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Ballet (PART 3/ As Dores)

PART1
PART2

Três batidas foram dadas suavemente, mesmo não sendo tão fortes ecoaram pela sala despertando curiosidade em seus ouvidos. Pensou por alguns segundos e disse: ‘’Tem uma chave embaixo do tapete. ’’ Talvez, naquele momento, poderia ser um vizinho amigável que seria a sua liberdade, seu coração palpitava enquanto a maçaneta girava, o ranger da porta trilhava o suspense.

Então a porta se abre revelando Deryck Roberts o garoto alto e calado da vizinhança, com aproximadamente 1,80 de altura, pele branca com sardas nas bochechas. Sua camisa vermelha com listras pretas lembra a camisa de ''Freddy Krueger'', e o jeans rasgado a calça de ''Jason Voorhees''. 

‘‘Olá’’- Em tom baixo, quase sussurrando Deryck parece assustado ao ver a palidez e decadência de uma menina que mesmo em tais condições expressa no rosto pura delicadeza. 

‘’Quem é você?’’ – Pergunta Molly num misto de emoções indefinidas enquanto segura a almofada. 

‘’Eu sou Deryck, nós somos vizinhos; nunca tinha visto você sem toda aquela maquiagem, é muito bonita. ’’ 

Em suas bochechas é notável a vermelhidão, sua timidez tira um leve, mas ainda triste sorriso de Molly. 

‘’Minha mãe logo vai chegar, você não pode ficar aqui, ela não deixa ninguém se aproximar muito. ’’. 

‘’Você não gosta daqui não é?’’. 

‘’Não tenho escolha e nem forças para fugir, olha o meu estado!. ’’ 

 Lagrimas começam a cair de seus olhos, gotas que lembram aquelas que escorrem no vidro em dias chuvosos.

‘’Eu volto quando sua mãe sair de novo, não sei como, mas vou te ajudar.’’ 

Outra vez a porta se fecha e a solidão retorna, pelo menos dessa vez podia ver algo novo na TV; enquanto troca de canais com a vontade de querer ver tudo ao mesmo tempo, resolve assistir ao jornal. A matéria mostra um grave acidente de carro na avenida ‘Green Path’. Dois carros colidiram e um dos motoristas havia morrido na hora. 

Enquanto as imagens passam Molly percebe que um dos carros é idêntico ao carro de sua mãe, um Honda Civic ano 2008 com a traseira completamente amassada. Os estilhaços de vidro no asfalto lembram pequenos cristais em meio a tragédia. E então o apresentador diz o nome das vitimas e uma delas é Denise Smith. 

Fechou os olhos e uniu suas mãos tremulas contra o rosto, uma baixa oração começava em tom de muita emoção, mas seu pedido para Deus não era o mais comum a ser feito por uma filha, Molly pediu para que sua mãe estivesse morta; mas antes de terminar, o apresentador comunica que Denise foi a sobrevivente. Com as poucas forças que tem arremessa o controle remoto na parede e dessa vez sente nada além de raiva; gritar é a única coisa que pode fazer enquanto a vinheta de encerramento do jornal começa a tocar. 

Enquanto as horas passam, suas dores começam a voltar. Veias que latejam como uma ferida inflamada e aos poucos os roxos também surgem tomando conta de seus pés exaustos. Somente nessas horas Denise era necessária, pois sem os cremes a dor é quase insuportável. Os movimentos involuntários tomam força na medida em que as dores aumentam, forçando seus pés a ficarem como se fossem dançar; uma coreografia dolorosa e indesejada que fazem seus ossos estalarem sem parar. 

Autor: Andrey D. Menezes. (Caro youtuber, por favor credite na descrição do vídeo caso deseje narrar, é importante para o crescimento dos autores do CPBR.) 
(Espero que estejam gostando :)