11/07/14

Creepypasta dos Fãs: Este é um passeio sombrio

Voltei do trabalho mais tarde do que imaginei. A empresa está uma loucura ultimamente, exigindo horas extras dos funcionários para compensar o tempo perdido e corrigir os erros provenientes daquele acontecimento. Ninguém gostava de permanecer até altas horas da madrugada no escritório, mas não podíamos reclamar. Era nossa culpa.

De qualquer forma, naquela noite precisei de mais algumas horas para terminar de preencher todos os relatórios, e a lua já não estava à pino quando cheguei em casa. Estacionei o carro em frente ao portão, como de costume, pois não havia a necessidade de guarda-lo na garagem, e me dirigi ao portão. Toda a vizinhança não se preocupava em deixar seus veículos na rua, pois nosso bairro possuía muita segurança. Além de câmeras e vigias espalhados ao redor das luxuosas residências de pessoas com maior poder aquisitivo, uma viatura policial cruzava pelos quarteirões a cada cinco minutos, monitorando a segurança e a paz da madrugada.

Assim que abri o portão, virei-me e cumprimentei um dos vigias da casa defronte a minha. Era um conhecido meu há anos, chamado Diego, estudamos juntos no ensino médio.

– Muito trabalho? – perguntou ele, elevando a voz gradualmente, para que eu o pudesse escutar.

– Está de morrer – respondi, sorrindo de forma afetada. O cansaço começou a despertar no meu interior, e meus movimentos já não eram tão ágeis. Fechei e tranquei o portão e virei-me para o pequeno jardim na entrada. A grama orvalhada coberta por sombras e o pequeno ramo de azaleia que brotara entre aquele gnomo de jardim feio que Emily preservara desde a infância e uma bola de futebol há muito esquecida era o que tornava a entrada de minha moradia agradável e aconchegante. Parecia aqueles quintais de filme americano, só que em tamanho reduzido.

Atravessei o caminho feito de tijolos amarelos que cortava o jardim e cheguei à entrada de minha casa, encarando a porta lustrosa no meio de grandes paredes beges, que eram preenchidas desigualmente por leves marcas de impacto com bolas de futebol. Escolhi a chave certa e olhei para o lado. A janela onde ficava a sala, à minha direita, estava ocultada pelas cortinas de renda branca que mamãe fizera para meu casamento. Sempre me esqueço de jogar essas porcarias fora.

Encaixei a chave e girei a maçaneta, sentindo minhas pernas vacilarem enquanto dava os primeiros passos para dentro da sala. Estava tudo escuro, naturalmente, e nem me dei ao trabalho de procurar pelo interruptor. Apenas tranquei a porta e me virei para o breu, tentando distinguir os móveis para não trombar em algum banquinho e derrubar algo que pudesse se partir. Minha casa não era muito grande, o que facilitava as coisas. Como éramos somente eu e Emily, aquele pequeno espaço era o suficiente para administrarmos nossa vida. Sala, cozinha, lavanderia, banheiro, quintal e nosso quarto. Era perfeito, ainda mais para recém-casados. Minha situação financeira era mediana, mas levou meses analisando minha caderneta de poupanças até tomar a decisão de adquirir o imóvel. Assim, continuei caminhando na escuridão, dirigindo-me ao meu quarto. Ao longe, um ruído ecoou pela sala, imobilizando-me. Imediatamente coloquei-me em posição de ataque, diminuindo a respiração para analisar cuidadosamente a origem do som. Após alguns segundos, relaxei meus ombros e concluí que deveria ser Emily no quarto, inconscientemente mexendo em algo no criado mudo. Retornei a minha caminhada, mas acabei tropeçando em um ursinho de pelúcia que emitiu um leve tilintar. Agachei-me e o retirei do chão, erguendo-o até a altura dos meus olhos e os cerrando, para que conseguisse distinguir as silhuetas do brinquedo.

“De onde diabos surgiu isso?”, pensei, atirando o brinquedo no que imaginei ser o sofá. Novamente, ele emitiu um tilintar sinistro que morreu lentamente na escuridão.

Não via a hora de deitar em minha cama. Tinha a impressão de que meu cansaço havia dobrado quando atravessei pela porta de casa, mas somente a ideia de me cobrir com confortáveis lençóis e abraçar fortemente Emily já me deixavam em ecstasy. Ela não suportava só poder me ver algumas horas por dia, devido ao meu trabalho. Mas, com sorte, em breve isso iria mudar. Tinha fé de que essa seria a última vez que ficaria até de madrugada junto com meus colegas, resolvendo equações sem sentido e tentando adivinhar o que nosso chefe aprovaria ou não.

Os outros três cômodos ficavam no mesmo corredor. Sentindo minhas pálpebras lutando para serem fechadas, eu passei pela cozinha e inalei o cheiro de salmão que Emily provavelmente havia feito para nós. O aroma era tão forte e sedutor que eu tive de me controlar para continuar seguindo até o quarto. Precisava ir para lá, apenas para lá. Dei mais alguns passos e ultrapassei o banheiro e, enfim, alcancei o último cômodo no corredor.

A porta estava entreaberta, então eu cautelosamente a afastei e entrei na ponta dos pés, não querendo acordar Emily. Não estava com paciência para colocar meu pijama, então despi minha camiseta e calça e fiquei apenas de cueca, esfregando os braços para me aquecer enquanto eu não deitava na cama. A escuridão no quarto era total, e novamente tive de tatear o vazio até sentir o colchão. Suavemente deitei sob os lençóis e puxei o cobertor, virando-me para o lado e estendendo o braço para contorna-lo ao redor do corpo de Emily. Mas, onde a minha mulher deveria estar, somente havia o vácuo. Eu estava deitado sozinho na cama, e não fazia a menor ideia de onde Emily poderia estar.

Ergui-me bruscamente e com os ombros erguidos de tensão, senti a verruga em meu pé congelar. Havia algo estranho acontecendo. Afastei o cobertor de meu corpo e me levantei, caminhando descalço até a porta.

– Emily? – chamei, pronunciando cada sílaba com um tom evidente de nervosismo.

– A mamãe está aqui, pai – disse uma voz infantil, no início do corredor. – Eu não conseguia dormir, e ela veio contar-me uma história... E acabou cochilando.

A voz sibilou pela escuridão, de forma tranquila e boba. Suspirando aliviado, dei de ombros e, com a adrenalina ainda circulando no sangue, fui até meu filho, tentando acalmar a tensão que persistia em preencher meus músculos. O chão frio parecia perfurar meus pés como agulhas.

– Está tudo bem, filho. – disse eu, suavemente, o identificando em meio às sombras e pousando minha mão em seu pequeno e suado ombro, à altura de minha cintura. O guiei através da escuridão, escutando seus leves passos em sincronia com os meus. – Vamos lá acordar a mamãe.

Ele murmurou alguma coisa que não consegui entender, e o levei até seu quarto, no começo do corredor.


Autor: Vitor Hugo D. M.

28 comentários:

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    1. Em um trecho, ele fala que só ele e a mulher dele moravam na casa!! Aparentemente ele não tinha nenhum filho!!

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    2. Sim, e se vocês notam, o homem leva o "filho" para a Cozinha (o primeiro cômodo do corredor), onde tinha cheiro de "salmão".

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Em uma parte ele diz que so moram e Emily em casa e eles n tem filhos mais essa creepy foi uma merda msm

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  4. Caramba,tanta gente falando que essa creepy é lixo,eu amei ela!É uma daquelas que você tem que ler com atenção pra entender...adorei!E o autor escreve muito bem!

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    1. É que em um trecho, ele diz que mora sozinho com a esposa, que eram recém-casados, e o "filho" e ele vão para o primeiro cômodo da casa, onde tinha o cheiro de "salmão". Entendeu o quer que explicar o que era cada um dos itens? (espero não ter soado grosseira)

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    2. Que eu explique* (esqueci de arrumar enquanto alterava o texto)

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  5. Realmente o autor escreve muito bem, mas ainda acho que faltou uma conclusão para essa história

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  6. Eu li 4 vezes pra entender, gostei :33

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    1. O cara diz que só mora ele e a esposa dele, portanto, não tem como ele ter um filho.

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  7. Parem de falar q as creepys estao ruim, se nao acham que esta bom façam as suas e parem de reclamar das dos outros,so pq vcs nao gostaram é lixo ? A pelo amor de deus.

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  8. Adoro essas creepys que deixam um bug no cérebro ao final . Tudo questão de interpretação . 10/10 .

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  9. Fraca demais. Tipo, o cara não tem filho e depois tem? Isso não é sinistro nem misterioso, é só uma gafe de continuidade, que não tem nada por trás, muito ruim essa creepy

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    1. O filho provavelmente é um fantasma ou algo do gênero e o cheiro de salmão é a mulher do cara morta.

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  10. Tadim, tava tão cansado que nem lembrou que não tinha filho :c

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  11. Como assim, "ruim"?! Além da creepy não falhar quanto ao português (apenas um pequeno erro de conjugação verbal no começo do texto) ela apresenta uma estória boa, atrativa, e que necessita de total atenção para entender. 9/10.

    Obs:Não está faltando final algum, prestem atenção.

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  12. Eu entendi, mas achei fraca, essa eh apenas a minha opiniao.

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  13. Fiquei sem entender por um tempo, então re-li kkkk Super boa \o/

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  14. Aí galera, o cara não falo que era só ele e a mulher morando na casa?

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