10/10/2017

Precisava ser feito


Olá, pessoas. Bruce aqui trazendo uma creepy própria dessa vez. Escrevi com a ajuda da menina Divina. Comentem, critiquem, elogiem. Nos deixe saber o que acharam. Espero que gostem!








Sabe aqueles dias em que você sente que alguma coisa está errada? Um sentimento de que algo precisa ser feito mas você não sabe o quê, como se você tivesse esquecido de fazer algo importante? Eu estava em um desses dias, e esse sentimento é angustiante pois eu sou o tipo de pessoa metódica que gosta de concluir todos os projetos dentro do prazo. Trabalho com jornalismo, logo, já vi de tudo, tudo o que você pode imaginar de mais bizarro já presenciei ou conheci alguém que presenciou. É um trabalho interessante, sempre nos surpreendemos. Mas naquele dia aconteceu algo diferente, algo que, obviamente, não acreditarão em mim, eu sei. Nem eu mesmo acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos. Como havia dito, era um dia daqueles em que a gente acorda sentindo que algo está fora do lugar, mas tudo bem, a falta de sono e excesso de café sempre me deixa meio paranoico. Lá fora estava um belo dia, acordei por volta das 8 da manhã e preparei meu café. Buck, meu cachorro, já estava correndo pela casa, animadíssimo, o levaria para passear mais tarde. Moramos só nós dois, eu e Buck. É melhor assim, eu nunca quis casar ou ter filhos e já não tenho mais contato com a minha família. Sou um workaholic assumido, só me importo com meu trabalho e meu cachorro. Sei que estou enrolando, mas vocês precisam saber que não sou louco, não tenho histórico de doenças mentais na família, minha rotina é de uma pessoa normal. O café estava pronto, me sentei na poltrona e peguei o jornal para ler a manchete, era sobre um homem de meia idade que matou sua esposa e filho com um tiro na cabeça e depois se matou, foi trágico, mas pela primeira vez uma matéria minha na primeira página, estava orgulhoso. Ignorei aquela sensação e continuei lendo meu jornal, foi realmente um ótimo trabalho. Buck estava inquieto, mais que o normal, já não parecia mais felicidade, ele estava tentando me avisar algo, estava latindo pra janela. Vi de relance algo passar do lado de fora, acho que alguém estava no meu jardim. Ouvi barulho de chaves, Buck começou a latir para a porta. Agora alguém tentava entrar, na verdade alguém estava destrancando a porta. Ninguém tem a cópia da minha chave, naquela altura eu já suava frio, a porta abriu. Vou dizer novamente, não sou louco, não tenho histórico de doenças mentais na família, não tenho motivos para inventar isso, sou um jornalista e prezo pela verdade. Ali, na porta, estava eu, ou uma pessoa muito parecida comigo. Ele tinha até mesmo o mesmo corte de cabelo, os mesmos óculos arredondados e estava usando exatamente a mesmas roupas que eu, um suéter cinza, uma calça jeans azul escura e um sapato marrom. Tudo igual, exceto pelo sangue, tinha sangue por toda a roupa, e nas lentes do óculos também, além de estar segurando um machado que parecia ter sido usado pra destroçar um animal, tinha resquícios de carne nele, não quero nem imaginar o que era aquilo. Assim que me viu ele abriu um sorriso bizarro que me gelou a espinha, aquele definitivamente não era eu. Buck estava extremamente assustado, não parava de latir para o impostor. Foi tudo muito rápido, não pude fazer nada quando o homem cravou o machado na cabeça de Buck, ou quando o desmembrou, parte por parte. Vomitei. Cada golpe me fazia tremer, eu não entendia o porquê daquilo estar acontecendo, não fazia o menor sentido. Precisava perguntar. —Quem é você?! Ele apenas me encarou, com o mesmo sorriso no rosto. —Me desculpe, Gerard. Isto precisa ser feito. Sua voz era idêntica a minha. O jeito que falava, seu olhar, era tudo idêntico ao meu. Mas não era eu, não podia ser eu. Fui recuando devagar, na esperança de ele não notar e de eu ter pelo menos uma distância segura para conseguir fugir. —Para onde está indo? Tremi ao ouvir aquilo. Precisava distraí-lo, ganhar tempo. —O que precisa ser feito? —Você sabe. Eu sei. Para onde está indo, Gerard? —E-eu... De onde você veio? O que é você? E por que você se parece comigo? —Muitas perguntas. Isso me dá dor de cabeça. Por favor, não saia desta sala. Vamos facilitar as coisas, tudo bem? —Escuta, seja lá quem você for, eu tenho dinheiro, posso te dar tudo o que quiser, sou um homem bem-sucedido, olha— Mostrei o jornal —Está vendo? Essa é minha história, eu sou um grande jornalista. —Ah, claro que é sua história. É a minha também. Eu sou o Gerard, aliás. Tudo o que você é eu tambem sou. Tudo o que você fez eu também fiz. E tudo o que você tem eu também tenho. Você não pode barganhar com você mesmo. —Então por que não nos juntamos? O primeiro caso de clonagem humana, juntos ficaríamos famosos e faríamos uma fortuna! — A essa altura eu já não queria mais saber quem ele era, eu faria o possível para sair dali vivo. Ele soltou uma risada histérica. —É tão patético me ver desta forma pensei que fosse mais inteligente. No fim você não passa de um homem miserável, psicopata, cuja vida não vale nada. É até compreensível você ter feito aquilo. Pobre Gerard. Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. Ele sabia. —Me deixa em paz! — Gritei, em lágrimas.—Você não sabe nada sobre mim, eu tenho uma vida maravilhosa, e não vou deixar você e nem ninguém estragar. —Você mesmo já estragou sua vida, Gerard. E eu vou garantir que ela seja um inferno a partir de agora. Dia após dia. Esse é o seu destino. Sofrimento eterno. Não poderia mais continuar ouvindo aquilo, estava bem perto da minha estante. Abri a gaveta e puxei minha pistola.


—Tem certeza que quer fazer isso? Você realmente quer se tornar o que eu me tornei? Três tiros em seu peito e foi o suficiente para ele cair no chão. Me aproximei. Ele estava rindo, rindo como se eu tivesse contado a piada mais engraçada do mundo. Já estava farto dele. Peguei seu machado e cravei em seu rosto. Ele não estava mais rindo. Mas seu rosto ainda era igual ao meu, eu não gostava daquilo. Retirei o machado e dei mais outro golpe, e outro, e outro. No fim o que se via era só uma sopa de carne, sangue, ossos quebrados e cérebro, seu olho pendia para o lado, achei aquilo engraçado. Ele não tinha mais rosto, era apenas um corpo vestindo minhas roupas.

Levei-o para fora, cavei um buraco fundo, passei a tarde inteira cavando, e finalmente o joguei lá dentro e o enterrei. Junto com minhas lembranças. Desmaiei. *** Minha cabeça dói. Dormi no jardim? Devo ter bebido demais ontem à noite. Meu machado está aqui, o que ele está fazendo aqui fora? Até onde me lembro ele fica no meu quarto, de decoração. Que seja, estou com fome. A porta está trancada, cadê minhas chaves? Droga, perdi de novo. Ainda bem que guardo a reserva embaixo do vaso de flores. Buck está agitado hoje, não vejo a hora de ver meu amigão. Abri a porta, Buck estava me esperando. Tinha mais alguém em casa. Você não vai acreditar nisso, mas na poltrona, estava eu, lendo jornal, ou pelo menos alguém muito parecido comigo. Ah, agora eu me lembro do que preciso fazer.


21 comentários:

  1. Eita!! Help! O que foi isso? Um looping em realidades paralelas? Explica aí pie favor, que dessa vez, buguei.

    ResponderExcluir
  2. Oi eu adorei a sua história de looping infinito mas eu gostaria de saber como que isso iníciou, por exemplo (o que ele fez para que isso possa ter começado)

    Minha avaliação e 9/10, adorei a história ����

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Começou quando ele matou a esposa, o filho e se matou. Desde então ele vive no inferno passando pela mesma coisa todos os dias.

      Excluir
    2. Com essa explicação a historia doca mais legal

      Excluir
    3. Não deixei claro porque queria justamente que criassem teorias sobre hahahaha coloquei apenas algumas partes que dão dicas.

      Excluir
  3. Achei que ele tivesse matado o velho pra sua matéria ser a
    da primeira página, e o looping fosse tipo um karma.

    ResponderExcluir
  4. Quando matam humanos: top
    Quando matam animais: grrr

    Mas parabéns hehe gostei muito

    ResponderExcluir
  5. Não entendi nada, o que precisa ser feito? Ele nunca mataria o Buck! Sem nexo... Mas bem escrita.

    ResponderExcluir
  6. Lembrei de uma creepy em que o cara viaja no tempo e vira uma mulher e é a própria mãe que o abandona, ou algo assim, alguém lembra o nome dessa creepy?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lembro de ter lido, só não lembro o nome

      Excluir
    2. Lembro também, é Paradoxo Temporal

      Excluir
  7. Agr sabemos como é o arrependimento de um psicopata @-@

    ResponderExcluir
  8. Incrível!! 09/10 depois de ler alguns comentarios entendi melhor kkk ficou foda

    ResponderExcluir
  9. Boa kkk
    Ele quem matou a própria família e se matou?

    ResponderExcluir