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Ballet (PART 2/ As Marcas)

PART 1

Denise tirou os potes de creme da gaveta do armário e foi até a poltrona; Enquanto retirava as sapatilhas de Molly seus pés faziam sons semelhantes a gravetos quebrando conforme apalpava, manchas roxas estavam por toda a parte e seus dedos já não tinham mais unhas. 

A dor era grande, mas o cansaço sempre vencia e assim ela não acordava despertada pela dor. 

Expressando um enorme sorriso no rosto Denise olha com orgulho para as marcas de esforço. 

Depois de passar os cremes e fazer uma leve massagem é hora das ataduras, amarradas com força para que os ossos não saiam do lugar e assim os passos perfeitos podem ser mantidos. ’’A bailarina jamais deixa de dançar’’. - Sussurra Denise. Após admirar os pés de sua filha, acaba dormindo ali mesmo encostada na poltrona, é nítida a admiração em seus olhos e no sorriso que permanece mesmo estando dormindo.

Molly movimenta os pés enquanto dorme; seus pés tão acostumados a movimentos repetitivos já não conseguem mais se manter parados. Com o passar das horas o dia amanhece e exatamente as 05:30 da manhã o despertador que soa como uma sirene irritante toca. (Din-don! Din-don!) 

Denise se levanta e vai até a cozinha preparar o café da manhã.  

O cheiro dos ovos fritos e torradas fazem a boca salivar, mas ela sabe que a dieta não permite e que somente sua mãe vai comer aquilo. 

Uma bandeja é colocada na mesa em frente à poltrona; Meio copo de leite, meia fatia de pão integral e uma pequena quantidade de frutas cortadas. ‘’Você precisa manter o seu dom, eu faço tudo isso para o seu bem. ’’ – Fala de boca cheia enquanto observa Molly desejar uma mordida das deliciosas torradas que enchem sua boca de saliva. 

Misturado ao delicioso cheiro do café da manhã estava presente também o cheiro de lixo acumulado na cozinha junto com uma pilha de louças gigantesca, aquilo parecia um chiqueiro de tão sujo, mas a única coisa importante e necessária era cuidar de Molly, afinal uma bailarina nunca deve deixar de dançar. 

O telefone toca, mas dessa vez não é o despertador; o representante do prefeito da cidade avisa que um evento muito importante vai acontecer daqui a três dias e pede para que a encantadora Molly se apresente no dia. Sem pensar duas vezes um alto sim é dito, sua felicidade misturada com euforia não contagia sua filha que expressa apenas um sorriso forçado enquanto mastiga os pedaços de frutas. 

‘’Não temos tempo a perder, quanto antes ensaiarmos melhor. ’’ 

‘’Será que podemos cancelar? Estou muito cansada. ’’ 

A reposta é dada com uma bofetada em seu rosto, Molly parece não estar surpresa, nenhuma lagrima caí de seu rosto. 

‘’Não seja fraca, uma artista nunca desiste; agora vou ter mais trabalho pra disfarçar essa marca vermelha, olha só o que você me fez fazer!’’.  A bandeja é arremessada para longe junto com alguns potes de creme. 

‘’Preciso ir até a farmácia comprar os cremes que você me fez estragar, não saia dessa poltrona até eu voltar. ’’ 

A porta se fecha e então Molly finalmente sente um alivio de estar sozinha. Há 3 meses novos episódios de ‘’A Memória da Dança’’ não são lançados e a 3 meses é obrigada a assistir a mesma coisa todos os dias. 

O telefone a poucos metros é mais tentador do que o controle remoto em cima da mesa; a chance de acabar com tudo está bem na sua frente, mas seus pés não permitem que ela vá muito longe e sempre acaba caindo ao tropeçar no carpete já velho. Então apenas se conforma em pegar o controle remoto. 

Antes que pudesse ligar a TV, alguém bate na porta.

(Continua..)

(Espero que estejam gostando e qualquer coisa é só dizer nos comentários :)


Autor: Andrey D. Menezes.