moço? — perguntou o juíz.

Deu um berro de pânico assim que acordou por uma última vez. Estava em seu carro, na mesma rua em que teria acontecido o acidente, mas estava tudo normal, ainda não chegara ao cruzamento e não havia garoto nenhum. A única coisa da alucinação maluca que continuava era sua expressão de terror, que agora podia ver claramente em seu retrovisor. Baixou e segurou sua cabeça resmungando “merda” por alguns segundos. Até ouvir a buzina do carro de trás apressando-o. E assim ele continuou pela rua e tentou tocar sua vida como ela sempre fora. Mas o estrago já tinha sido feito e aquela lembrança teimaria em ficar no fundo de sua mente, deixando-a mais cautelosa, mais paranoica. E se eventualmente ele conseguia bloquear ou mesmo se convencer que tudo era só um devaneio tolo que tivera um dia, o mesmo garoto aparecia na rua, ao longe, sempre acenando para ele com seu mesmo sorrisinho cínico.

E essa foi nossa historinha, gostaram? Pois é, eu tenho várias outras envolvendo os mais diversos “caras maus” desse mundo, crônicas divertidas que adoraria poder compartilhar com todos vocês, mas infelizmente, isso tomaria tempo demais, então paro aqui. E você, leitor? Como vai a sua vida? Como tem se comportado? Bem?

Que pena.

Autor: Dom Jurumela

12 comentários :

  1. Legal,me lembrou um pouco da série do Lúcifer

    ResponderExcluir
  2. Se quiser falar as outras histórias dos caras maus, tem a minha permissão

    ResponderExcluir
  3. Como crítica construtiva, releia o texto e analise as vírgulas colocadas.O excesso delas e seu uso inadequado torna o texto cansativo de ler, assim como o uso constante de "rosnou" "respondi" "perguntei". O conteúdo está legal, só a forma de escrever que a torna um pouco confusa ou menos interessante do que deveria ser.
    É a forma que vejo de ajudar a melhorar a qualidade dos textos, já que perceber os erros e não aponta-los seria injusto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Isso é normalmente algo que me incomoda, mas não percebi nesse texto. Está bom assim.

      Excluir