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Crianças

Nunca gostei de crianças. Nunca soube por qual motivo; já as vejo tantas vezes. 

Decidi pensar sobre isso por enquanto. 

Acho que a razão disso deve estar na inocência delas; não que eu tenha inveja da inocência delas, eu tenho é pena delas por isso. Crianças são cheias de potencial. Elas podem crescer e se tornar o que quiserem, até que estabeleçam suas vidas, e a sociedade esmague seus espíritos; seus sonhos se rompam, e suas esperanças se partam em pedaços. 

Quando bem jovens, são encorajados a serem individuais, únicos, marchando nas batidas do seu próprio tambor. Então envelhecem, são instruídos ao “trabalho em equipe” ou basicamente, a serem mais uma “engrenagem na sociedade”. E aqueles que não se submetem a isso, são deixados para trás, afastados por não tentarem subverter seu próprio eu. São esses que acabo encontrando mais cedo do que o esperado. 

Eu diria que seria mais fácil se os mais velhos estivessem preparados para esse tipo de coisa, e não alimentassem falsas ilusões, mas não posso evitar isso. Acho que se utilizam dessas mentiras para não desistirem tão facilmente. 

Quando olho para as crianças, vejo desapontamento e angustia. Obviamente que não os vejo naquele exato momento, mas os vejo no momento em que reagem quando o protocolo social determina que abandonem suas próprias identidades. 

Agora, eu entendo que as vidas das pessoas nunca seguem o caminho que esperavam. Isso não me incomoda, de fato, nesse ponto eu sinto que isso já deveria ter sido previsto. Apenas penso que não deveriam ser deixados com essas ilusões sobre destino. 

É estranho que alguém como eu pudesse ter pena de tão pequenas criaturas, mas suponho que eu tenha um fraco pelos cegos e frágeis. 

Quando as pessoas me veem, sempre me enxergam como depressão e melancolia. Acham que eu não gosto do meu emprego, e que eu preferiria seguir por um caminho diferente. Eles estão certos; estou sempre mal-humorado, mas não por causa do meu trabalho. Na verdade é pelo que sinto quando encontro com as pessoas durante o meu trabalho. Apenas vejo o desapontamento em seus olhos, e não há muito que eu possa fazer por eles. Já tentei consola-los, aliviando o desapontamento pelo caminho que escolheram, mas isso nunca parece funcionar. 

Vejo as crianças tornarem-se adultos, quando se tornam depressivas e quebradas. Quando me encontram, sempre tem pouco a dizer. É sempre, “Ainda preciso fazer algo” ou “Não estou preparado”. É difícil quando olho em seus olhos e eles falam, “Azrael, posso ter um pouco mais de tempo?” 

Isso me faz derramar uma ou duas lágrimas, suspirar e abaixar a minha foice. 

Não importa o quanto eu tenha pena deles, vendo suas vidas se acabarem incompletas, sempre tenho que dizer: 

"Não."