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Ele acordou em um quarto escuro...

Ele acordou em um quarto escuro. Não havia janelas para iluminar a escuridão; nem portas visíveis para dar-lhe esperança de liberdade. Não havia nada. Ele nem lembrava-se de quem era, ou o que queria, tudo que ele sabia era que agora, sair era o maior problema. 

O vazio era estranho e perturbador, qualquer coisa poderia estar a sua frente, atrás ou nos lados, mas ele não poderia ver ou sentir. Com os braços esticados, ele andou em uma única direção, tentando encontrar uma parede ou qualquer coisa que lhe mostrasse que não estava andando em círculos. A cada passo que dava sentia-se solitário, naquele chão de concreto frio. Em sua mente, agitavam-se perguntas sobre quem ele era e por que estava ali, e por que ele sentia como se estivesse sendo observado. Era agoniante. A dor, afligida pelo horror da situação, dava-lhe uma sensação de profunda certeza, como a sensação de estar em um avião e ter certeza de que ele vai cair. 

Agora ele já sabia que estava andando em círculos. Havia uma pequena área de madeira onde ele já tinha pisado pelo menos três vezes. Como era possível, ele apenas tinha andado em linha reta. A não ser que o quarto tivesse quase um quilometro; embora esse pensamento fosse estúpido, deu-lhe uma vaga sensação de agorafobia. Levando isso em conta, ele decidiu que na próxima vez que passasse pela área de madeira, o inspecionaria cegamente. 

Logo, o encontrou; ou um idêntico, em menos de cinco minutos. Era um quadrado de madeira pura; com uma borda de concreto por fora, possivelmente para fazer peso ou mesmo por propósitos estéticos. Ele tentou sentir os contornos do concreto, procurando por fendas que indicassem que ali fosse uma saída; já que aquele pedaço de madeira contornado por concreto parecia tão fora de lugar ali. Depois de alguns minutos, ele sentiu um leve corte, um objeto de metal afiado que havia cortado seu dedo. Ele tentou pegar o objeto por outro ângulo mas ele era muito pequeno, parecia que ele teria de mover o bloco de concreto, mas como? Ele não sentia que seria forte o suficiente para move-lo sozinho. 

Com raiva, ele bateu no chão de madeira, e o chão quebrou-se bem abaixo dele. Em choque, ele puxou as mãos para os lados, para amortecer a queda. Mas não funcionou, quando ele caiu, quebrou o joelho, e gritou, gritou ate perceber uma risada profunda de alguém que não era ele. Então ele lembrou-se do objeto afiado; mantido preso pelo concreto que tinha caído. Ele não poderia fazer nada, pois não sabia de onde a riso vinha. Porém, suas reações foram lentas demais; seu braço foi cortado e sua carne rasgada. Foi o suficiente para deixa-lo inconsciente. 

Quando ele acordou, estava outra vez deitado no chão frio de um quarto. Porém, dessa vez havia uma fonte de luz movendo-se. Ao invés de ir até ela, ele permaneceu parado no lugar; para ver se a luz vinha para ele. Mas ela não foi; ela se afastou e foi para outra área. Dessa vez, ele decidiu que tentaria se levantar e a seguiria. Andar era tão doloroso, e quando ele a alcançou, viu um homem segurando um fósforo, mas seu rosto era uma caveira, e o que restava de seus lábios estava costurado de uma forma desordenada, dando-lhe um aspecto esticado e distorcido. Quando a caveira o viu, deixou cair o fósforo, e a área ao seu redor incendiou-se, deixando o estranho homem preso em seu centro. Do ângulo em que estava, as chamas pareciam formar uma estrela de cinco pontas, pentagrama. Ele estava preso com satanistas? Como a área agora estava iluminada, dava para perceber várias dessas “pessoas caveiras” aproximando-se por fora do pentagrama e iniciando uma espécie de canto abafado, já que todos tinham os lábios costurados. O ritmo não era como nada que já tivesse ouvido, e antes que percebesse, seu rosto foi molhado por uma água que ferveu sua pele, e fez seu rosto começar a derreter, menos seus lábios. Ele chorou de dor e caiu no chão. Isso foi tudo que pôde ser ouvido desse homem. 

Enquanto gritava, um homem do lado de fora o ouviu, e seguiu em direção ao castelo de onde o grito tinha vindo. Sem tempo de perceber o que tinha acontecido... 

Ele acordou em um quarto escuro.