07/09/13

Sangue texano



“Oh merda!” Andrew gritou enquanto estilhaços de alumínio voavam sobre sua cabeça. “Eu nem sei de onde esses caras saíram,” Seu parceiro Benitez exclamou, “Esse lugar estava quase vazio. E não  há outras entradas.

“Não importa. Apenas concentre-se em atirar nesses imbecis. Vamos nos preocupar de onde esses desgraçados vieram depois.”

“Certo. Vamos nos separar. Você vai para o leste, eu lhe cubro.”

“Entendido.”

Benitez saiu de trás das caixas de onde estavam escondidos e começou a atirar com sua Beretta 9mm o mais rápido que pôde contra os seus atacantes enquanto Andrews corria para uma das vigas de sustentação do velho armazém. Para Benitez, tudo parecia acontecer muito lentamente; ele podia ver as capsulas das balas caindo no chão; ele até podia ver a marca no fundo delas. Assim que seu clip esvaziou, ele voltou a se esconder atrás das caixas.

“Benitez!” Andrews chamou pedindo sua atenção. Benitez olhou para o seu parceiro. Andrews levantou três dedos, bateu no relógio, e levantou um dedo em cada mão indicando para Benitez que tinha três atacantes à suas 11 horas. Benitez assentiu e gesticulou que iria flanquear. Com um rápido aceno Andrews comunicou que havia entendido. Ambos sabiam o que fazer. Sete anos no FBI trazia muita experiência. Com dois anos em campo, eles já tinham passado por muitas coisas.

Andrews levou um momento para ouvir e avaliar a direção do fogo inimigo e assim poder escolher o melhor momento para que Benitez pudesse se deslocar. Ele saiu rapidamente de trás da viga e atirou quatro vezes. Dois inimigos caíram. Um com um tiro bem na testa; o outro com dois tiros nas costelas. Com um giro rápido ele voltou para trás da viga enquanto o as balas do inimigo atingiam toda a área ao seu redor. Ele checou a área e viu Benitez sinalizar a sua nova posição enquanto recolhia um rifle da mão de um dos inimigos caído.

Benitez gesticulou para Andrews perguntando se os três inimigos ainda estavam no mesmo lugar. Andrews confirmou. Tão rápido quanto um piscar de olhos, Benitez estava de pé, e atirando com o rifle no trio que ele estava flanqueando. Manobra perfeita. Eles nem viram o que os atingiu. O fogo inimigo continuava vindo da passarela que rodeava o armazém onde eles estavam escondidos.

“Merda…” Andrews pensou enquanto atirava duas vezes na direção da passarela. Eles nem tinham uma arma adequada para atirar em um local tão longe quando aquela passarela.

A delegacia local ficava a uns cinco minutos dali, isso sem contar o tempo que levariam para avaliar tudo antes de tentar seguir lentamente para lá. Eles estavam ferrados e Andrews sabia disso.

Eles nem esperavam por isso; era para ser apenas uma investigação sobre um possível caso de tráfico de crianças. Esses caras nunca tiveram tanto poder de fogo assim. Tinha alguma coisa acontecendo, e ninguém sabia o quê. Andrews ouviu um click no seu lado. Granada. Não dava tempo, ficar e ser detonado, correr e ser baleado. Ele derrubou um barril na frente fechou os olhos e esperou.

Ele foi ao chão. Tudo escuro. Borrado. Difícil de respirar. Ruído nos ouvidos.

Enquanto toda a agitação da situação ia se acalmando, Andrews percebeu que estava sangrando por algum lugar. Não sabia onde; mas as suas mãos estavam cobertas com sangue. Tudo estava escurecendo.

“Andrews!” Benitez gritou do chão do armazém. Ele levantou e abriu fogo em todos que pôde ver. Derrubou três inimigos com o rifle, ficou sem munição, sacou a beretta e atirou sem pausa até ser atingido por uma bala no antebraço. Fragmentos de ossos, carne, e sangue se espalharam por todos os lados enquanto ele gritava e caia no chão inconsciente.




Benitez foi o primeiro a acordar no escuro quarto vazio. Olhou ao redor e encontrou Andrews deitado em posição fetal a alguns metros dele. Enquanto Benitez começava a se arrastar pelo chão de concreto frio, a dor o atingiu no braço, indo para a cabeça, e descendo pela coluna. Ele estremeceu, cerrou os dentes e continuou avançando para Andrews. Depois de checar o pulso e confirmar que Andrews ainda estava vivo, ele começou a procurar pelos ferimentos.  Tinha vários pedaços de metal presos entre as costelas de Andrews e parecia que tinham ido bem fundo, mas não atingiram os pulmões. Andrews estava sentindo muita dor. Felizmente a agonia o estava mantendo inconsciente.

A porta abriu de repente. Benitez viu a silhueta de um homem alto usando um chapéu de cowboy em pé contra a luz que entrava.

“Vocês, meus camaradas, fizeram o maior estrago por aqui,” A figura disse, “Eu tinha dito para vocês irem embora. Deviam ter ouvido. Até providenciei um culpado para fechar o caso, mas acho que a nossa hospitalidade do Texas não é o suficiente para vocês.”

“Xerife?”

“É seu merdinha, parece que vocês do FBI não pegam as coisas muito rápido, não é? Claro que sou eu. Quem mais poderia ser?”
“Que droga…” O Xerife deu um chute bem forte na boca de Bernitez com a sua bota de bico de aço.

“Olha como fala seu maldito invasor. Meu Deus. Já estamos cheio da sua gente, suas desculpas, seu lixo, seus traseiros imundos cruzando nossas fronteiras entrando em nossa cidade e interrompendo as coisas.” O xerife deu uma pausa para acender um cigarro. A chama fez o seu rosto parecer ainda mais sinistro nas sombras.

O sangue não parava de escorrer da boca de Benitez. Seus lábios estavam cortados e alguns pedaços de dente estavam cravados neles. Ele não conseguia responder aos insultos.

“Veja bem” o xerife continuou, “Não temos muitas coisas aqui na cidade. Depois que limpamos completamente as minas, muitos ficaram sem empregos. Tivemos que arrumar outras fontes para extrair algumas coisas ‘valiosas’. Então não importa se alguma criança desaparece aqui ou ali. De qualquer forma ninguém percebe já que a maioria está ilegalmente por aqui mesmo.”

Benitez olhou para o xerife e o sangue escorreu de sua boca como uma torneira que não fechava. O xerife se abaixou e o agarrou pelo cabelo puxando seu rosto para aproxima-lo do seu. “Agora...” o xerife foi interrompido quando Benitez cuspiu sangue em seu rosto. O xerife parou e fechou os olhos.

“Whoa filho. Você não quis fazer isso, quis?”

Benitez preparou-se para cuspir outra bola sangrenta quando o xerife empurrou o seu rosto contra o chão. Benitez olhou para o xerife que agora estava em pé e teve o seu rosto chutado outra vez.  O xerife pisou nele várias vezes calmamente. Seu rosto não mostrava raiva; mostrava apenas indiferença. Quando ele acabou, virou-se lentamente e saiu do quarto.

“Vai em frente e termine com os desgraçados. Eles nem sabiam o que diabos estava acontecendo. Não temos que nos preocupar com nada.” Ele falou com um homem que estava de guarda do lado de fora segurando um facão. O xerife olhou para a multidão de moradores que tinham se reunido ao redor do armazém.

“Esta tudo bem pessoal. Eles não sabiam de nada, e agora ninguém mais saberá.” Uma onda de alívio tomou a multidão. O xerife começou a andar para a viatura, abriu o porta-malas e checou a garotinha mexicana que estava amarrada e bem amordaçada ali.

“Temos que voltar logo ao trabalho. Senhorita Polson? Poderia ser uma garotinha gentil e me entregar o seu saudável coraçãozinho? Acho que vou conseguir um ótimo preço por ele.” 





17 comentários:

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    1. Eduarda usa foto do Dead o.o Prefiro 2Pac MeRmo u.u

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    2. Dead era foda, 2Pac era noob

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    3. 2Pac levou 5 tiros e aguentou ainda... Desafiou os Illuminatti, foi o maior Rapper de todos os tempos, promeveu paz em tempos de Guerra e Racismo, foi o maior ativista negro. Todos queriam matar ele, porque ele falava a verdade. Eu não entendo o Black Metal. Pra min é só mais uma forma de protesto só que sem protesto. Falar de Lucifer não é protesto. Protesto é falar que um inocente morre, passa fome, e é humilhado pela policia. Se não gosta volta pra seu mundo de mitologia nordica e satanismo.
      É falar que a musicalidade do Rap é lixo, é burrice. Eu nunca vi rap cheío de chiado. Por favor, ter higiene, educação, sociabilidade e tomar banho é bom. Olha que eu curtia rock.

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    4. Calma crianças, gosto musical depende muito da identidade social. Aposto que os dois tem mil motivos para escutar o que gostam, também mil motivos para criticar uns aos outros, mas vamos ficar em paz. Né?

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    5. Ok então... Ideología e algo como moral pra min. Se fica ameaçada acabo defendendo(Não repare nisso, sou meio doido mesmo O.o). Essa sua foto me lembra algum filme Fabricio o.O

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    6. A foto dele é do Rumpelstiltskin do Once Upon a Time.

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    7. É sim \o/
      Não tem nada a ver com terror, mas é a única série que eu companho hoje em dia ;D

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Me lembrou do filme "Mississípi em chamas", mas o xerife se dá mal nele...
    Enfim...essa creepy é de alguma série ou filme? Boiei total...

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    1. Não sei se é inspirado, pois não assisto a série, mas essa foto é da séria Texas Blood. http://goo.gl/gLhrZL

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  4. Deem uma passada no meu blog por favor! Obrigada. http://justcreepy.blogspot.com.br/

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  5. Bem escrita, detalhada, mas a historia deixa um pouco a desejar.

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