03/10/2017

Toc-Toc

Começou quando eu tinha seis anos de idade.

Eu estava na escola, estava no meio de uma lição de leitura, e eu precisava fazer xixi, droga. Naquela idade, na verdade, um número considerável de crianças ainda molhavam as calças, e sempre fiquei paranóico em me envergonhar em público assim. Levantei minha mão e disse à Sra. Zebby que eu precisava usar o banheiro. Após o discurso habitual sobre como eu "deveria ter ido no intervalo", ela me deu a chave para o banheiro de acesso desativado (como era o mais próximo da minha sala de aula).

Estava no meio do quinto período, e os corredores estavam vaios e pareciam enormes para mim: Eu era baixinho e magrelo naquela época. Às vezes eu tinha problemas com portas, especialmente para abri-las, perdi um minuto ou dois tentando abrir a maldita porta.

De qualquer forma, assim que eu sentei na privada, escutei uma batida na porta.

"Tem gente." Respondi, irritado com a perturbação.

Uma pausa, então a batida voltou. Estava mais rápida agora, mais determinada.

"Espere um minuto!"

A batida diminuiu, e uma voz respondeu:

"Deixe-me entrar. Eu preciso entrar."

O tom da voz era claro e conciso: um adulto que eu não reconhecia. Eu podia ter 6 anos, mas eu tambémn tinha uma boa noção da etiqueta de um banheiro. Principalmente de que você não deixa entrar mais de uma pessoa em uma área pouco maior que um armário.

"Vá embora!"

A batida se intensificou novamente, como se fosse uma batida de tambor frenética, a poucos metros de mim e fora de vista. Ouvi a voz gritando algo, cada vez mais e mais desesperada:

"Me deixe entrar! Só abra a porta, por favor!"

Eu estava aterrorizado, nesse ponto. As batidas e os gritos estavam tão altos, e ninguém ainda tinha vindo investigar. Eventualmente, minha professora veio me procurar, zangada porque eu estava fora há quase meia hora. Quando eu me recusei a abrir a porta para deixá-la entrar, ela pegou a chave reserva da recepcionista e então me levou até a sala do diretor e chamou meus pais. Eu fui suspenso pelo resto da semana. Nunca disse a ninguém o que tinha acontecido.

Algumas semanas antes do meu próximo encontro com este fenômeno, eu tinha acabado de comemorar meu sétimo aniversário, e minha família estava fazendo um churrasco em minha honra. Era um glorioso dia ensolarado, mas assim que tínhamos arrumado tudo no quintal atrás de casa, o carvão se recusou a acender. Meu pai me pediu para pegar um maçarico portátil no galpão do jardim da frente.

Era bastante apertado lá dentro, e eu não caberia por todo o caminho, então eu apenas entrei e fiquei na ponta dos pés para alcançar o objeto, a porta fechou. Assim que eu me afastei, uma batida frenética começou do outro lado da porta.

"Abra! Eu preciso passar!" Esta voz não era a que eu tinha ouvido um mês atrás, era mais profunda, mais preocupada e irritada.

Eu não disse nada e me apressei. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas aquilo me assustou. Quando me afastei, veio um "golpe" final, como se um punho estivesse socando a madeira, e ouvi sua voz novamente:

"Seu pequeno bastardo. Vou arrancar seus dentes de merda. ME DEIXE PASSAR!"

Corri de volta para minha festa e passei o resto do dia olha por cima do ombro.

Como você já deve ter adivinhado, havia muitas dessas vozes. Eu contei pelo menos trinta, no total. Todo mês eu costumava ouví-las, implorando para passarem pelas portas. Quase sempre era imediatamente após eu fechar a porta atrás de mim, como se essas estranhas entidades estivesses me seguindo. Eu nunca contei a ninguém, mas para ser honesto, eu meio que me acostumei. Isso sempre me fazia pular, e algumas das vozes me gelavam a espinha, mas eu sabia que estava a salvo desde que eu não abrisse a porta. Algumas das vozes eu não só me acostumei, como as nomeei. Havia uma que sempre aparecia na minha porta da frente, em casa. Nós temos vidro fosco, e eu pude ver uma silhueta de um homem de tamanho médio, usando um boné ou algo do tipo. Ele nunca falava, mas ocasionalmente empurrava envelopes contendo pedaços de papel em branco pela caixa de correio. Eu o chamava de Carteiro. Ele era um dos mais perturbadores. Se eu tentasse falar com ele, ele olharia em volta bruscamente e comecaria a bater. Em geral, deixei o Carteiro em paz.

Vinte anos depois, e eu me mantinha tão normal quanto possível. Eu tenho muitos amigos e até um relacionamento meio conturbado com uma menina que conheci ano passado. Nada mal para um cara que acorda no meio da noite e escuta atentamente os barulhos que você não consegue ouvir do outro lado da porta. Sim, meus amigos acham que eu sou esquisito, mas toleram. Todos são ótimos. Eu vou sentir falta deles.

Sabe, as coisas começaram a ficar estranhas. Bem, mais estranhas que o habitual, suponho. Três semanas atrás, eu acordei, suando e chorando, embora que não soubesse o porquê. Meu sonho tinha sido, até onde eu me lembro, bastante normal, quando uma sombra enorme havia caído abruptamente sobre tudo. Literalmente, no segundo em que abri meus olhos, veio a batida na porta do meu quarto. Não uma batida normal. Era uma batida realmente frenética.

"Quem está aí?" Gritei.

"P-por favor. Nos ajude..." Respondeu. Eu fiquei surpreso. Era a voz sádica e irritada que lembro do galpão do meu pai no meu sétimo aniversário, mas parecia genuinamente sincera. Havia um tom doloroso também, como se ele tivesse sido gravemente ferido. Na verdade, encontrei-me tirando os lençóis para me levantar, mas eu hesitei. Eu nunca tinha tentado abrir a porta. Suponho que, como uma criança, eu tinha uma pressão tão rígida na minha cabeça da a ideia de que o que quer que estivesse além era má, era apenas senso comum. Para ser bastante honesto, eu fiquei muito perto de deixar a coisa entrar no meu quarto, aquela manhã. Eu aguentei, no final.

Piorou. Apenas dois dias depois, eu estava na minha loja de esquina. Apenas paguei por uma garrafa de leite e um jornal quando uma grande força bateu contra a porta da loja. Simultaneamente, uma voz começou a gritar, um longo e agudo grito de dor. Eu virei para encarar a porta, mas havia tantos folhetos espalhados sobre o vidro que eu só conseguia distinguir a forma de uma mulher do outro lado, batendo as mãos contra a janela. O vendedor olhou para mim, como se eu estivesse louco. No final, perguntei se ele tinha um banheiro que eu poderia usar, murmurei uma desculpa esfarrapada e me escondi lá por dez minutos até o grito parar. Houve mais quatro incidentes entre isso e agora, uma mistura de gritos e lágrimas implorando. O Carteiro também parou ontem. Ele bateu, educadamente, antes de deslizar sua carta habitual através da caixa de correio.

Então outro. Então outro.

Um total de dez envelopes simples e castanhos. O Carteiro esperou por alguns minutos, batendo de vez em quando, e então ele me deixou sozinho.

Cada carta continha uma folha de papel A4. Mas alguém tinha pegado uma caneta preta e usado nas páginas, rabiscando e sombreando com tanto vigor que havia grandes lágrimas ao redor do centro. e as bordas estavam desgastadas. As coloquei de volta em seus envelopes e tentei tirá-las da minha mente.

Mais cedo, a porta do meu quarto tremia violentamente. Não era um grito, nem um uivo, e nem um rugido que eu ouvi. Era apenas choro. Dezenas e dezenas de vozes, soluçando silenciosamente. Outro golpe atingiu minha porta. O Gesso se despedaçou das paredes e caiu no tapete. Ainda sem súplicas ou negociações, apenas soluços.

Estrondo.

Saltei da cadeira.

'Estrondo'.

Uma fina rachadura no canto do batente da porta.

Meu telefone começou a tocar, e eu ouvi um forte golpe no vidro da janela, atrás das cortinas. Atendi o telefone, mas eram simplesmente vozes chorando, como se fosse um grito de terror e angústia. Desliguei, mas continuou tocando, então tirei a bateria.

Empurrei a maioria dos meus móveis contra a porta e a janela. Se passaram três horas desde a última tentativa de entrada. A batida agressiva não havia diminuído. Nem o choro. Tenho certeza de que minha porta não aguentará muito mais. Quanto à minha barricada medíocre; poderia ser varrida em dois minutos. Eu me encontro diante da possibilidade real de morte, então eu estou escrevendo esse tipo de memória, apenas no caso de algo acontecer.

'Estrondo'.

O que eles querem?

'Estrondo.'

Eles ainda querem me machucar?

'Estrondo'.

Eles pareciam destemidos, até mesmo maliciosos.

'Estrondo.'

Talvez eu devesse abrir a porta.

'Estrondo.'

Talvez eu devesse deixá-los entrar.

'...'

O silêncio tomou conta. Percebi que até o choro havia cessado. Durante um minuto inteiro, me sentei lá. Então me levantei e corri para a porta, ansioso para sair dessa situação claustrofóbica. talvez eu vá lá fora, onde eu posso estar longe de qualquer porta, e da maldita batida. Puxei minha barricada e girei a maçaneta.

Trancada.

De joelhos, espiei pelo buraco da fechadura. Através da porta do meu quarto não estava o corredor que eu me lembrava, mas outra sala, algum tipo de biblioteca ou sala de aula, eu acho. Parecia desocupado, exceto por uma criança, sentada e lendo, de costas para mim. Eu bati na porta,

"H-hey, menino. Me deixe sair, ok?"

Ele olhou por cima do ombro.

"Sim, aqui. Você poderia abrir a porta, por favor?"

"Eu não posso. Estou em detenção. Não devo falar com ninguém. Vá embora."

Ele se virou novamente. Confuso e exasperado, comecei a me levantar. Um estrondo alto quebrou o silêncio mais uma vez. Eu percebi que parecia que um punho estava batendo contra o vidro. Minha janela!

Eu ouvi novamente. Mas não era a batida frenética de alguém querendo entrar. Não era nem mesmo uma tentativa de invadir. O que quer que esteja além da cortina e do vidro saboa que eu estava lá dentro. Sabia que estava com medo. Na maneira mais predatória e sádica possível, queria que eu tivesse medo.

Voltei para a porta e comecei a bater, freneticamente.

"Hey! Me deixe entrar, ok? Eu realmente preciso que você abra a porta..."








Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigado! Se gostou, comente, só assim saberemos se você está gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 




29 comentários:

  1. Ainda existe grupo no wpp? 32 991116827

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  2. ENTÃO, ELE SE TORNOU UMA DAS COISAS QUE ELE SEMPRE TENTOU EVITAR QUE ENTRASSEM?

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  3. Que coisa legal mano. Parabéns pra quem fez isoo

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  4. Que coisa legal mano. Parabéns pra quem fez isoo

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  5. Respostas
    1. Quando ele finalmente decidiu abrir a porta, ela estava trancada, então o cara bateu desesperadamente pra abrirem, se tornando uma das "vozes" só que pra outra pessoa

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  6. eu ia lendo e me cagando com medo de alguém bater na porta aqui

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  7. lá estou eu lendo... e de repente *estrondo* é meu cachorro tentando entrar em casa kkkk
    oq eu fiz? abri a porta obviamente, vai q eu viro um fucking espirito batedor d portas se n abrisse! ;-;

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  8. Eu vi uma muito parecida com essa, mas era um olho que ficava grudado na parede.

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  9. Ah mano, vai tomar no cu!! Eu esperei esse desgraçado abrir a porta e ele NÃO ABRIU!!!! Tô muito pistola AAAAAAAAAAAAAAAA caralho, desgraça, porra, otário, pau no cu, buceta, filho da puta



    Tô melhor agora, desculpa :)

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  10. Com 6 anos, eu acreditava que com Deus, nada me atacaria. Resumindo: Eu deixaria entrar
    E hoje em dia, eu imagino que com pessoas ao meu lado, estou seguro. Resumindo: Eu deixaria entrar... De novo.

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