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Michael Surtou Durante o Expediente

O que eu vou contar nesta postagem é algo que passei muito tempo querendo esquecer, hoje com essa história um pouco superada em minha vida, posso compartilhar pra vocês um emocionante dia que vivi em meu emprego como animador de parque no ano de 2009.

Vivi muitos anos da minha vida pulando de país em país em busca de conhecimento cultural, linguagens e até mesmo conhecer pessoas novas, infelizmente, sem o apoio da minha família, minha condição financeira não condizia muito com as minhas vontades, então sempre durante minha fase de acomodação em minhas viagens, trabalhei em lanchonetes, postos de gasolina, e qualquer outro emprego que pague pouco, porém me mantinha vivo onde quer que eu estivesse.

Foi num verão de 2008 que consegui um bico em um parque de diversões em AllenTown (sem entrar em detalhes pela preservação da empresa que não teve nada haver com o acontecido). No início, eles me despacharam em uma atração infantil, que logo me tiraram para dar lugar numa bilheteria de um falso museu dentro do parque, minha relação com todos era ótima, mas eu não fazia amizades, porque saberia que logo que mudassem meu posto eu não os veria de novo e se visse, não conseguiria conversar com eles, os horários naquele lugar não faziam sentido, mas nenhum turno era igual ao outro. Passou uns meses e entramos na época de Halloween (já em 2009) e o parque abriu uma nova atração.

The House era uma atração pequena, porém bem elaborada, aonde era o falso museu, agora era uma casa decorada no estilo "abandonada" e até uma história fictícia eles inventaram, agora eu não me lembro bem, mas era algo relacionado a um assassinato dentro da casa e agora o fantasma da família assombrava o local, algo desse tipo. Eles me permaneceram na bilheteria, até que resolveram aumentar meu cargo e me colocar para trabalhar dentro do local.

Nunca tinha feito isso antes, trabalhava eu e mais umas 10 pessoas dentro daquela casa, ativamente como fantasmas.

Posso dizer que era algo bem divertido, não me lembro muito os nomes dos meus colegas de trabalho, mas sei que era algo comum tipo Rose, Sarah e Michael. Michael.

Michael era um ator antes de começar a trabalhar ali, e sempre se lamentava por isso, dizia que se lhe fosse dado a oportunidade certa não trabalharia num lixo de parque. Apesar de sua rabugice, foi merecidamente lhe dado o papel principal de "Papai", e era divertido e nos acostumamos com isso, era um bom emprego apesar de tudo. Presenciei muita coisa durante o expediente, pessoas desmaiando, tentando nos agredir, vômitos e até mesmo policiais armados, mas nada sério ocorreu e era sensacional ver todos entrando no clima da brincadeira.

Nem tudo eram flores, as vezes não estávamos num bom humor e tínhamos de ficar ali, soltando frases aleátorias de um roteiro ruim (perguntando se alguém tinha visto alguém passar por ali, se queriam brincar conosco, entre outras coisas) e ouvindo gritos e berros o tempo inteiro. Eu me encontrava na cozinha vestido de açougueiro, sei que havia o Mordomo Assassino na sala de estar as Duas Gêmeas Infelizes no quarto das crianças, a Triste Mamãe Decapitada no quarto do casal e o Papai Suicida na biblioteca, a última parte, o percurso todo era feito com os visitantes sendo acompanhados pela "empregada" que falava a história dos personagens e das salas de acordo, uns figurantes agiam enquanto os visitantes passeavam, e era tudo normal, apesar de não ser. Me acostumei muito com aquele espaço fictício e o cheiro de sangue falso e as vezes ate improvisava minhas próprias frases.

Era um dia de trabalho aleatório, os visitantes passaram pelo meu personagem e seguiram o percurso, nessa hora eu podia mexer no celular ou me sentar um pouco, enquanto esperava eles terminarem o percurso e entrarem as novas pessoas, o grupo de visitantes voltou correndo, isso já tinha acontecido uma vez, a expressão de terror no rosto deles era algo normal pra mim, eu tinha de instruí-los a voltar ou até lhe guiar até o final, umas das pessoas do percurso me perguntou se era normal os personagens ficarem agressivos daquele jeito enquanto uma parte das pessoas tentava sair pela entrada, não haviam nem metade dos visitantes ali, eu e meus colegas de trabalho saímos curiosos em busca do o que estava acontecendo ali, ao nos encontramos na biblioteca, vimos alguns visitantes escondidos atrás do cenário cenográfico enquanto Michael conversava com um corpo já morto de um deles, recitando frases de seu roteiro e se lamuriando pela família morta. Aquilo era nosso trabalho, ele devia estar louco.

Ao nos aproximarmos, percebemos que ele havia trazido sua própria arma de fogo, ele se desculpou conosco, sua "família" e saiu em busca dos outros visitantes para mata-los, nos disse que se tivesse sido um bom pai isso não teria acontecido conosco, era só nosso trabalho certo?

O ator que fazia o mordomo saiu correndo pelos fundos enquanto tiros eram disparados pelo cenário cenográfico.

Ele era um bom pai querendo proteger sua família.

Autora: Amanda Tavares