18/09/2017

Apenas Um Quarto



Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janelas. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto.

A garota caminha pelo quarto com suas mãos rigidamente empunhadas ao seu lado. Ocasionalmente ela para, encara o canto do quarto e continua a caminhar em círculos. Uma noite gelada nas ruas imprevisíveis a fizeram descalça e desnorteada. Alguma coisa aconteceu.

Ela pergunta suavemente "onde estou?".

"Venha aqui Alley, sente-se." A segunda voz é mais alta, rude.                       

"Como você sabe meu nome?".

"Oh, eu sei de tudo, Alley".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janelas. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio.

A garota faz mais um círculo cético ao redor da mesa e então senta-se na cadeira. Ela olha rapidamente para o canto onde a luz fracamente ilumina e dirige seus olhos para baixo. Ela está tremendo e quase pode sentir sua respiração no ar, uma vez que respira pesado. Parece que ela correu na chuva. Seus pés doem, as batidas de seu coração estão rápidas e seu cabelo goteja. Ela não consegue se lembrar do que aconteceu.

Ping.

Ping.

Ping.

Ela se esforça para encontrar sua voz. "Que lugar é esse?".

"É apenas um quarto".

"Eu tenho permissão para sair?".

"Não".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta.

A garota se levanta da cadeira e começa a se jogar contra as paredes. Pânico enche a sala no lugar do ar. Ela identifica um cheiro forte, ferro. Não, sangue. Ela olha de relance para baixo e vê suas roupas rasgadas cobertas de sangue. Está em seus braços e pernas, em seu cabelo, em todos os lugares. O sangue deve significar que algo indescritível aconteceu.

"Por que não posso sair? Quem é você?".

"Ah, agora, Alley, você pergunta coisas das quais sabe as respostas".

"Não sei nada".

"Certamente você deve saber que está sendo punida".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz.

Ela fecha seus olhos e procura profundamente pela sua mente por uma memória para o motivo de estar no quarto. Nada. ela abre seus olhos mas a luz fraca no quarto apenas diminuiu. O canto é agora completamente negro. Ela fecha seus olhos de novo. Ela se encontra com uma memória. Ela não tem certeza de que foi aquilo que aconteceu.

"Eu... Eu não fiz... Eu não poderia ter feito".

"Oh, mas você fez".

"Então esse sangue...?".

"Certamente não é seu".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz. Duas vozes.

A garota se afunda novamente no chão, suas costas contra a parede, encarando diretamente o canto. Ela sustenta uma expressão impassível enquanto aceita a verdade. Ela é incapaz de se sentir culpada ou triste. Ela só lida com o nulo. Ela sabe que não é possível mudar essa situação. Não pode deixar o quarto, mas pelo menos agora se lembra. Ela foi o que aconteceu. O que aconteceu com todas aquelas pessoas inocentes.

"Não posso dizer que é bom encontrá-lo".

"Então você tem consciência de quem eu sou?".

"Eu imaginei esse lugar bem diferente".

"Então voce sabe onde estamos?".

"Sim. Você é o demônio dentro de mim. E esse é o inferno".

Duas cadeiras separadas por uma mesa de metal. Sem janela. Deprimentes paredes beges. Apenas um quarto. Um quarto que se tornou insuportavelmente frio. Sem porta. Sem luz. Duas vozes. Uma garota.



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!

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