Postagens Semanais

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Francis Divina

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Gabriel Azevedo

Quarta-Feira
Francis Divina

Quinta-Feira
Gabriel Azevedo

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Talisson Bruce

Sábado
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Domingo
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Figura paterna

Os passos de meu pai ecoando a certa distância no corredor eram minha canção de ninar quando eu era jovem. Na quietude da noite, quando minhas costas estavam viradas para a porta, eu ouvia o familiar ruído de suas meias brancas e cinzas colidindo com o chão de madeira fora do meu quarto. A porta se abria, e uma pequena cascata de luz dourada, oriunda de onde ele estava vindo, pousava em minha cama. O som de seus passos ficavam mais sutis, abafados pelo carpete branco colocado no chão. E sobre minha testa, sua mão gentilmente afastava meu cabelo, e seus lábios frios se pressionavam calmamente em minha pele.

Ele sempre teve má circulação, e nas noites quentes de verão que eu passava sobre minhas cobertas, era um tanto bacana ter sua pele macia e fria contra a minha. Às vezes, me virava para encará-lo. Meu olhar sonolento se encontrava com o dele, e na escuridão, seus dentes brancos como pérolas brilhavam em um sorriso quente. E eu sorria de volta. Sempre permanecíamos em silêncio quando eu acordava em uma de suas visitas, normalmente encerradas por um aceno de minha mão e o desaparecimento de seu sorriso.

Eu nunca entendi por que, quando eu fiz 14 anos, suas visitas noturnas pararam. Ao perguntar minha mãe sobre isso, ela se virou pra mim, seu olhar suavizado e seus lábios entreabertos somente o suficiente para emitir palavras suaves.

"Bem", ela disse suavemente, "Conforme você envelhece... Você começa a ver fantasmas cada vez menos."